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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Manual da visita legal: como curtir as férias na Europa sem chatear o amigo que está te hospedando


A coisa toda parte de um princípio básico: receber visita aqui não é o mesmo do que receber no Brasil. Quem vem para se hospedar na casa de amigos é, geralmente, jovem – como os amigos que vão receber! – e em busca de fazer uma viagem mais barata. Quem mora aqui está, na maioria das vezes, estudando ou em início de carreira: ou seja, também tem as despesas mais apertadas. E mais, quarto de visita na Europa é um luxo imenso que mesmo famílias já estruturadas não costumam ter. Por isso, que fique claro: fazer um mochilão barato pela Europa não significa transferir uma parte das suas despesas para quem está te hospedando.

Mas não me entenda mal. Eu adoro receber visita. Vamos partir desse pressuposto. É sempre um prazer ter amigos queridos por perto, compartilhar refeições, colocar a conversa em dia. E quando recebo gente em casa é porque realmente quero receber a pessoa: se não, nem teria feito o convite. No geral, nunca tive problemas recebendo ninguém aqui (se você já se hospedou na minha casa, pode dar um suspiro aliviado!), mas ouvi muitas histórias ao longo desses anos aqui na Alemanha e por isso resolvi escrever esse post com algumas regrinhas básicas:

Não peça hospedagem para mais do que duas pessoas - As pessoas moram em espaços menores aqui e, por isso, se for pedir hospedagem, pense que o espaço é limitado. Você e seu parceiro podem dormir juntos. Mas se for um amigo, já são dois espaços. Pedir hospedagem para três pessoas? Nem pensar. Para muitos, isso seria ter colchões espalhados até pela cozinha. Isso pode até ser uma prática válida para o Réveillon na praia na casa da tia, quando todos estão de férias, mas não no meio da rotina de quem vive aqui.

Pequeno significa pequeno - Ainda sobre o espaço: não tente argumentar que “qualquer cantinho ta bom”, sem frescura, “é só jogar um colchãozinho no chão”. Eu já morei em um apartamento tão pequeno que, se eu colocasse um colchão no chão, não dava para abrir porta de saída da casa. Se o seu amigo disser que mora em um apartamento pequeno, acredite e não imagine o “pequeno” de acordo com a sua experiência brasileira.

Aceite um não como resposta – Muitos amigos gostariam de te hospedar mas podem não estar aptos a fazer isso. Além da falta de espaço há quem viva em moradas estudantis que tem políticas bem restritivas quanto a visitantes. Ou ainda dividem apartamento com outras pessoas e o acordo da casa é não receber visitas que não sejam familiares próximos ou parceiros. Pode soar estranho para os brasileiros que tem a hospitalidade como característica, mas é mais corriqueiro por aqui do que se possa imaginar. Visitas sempre implicam em gastos maiores para a casa e tem gente que não está disposta em arcar com o banho alheio.

Arrume sua cama – Isso parece óbvio, mas sei de muita gente que “esqueceu”. A ação tem que ser imediata: pulou da cama, arrume tudo o quanto antes. Se possível, levante o colchão e coloque encostado na parede para ocupar menos espaço. Feche o sofá cama. Faça o que for preciso para deixar a casa do seu anfitrião o mais próximo possível de quando você não está lá.

Não deixe suas coisas espalhadas – Claro que pode deixar uma bolsa com cosméticos no banheiro, casacos na porta, sapatos na entrada. A casa funciona assim. Mas deixar malas abertas e coisas voando por todas os lados do apartamento não tem o menor cabimento.

Siga as regras da casa – Em Roma, faça como os romanos, claro! Você está vendo os donos da casa comerem biscoitos na cama? Se não, não faça! Está vendo alguém fumar na janela? Não? Vá fumar na rua. Todo mundo tira o sapato quando chega? Tire também. Observe o ritmo das coisas e se inclua nele o mais rápido possível.

Não ocupe o banheiro por muito tempo – Isso vale para tudo, mas especialmente para o banho (a água e a energia são bem caras no Velho Mundo). Pense que os banhos diários dos brasileiros já são uma excentricidade para qualquer europeu. Dois banhos por dia? A não ser que esteja um calor infernal (coisa rara!) são um disparate que vai enlouquecer seus anfitriões, já acostumados ao estilo de vida europeu. As residências por aqui têm, geralmente, um banheiro só. Então em vez de secar o cabelo por lá, vale perguntar pra dona da casa se não é melhor fazer isso em outro cômodo para deixar o banheiro liberado logo – especialmente para quem divide apartamento com outras pessoas.

Leve um presentinho – Quem está conhecendo a Europa de mochila sabe o quanto pesa cada quilo a mais na bagagem. Quem mora do lado de cá também. Por isso, não precisa trazer um caminhão de encomendas para quem vai te receber, ainda mais se for no fim da viagem. Mas um agradinho “made in Brazil” pode fazer toda a diferença. Pode ser uma bijuteria, pode ser um pacotinho com cubos de caldo para feijoada, pode ser um imã de geladeira. Não precisa ser caro, mas é bacana mostrar que você pensou em quem está te recebendo. E pergunte antes de colocar cachaça, farinha, leite condensado, pão de queijo, feijão e afins na mala: hoje em dia tudo isso pode ser comprado aqui mesmo, sem problemas.

Vá ao supermercado, mas pergunte antes o que pode comprar – Vocês já viram as geladeiras das casas aqui na Alemanha? Em muitas, mesmo quando mora uma família, são um frigobar. Algumas sequer tem congelador. Ou seja, sua ideia de trazer sorvete como sobremesa do jantar pode ser muito errada. Também não compre coisas sem perguntar aos donos da casa o que pode comprar: muitas vezes não há espaço para os alimentos e as coisas podem estragar. Mas de qualquer forma, vá ao mercado e ajude nas despesas. Pão, leite de caixinha, chocolate, biscoitos: são coisas que todo mundo come e não estragam.

Se ofereça para cozinhar – Levar seus anfitriões para jantar pode sair do orçamento, mas cozinhar para eles pode ser uma forma muito divertida de agradecer. Não precisa preparar um jantar com três pratos, mas faça sua especialidade. Vai ser divertido encontrar os ingredientes em um mercado que não fala sua língua, cozinhar em um espaço completamente diferente. Nem precisa ficar delicioso: todos vão gostar do mesmo jeito.

Ajude com a louça – Seu anfitrião cozinhou? Se ofereça para lavar os pratos. Ele prefere lavar? Se ofereça para secar. Tem máquina? Ajude a recolher a mesa e a colocar a louça suja no lugar certo. Não espere que ele te peça ajuda. Ninguém por aqui tem empregada e toda a ajuda é sempre bem-vinda.

Participe da limpeza da casa – Claro que ninguém vai sair fazendo faxina na casa alheia se a estada for de umas noites. Mas se for ficar a semana toda é bom ficar atento no funcionamento da casa e dar uma forcinha na hora de varrer o chão. Muito provavelmente seus anfitriões vão fazer isso enquanto estiver fora de casa, mas se chegar no meio da função, nunca deixe de oferecer ajuda. Além disso, fique atento ao lixo que produz. Sacos, saquinhos, sacolas, pacotes de lojas de souvenires: tudo precisa ser separado e colocado no contêiner adequado.

Tenha uma agenda independente – Você já parou para pensar em quantas pessoas além de você seu anfitrião já recebeu naquela cidade. E quantas vezes ele foi ao Brandenbuger Tor, à Torre Eiffel ou a qualquer outro ponto turístico obrigatório?! Não o obrigue a fazer isso de novo. Faça seu próprio roteiro, participe de Free Tours, use APPs que te guiem pela cidade e pense que, enquanto está passeando, seu anfitrião – que muito provavelmente não está de férias – tem uma rotina a seguir. Tenha um roteiro pro dia sempre programado, mas aceite sugestões e dicas de quem vive na cidade. Elas podem transformar seu passeio em algo muito mais especial.

Inclua seus anfitriões em seus programas – Ser independente não significa excluir os anfitriões da agenda e usar a casa deles como hotel. Isso chateia qualquer pessoa. O importante é equilibrar as coisas: faça os passeios turísticos sozinhos, marque um happy hour com o amigo que está te hospedando.

Deixe um agrado na saída – Não se trata de pagar a hospedagem. Ninguém espera isso. Mas é sempre bom se sentir reconhecido e isso pode ser feito com um bilhete e meia dúzia de palavras gentis escritas a mão. Pode ser um bombom. Pode ser uma flor que custa um euro na lojinha da estação de trem. O importante é não esquecer de deixar claro o quão grato ficou por ter sido hospedado de graça pelo seu amigo.

Não esqueça de nada – Verifique dez vezes se está levando tudo. Veja no banheiro, embaixo da cama, pendurado atrás da porta. Veja na cozinha, na geladeira, atrás do sofá. Depois, veja outra vez. Não deixe para trás para que seu amigo não tenha a responsabilidade de guardar alguma coisa por dois anos, até vocês se reencontrarem, e nem que colocar nada no correio.

Avise que chegou bem em seu próximo destino – A não ser que esteja indo para um destino inóspito e sem internet, escreva para dizer que chegou bem. Seu roteiro de viagem foi, provavelmente, um assunto bastante comum na sua estada e seu amigo certamente vai querer saber se chegou bem ao próximo destino e tudo correu conforme o planejado.


Escreva quando estiver em casa e envie as fotos – Depois das férias, já de volta ao lar doce lar, não esqueça de enviar as fotos que prometeu! Escreva ainda um e-mail bacana, contando como foi o resto da viagem e agradecendo mais uma vez pela companhia e pelos dias que passaram juntos. Isso certamente vai deixar as portas abertas para sua próxima estada. Ah, e retribua a gentileza! Não esqueça de deixar sua casa – ou sua casa de praia! – a disposição do seu anfitrião na próxima vez que ele for ao Brasil. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Alemanha fácil e barata: Cinco dicas para não cair em roubadas de turista em Berlim

 

Os brasileiros estão invadindo Berlim. Cada dia mais visitantes chegam para descobrir porque a cidade “pobre, mas sexy” virou o epicentro de gente descolada, artistas, hipsters, startups e curiosos do mundo inteiro. É claro que existem aqueles lugares obrigatórios para ver na primeira visita à cidade, mas além do Portão de Brandemburgo, dos restos do muro na East Side Gallery e do Memorial dos Judeus mortos na Europa não é preciso seguir à risca o roteiro Europa mágica. Ai vão as dicas:


Ônibus 100: a linha passa pelos principais pontos turísticos


Fuja dos ônibus turísticos -  A maior graça de Berlim está na sua gente (do mundo inteiro) e na babel de línguas que se fala dentro do metro. Compre um ticket para o transporte coletivo para a zona AB e divirta-se. Existem os tickets diários para uma pessoa (6,90 Euros), diários para grupos de até cinco pessoas (16,90 Euros) ou para a semana, que custam 29,50 Euros. Os tickets valem até as 3:00 da manhã do dia seguinte e, assim, dá para curtir a balada. O sistema de transporte de Berlim não tem catracas: funciona na confiança e pega mal, muito mal tentar dar uma de espertinho e viajar sem o ticket.  Além do vexame, a multa custa 40 Euros e precisa ser paga na hora por quem não mora na cidade.  A situação pode ser complicar e virar caso de polícia para quem se recusa a pagar e não tem endereço fixo. Uma vez com o ticket em mãos, não deixe de dar uma volta com os ônibus 100 e 200, que saem da estação Zoologischer Garten e percorrem os principais pontos turísticos da cidade.


Prefira cervejas artesanais: A Alemanha produz milhares de cervejas que são vendidas no mundo todo. Portanto, nada melhor que aproveitar uma visita a Berlim para provar o que não se vai encontrar em lugar nenhum. É só pesquisar por micro brauerei e escolher a que fica mais perto do hotel.

Fuja dos hotéis tradicionais: Alias, falando em hotel… A rede de hospitalidade de Berlin é enorme e tem preços e opções para todos os bolsos. Mas para quem busca uma experiência mais autentica, a melhor opção é alugar um apartamento. Eu uso sempre o Airbnb. O preço pode ser bem convidativo e ainda se tem a chance de cozinhar em casa e, com isso, a desculpa para conhecer os supermercados da cidade, o que, por si só, é uma experiência interessante.

Kantstrasse: fachadas feias, comida boa e barata


Procure locais alternativos para comer: Mas se o negócio for comer na rua, fuja dos restaurantes supervalorizados pelos populares sites de viagem e vá onde os berlinenses vão. Aos fins de semana, há sempre comida de rua nos parques e mercados de pulgas. Uma sugestão deliciosa eh descer do S-Bahn na Savignyplatz e andar até a Kantstrasse. A região é conhecida como Chinatown de Berlim e os restaurantes com fachadas duvidosas tentam conquistar a clientela. A melhor dica nesse caso é espiar pela porta. Se estiver cheio é sinal de boa comida. Sempre tem gente comendo em Berlim, não importa a hora!


Torre de rádio: opção bem mais barata


Visite pontos de interesse fora da rota turística: Quer ver a cidade do alto? Nada de subir na torre da Alexanderplatz e nem no balão do Die Welt. Vá para a Coluna da Vitória, o Sigsäulle e enfrente os quase 300 degraus pra ver Berlim lá do alto pagando 2,50 se for estudante ou 3 euros. Outra opção é  a torre de rádio, Funkturm, com uma vista incrível e um preço bem simpático também, a partir de 3 Euros pra estudante. O mesmo vale para compras: em vez de deixar meio salário nas lojas de souvenir, que tal uma bijuteria única comprada de um artesão no mercado de pulgas? São dezenas de mercados na cidade, é só escolher.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Paris em luto: ataque covarde abre ferida na capital francesa

Luto: funcionário desce a bandeira a meio mastro no Museu das Armas

Estou em Paris e as bandeiras estao a meio pau. Mas levei um tempo para me dar conta que algo mais serio tinha acontecido. A noticia do ataque covarde a redacao do Charlie Hebdo chegou na velocidade das redes socias. Na terca-feira, um amigo havia comentado em tom jocoso em uma foto da Torre Eiffel que publiquei no Instagram: toma cuidado ai. Alem das luzes, Paris tambem eh famosa pelos batedores de carteira e nao poderia imaginar nada mais grave do que isso. Mas foi por por outro comentário que fiquei sabendo do atentado: “Te falei pra tomar cuidado! Já teve até tiroteio ai hoje”.

Pensei que fosse piada, mas abri um site de noticias só pra ter certeza. A manchete era clara. Um ataque com – até entao – pelo menos quatro mortos. A notícia deu sentido a movimentacao de carros a paisana, mas com sirenes ligadas, que estavamos vendo nas ruas: alguns deles cortanto as largas avenidas da cidade na contramao. Segui as noticias aos poucos, a medida que, por ironia, avancava pelos corredores do Museu das Armas, com meu marido e um casal de cunhados recem chegado de Florianopolis para uma visita.

Foi so na saida do complexo historico que me dei conta que se tratava de uma tragedia. Um funcionario descia a bandeira francesa ate o meio do mastro no alto da Tumba de Napoleao, enquanto o burburinho da cidade, misturado ao vento gelado de inverno, era cortado por sirenes a cada momento.

Tenho a impressao que muitos turistas nem se deram conta que algo se passou, a nao ser pelo aumento dos policiais nas ruas e, especialmente nas estacoes de trem e metro. Algumas foram fechadas por razoes de seguranca, como a La Republique, onde uma manifestacao em solidariedade as vitimas reuniu milhares de pessoas, o que soh fiquei sabendo mais tarde, ja em casa.
A estacao do proxima ao boulevard Richard-Lenoir, onde aconteceu o massacre, ainda estava fechada no inicio da noite, mas nos arredores da casa onde estou, a menos de dois quilometros da sede do semanario, poderia ser mais um dia qualquer. Meu frances nao serve para entender as sutilezas das conversas de metro, mas tudo parecia mais calado que o normal.

Foi so em casa que vi os videos do ataque e que pude pensar no quao vil e covarde foi tudo isso.  Ja tinha enfrentado uma situacao de tristeza parecida no final de 2012. Eu morava em Bonn, na Alemanha, na época em que salafistas deixaram uma bomba de alto poder de destruicao na estacao de trem por onde eu passava todos os dias. Uma falha na montagem evitou a explosao, mas nada evitou o sentimento de vulnerabilidade que tomou conta da cidade e que se repete agora na Franca.

O que aconteceu em Paris nessa quarta-feira serve de alimento para os crescentes movimentos de extrema direita que se espalham pelas ruas da europa e pelas urnas a cada eleicao. Mas apesar da dor e das feridas, apesar do fundo religioso dos ataques, os tiros contra o  Charlie Hebdo nao podem servir de municao para a generalizao de um sentimento anti-islamico. As canetas que ficarao caidas nas mesas falavam de liberdade e tolerancia e esse discurso nao pode se calar com balas.

Paris fica mais cinza a partir dessa quarta-feira e a imprensa vai seguir de luto mesmo depois que as bandeiras voltarem ao topo dos mastros na cidade Luz.

Ps.: Desculpa pela falta de acentuacao. Arrumo isso assim que voltar a Alemanha.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Turismo em Berlim: dicas para se hospedar barato na capital da Alemanha

 

Estou empacotando a vida mais uma vez: vou voltar a viver em Berlim, cidade pela qual eu morro de amores, mesmo com o desgaste que isso traz. E explico o porquê. Quem vive em Berlim sabe bem o que é ter sua casa transformada em um hotel. Na primeira vez que vivi na cidade, organizamos um calendário para dar conta de acomodar as visitas: em vários dias, saia uma pessoa de manhã, chegavam duas a tarde.

Não me entenda mal: eu adoro receber visitas, mesmo. Mas gosto de receber as visitas com tudo o que elas têm direito: cozinho pra elas, deixo toalhas cheirosas, lençóis limpos e quero ter tempo de passear com elas pela cidade, de conversar. Mas eu tenho uma vida também. Eu trabalho de casa e não ter um horário a cumprir não significa que eu não tenha muito o que fazer. Não posso abrir mão do calendário todos os dias para receber alguém.

Sei que muito mais gente passa por isso e dá de cara com aqueles que não entendem porque eu não tenho uma reação de felicidade extrema quando fico sabendo que o amigo do meu amigo (que provavelmente é um cara gente boa pacas!) está vindo pra cidade. Ou porque prontamente não ofereço hospedagem para aquele colega do segundo grau (sim, na minha época era segundo grau!) que nunca falou comigo nas últimas décadas.

Pois bem. Terminado o muro de lamentações, eu quero deixar duas coisas bem claras: primeiro, se você é meu amigo de verdade eu vou fazer questão de te receber e pode vir sem ter vergonha, porque se fiz o convite, foi sincero. Se você é meu amigo de verdade e eu não te convidei para ficar na minha casa, pode ter certeza que fiz isso com o coração partido, mas não pude receber você naquele momento. Se você é meu amigo de verdade, vai entender que não posso hospedar aquele SEU amigo de verdade, sua prima, o vizinho da sua mãe. E por isso fiz uma listinha de opções de hospedagem que cabem no bolso de todo mundo que decidiu incluir Berlim no seu roteiro de Europa mágica.

Sites para reservar hotéis: eu costumo usar o Booking. Para quem quiser tentar outras alternativas, tem um post bem interessante aqui, com sites pra economizar na reserva.

Hotéis baratos: Em Berlim tem um Easy Hotel. É a versão hoteleira low cost, e não por acaso é da mesma rede da aérea Easy Jet. Funciona bem para casal: um quarto minúsculo, mas muito limpo. Um micro banheiro com chuveiro (tudo de vidro, sem muita privacidade) dentro do quarto, mas com preço de hostel (ou mais barato!). Ficamos lá varias vezes, quando vamos a Berlim: a gente sabe que nem sempre os amigos podem nos receber! A cadeia de hotéis Ibis Budget segue o mesmo esquema, mas com uma porta de banheiro opaca que garante um mínimo de dignidade para quem vai fazer o número dois.

Hostel: Não sou muito fã desse tipo de hospedagem. Acho que já passei da validade. Mas se o quarto for só para duas pessoas, até não me importo em dividir o banheiro se for por uma noite ou duas. O próprio site do Booking localiza hostel também. Uma rede famosa de hostel é a A&O, embora eu pessoalmente nunca tenha experimentado. Se alguém tiver uma dica melhor nesse quesito, é só comentar que adiciono aqui! 

Atualizando: Me hospedei no A&O que fica nos fundos da Estação Central de Berlim nos 25 anos da queda do Muro e, apesar do hotel/hostel estar bem cheio, o quarto que ficamos (na parte que é hotel - ou seja, com banheiro privativo e uma cama de casal) estava silencioso. As cortinas são finas e pequenas, mal cobrem a janela. Essa é minha única observação negativa. Não tomei café da manhã por lá.

Airbnb – Atualmente é o meu queridinho. O Airbnb é um site que faz o meio de campo entre quem tem uma casa, um quarto ou uma cama para alugar e quem precisa de um canto para dormir. Todas as experiências que tive até agora foram ótimas, mas para isso é preciso ler com cuidado todas as avaliações feitas pelos outros usuários. Funciona assim: você faz um cadastro, cria um perfil e começa a procurar o que precisa. Eu gosto de alugar o apartamento inteiro, o que significa ter uma cozinha para o café da manhã ou mesmo para o jantar, se quiser economizar um pouco. Mas é possível alugar só um quarto, com a família na casa ou mesmo só a cama em um quarto. Os preços variam conforme a localização, os serviços oferecidos. É um baita negócio pra ambas as partes. Mas lembre-se: não é uma reserva de hotel. Você precisa ser simpático – e aos poucos construir uma reputação pelas avaliações que recebe – para convencer o dono da casa a te receber.

Couchsurfing e Hospitality club: os dois sites funcionam da mesma forma. Você entra, fala com as pessoas, pede hospedagem e, com sorte, acha alguém que queira te receber, de graça, em casa. Como a coisa toda não envolve dinheiro, é preciso sorte e simpatia para assegurar um colchão na sala. É a forma mais barata de viajar, dá para conhecer muita gente bacana, mas em cidade turísticas pode ser mais difícil de conseguir espaço. Mas sempre vale tentar.

Para fechar, é obvio que em Berlim existem hospedagens de 20 a 2000 euros (provavelmente mais, mas eu nunca pensei muito no assunto!). Eu, particularmente, não procuro muito luxo quando saio por ai. Quero comodidade, segurança e bom preço – e usar o dinheiro economizado para viajar mais! Em todas as cidades da Europa que já visitamos – e Berlim não difere muito – uma hospedagem para casal em um lugar limpinho e bem localizado (o que pode significar ser perto de um metrô!), com banheiro privativo, sai entre 50 e 75 euros. Em Berlim eu sugiro ficar nas imediações do Centro (Mitte, Tiergarten, Moabit, etc) ou no coração da balada, em Prenzlauer Berg, por exemplo. De qualquer forma, o transporte da cidade é bastante eficiente, mesmo a noite. 

Se quiser uma dica do que fazer na cidade, escrevi um post bem completinho com um roteiro de três dias. Para quem não sabe o que comer, opções baratas e saborosas nesse post! A hashtag Berlim aqui do Blog tem vários posts interessantes pra conhecer tudinho da capital alemã. Boa procura e boa estada em Berlim!


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Desafio do turismo sem viajar: para aprender a ver o mundo é preciso conhecer a própria vizinhança

Novos olhares: viajar pode ser simplesmente olhar pra fora da janela

Viajar é quase um vício. Quanto mais se anda por aí, mais se percebe a imensidão do mundo. Quem gosta de viajar passa o caminho de volta inteiro planejando a próxima viagem. Existe uma expressão em alemão que eu gosto muito e que define esse sentimento: Wanderlust. Wander, em alemão, é caminhar, fazer uma trilha, bater perna por ai. Lust é vontade, ânsia por alguma coisa. Juntando tudo, é quase como um desejo de sair por ai, sem rumo certo, sem saber o que vem pela frente. É um desejo forte de ver o mundo. 

Mas viajar não significa ir longe e nem ter muito dinheiro. Viajar é, sobretudo, uma questão de olhares e por isso queria lançar o desafio de ser turista por um dia em sua própria cidade, aproveitando para celebrar o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro).

É simples assim: escolha um dia de folga. Um domingo, de lojas fechadas, ruas tranquilas. Coloque um calçado bem confortável, pegue a máquina fotográfica e saia para turistar pelas ruas do Centro, onde se passa todos os dias. A ideia é olhar e ver. Ver com a alma e depois compartilhar com os amigos o que se viu: em blog, no Facebook, no Istagram. Que tal usar a hashtag #TurismoSemViajar e #DeVoltaANaveMãe!??!

Desde que viemos morar na Alemanha essa tem sido uma tarefa bem comum em todas as cidades que moramos. Quando recebemos visita, fazemos os passeios turísticos da cidade. Vamos às ruas principais, aos museus, à prefeitura: e sempre me sinto feliz em fazer isso, porque sempre vejo uma coisa que não tinha visto antes.

Claro que em algumas cidades há mais coisas para ver do que em outras, mas a ideia do desafio é olhar a própria cidade com o olhar de turista. Antes de sair, de uma lida no site de turismo da cidade. Espie a Wikitravel. Vale até comprar um guia turístico ou imprimir as páginas com explicações sobre os prédios históricos, os monumentos, aquelas estátuas que a gente sempre passa na frente e nunca vê.  Passe o dia caminhando, curtindo, como se fosse uma cidade nova. Sem pressa e deixando que os olhos vejam aquilo que nunca tem tempo de ver.

Faço isso sempre aqui em Weimar. Tento passar por ruas diferentes, mesmo que isso adicione 200 metros a mais no meu caminho. E sempre encontro surpresas. Mas turistei também na última vez que fui a Blumenau, minha cidade natal. Claro que tem muito a ser feito – ver a cidade com os olhos de turista permite entender que imagem os visitantes levam dela. Mas mais do que isso: é sentir o prazer de viajar sem ter que pegar um avião.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Turismo seguro: oito dicas simples que descomplicam qualquer viagem pelo mundo

Alvo fácil: bolsa aberta, para trás, em um transporte público lotado

Viajar o mundo tem suas técnicas e muitas delas aprendi a duras penas: errando! Já carreguei malas enormes e cheias de coisas inúteis pensando em “talvez eu queira usar isso ou precise daquilo”. Mas com o tempo e a experiência de ter percorrido mais países do que os dedos permitem contar, algumas coisas muito simples se tornaram regras. Pode até parecer óbvio, mas observar essas regrinhas pode fazer toda a diferença. Por que um calo no pé, uma câmera roubada ou uma indigestão podem transformar qualquer viagem de sonho em pesadelo.

Calçado: O melhor calçado para viajar é um tênis (velho) confortável. Havaianas podem ir na mala para os dias desesperadoramente quentes, mas ainda assim é preciso avaliar. Os destinos europeus geralmente são “limpos”, mas há cidades em que ratos, cães, gatos e toda a sorte de animais vive pelas ruas. Assim, calçados abertos facilitam o contato com excrementos e podem ser uma porta aberta para doenças. Sapatilhas e botas baixas podem ser úteis, mas mesmo um corpo jovem e em forma pode sentir o impacto na coluna e nas articulações depois de dez ou doze horas de caminhada. Quem inventou solados com sistemas de absorção de impacto não sabia o bem que estava fazendo para quem tem a síndrome do pé na estrada.

Água da torneira: Pergunte aos locais sobre a água. Se as pessoas da cidade bebem água da torneira, você pode arriscar também. Mas desconfie de qualquer sinal de hesitação na resposta e prefira água mineral. O problema não está geralmente no tratamento da água, mas nas condições dos canos que fazem a sua distribuição e na (falta de) higiene das caixas de armazenamento. Em Roma, por exemplo, existem fontes de água potável pela cidade inteira. Todo mundo bebe e se refresca nelas sem medo. Então, vá sem medo. Mas pense que, na dúvida, é melhor gastar uns trocados a mais com água e uns a menos com remédios para diarreia.

Remédios: Aliás, leve sempre uma farmacinha junto. Nem sempre é fácil explicar para o vendedor da farmácia que não fala uma palavra de inglês o que se está procurando. Já tentou pedir gaze em grego? Só consegui na terceira tentativa. Na farmacinha é bom ter spray antisséptico, curativos (para os calos!), remédio pra dor de cabeça, um digestivo e um para diarreia. Eu levo sempre omeprazol também, por que a comida mais apimentada de alguns países pode afetar estômagos mais sensíveis. Claro que para as emergências é preciso acionar o seguro de viagem, mas coisinhas simples podem ser resolvidas rapidamente com um pouco de planejamento.

Bolsa: A melhor bolsa para fazer turismo é o modelo carteiro com zíper.  Aquelas com uma alça que atravessa o tronco. Regule a alça um pouco mais curta, de forma que a bolsa fique na altura do ventre, use SEMPRE para frente e aproveite as férias. Isso vale para homens e mulheres. Assim, dá para ficar com as mãos livres – o que garante fotos melhores! – e evitar furtos. De um modo geral, a Europa é segura, mas batedores de carteira estão em todos os lugares onde há aglomeração turística. E nunca, nunca deixe a bolsa aberta nem por um minuto. Mochilas nas costas também podem ser perigosas. Existem vários golpes em que uma pessoa distrai você e a outra rouba objetos da mochila. 

Taxi: Os principais destinos turísticos costumam oferecer uma infraestrutura de transporte eficiente. Usar trens, metrô, ônibus pode ser tão interessante quanto visitar um ponto turístico. É uma forma de ver e entender como as pessoas vivem, é a chance de ter contato com a vida real do lugar. E mais que isso: é uma forma muito eficiente de evitar ser enganado. Porque podem até existir taxistas bacanas no mundo, mas a má fama da categoria tem lá suas razões. Com minha eterna cara de turista (mesmo no Brasil!), sou o alvo preferencial. Evito sempre os taxis, mas quando tenho que usar, fico de olho. Primeiro, sempre vejo o mapa da cidade em casa. Depois, costumo traçar o caminho no Google maps para ter ideia de direção e distância. Depois, pergunto o preço – ou quanto daria, mais ou menos, de A a B. Alguns Apps permitem simular o preço de uma corrida também e dá para perceber se o valor pedido está dentro do esperado. Em alguns casos, vale negociar uma tarifa fechada.  Por fim, quando tenho internet 3G, deixo o taxista ver que estou acompanhando o percurso pelo GPS do celular. Pode parecer paranoia, mas depois de ser enrolada várias vezes, essas táticas de “guerrilha urbana” têm me safado de maiores chateações.

Roupas básicas: Esqueça o modelito da moda, os saltos, os enfeites todos. Roupa de viagem tem que ser prática e confortável. Assim, prefira peças quem combinem entre sim, com cores bem básicas. Uma calça – ou bermuda – geralmente encara mais de um dia de jornada. Uma camiseta por dia tá de bom tamanho. Um casaco leve (conforme a temperatura). Se for viajar no inverno, leve apenas um casaco bom. Ninguém vai reparar que roupa se está usando e é muito comum na Europa as pessoas usarem um mesmo casaco o inverno inteiro.

Moeda local: Depois da implantação do Euro, viajar pela Europa ficou muito mais fácil sem a preocupação de cambiar moedas a cada troca de país. Mas muitos destinos populares no Velho Mundo têm sua moeda própria, embora seja comum encontrar restaurantes, hotéis e mesmo atrações oficiais que aceitem Euro. Mas isso é uma furada. O câmbio desses locais é uma piada e pagar em euro significa, geralmente, pagar 20, 30% mais caro. O ideal é fazer um cálculo do quanto se planeja gastar e fazer o câmbio apenas uma vez, para não pagar muitas taxas. Para quem usa cartões de débito europeus, o saque nos países fora da zona do Euro pode ser até mais barato que a taxa da casa de câmbio. Mas meu preferido mesmo é o Visa Travel Money (não, eles não patrocinam o blog! Ehhe), que pode ser usado como cartão de débito nas máquinas da bandeira Visa e permite saques com taxas justas, em moeda local, no mundo inteiro.

Bateria e cartão extras para a câmera:
Tudo bem que o celular hoje em dia quebra um grande galho e todo mundo acaba tirando muitas fotos de viagem com eles, uma vez que as câmeras têm cada dia mais resolução. Mas eu nunca viajo sem uma câmera na bolsa. Uma não, duas na verdade. Uma maior, com um pouco mais de resolução e uma bem portátil, para “roubar” fotos onde nem sempre é possível sacar a câmera grande. Mas isso é exagero meu. A dica mesmo é investir em duas coisas: um cartão de memória extra e uma (ou duas!) baterias de reserva. Por que em alguns lugares é impossível parar de fotografar. E mesmo que eu saia do hotel com a bateria da câmera carregada, corro o risco de ficar sem ao longo do dia. Assim, sempre tenho uma bateria extra (carregada, claro!!) na bolsa. E outra coisa: esqueça a síndrome do filme, quando a gente tinha que pensar muito antes de apertar o botão. Fotografe muito, faça mais de uma foto da mesma cena, tente diferentes ângulos e regulagens da câmera (mesmo das pequenas!). Quando se faz uma única foto, não dá para chorar depois se ficou tremida ou se a ponta da torre foi cortada. Afinal, não tem como prever se a gente vai ter a chance de voltar ao mesmo destino... 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Choque cultural: sono, raiva, angústia fazem parte do processo de adaptação


Adaptação intercultural é assunto de pesquisas bastante sérias. Os processos são tão comuns entre quem decide viver em outro país que podem ser praticamente medidos e existe um gráfico para representar esse processo. É um erro pensar que isso não vai acontecer com você: vai. E dói. Mas dá pra sobreviver. Importante é saber que esse é um processo natural e não se desesperar.

Claro que esse choque não é o mesmo em todos os países. Quanto mais diferente for a cultura originária da cultura da nova casa, maior vai ser o impacto. Vale até observar essa tabela que cria algumas referências para perceber um pouco do que distancia uma cultura da outra e assim prever o choque.

Tipos culturais: o modelo de Lewis, publicada originalmente aqui

Brasil e Alemanha estão em vértices opostos do triângulo, o que deixa claro que as diferenças são marcantes. Mas na chegada a Alemanha tudo parece perfeito. A primeira fase da vida por aqui é de lua-de-mel. Uma mistura da euforia da viagem, uma nova casa, uma nova vida, tudo colabora para criar uma aura mágica. A burocracia toda da chegada – fazer o registro na prefeitura, abrir conta em banco, contratar plano de saúde, fazer a matrícula da faculdade, dar entrada no visto – afetam o bom humor. Mas a aventura de ir ao mercado, de andar por ruas novas, conhecer pessoas supera.

É comum nessa hora nascer uma paixonite pelo novo país e um questionamento da própria cultura. É um período de deslumbramento com o novo. Já vi muito brasileiro recém-chegado com um discurso chato de negação das raízes, mas isso logo passa. Como a maioria chega por aqui para começar as aulas entre setembro e outubro, no chamado semestre de inverno, depois dos primeiros dois meses vem o frio e com ele a escuridão. Esse período de tempo coincide justamente com a queda da curva do choque-cultural e para quem vem do calor, os sentimentos acabam potencializados.

Essa fase tem sintomas de depressão. São aquelas noites em que a saudade aperta e a gente deita no travesseiro se perguntando porque saiu de casa. É comum se sentir bastante sonolento (ainda mais pelas poucas horas de luz), cansado. O esforço mental para viver a vida em um outro idioma é bem maior e até enviar um simples e-mail parece uma tarefa complicada. Conheço gente que entrou em períodos de hibernação, dormindo doze horas por dia e só saindo pra comprar comida. É preciso ficar atento e lutar contra esses sintomas. Claro que a adaptação requer energia extra, mas não vale se trancar em casa e achar que o mundo lá fora vai voltar a ser como na casa da mamãe.

Tempo x satisfação: a adaptação a nova cultura, publicada originalmente aqui

Essa reclusão é mais ou menos o fundo do poço: é quando tudo no novo país irrita e quando tentamos provar (para nós mesmos!) que a nossa cultura originária é melhor. Embora os especialistas digam que faz parte do processo, acho que muita gente reage (eternamente) às diferenças assim: achando que o mundo inteiro tem que se adaptar à forma como está acostumado a fazer.

Dos três aos seis, sete meses de Alemanha é a fase em que nada presta. Nessa hora o importante é evitar a tentação de se juntar com outros estrangeiros para falar mal o tempo todo dos alemães e da Alemanha. A tentação é grande, mas é preciso lembrar que ninguém chegou aqui amarrado: todo mundo veio porque quis e pode voltar se quiser.

Mas passada a inquietação maior – que geralmente coincide com a chegada da Primavera, inicia a outra fase: a dos ajustes culturais. Nessa hora, vale descobrir como fazer feijoada sem importar nenhum ingrediente. Vale adaptar receitas locais a um paladar mais abrasileirado, mas é importante aceitar que o mundo não vai mudar por sua causa.


E por fim, depois dos ajustes, vem a calmaria: a adaptação. Nessa hora – depois de um ano, mais ou menos – as regras do novo país passam a fazer um pouco mais de sentido. O idioma estrangeiro deixa de ser um problema maior e os dias entram em sua rotina: o restaurante favorito, os amigos que ajudaram nas horas duras, o parque florido, os planos para a próxima viagem...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Turismo internacional: 20 formas de reconhecer o brasileiro chato no exterior (e manter distância dele)


Atenção: Esse é um post de humor. Apesar de ser 100% baseado em fatos reais, é um comentário engraçado sobre o comportamento dos brasileiros no exterior. Aos mal-humorados de plantão, favor parar a leitura aqui e seguir direto para o próximo post do blog. 

Os brasileiros estão ganhando o mundo e é difícil viajar sem esbarrar com conterrâneos por ai. Paris, Roma e Londres já devem ter mais brasileiros do que nativos! Há muita gente legal passeando em busca de cultura, diversão. Esses encontros podem resultar em novas amizades ou em boas risadas mundo a fora. Mas há quem atrapalhe a festa: pessoas inconvenientes que deviam ficar em casa até tirar um diploma de como se comportar longe do país. E antes que alguém me acuse de falta de patriotismo, esse guia é 100% baseado em fatos reais.

Então, ai vai a lista para quem quer desfrutar dos principais destinos turísticos sem ter que conviver com esse tipo de pessoa: um manual para reconhecer os "infelizes". Ai, se der de cara com o tipo, é só escolher um outro restaurante ou uma mesa bem longe.

1 - Brasileiro fala alto de um modo geral. Mas fora de casa o brasileiro chato, fala mais alto ainda. Se anda em grupo, parece que todos têm um megafone na garganta. É só reparar no grupo mais berrão e nem precisa pedir o passaporte.

2 - Aliás, brasileiro chato nem devia precisar de passaporte quando viaja pro exterior. Existe um certo ritual de obrigatoriedade que faz com que todos saiam vestidos iguais. No início da viagem, homens usam camisa da seleção ou de qualquer time de futebol nacional. No segundo dia, camisetas da Tommy Hilfiger e abrigos de moletom da GAP. É patético.

3 - Brasileiros chatos tem um orgulho imenso em sua brasilidade e ostentam isso além da camisa de futebol. Assim, depois de trocarem pela Tommy Hilfiger ou pela "I S2 (Insira aqui qualquer capital da Europa)" ainda vão ser reconhecidos: eles usam bonés com a bandeirinha do Brasil, mochilas com patches de bandeirinha costurados. É só procurar atentamente: em algum lugar vai se encontrar a bandeirinha.

4 - Mulheres brasileiras chatas também têm uniforme. Calça ou camisa de oncinha: ou os dois. Nos pés, sapatos de salto (!??!?!) para caminhar com elegância – só que não – todas as vias barrentas das ruinas de Roma. Superapropriado. Ah, claro, elas estarão sempre com a cara meio emburrada e se queixando (aos berros) das dores nos pés como se o mundo tivesse que abrir alas para seus pezinhos massacrados pela burrice.

5 - Mas brasileiro chato adora exibir seu humor espirituoso em alto e bom som: fazer piadinha de judeus em campo de concentração, fazer bico de pato e sinalzinho de vitória na frente da torre Eifel, escalar o memorial do holocausto, achar que top e minissaia são as melhores opções para entrar no Vaticano.

6 - Brasileiro chato também aparece na foto de todo mundo. Não sabe tirar a foto em um spot disputado e dar dois passos pro lado. Não. Fica conferindo no Ipad se a foto ficou boa em vez de simplesmente dar lugar para outras pessoas. Aliás, eu sempre acho que todo o chato usa tablet como câmera e nem precisa ser brasileiro.

7 - Brasileiros chatos não só param na frente dos pontos turísticos de forma inapropriada como também atrapalham o caminho. O melhor lugar para discutir onde almoçar? No topo da escada rolante. Onde abrir o mapa para ver a direção certa? Na saída do metrô.

8 - Brasileiro quando viaja também fica chato por conta da saudade. Pode ser que coma feijão três vezes por ano em casa, mas se estiver no exterior há três dias, vai passar o tempo se queixando do quanto sente falta de um feijãozinho com arroz.

9 - Na hora de comer, brasileiro chato é vencedor: espera 20 minutos na fila do McDonald’s em Barcelona (sim, tem gente que prefere McDonald’s a provar a culinária local – nem que seja um bocadillo de Ramón!) e na hora de ser atendido começa a pensar no que vai comer. Ai olha para o cardápio na parede como se o restaurante fosse vietnamita e pede a comida pra família inteira, um sem picles, outro sem cebola...

10 - A saudade também transforma o brasileiro chato em um tipo agressivo. Se escuta alguém falando português, já dispara: Oh, que saudade de ouvir a nossa língua. E segue o diálogo entre o residente e o visitante. R: Pois é, há muitos brasileiros por aqui (não importa onde, sempre há). V: Me senti tão em casa quando ouvi você falando. R: Nossa, deve fazer muito tempo que você está longe então. V: Faz sim, já to fora do Brasil há quatro dias e ainda vou ficar mais cinco para conhecer 15 países.

11 - O mesmo brasileiro chato se acha o cara mais esperto do universo. Acha que está certo em não pagar o ticket do transporte público (por que o controle é por amostragem) e não entende o quanto os alemães são "idiotas" por comprarem o ticket se ninguém vai conferir. 

12 - Brasileiro chato espertalhão também some do mapa três quadras antes do fim do freetour só pra não dar uma gorjeta para o guia que passou três horas explicando tudo sobre a cidade.

13 - E mais esperto ainda: brasileiro chato guarda lugar na fila para dez pessoas que se materializam do nada depois de 30 minutos de espera pra comprar o ticket do museu. E claro, cada uma vai pagar separado, com cartão.

14 - Mais o mais chato de todo o brasileiro chato é o orgulho da sua própria ignorância. “Eu já viajei dez vezes pros Estados Unidos e não falo uma palavra de inglês”. “Achei toda a maquiagem que eu queria e comprei cinco bolsas Michael Kors e a vendedora nem falava português”. Dinheiro pro cursinho de inglês não sobra né.

15 - Mas tem brasileiro chato que sabe falar “the book is on the table” e faz isso logo que escuta outros brasileiros na área. Acha que ninguém mais no mundo entende inglês e que ninguém percebe as asneiras que estão sendo ditas na tentativa de esconder que a única língua que sabem falar mesmo é português.

16 - Brasileiro chato é chato até no caminho de volta pra casa. Além das duas malas que leva a bordo – feliz da vida porque a aeromoça não viu e os “idiotas” da cia aérea deixaram passar – carrega meio freeshop em sacolas. Lota o guarda-volumes acima da sua poltrona, acima da do vizinho, acima da de todo mundo. E berra com o cidadão do grupo de excursão que ficou do outro lado da aeronave para que ele venha tirar uma foto com a senhora argentina que acabou de conhecer.

17 - Claro, porque brasileiro chato não anda sozinho. Tem medo do desconhecido universo que se esconde depois do carimbo no passaporte em Guarulhos e tenha 20, 30 ou 60, se comporta como se fosse a excursão da turma pela formatura no ensino médio.

18 - Mas pior que sentar do lado de um brasileiro chato em um avião é sentar na frente dele. Empolgado, o brasileiro chato não se contenta em ver um filminho, como o resto do mundo. Quer explorar toda a tecnologia da aeronave e opta pelos joguinhos eletrônicos em telas que a sensibilidade ao toque não é exatamente uma qualidade. E sim, claro, irritado, começa a “tocar” cada vez mais forte. Um aviso: touchscreen é o nome. Não punchscreen.

19 - E como todo bom chato, de qualquer idioma, passam a noite de papo na “cozinha”, rindo alto, como se as cortinas que separam a área de serviço fossem a prova de som. Só não são mais chatos por que ainda não há sinal de celular nas nuvens.

20 - Mas no fim das contas, acho que o problema não são os brasileiros. Devem ser uma resposta orgânica ao ar estranho que transforma uma grande quantidade de viajantes em chatos de galocha, uma vez que os sintomas vão desaparecendo a medida que os grupos se dispersam depois da Alfândega em aeroportos do Brasil. Bom, a cura chega para quase todos, mas sempre escapa um. Porque brasileiro chato mesmo é aquele que te chama pra ver 938983928312 fotos fora de foco, com a cabeça cortada ou selfies no ipad enquanto ele conta (sobre as compras) da viagem.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Deutsche Bahn e o humor alemão: nada como rir da própria desgraça

Avisos: em quase todas as viagens o painel anuncia atrasos ou mudanças

Eu lembro de uma piadinha feita pelo personagem Sheldon Cooper, do brilhante Jim Parsons em The Big Bang Theory (TBBT, para os íntimos), dizendo que o intestino dele funciona de forma tão pontual quanto os trens na Alemanha. Bom, a essa altura o Dr. Cooper deve estar com prisão de ventre!

Os trens da Alemanha estão longe da pontualidade tão propagandeada. Os atrasos podem até mesmo render estorno para quem ficou horas plantado em alguma estação, como contei nesse post aqui. O que eu nunca tinha imaginado é que as aventuras de quem precisa usar a Deutsche Bahn com frequência (o/), me fariam rir tanto como hoje!

Foi na última aula de um curso intensivo de alemão, nesta sexta-feira, que a professora chegou com uma pérola! A banda – ou o grupo de cantores, melhor dizendo – se chama Wise Guys. As músicas são quase todas capelas e as letras são umas melhores que as outras. O grupo ironiza a influência do inglês sobre o alemão, faz piada da vida cotidiana por aqui. Mas a letra da faixa Deutsche Bahn não podia ser melhor.

Além dos atrasos, avisos que frequentemente chateiam os usuários viraram piada. Mais ou menos assim: Hoje a ordem dos vagões está invertida (Bora sair todo mundo correndo de um lado para outro do trem para achar o lugar marcado – que custou 4 euros a mais que a passagem normal, diga-se de passagem!). Fique atento para a mudança de portão: hoje o trem partirá da plataforma oposta (repete a cena anterior!). 

Uma vez dentro do trem, segue a aventura. Banheiro com defeito! Essa é frequente e pode ser bem complicada. Já fiz uma viagem de cinco horas em um trem lotado, mas lotado a ponto de não dar pra andar pelos corredores e espaços entre os vagões, em que apenas dois banheiros estavam funcionando. E imagina o estado deles. E fora a temperatura dos vagões: no inverno, ou é quente demais ou de menos. No verão, raramente o ar condicionado não dá conta do recado e as janelas são lacradas. Já teve caso de as pessoas passarem mal e começarem a desmaiar do calor.

Mas como pimenta nos olhos dos outros é refresco, enquanto não chega o dia de viajar de novo, o negócio é rir.  E pra fechar com gargalhada, o toque final: a frase em inglês que encerra o refrão escrita assim, com o sotaque típico alemão! “Thänk ju vor träffeling wis Deutsche Bahn!“



Transcrevo aqui a música. Em alemão é mais divertida porque usa exatamente o mesmo vocabulário que a companhia de trem. Se ficou difícil, para tudo nesta vida existe GoogleTranslator!

Deutsche Bahn

Meine Damen und Herrn, der ICE nach Frankfurt-Main
Fährt abweichend am Bahnsteig gegenüber ein.
Die Abfahrt dieses Zuges war 14 Uhr 2,
Obwohl das war sie nicht, denn es ist ja schon halb 3.
Bei uns läuft leider oft das meißte anders als man denkt
Wir haben die Waggons heute falschrum angehängt.
Die Wagenreihung ist genau das Gegenteil vom Plan
Thänk ju vor träffeling wis Deutsche Bahn!

Meine Damen und Herrn, der Zugchef, der hier spricht
Ganz normal zu sprechen, beherrsch ich leider nicht.
Trotzdem kriegen Sie den Service, den man von uns kennt:
Erst deutsch und dann auf Englisch, mit heftigem Akzent.
Jetzt möchte ich nicht ohne meinen Ekel zu verheelen
Ihnen das Angebot aus unserm Bordbistro empfehlen:
Leberkäse und Softdrink, für 7 Euro 10
Vorher ganz viel Spaß beim in der Schlange stehn.

Refrão:

Meine Damen, meine Herren, danke, dass sie mit uns reisen
Zu abgefahrnen Preisen, auf abgfahrnen Gleisen.
Für ihre Leidensfähigkeit danken wir spontan
Thänk ju vor träffeling wis Deutsche Bahn!

Meine Damen und Herrn, dass es grad nicht weitergeht
Liegt an einer Kuh die auf den Schienen steht.
Aber bitte, bitte behalten Sie uns lieb
Wir waren einfach viel zu lang ein Staatsbetrieb!
Sollten sie im Lauf' der Fahrt mal das WC benutzen
Würden wir empfehl'n, dass Sie das vorher selber putzen
Verwenden Sie am besten eine Flasche Sakrotan
Thänk ju vor träffeling wis Deutsche Bahn!

Refrão

Meine Damen und Herrn, weil sie meistens keiner ckeckt
Sind bei uns ständig alle Heizungen defekt.
Ansonsten stehn für sie Klimaanlagen parat,
Doch die funktionieren nur bis 32 Grad.
Wir ham 'ne Theorie, doch es fehlt noch der Beweis
Im Winter wird es kalt und im Sommer wird es heiß
Erleben Sie bei uns Kälteschock und Fieberwahn
Thänk ju vor träffeling wis Deutsche Bahn!

Refrão

Ps.: Eu procurei o vídeo do TBBT com o Sheldon falando dos trens e não achei. Então fica aqui como “amostra grátis” o físico mais engraçado do mundo falando em alemão:


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Trem na Alemanha: em caso de atraso, DB devolve parte do dinheiro da passagem


Foi-se o tempo em que os trens da Alemanha moviam-se com a precisão de um relógio suíço. Atrasos são mais comuns do que se imagina e, com eles, uma série de transtornos. No entanto, é possível reclamar da situação e ainda reaver parte do valor pago pelo bilhete em caso de inconveniência. Claro que existe uma burocracia, mas não é nada tão complicado e vale a pena seguir adiante com a queixa. Falo isso porque recebi hoje, em casa, três “vales” da DB por conta dos atrasos. Não foi muito, mas chegou perto dos 30 Euros de devolução.

Funciona mais ou menos assim. Qualquer atraso superior a uma hora é passível de reclamação e o percentual que se recebe de volta varia conforme o tempo e o transtorno causado: se a pessoa perdeu conexões, se voltou no meio do caminho pra casa por conta do problema, ou se simplesmente teve que ficar esperando pelo próximo trem para chegar ao destino. O que vale é saber se entre a hora prevista para a chegada e a chegada real passaram mais de 60 minutos: assim, são 25% de retorno. Se mais de 120 minutos, 50% do valor pago. Simples assim.

Burocracia: Formulário deve informar os detalhes da viagem e os problemas

Para reclamar basta preencher um formulário (Fahrgastrechte-Formular) que pode ser baixado do site da DB, explicando o que ocorreu. Depois, imprima o formulário, assine e envie pelo correio para: Servicecenter Fahrgastrechte, 60647 Frankfurt am Main, com uma cópia do seu bilhete de passagem. Eu enviei três reclamações juntas e recebi um percentual de retorno de todas elas. O prazo para a reclamação é de seis meses após a data da viagem, mas quanto antes enviar, mais fácil fica lembrar dos detalhes da viagem.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tickets e passagens: dicas com as melhores ofertas para viajar barato dentro e fora da Alemanha


Que a Alemanha tem muita oferta de transporte público, todo mundo sabe. Mas ir e vir custa caro por aqui e é preciso saber procurar por alternativas mais baratas. Esse post tem as dicas de como encontrar barbadas de trem, ônibus ou mesmo de carona.

Claro que viajar de avião, mesmo dentro do próprio país, pode ser uma opção econômica também. Para longas distâncias entre cidades grandes (Berlin, Hamburg, München, Köln, etc), que são bem afastadas uma das outras, não deixe de verificar alguns endereços. Primeiro, da famosa Ryanair. Depois, tente fazer as simulações no eficiente Checkfelix. Este buscador rastreia diversas companhias, mas não encontra todas as pechinchas. Por isso é melhos completar a busca diretamente no site das companhias. Então, por fim, confira ainda os sites da Easyjet e AirBerlin, diretamente.  

Não vou entrar em detalhes das cias aéreas. Esse post é para falar das barbadas por terra. Então, vamos as dicas para comprar tickets de trem baratos.

A DeutscheBahn é a empresa de trem da Alemanha que opera junto com parceiras regionais como a Metronom, no Norte. Apesar disso, existem algumas formas de viajar barato de trem mesmo com o monopólio estatal.

Comprar com antecedência:


A DB abre a venda das passagens apenas 90 dias antes da data de embarque. E, neste exato dia, é possível encontrar bilhetes entre praticamente todos os trechos do país – mesmo os mais longos -  por 29 Euros.  Com os cartões de desconto, que vou falar depois, esse preço fica ainda menor. Claro que distâncias curtas vão sair por menos. Mas se a viagem for mais longa, vale a pena prestar atenção na data.

Comprar em cima da hora:


O outro lado da moeda também funciona, mas a variedade é muito menor. No site da LTour, na aba Bahn, estão as ofertas de último minuto da Deutsche Bahn, com tickets a 25 Euros das mais diversas origens aos mais diversos destinos (preço final, sem desconto adicional para cartões DB). A disponibilidade das passagens pode ser verificada com uma semana de antecedência, mas claro que as barganhas não valem para todos os horários. Ainda assim, são uma excelente opção para pagar pouco.

Cartões de desconto:

A DB oferece diferentes versões do seu famoso Bahncard. Você compra o cartão (25, 50 ou 100) e tem esse percentual em desconto nas passagens. Mas tem pegadinha. O cartão Bahncard 25 concede 25% de desconto sobre o valor promocional das passagens (exceto tickets regionais e último minuto). Com isso, a passagem pode ficar até 75% mais barata do que o preço normal dela. Uma verdadeira bagatela! Assim, comprar com antecedência os tickets de 29 Euros significa pagar 21,75 Euros para atravessar o país, se for o caso.  Já o desconto de 50% do Bahncard 50 só vale sobre o preço normal da passagem. Para quem consegue razoavelmente se organizar, o 25 é mais útil (e mais barato!). Para quem faz tudo em cima da hora, melhor o 50. Já o Bahncard 100 é para casos excepcionais, onde as viagens ultrapassam a média de 350 Euros mensais (que é aproximadamente quanto custa o cartão por mês, embora ele só possa ser comprado para o período de um ano). Os preços estão no site da DB: existem alguns cartões de prova, que podem ser adquiridos por menos de um ano e descontos para estudantes com menos de 26 anos e para casais que morem no mesmo endereço.  Se a pessoa for viajar muito por aqui, vale a pena fazer o cartão mesmo para o período de férias, já que os descontos pagam o investimento e ainda salvam muitos Euros. Mas atenção: os cartões são renovados automaticamente a não ser que se mande um documento cancelando (Kundigung, uma cartinha simples, como nesse modelo) três meses antes da data de expiração do contrato. E não se pode perder a data!

Tickets regionais, do fim de semana e Quer-durchs-Land-Ticket:

Existem uma série de bilhetes de trem que aqui em casa apelidamos de “ticket mágico”. São tickets válidos por um dia inteiro (geralmente a partir das 9h nos dias de semana) até as 3h do dia seguinte em todos os trens “lentos” de um estado ou uma região, os Länder-Tickets ou outros especiais para um raio de distância dentro de um Estado (como por exemplo o Hopper-Ticket, que vale para distâncias de até 50 quilômetros aqui em Thüringen). Eles têm um preço fixo para uma pessoa e cada viajante a mais paga um valor, até o limite de cinco pessoas). Um exemplo: o ticket do estado de Thüringen é o mesmo de Sachsen e Sachsen-Anhalt. Custa 21 Euros para uma pessoa e 3 Euros a mais pela segunda e assim vai, até 35 Euros para cinco pessoas. Assim, podemos ir de Weimar a Dresden e voltar, por exemplo, em cinco pessoas, gastando apenas 35. E esse bilhete vale ainda para o transporte interno da maioria das cidades (algumas não aceitam, então é melhor perguntar ao motorista pra evitar uma multa!). A “pegadinha” é que só podem ser usados os chamados transportes locais (Nahverkehr): nada de IC, ICE ou EC, que são os trens rápidos. Mesmo assim, dá pra fazer muita coisa com eles. A DB oferece até mesmo dicas de viagens regionais com os chamados Länder-Tickets. O tal do Quer-durchs-Land-Ticket funciona da mesma maneira, mas vale para a Alemanha toda e custa um pouco mais, claro. Já o Schönes-Wochenende-Ticket, como o nome diz, funciona apenas no fim de semana. O ticket vale para o sábado OU para o domingo: é preciso um para cada dia e não um para o fim de semana. As restrições são as mesmas dos demais tickets que expliquei aqui e a diferença é que o valor é fixo: por 42 Euros viajam cinco pessoas.

Pegar uma “carona de trem”:

Muita gente compra tickets como esse do fim de semana e vai viajar sozinha. Então, essas pessoas ficam perto das máquinas de venda de tickets e oferecem “carona” para quem planeja comprar uma viagem. Você paga uma fração bem reduzida do bilhete (5 a 7 Euros por hora de viagem, em média. Mas pode ser menos) e quando o controle do trem passa, a pessoa avisa que você “está com ela”. Pode ser vantajoso, mas é preciso deixar tudo muito acertado: a pessoa não pode em hipótese alguma descer antes de você, mesmo que o controle já tenha passado (em raros casos, pode haver um novo controle, quando muda a equipe de bordo, por exemplo). Peça pra ver o ticket antes e confira se ele está mesmo no nome da pessoa que o possui (peça, sem ter vergonha, para conferir a identidade). Esses tickets devem ter o nome de um “responsável” sempre, para não serem repassados. Além disso, você pode encontrar ofertas de “carona de trem” em sites que organizam caronas tradicionalmente, como vou explicar logo.

Interail:

Esses tickets existem há 40 anos no mercado, mas antes só podiam ser usados por não-residentes. Com a mudança nas regras, quem mora na Alemanha também pode se beneficiar. É possível comprar o Interail válido para um grupo de países ou para a Europa. Além disso, existem opções de “duração”: x dias em um mês ou y dias de uso em um período de oito dias, por exemplo. Alguns são de uso ilimitado por um período. Os preços são salgados, mas para quem planeja fazer muitos trajetos em pouco tempo, podem ser uma opção vantajosa.


Mas nem só de trens vive a Alemanha. É possível viajar pelo país de ônibus e de carro, mesmo que não se tenha um carro. Esses meios alternativos podem ser uma boa opção de preço em determinados trechos, mas eu aconselho a evita-los em fins de semana prolongados, por exemplo. Apesar de a estrutura de rodovias ser famosa no país, os congestionamentos nas Autobahns são enormes e, fora os trens (que ficam entupidos e atrasam!), ninguém consegue seguir viagem. São horas de filas muitas vezes, especialmente em torno das grandes cidades. Mas de qualquer forma, são opções a serem consideradas.

De ônibus na Alemanha e para os países vizinhos:

Essa é sem dúvida a forma mais barata de viajar por aqui. Especialmente em viagens curtas, de no máximo cinco horas, não entendo como um problema. Existem duas empresas principais que operam esse serviço: a Berlin Linien Bus e a Eurolines/Touring. As passagens podem ser compradas com antecedência e, quando a volta é comprada junto, sai geralmente de graça. Os preços são convidativos e os ônibus confortáveis. A cada três horas, em médias, fazem paradas naqueles restaurantes grandes de beira de estrada, com banheiros e afins. Mas também existem instalações sanitárias nos ônibus. Os bancos são reclináveis e confortáveis, na medida do possível, mas infelizmente, os lugares não são marcados.

Serviço organizado de carona:

Existe um serviço de carona organizado na Alemanha e os dois principais sites são: Mitfahrgelegenheit e o Mitfahrzentrale. Podem haver outros, mas esses são os maiores. Eu particularmente gosto do primeiro: mais simples e direto. Mas ambos funcionam da mesma maneira. Você fala de onde para onde quer ir (pode dar uma margem de distância) e vê quem vai fazer esse caminho nesta data. O motorista informa o horário de saída, um ponto de encontro e um telefone para contato. Não é uma regra escrita, mas o padrão é sempre mandar SMS (a não ser que o anúncio diga algo diferente) e todos se tratam pro “du”. Então, é só falar com o motoristas, reservar a vaga e aparecer no local combinado no dia e sem atrasos. Eu já viajei muito assim pela Alemanha e considero relativamente seguro. Os carros por aqui são, em sua grande maioria, muito bem conservados (a maioria já descreve no anúncio que carro tem e quanta bagagem você pode levar) e as rodovias oferecem segurança, apesar de não terem limite de velocidade na maior parte dos trechos. Verifique ainda se o motorista é fumante ou não, para não ter surpresas desagradáveis no caminho.  Por ser mulher, prefiro os anúncios que são “Frauen für Frauen”: assim sei que serão só meninas no carro e que as paradas para ir ao banheiro serão em lugares melhores.  Já tive viagens agradabilíssimas e outras nem tanto, mas nunca tive problemas maiores.

Bom, o post ficou longo, mas espero que seja útil! Sugestões e complementos são mais do que bem-vindos nos comentários!!! 
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel