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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Coisas que só existem na Alemanha (ou que eu só vi por aqui!)

Quando a gente chega a um país novo, tudo é novidade: o mercado, o transporte, a comida... Mas depois de um tempo de residência, as coisas parecem cair no lugar comum. Bom, nem tudo! Depois de quase dois anos de Alemanha, tem algumas coisas que ainda chamam a minha atenção, por diferentes motivos. Colecionei uns jornais de ofertas, desses de supermercados, e separei algumas “pérolas” que, muito provavelmente, só terei a chance de ver por aqui!

Bebidas

Sim, aqui é o país da cerveja, muita cerveja. E cerveja boa, pra todos os gostos. As páginas dos jornais estão repletas de anúncios e não se pode deixar de provar. O que gosto aqui são as opções de 5 litros, muito legal para festas e “kein Pfand”. O que é isso? Significa que você não paga pelo casco. Normalmente, toda a bebida tem o preço do líquido e de sua embalagem. Se paga os dois e, ao retornar as embalagens, recebe-se o dinheiro de volta. Garrafas de vidro: € 0,08; garrafas Pet: € 0,25; outras garrafas, normalmente € 0,15.

A mulherada aqui A D O R A beber Sekt (champanhe, espumante, pró-seco, como queira!) e é comum encontrar as meninas indo para as festas com suas garrafas em punho. Aqui, cada um leva o que vai beber e só bebe o que levou. Para facilitar a vida e não deixar a garrafa esquentando, vendem a bebida em latinhas! Adoro a idéia! Bem que o pessoal de Garibaldi (RS) podia copiar!


Comida


Comer ovo no café da manhã aqui é tão comum como pão francês com manteiga ai no Brasil. E se a família for grande, porque não contar com a ajuda de uma “cozinhadora de ovos”?

Para a casa

Todo o estudante que se muda passa pelo mesmo drama: eu preciso de um guarda-roupa e tudo é muito caro. Não aqui na Alemanha. Existem esses armários com armação de ferro e forro em um tipo de tecido plastificado que quebra um galho de bom jeito! Bem que podia ter isso por ai, né... O princípio é o mesmo daquelas sapateiras que se encontra com vendedores ambulantes, mas é muitoooo mais prático!

As camas aqui são grandes, enormes. A menor cama de casal tem 1,40m de largura e 2 m de comprimento. E é difícil encontrar esse modelo “pequeno”. O que eu achei curioso nesse anúncio ai, foi a cama de “casal” com lugar pra três... Alguém ai tem opinião formada a respeito!?


Vestuário

Vamos à uma das pérolas: os aventais “divertidos” para churrasco. Tire suas próprias conclusões. Se quiser encomendar um (sic!) pra quando eu for ai, pede já, porque se trata de um produto sazonal – como tudo relacionado a churrasco – e só vende na primavera/verão.

E os biquínis? Não vou discutir o lado ruim da coisa – que é o lado de trás. Com o perdão da palavra, todos ficam com aquele “saco de bosta” na bunda. Mas tem coisas bem bacanas, como esse modelo ai de camisetinha. Eu adorei e quero um!!!


Esportes

Já escrevi um post inteiro sobre esportes, mas esses são diferentes. Andar de bicicleta na Alemanha é fundamental – além de saudável e divertido – e as crianças mal aprendem a andar e já ganham sua primeira “magrela”. A diferença? As bicicletas não tem pedal!As crianças andam com os pés no chão e vão aprendendo a se equilibrar sem que pais e mães tenham que sair correndo feito loucos, segurando. Além disso, não precisam daquelas rodinhas auxiliares: não me lembro de ter visto isso por aqui. Quando elas já sabem como se equilibrar, ganham as bicicletas “normais”, com corrente, pedal!

Outra engenhoca – entre as muitas pra quem tem filho! – é esse triciclo com um “cabo”, em que os pais guiam a criança. Uma mistura de carrinho com brinquedo que os pequenos não se recusam a usar!

Já falei do Nordic Walking e aqui vai mais uma prova da popularidade do esporte. Os bastões para a prática dessa caminhada poderosa são vendidos nos supermercados...


Decoração

Bom, a primeira é versão “Copa do Mundo” de um artigo normalmente vendido com as cores e logomarcas dos times de futebol. É uma espécie de capa para colocar no espelho retrovisor do carro. É esquisito? Muito. Tem quem compre? Muita gente...

Esse anúncio é, para mim, o vencedor da categoria bizarrices. Quem, com todas as suas faculdades mentais em ordem, compraria essas falsas cabeças empalhadas pra “decorar” a parede!? Eu só vi isso uma vez no catálogo! Ou ninguém comprou... ou acabou o estoque. Quem vai saber!?!??!?!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Caminhada superpoderosa!


Uma amostrinha de como fica o jardim botânico nesta época do ano. A foto é do ano passado (olha o meu amor nela ai!!!), mas este ano, está igual...

Passada a confusão toda do projeto, é hora de pensar na tese. E nesse ponto, estou bem encaminhada. Meu tema já está definido, tenho boa parte da pesquisa adiantada e, enquanto os dias marcados em vermelho no calendário parece distantes, da tempo de deixar a mente “respirar”. Mais que isso, resolvemos aproveitar o verão para uma nova rotina na casa: muita salada, frutas e exercícios. Além dos esportes na Uni, comecei a fazer Nordic Walking, ou caminhada nórdica, como é chamado em Portugal (porque não vi nada sobre o esporte no Brasil!).

Confesso que quando cheguei aqui na Alemanha, achava muito esquisito ver pessoas andando na rua com dois bastões de esqui como apoio: parecia completamente sem sentido, considerando que as calçadas por aqui são perfeitas e que não havia qualquer neve em volta. Demorei um tempo para saber que se tratava de um esporte e mais tempo ainda para aderir. Mas estou entusiasmada!

A sensação de caminhar com os “palitos” é totalmente diferente de uma caminhada tradicional. O corpo inteiro entra em movimento e parece que o chão vira uma espécie de esteira rolante. O exercício é mais leve, porém mais completo. Queima cerca de 400 calorias por hora – algo em torno de 20 a 30% a mais que a caminhada tradicional – exercita músculos superiores do corpo também e reduz o impacto nos tornozelos e joelhos. Ainda sou iniciante, mas recomendo. Sem contar nos sorrisos pelo caminho... As velhinhas que passam em passos largos com seus “palitos”, sempre olham com aquele arzinho de aprovação!

Bom, pra fechar, basta dizer que moro ao lado do jardim botânico de Bremen: lindo, bem cuidado em qualquer época do ano e, em maio, especialmente tomado por azaléias perfumadas de todas as cores imagináveis e híbridas de cores inesperadas. Um convite a mais para aproveitar cada horinha ao ar livre, depois de um inverno que levou infinitos sete meses para passar.


Videozinho com explicações sobre a tal caminhada nórdica (em inglês, mas cheio de "figurinhas" e fácil de entender)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Variedadade esportiva na Uni-Bremen

Hoje foi dia de acordar cedo. Mais precisamente, 6h55, porque as 7h em ponto entrava no ar o sistema de matrícula para o semestre esportivo da universidade. É preciso ser rápido e deixar tudo digitado antes, só copiar e colar nos formulários: se não, fica sem a vaga em alguns dos esportes mais concorridos. Natação é um deles: o normal é ficar na fila de espera. Sobre essa experiência esportiva, algumas considerações.

A estrutura esportiva da universidade é de deixar inveja! O preço pago pelos estudantes pela matrícula é pelo semestre todo. Natação: 17 euros, hidroginástica (que é o que eu vou fazer), 25. Muito mais barato que qualquer academia ai no Brasil.

Além disso, a lista de esportes disponíveis é imensa. Contei, por cima, 129 modalidades. Fora as subdivisões para cada uma: por idade, sexo, grau de experiência e por ai vai. A variedade tem coisas tipo capoeira, reggeaton, pilates e tudo o que imaginar. Pode espiar.

Mas o curioso é que a lista tem uns esportes que eu chamaria de “perolas”. Perdoem a minha ignorância... mas olha esse treco ai: Rhönrad é o nome da modalidade.



Gostou??? Ainda tem vagas...

Importante também é saber que a universidade está preocupada com a integração social dos estudantes por meio dos esportes (sic!). Pra quem não fala alemão: Nonverbale Kommunikation (esporte isso!?!???). E pra quem é brasileiro ou de qualquer lugar do terceiro mundo e ta preocupado em achar emprego na volta ao país, eis o fim dos seus problemas: Jonglieren.



Emprego garantido em qualquer sinaleira da América Latina, por apenas 17 euros o semestre! Ainda da tempo de fazer a matrícula!!!

sexta-feira, 19 de março de 2010

FairPlay x falta de educação

Eu gosto de viver na Alemanha e de um modo geral, vejo muito mais coisas positivas do que negativas aqui. Mas às vezes, algumas coisas irritam profundamente e nessa hora sinto falta de não saber todos os palavrões possíveis nessa língua tão cheia de consoantes. Pra ser justa, então, divido o post em duas partes e conto a história toda.

FairPlay


Nesta quinta-feira fui ao Weserstadion, a trabalho, acompanhar o jogo Werder x Valencia – segunda rodada das oitavas-de-final da UEFA Europa League. Havia uns 40 torcedores espanhóis por lá, cercados por uns 80 seguranças o que ficou cômico e obviamente, desnecessário. Mas o tal do FairPlay – por parte dos alemães, diga-se bem! – começou cedo.

Recebi, na terça-feira, um e-mail da assessoria do Werder com o convite da festa que a torcida organizada do Werder estava preparando para os espanhóis. Isso mesmo! Não errei os nomes. Os alemães organizaram uma recepção (leia-se “esquenta”, no Brasil) para os torcedores visitantes. Confesso que tal grau de civilidade me deixou boquiaberta. E feliz por morar em um país que sabe se comportar assim.

No jogo – apesar do Valencia não ter retribuído a elegância do FairPlay em campo –, os alemães voltaram a mostrar que sua paixão é pelo bom futebol. O Werder – que tinha empatado o primeiro jogo, lá, em 1 a 1 –, acabou empatando, em casa, por 4 a 4. O resultado – pela regra de gols marcados fora de casa – deu a vaga nas quartas-de-final aos espanhóis e fez os alemães, que na temporada passada chegaram à final, despedirem-se mais cedo da competição.

Como a torcida reagiu ao fim do jogo??!?!?! Aplaudindo o time, de pé, pelo grande espetáculo que assistiu. Foi um jogão de bola e o torcedor soube reconhecer isso. Bateu palmas na saída dos jogadores, cantou o hino do time ‘derrotado’ e foi, civilizadamente, embora. Eu fiquei até mais tarde gravando uma entrevista (que ta aí ilustrando esse post) com o Hugo Almeida – atacante português que marcou um golaço e, sem protecionismo, foi o melhor em campo pelo Werder. Quando saí, ainda vi uns espanhóis bebendo pela rua e os alemães – que amam passar férias em Mallorca – enrolando a língua pra bater um papo. 100% FairPlay.

Falta de educação

Mas nesta mesma Alemanha, as pessoas não fumam: elas comem cigarro. É impressionante o número de tabagistas por aqui e a falta de educação deles. E a falta de leis e regras para disciplinar o consumo de cigarro em ambientes coletivos. O país gira em torno de quem fuma e quem não fuma – e ODEIA cigarro, como eu – que se dane. Foi assim durante o jogo. A tribuna de imprensa não fica separada da torcida: prova de civilidade. Mas tem sempre um cidadão que se acha no direito de passar a partida inteira dando baforadas de um insuportável charuto (um após o outro, na verdade) na cara de quem está por perto. No caso, a minha.

Com todo o português que me cabe: filho da puta, desgraçado, mal educado. Que pegue a merda do charuto e enfie no cu. É o mínimo que ele mereceria ouvir se eu soubesse tudo isso em alemão. E o mesmo vale para todos os fumantes (amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos): não fumem perto de mim. Eu odeio cigarro e o cheiro maldito que ele deixa em toda e qualquer pessoa.

Ufa. Desabafei.

Por outro lado, ontem, fomos a um pub irlandês festejar o St Patrick’s Day... e TODOS os fumantes usavam ou a área reservada ou fumavam na rua. Voltei para casa sem um cheirinho de fumaça... Louvável. Vai ver é porque quase ninguém no pub falava alemão...

Mas hoje, a falta de educação compensou e me fez esquecer o “bom comportamento” do dia anterior. Não bastasse o fumacê do jogo, na volta pra casa, esperando o trem, sentei no banco vazio da parada. Eis que chega um cidadão, de posse de seu fedorento charuto, falando ao celular e, sem o menor vestígio de estar se preocupando, senta-se do meu lado e passa a baforar na minha direção. Outro grandessíssimo filho da puta. Levantei, saí, jurando que vou aprender todos os xingamentos do mundo para essas situações. Por hora, só tenho um desejo: que todos os malditos apreciadores de charuto apodreçam seus pulmões e morram asfixiados na própria fumaça da forma mais horripilante possível. No mínimo.
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel