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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tickets e passagens: dicas com as melhores ofertas para viajar barato dentro e fora da Alemanha


Que a Alemanha tem muita oferta de transporte público, todo mundo sabe. Mas ir e vir custa caro por aqui e é preciso saber procurar por alternativas mais baratas. Esse post tem as dicas de como encontrar barbadas de trem, ônibus ou mesmo de carona.

Claro que viajar de avião, mesmo dentro do próprio país, pode ser uma opção econômica também. Para longas distâncias entre cidades grandes (Berlin, Hamburg, München, Köln, etc), que são bem afastadas uma das outras, não deixe de verificar alguns endereços. Primeiro, da famosa Ryanair. Depois, tente fazer as simulações no eficiente Checkfelix. Este buscador rastreia diversas companhias, mas não encontra todas as pechinchas. Por isso é melhos completar a busca diretamente no site das companhias. Então, por fim, confira ainda os sites da Easyjet e AirBerlin, diretamente.  

Não vou entrar em detalhes das cias aéreas. Esse post é para falar das barbadas por terra. Então, vamos as dicas para comprar tickets de trem baratos.

A DeutscheBahn é a empresa de trem da Alemanha que opera junto com parceiras regionais como a Metronom, no Norte. Apesar disso, existem algumas formas de viajar barato de trem mesmo com o monopólio estatal.

Comprar com antecedência:


A DB abre a venda das passagens apenas 90 dias antes da data de embarque. E, neste exato dia, é possível encontrar bilhetes entre praticamente todos os trechos do país – mesmo os mais longos -  por 29 Euros.  Com os cartões de desconto, que vou falar depois, esse preço fica ainda menor. Claro que distâncias curtas vão sair por menos. Mas se a viagem for mais longa, vale a pena prestar atenção na data.

Comprar em cima da hora:


O outro lado da moeda também funciona, mas a variedade é muito menor. No site da LTour, na aba Bahn, estão as ofertas de último minuto da Deutsche Bahn, com tickets a 25 Euros das mais diversas origens aos mais diversos destinos (preço final, sem desconto adicional para cartões DB). A disponibilidade das passagens pode ser verificada com uma semana de antecedência, mas claro que as barganhas não valem para todos os horários. Ainda assim, são uma excelente opção para pagar pouco.

Cartões de desconto:

A DB oferece diferentes versões do seu famoso Bahncard. Você compra o cartão (25, 50 ou 100) e tem esse percentual em desconto nas passagens. Mas tem pegadinha. O cartão Bahncard 25 concede 25% de desconto sobre o valor promocional das passagens (exceto tickets regionais e último minuto). Com isso, a passagem pode ficar até 75% mais barata do que o preço normal dela. Uma verdadeira bagatela! Assim, comprar com antecedência os tickets de 29 Euros significa pagar 21,75 Euros para atravessar o país, se for o caso.  Já o desconto de 50% do Bahncard 50 só vale sobre o preço normal da passagem. Para quem consegue razoavelmente se organizar, o 25 é mais útil (e mais barato!). Para quem faz tudo em cima da hora, melhor o 50. Já o Bahncard 100 é para casos excepcionais, onde as viagens ultrapassam a média de 350 Euros mensais (que é aproximadamente quanto custa o cartão por mês, embora ele só possa ser comprado para o período de um ano). Os preços estão no site da DB: existem alguns cartões de prova, que podem ser adquiridos por menos de um ano e descontos para estudantes com menos de 26 anos e para casais que morem no mesmo endereço.  Se a pessoa for viajar muito por aqui, vale a pena fazer o cartão mesmo para o período de férias, já que os descontos pagam o investimento e ainda salvam muitos Euros. Mas atenção: os cartões são renovados automaticamente a não ser que se mande um documento cancelando (Kundigung, uma cartinha simples, como nesse modelo) três meses antes da data de expiração do contrato. E não se pode perder a data!

Tickets regionais, do fim de semana e Quer-durchs-Land-Ticket:

Existem uma série de bilhetes de trem que aqui em casa apelidamos de “ticket mágico”. São tickets válidos por um dia inteiro (geralmente a partir das 9h nos dias de semana) até as 3h do dia seguinte em todos os trens “lentos” de um estado ou uma região, os Länder-Tickets ou outros especiais para um raio de distância dentro de um Estado (como por exemplo o Hopper-Ticket, que vale para distâncias de até 50 quilômetros aqui em Thüringen). Eles têm um preço fixo para uma pessoa e cada viajante a mais paga um valor, até o limite de cinco pessoas). Um exemplo: o ticket do estado de Thüringen é o mesmo de Sachsen e Sachsen-Anhalt. Custa 21 Euros para uma pessoa e 3 Euros a mais pela segunda e assim vai, até 35 Euros para cinco pessoas. Assim, podemos ir de Weimar a Dresden e voltar, por exemplo, em cinco pessoas, gastando apenas 35. E esse bilhete vale ainda para o transporte interno da maioria das cidades (algumas não aceitam, então é melhor perguntar ao motorista pra evitar uma multa!). A “pegadinha” é que só podem ser usados os chamados transportes locais (Nahverkehr): nada de IC, ICE ou EC, que são os trens rápidos. Mesmo assim, dá pra fazer muita coisa com eles. A DB oferece até mesmo dicas de viagens regionais com os chamados Länder-Tickets. O tal do Quer-durchs-Land-Ticket funciona da mesma maneira, mas vale para a Alemanha toda e custa um pouco mais, claro. Já o Schönes-Wochenende-Ticket, como o nome diz, funciona apenas no fim de semana. O ticket vale para o sábado OU para o domingo: é preciso um para cada dia e não um para o fim de semana. As restrições são as mesmas dos demais tickets que expliquei aqui e a diferença é que o valor é fixo: por 42 Euros viajam cinco pessoas.

Pegar uma “carona de trem”:

Muita gente compra tickets como esse do fim de semana e vai viajar sozinha. Então, essas pessoas ficam perto das máquinas de venda de tickets e oferecem “carona” para quem planeja comprar uma viagem. Você paga uma fração bem reduzida do bilhete (5 a 7 Euros por hora de viagem, em média. Mas pode ser menos) e quando o controle do trem passa, a pessoa avisa que você “está com ela”. Pode ser vantajoso, mas é preciso deixar tudo muito acertado: a pessoa não pode em hipótese alguma descer antes de você, mesmo que o controle já tenha passado (em raros casos, pode haver um novo controle, quando muda a equipe de bordo, por exemplo). Peça pra ver o ticket antes e confira se ele está mesmo no nome da pessoa que o possui (peça, sem ter vergonha, para conferir a identidade). Esses tickets devem ter o nome de um “responsável” sempre, para não serem repassados. Além disso, você pode encontrar ofertas de “carona de trem” em sites que organizam caronas tradicionalmente, como vou explicar logo.

Interail:

Esses tickets existem há 40 anos no mercado, mas antes só podiam ser usados por não-residentes. Com a mudança nas regras, quem mora na Alemanha também pode se beneficiar. É possível comprar o Interail válido para um grupo de países ou para a Europa. Além disso, existem opções de “duração”: x dias em um mês ou y dias de uso em um período de oito dias, por exemplo. Alguns são de uso ilimitado por um período. Os preços são salgados, mas para quem planeja fazer muitos trajetos em pouco tempo, podem ser uma opção vantajosa.


Mas nem só de trens vive a Alemanha. É possível viajar pelo país de ônibus e de carro, mesmo que não se tenha um carro. Esses meios alternativos podem ser uma boa opção de preço em determinados trechos, mas eu aconselho a evita-los em fins de semana prolongados, por exemplo. Apesar de a estrutura de rodovias ser famosa no país, os congestionamentos nas Autobahns são enormes e, fora os trens (que ficam entupidos e atrasam!), ninguém consegue seguir viagem. São horas de filas muitas vezes, especialmente em torno das grandes cidades. Mas de qualquer forma, são opções a serem consideradas.

De ônibus na Alemanha e para os países vizinhos:

Essa é sem dúvida a forma mais barata de viajar por aqui. Especialmente em viagens curtas, de no máximo cinco horas, não entendo como um problema. Existem duas empresas principais que operam esse serviço: a Berlin Linien Bus e a Eurolines/Touring. As passagens podem ser compradas com antecedência e, quando a volta é comprada junto, sai geralmente de graça. Os preços são convidativos e os ônibus confortáveis. A cada três horas, em médias, fazem paradas naqueles restaurantes grandes de beira de estrada, com banheiros e afins. Mas também existem instalações sanitárias nos ônibus. Os bancos são reclináveis e confortáveis, na medida do possível, mas infelizmente, os lugares não são marcados.

Serviço organizado de carona:

Existe um serviço de carona organizado na Alemanha e os dois principais sites são: Mitfahrgelegenheit e o Mitfahrzentrale. Podem haver outros, mas esses são os maiores. Eu particularmente gosto do primeiro: mais simples e direto. Mas ambos funcionam da mesma maneira. Você fala de onde para onde quer ir (pode dar uma margem de distância) e vê quem vai fazer esse caminho nesta data. O motorista informa o horário de saída, um ponto de encontro e um telefone para contato. Não é uma regra escrita, mas o padrão é sempre mandar SMS (a não ser que o anúncio diga algo diferente) e todos se tratam pro “du”. Então, é só falar com o motoristas, reservar a vaga e aparecer no local combinado no dia e sem atrasos. Eu já viajei muito assim pela Alemanha e considero relativamente seguro. Os carros por aqui são, em sua grande maioria, muito bem conservados (a maioria já descreve no anúncio que carro tem e quanta bagagem você pode levar) e as rodovias oferecem segurança, apesar de não terem limite de velocidade na maior parte dos trechos. Verifique ainda se o motorista é fumante ou não, para não ter surpresas desagradáveis no caminho.  Por ser mulher, prefiro os anúncios que são “Frauen für Frauen”: assim sei que serão só meninas no carro e que as paradas para ir ao banheiro serão em lugares melhores.  Já tive viagens agradabilíssimas e outras nem tanto, mas nunca tive problemas maiores.

Bom, o post ficou longo, mas espero que seja útil! Sugestões e complementos são mais do que bem-vindos nos comentários!!! 

sábado, 6 de agosto de 2011

Alemanha / Brasil: A saga das passagens (texto pessoal e sem dicas)

Escrever me acalma. Então estou escrevendo esse post com o simples intuito de ficar mais calma. Não são dicas, não são sugestões. É um desabafo de mim para comigo mesma: se quiser para de ler por aqui, sinta-se à vontade. Mas leve a mensagem final: se um dia ouvir falar em uma agência de turismo chamada SBTur, corra e fuja o quanto puder. Feito isso, um tchauzinho pra quem desistiu. Andiamo... pra quem ficou.

Existe gente sem experiência nesse mundo: e isso eu entendo. Eu mesma sou nova no meu trabalho e as pessoas se esmeram em me explicar o que preciso aprender. E eu me esforço pra fazer bem feito: e se não sei como fazer, pergunto pra quem sabe. Mas existe também gente burra, preguiçosa e de má vontade: e pra esse tipo de gente, eu não tenho paciência. Em geral eu não tenho muita paciência – embora alguns dos meus amigos mais queridos digam que eu tenho uma paciência de Jó... eles não são fontes confiáveis o bastante pra afirmar isso (gostam de mim como eu sou mesmo, então viram suspeitos. Suspeitíssimos). Mas confesso que esta semana a minha foi testada ao limite.

Minha mãe, toda fofa – e apertando as contas até onde pode – nos deu de presente as passagens para o Brasil, para passarmos uma temporada por lá entre o fim do mestrado e o começo do doutorado. Como ela queria fazer as coisas parceladas – já que a conta de dois marmanjos de lá pra cá no oceano é bem grande, decidiu fazer por uma agência de turismo da cidade com a qual ela já havia negociado antes.

Bom, eu mandei uma série de opções maleáveis de ida e volta (horários e mesmo trajetos), com o pedido encarecido de que as sorridentes vendedoras da agência (ao menos penso que devam ser, já que só tratei com elas por e-mail e MSN) conseguissem um voo com franquia de duas malas por passageiro (mesmo que de 23kg, padrão para voos saindo da Europa) ou me passassem o custo de uma mala extra por pessoa, caso não conseguissem.

Depois de uma semana de e-mails indo e voltando com as opções mais bizarras do mundo – e a afirmação cabal de que não existiam voos com duas malas – eu perdi a paciência pela primeira vez e fui procurar o voo que eu queria. Pela TAP, já fica a dica, a franquia é sempre de duas malas: liguei antes para confirmar! Mandei um e-mail no modelo “à prova de idiotas”. Quero o voo numero tal, da companhia tal, que sai dia tal, hora tal (para todos os roteiros). Recebo a proposta orçada, com voos trocados, uma mistura de TAP e Lufthansa (que me tiraria a franquia de duas malas de porão) e com conexões de 50 minutos em aeroportos internacionais da Europa. Isso mesmo: 50 minutos entre o horário de pouso do voo A e a decolagem do voo B. Eu ri. Eu chorei. Eu me descabelei.

Como assim, 50 minutos de conexão para atravessar um aeroporto gigante? E... mesmo que eu passe os próximos três meses treinando maratona diariamente e aumente minhas chances, alguém ai me conta uma única história de conexões tão curtas em que a mala foi trocada perfeitamente de avião... Se tiver uma, vou imprimir e colocar ao lado dos livros de contos de fadas...

Depois de mais uma coleção de e-mails discutindo e dizendo que tudo o que eu queria eram os voos que eu havia mandado, fechamos negócio. Exorbitantemente mais caro que os valores diretos com a companhia pela internet... mas enfim, fechado. Isso foi na segunda-feira.

Na terça-feira , minha mãe passou na tal da agência e, por ser uma pessoa de um coração inexplicavelmente bom, levou até um docinho para as vendedoras sorridentes tomarem um café. A minha mãe tem um dom de achar que todo mundo está fazendo um favor enorme pra ela: nem que esse favor seja aturar a minha chatice de cliente que quer comprar um produto específico.

Diferenças familiares a parte, uma vez, fechado o negócio, eu peço que me enviem os vouchers, a reserva ou qualquer coisa... porque a minha confiança no trabalho das mocinhas sorridentes é... digamos... nenhuma. Depois de tantas provas anteriores de “competência”. A essa altura, minha paciência renovada diariamente por pedidos emotivos da minha mãe já havia ido para o espaço. Mas como tenho consideração, soltei meus cachorros e minha raiva apenas nas conversas como meu marido. Coitado.

Long story short... Hoje é sexta-feira e, depois de uns 10 pedidos – por msn, e-mail, telefone – eu recebo um sinal de vida da mocinha sorridente da agência. Ela me manda um e-mail com o título “CONFIRMAÇÃO”. No corpo da mensagem, as datas, códigos de aeroporto QUE EU MANDEI PRA ELA colados... e só. Nem número, nem recibo, nem voucher, nem reservas, nem porra nenhuma (já me desculpando pelo palavrão, mas me valendo de que isso é um desabafo). As passagens estão pagas: metade a vista, outra metade aprovadas pela operadora de cartão de crédito...

Então, o que eu faço daqui de longe? Choro? Começo a rir nervoso? Xingo muito no Twitter (tá, isso eu já fiz) ou espero até segunda-feira para que, quem sabe, a mocinha sorridente seja capaz de me mandar as passagens por e-mail? To tão P da vida, que minha vontade é de listar todos os palavrões que eu conheço, de A a Z e mandar pra mocinha sorridente, pra chefe dela, pra coordenadora dela, pro dono da agência, pro dono do avião. Se a desculpa é que a pessoa é inexperiente... valha-me: que alguém com experiência (aka QI) possa ajudar na empreitada né. Afinal, se eu tivesse comprado pela internet, a coisa toda teria custado muito menos e a mocinha sorridente (ok, nem tão mocinha) neste momento seria eu.

Obrigada SBTur de Blumenau, por transformar os planos de uma viagem de férias em um momento extremamente estressante para mim, para minha mãe, para o meu marido. Se vocês não tem a competência de vender e expedir dois simples bilhetes aéreos que o seu cliente fez o favor de achar já que nem isso vocês conseguiram, por favor, fechem as portas. Eu nunca precisei lidar por tanto tempo com tanta gente burra, preguiçosa e de má vontade. No fim das contas, acho que a única pessoa idiota nessa história toda sou eu. Tenham um ótimo final de semana no meu lugar.

Ah... e se alguma mocinha sorridente da SBTur (que agora deve estar menos sorridente) ler esse texto, sinta-se a vontade para usar os comentários e me responder. Eu vou me sentir extremamente aliviada em receber todos os tickets, ver que vocês fizeram tudo corretamente (mesmo que cobrando bem por isso) e que esse texto todo não passa de ansiedade. Eu não sou uma pessoa teimosa: aceito mudar de opinião, mas preciso que provem que eu estou errada...
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