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segunda-feira, 30 de março de 2015

Alemanha fácil e barata: Cinco dicas para não cair em roubadas de turista em Berlim

 

Os brasileiros estão invadindo Berlim. Cada dia mais visitantes chegam para descobrir porque a cidade “pobre, mas sexy” virou o epicentro de gente descolada, artistas, hipsters, startups e curiosos do mundo inteiro. É claro que existem aqueles lugares obrigatórios para ver na primeira visita à cidade, mas além do Portão de Brandemburgo, dos restos do muro na East Side Gallery e do Memorial dos Judeus mortos na Europa não é preciso seguir à risca o roteiro Europa mágica. Ai vão as dicas:


Ônibus 100: a linha passa pelos principais pontos turísticos


Fuja dos ônibus turísticos -  A maior graça de Berlim está na sua gente (do mundo inteiro) e na babel de línguas que se fala dentro do metro. Compre um ticket para o transporte coletivo para a zona AB e divirta-se. Existem os tickets diários para uma pessoa (6,90 Euros), diários para grupos de até cinco pessoas (16,90 Euros) ou para a semana, que custam 29,50 Euros. Os tickets valem até as 3:00 da manhã do dia seguinte e, assim, dá para curtir a balada. O sistema de transporte de Berlim não tem catracas: funciona na confiança e pega mal, muito mal tentar dar uma de espertinho e viajar sem o ticket.  Além do vexame, a multa custa 40 Euros e precisa ser paga na hora por quem não mora na cidade.  A situação pode ser complicar e virar caso de polícia para quem se recusa a pagar e não tem endereço fixo. Uma vez com o ticket em mãos, não deixe de dar uma volta com os ônibus 100 e 200, que saem da estação Zoologischer Garten e percorrem os principais pontos turísticos da cidade.


Prefira cervejas artesanais: A Alemanha produz milhares de cervejas que são vendidas no mundo todo. Portanto, nada melhor que aproveitar uma visita a Berlim para provar o que não se vai encontrar em lugar nenhum. É só pesquisar por micro brauerei e escolher a que fica mais perto do hotel.

Fuja dos hotéis tradicionais: Alias, falando em hotel… A rede de hospitalidade de Berlin é enorme e tem preços e opções para todos os bolsos. Mas para quem busca uma experiência mais autentica, a melhor opção é alugar um apartamento. Eu uso sempre o Airbnb. O preço pode ser bem convidativo e ainda se tem a chance de cozinhar em casa e, com isso, a desculpa para conhecer os supermercados da cidade, o que, por si só, é uma experiência interessante.

Kantstrasse: fachadas feias, comida boa e barata


Procure locais alternativos para comer: Mas se o negócio for comer na rua, fuja dos restaurantes supervalorizados pelos populares sites de viagem e vá onde os berlinenses vão. Aos fins de semana, há sempre comida de rua nos parques e mercados de pulgas. Uma sugestão deliciosa eh descer do S-Bahn na Savignyplatz e andar até a Kantstrasse. A região é conhecida como Chinatown de Berlim e os restaurantes com fachadas duvidosas tentam conquistar a clientela. A melhor dica nesse caso é espiar pela porta. Se estiver cheio é sinal de boa comida. Sempre tem gente comendo em Berlim, não importa a hora!


Torre de rádio: opção bem mais barata


Visite pontos de interesse fora da rota turística: Quer ver a cidade do alto? Nada de subir na torre da Alexanderplatz e nem no balão do Die Welt. Vá para a Coluna da Vitória, o Sigsäulle e enfrente os quase 300 degraus pra ver Berlim lá do alto pagando 2,50 se for estudante ou 3 euros. Outra opção é  a torre de rádio, Funkturm, com uma vista incrível e um preço bem simpático também, a partir de 3 Euros pra estudante. O mesmo vale para compras: em vez de deixar meio salário nas lojas de souvenir, que tal uma bijuteria única comprada de um artesão no mercado de pulgas? São dezenas de mercados na cidade, é só escolher.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Compras na Alemanha: seis coisas esquisitas que você só vai encontrar em um supermercado alemão


Fazer compras em um supermercado na Alemanha é uma experiência bem diferente do Brasil. Até mesmo os produtos mais básicos diferem. Enquanto no Brasil aparecem sacos de arroz gigantes e em profusão, na Alemanha o espaço é das batatas. Por aqui, nada de feijão ou farinha: esses são artigos que só se acha em mercados africanos, asiáticos ou especializados em comida importada.

Mas algumas coisas fazem a experiência de ir ao mercado aqui única, a começar pelo cheiro. Esse eu não explicar e nem descrever, mas cada vez que entro no mercado sei que estou na Alemanha. Nas prateleiras também existem coisas muito peculiares que só se encontram por aqui (ou em Blumenau (SC)! Mas como eu digo sempre, Blumenau é mais alemã que a Alemanha, então não conta!). Fiz uma listinha das coisas esquisitas peculiares que se vê por aqui:

Mett – Esse foi um dos meus primeiros sustos na Alemanha. No Brasil, a gente aprende desde a terceira série que a carne de porco tem que ser bem passada ou pode transmitir esquistossomose e outras doenças. Por aqui as enfermidades tropicais não fazem parte das preocupações e os alemães comem carne de porco assim, crua. É a versão do bife tartar feita com carne suína, moída e temperada. Se come com pão, no café da manhã e é tão popular que toda a cantina de universidade vende. Confesso que tive nojo na primeira olhada, mas provei e aprovei. Hoje em dia até faço em casa.

Rollmops – Como eu cresci em Blumenau, Rollmops lembra a minha infância. Não que eu comesse isso: mas o embrulho no estômago que me dava de ver os enrolados de peixe cru se desfazendo em um vidro cheio de vinagre no balcão da vendinha da esquina. Por aqui é uma comida comum e feito com arenque (no Brasil se usa sardinha) e está disponível em potes de todos os tamanhos, com cebola, sem cebola, com temperos diversos. Nunca provei. Não planejo provar.

Sülze – É uma gelatina salgada feita, geralmente, a partir do cozimento da cabeça do porco com as carnes da carcaça do crânio. Parece uma descrição horrenda, mas depois de superar a textura estranha, o sabor é bom. É um caldo de carne (de porco), temperado com especiarias e que endurece em volta de pedaços de carne. Há ainda a versão fatiada, para comer no pão, com variações de frango ou até vegetais. Eu gosto bastante, mas nunca achei outro entusiasta para me acompanhar na degustação.

Ovo cozido – Já contei aqui no blog que, na Páscoa, os alemães não costumam comer ovos de chocolate. A tradição é procurar e saborear deliciosos ovos de galinha cozidos. E eles são vendidos o ano inteiro, com as cascas coloridas. Em casa a gente sempre teve milhares de pudores com os ovos (no bom sentido!) e achava que em qualquer meia-hora fora da geladeira eles se transformariam em um foco de salmonelas, mas por aqui a visão é diferente. Ovos cozidos não são refrigerados e tem 
uma validade bem longa.

Chocolate pro pão – Alemão adora Nutella e suas marcas genéricas. Tem até uma que era fabricada já na época da antiga AlemanhaOriental, a Nudossi. Eu acho mais saborosa, menos doce e com mais avelã, mas há quem prefira a receita tradicional. Mas tradicional mesmo por aqui não é nada cremoso: são fatias finas de chocolate para colocar no pão. E na versão branca e preta. Alguém se habilita a provar!?


Suco de Sauerkraut – Essa é, sem dúvida, a pior coisa comestível que se vende no país. Achei que provar fazia parte do aprendizado e por isso divido a história para que ninguém mais faça isso. O suco de chucrute nada mais é que o caldo que sai quando se espreme o repolho que azedou em um pote com sal. E olha que eu gosto de chucrute, mas o suco é intragável. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alemanha de A a Z: um guia prático para entender a terra dos castelos, da batata e da cerveja


Um guia prático para entender esse país cheio de regras, peculiaridades e consoantes. Uma coleção de verbetes com experiências, muito achismo e nenhum rigor científico: experiências somadas no cotidiano de um país com uma aura tão indigesta quanto repolho azedo com joelho de porco cozido, mas que se revela um local seguro, prático e até divertido de se viver.

Atenção: a reprodução desse texto ou suas imagens em qualquer outro veículo midiático – incluindo blogs ou sites só é permitida a partir de consulta prévia. Caso queira compartilhar, publique o parágrafo acima e inclua um link para o post original.



Alemanha – O país coleciona ódios e amores na mesma proporção. Bom, não exatamente. A liderança econômica da Alemanha na união europeia coloca o país – e em especial a chanceler Angela Merkel – no centro das críticas pela crise econômica. Não raro a governante é retratada como nazista, embora dentro do país goze de prestígio (demonstrado nas urnas nas últimas eleições). Más línguas dizem que a Alemanha conquistou com a economia e com a criação da EU aquilo que o Nazismo almejava e fracassou. Críticas à parte, é o país de um povo ordeiro e que tenta superar as marcas do passado. Uma economia de índices fortes apesar da crise e um lugar onde se vive com estabilidade e segurança.



Berlin – É capital alemã desde a reunificação, em 1991 (antes era a capital da Alemanha comunista – a DDR e Bonn era da Alemanha “Ocidental”, a BRD) e uma das cidades mais cosmopolitas da Europa. Apesar dos seus 4,4 milhões de habitantes, é um lugar relativamente tranquilo e seguro. O sistema de transporte de Berlin é certamente um dos mais eficientes do mundo – embora quem viva lá não se conforme com os 10 minutos de atraso dos trens que cruzam a região metropolitana. Tem lugares lindos mas, como um todo, não é exatamente o modelo europeu de beleza. Berlin encanta por ser história viva: a guerra, o muro, a divisão das Alemanhas transformam a capital germânica na cidade mais rica em história de todo o país. Imperdível.



Cerveja – A Alemanha pode até não ser o maior consumidor mundial de cerveja (com 143 litros por pessoa a cada ano, tchecos ocupam essa posição, seguidos dos austríacos, com 108). Os alemães estão em terceiro, com a média de 107 litros por pessoa por ano. No Brasil, que ocupa a 17ª posição, são 62. Mas as cervejas produzidas na Alemanha garantem a fama internacional. Existem incontáveis marcas produzidas por 1274 cervejarias registradas. Fora quem faz em casa. Os tipos variam muito, mas para serem chamadas de cerveja, todas devem seguir a lei de pureza na fabricação, a Reinheitsgebot. Somente água, malte, lúpulo e fermento podem ser usados no fabrico. Comparando as cervejas alemãs do tipo Pils com as brasileiras – que são quase sempre dessa categoria – fica fácil diferenciar: as cervejas alemãs são mais “fortes”. Tem um sabor mais marcante de malte e uma variação grande na lupulagem. São servidas um pouco menos geladas que no Brasil para que se possa apreciar o sabor em todas as suas notas.



Domingo – Todo sábado parece que o país está às vésperas de uma guerra, especialmente nos supermercados. No domingo – com raríssimas e recentes exceções nas cidades maiores – NADA abre no país. Não tem mercado, não tem loja, não tem shopping aberto. Padarias fazem plantão em sistema de rodízio, como as farmácias. Cada final de semana é uma que “faz o favor” de abrir em um determinado horário para vender. Mas as portas abertas são por pouco tempo. É melhor planejar o domingo com antecedência, fazer a lista de compras bem completa para não faltar nada.



Educação – O sistema de educação alemão causa estranhamento em quem chega. No final do que seria a quarta série no Brasil, os professores dividem os alunos em três grupos: os mais inteligentes, estudiosos e com boas notas; os intermediários, e os mais “fracos”. Cada grupo segue para uma escola diferente. Os “espertos” vão para o Gymnasium, onde serão preparados para entrar na universidade. Os do meio, passam a frequentar a Real Schule, que acaba mais cedo e conduz, geralmente, a um curso técnico ou a um curso superior do tipo tecnólogo. Já os “burrinhos” são encaminhados para a Hauptschule, onde recebem um ensino elementar e são encaminhados cedo para cursos profissionalizantes em áreas de ocupações menos especializadas: jardineiros, zeladores, padeiros, condutores de ônibus e afins. Isso porquê, na Alemanha, até para assentar tijolos em uma obra é preciso um curso técnico. Geralmente são três anos de preparação para qualquer atividade.



Feiras de Natal – As celebrações de Natal na Alemanha são pura magia. Em todas as cidades são organizados mercados que vendem comidas típicas do inverno e o tradicional vinho quente temperado com especiarias, o Glühwein. O cheiro da bebida se soma com as amêndoas carameladas, a neve e todos os cantos parecem cenário de filme. Sem exagero. É lindo demais. Já o réveillon, Silvester, como se diz aqui, é o oposto disso. Algumas cidades fazem queima de fogos, mas no geral, são apenas as pessoas que levam seus fogos para a beira de um rio, se houver. Alias, os espaços tradicionais são verdadeiras praças de guerra: o cenário é apavorante, com bombas e rojões explodindo por todos os lados. Isso porquê os fogos são proibidos no país o ano inteiro e só podem ser comprados e usados nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. Ou seja: são 48 horas para dar vazão a todo o fetiche bélico de um país inteiro. Além disso, o frio espanta qualquer ânimo. Pode ser divertido passar na rua, mas é preciso ter um programa para depois, porque meia hora depois da virada a multidão já estourou seus fogos, deixou toneladas de lixo para trás e se dispersou. Abaixo de zero, só mesmo com um bar quentinho pra comemorar!



Geração de energia – A Alemanha vive de energia termoelétrica (do carvão) e nuclear, mas está trabalhando duro em um plano ambicioso: mudar sua matriz até 2020. Muito tem sido feito e já se pode escolher comprar energia de fontes renováveis. Placas solares e turbinas eólicas estão espalhadas no país inteiro e isso não sai barato. No entanto, quem vive aqui aceitou pagar o preço de cuidar do meio ambiente. Além da energia, alemães consideram a separação do lixo quase uma religião. Veja o verbete Lixo.



Hauptbahnhof – Cada cidade tem a sua estação central de trem, que interliga os mais distantes recantos do país. A malha ferroviária alemã é de dar inveja. As conexões são geralmente precisas: é normal ter-se apenas três ou quatro minutos para trocar de um trem para o outro. Por isso qualquer atraso é catastrófico. Mas tem pra quem se queixar e as queixas são ouvidas. Mais de 60 minutos de atraso significa receber dinheiro de volta. Quem vive aqui reclamaconstantemente da Deutsche Bahn, mas quem vem de fora geralmente elogia: os serviços são bastante organizados em comparação a outros países, mas se paga bem mais caro por isso. Um cálculo bom (mas não preciso!) é saber que cada hora de trem custa aproximadamente 10 euros quando os tickets são comprados com antecedência. Se comprar na hora, pode ser o dobro disso. Existem muitas formasde economizar e encontrar tickets mais baratos.



Imigrantes – Estatísticas de 2011 apontam que 19,5% da população total alemã (81,75 milhões de pessoas) é imigrante ou descendente de imigrantes.  Mas em muitas cidades a sensação é de que esses números são bem mais altos. Turcos são a larga maioria. Oficialmente, 1,575 milhão no final de 2012. Mas é preciso levar em conta que as novas gerações – filhos e netos dos turcos que imigraram no pós-guerra para trabalhar na reconstrução do país - já são nascidas na Alemanha e, portanto, alemães. Poloneses aparecem em segundo na lista: 532 mil. São seguidos dos italianos (529 mil), gregos (298 mil), croatas (224 mil) e romenos (205 mil). Brasileiros são muito menos, mas ainda assim 34.945 estão registrados no país. Essa mistura cultural pode ser vista no rosto das pessoas, na lojas de todas as nacionalidades, nos bairros de imigrantes. Mas nem tudo são flores e, mesmo com um passaporte alemão na mão, estrangeiro será para sempre estrangeiro.



Joaninha – Elas são símbolos de boa sorte aqui na Alemanha. Mas se você morar perto de um parque ou tiver um jardim grande, podem bem ser um azar! No final da primavera e começo do verão elas surgem aos milhões e não raro você passeia por um jardim e escuta um barulho “crocante” sob os pés... das joaninhas que vai amassando involuntariamente pelo caminho.



Kirche ou Kirsche – Igreja ou cereja? Alemão é mesmo um idioma complicado. Complicadíssimo. Mark Twain já dizia que "A vida é muito curta para aprender alemão", mas aprender o idioma é a principal chave para a integração. Costumo brincar que a universidade pode ser em inglês, mas a vida real segue sendo em alemão mesmo. Fora isso – e de volta a cereja! – a frutinha toma conta dos mercados no verão e faz o inverno todo ter valido a pena.



Lixo – Separar o lixo é o verdadeiro esporte nacional da Alemanha. E é bom fazer isso direito antes que um vizinho carrancudo apareça na porta pra dizer que você separou isso ou aquilo errado. Existem toneis de coleta de lixo reciclado nas casas ou em algum local próximo. Sempre. Então, o negócio é memorizar a cor dos contêineres: azul é para papel; amarelo para embalagens pequenas e metais; marrom é para lixo orgânico e o preto para o que não se pode reciclar. Vidro é separado por cor: há um contêiner para o transparente, outro para o marrom e outro para o verde. Até hoje não sei o que fazer com garrafas azuis e, por via das dúvidas, deixo de decoração em casa.



Mau humor – Eu não diria que os alemães são necessariamente mau humorados. Prefiro dizer que tem um senso de humor peculiar, diferente do brasileiro. É uma questão de costume. Tem gente que acha que sinceridade é grosseria e por isso acha que todo mundo na Alemanha é mal educado. Eu acho a vida mais simples. Se você recebe um convite e não pode ir, diz que não e pronto. Não promete e depois falta. Essa sinceridade quase em excesso é parte da personalidade do país e ajuda a construir a má fama. Claro que tem momentos em que a paciência some, especialmente naquelas temporadas de chuva, quando para sair na rua é obrigatório vestir uma cara azeda. Mas ai vem o sol... ah, o sol. E o humor muda e a vida segue.



Nazismo – Esse é um tema proibido. Nunca, jamais faça qualquer piada sobre o assunto. Não fale sobre a guerra em uma festa. Os alemães carregam até hoje uma culpa e uma vergonha muito grande pelo Nacional Socialismo e o assunto sempre transforma os humores. A questão é tão tabu que beira a paranoia. Por aqui, ter uma bandeira da Alemanha é algo mal visto: só pode na Copa. Ter orgulho do país ou de ser alemão também são valores que remetem ao fascismo. Os neonazistas só contribuem para entornar ainda mais o caldo.



Ordnung – Esta é a palavra que melhor resume a Alemanha. Para tudo existe uma regra, uma norma, uma lei. Para cada coisa que se queira fazer há um uniforme específico e um manual. Para a vida funcionar é preciso seguir todas as regras. Isso mantém o Ordnung, a ordem, traz estabilidade e faz a vida de todo mundo mais fácil. Bom, esse é o pensamento alemão. Nesses anos de Alemanha acabei aprendendo que o Ordung é, na verdade, o antônimo do jeitinho: se no Brasil sempre se acha uma maneira de contornar a situação e levar vantagem dela, aqui a mesma regra vale para todos e não adianta espernear.



Pontualidade – Chegar atrasado é um crime. E deveria ser no mundo todo! Marcar com alguém e fazer a pessoa esperar é o mesmo que determinar que o seu tempo vale mais do que o tempo da outra pessoa. Tirando a empresa de trens, que já foi muito pontual em outros tempos, todas as coisas seguem o ponteiro à risca. Se for se atrasar mais do cinco minutos, é bom mandar uma mensagem ou ligar avisando. Isso vale para o trabalho, para o compromisso com os amigos, para a universidade. Um amigo disse uma vez que a precisão é tão importante para os alemães que deve ser por isso que eles dizem os números de forma invertida: primeiro a unidade e depois a dezena! Só pode!



Qualidade – Se o orgulho de ser alemão é algo negativo para as pessoas, a relação com os produtos é inversa. Regras de controle de qualidade rígidas e consumidores exigentes deixam poucas queixas em relação a qualquer coisa feita no país. Isso vale até mesmo para os supermercados mais baratos – os discounter, tipo Lidl, Netto, Aldi, Norma. Até os produtos de marca branca, vendidos com exclusividade por determinada rede, tem boa qualidade e podem ser comprados sem medo. São muito mais baratos e não decepcionam em geral. Se tiver dúvida, consulte as etiquetas dos testes de qualidade, que são exibidas com orgulho pelas marca. Gut ou Sehr Gut estampados no fundo branco com o nome dos institutos são a certeza de levar pra casa coisas boas e, na maioria das vezes, sem ter que pagar mais caro por isso.



Religião – Dizem que a antiga Alemanha comunista é o lugar mais sem Deus do mundo. Isso por conta dos índices elevados de ateísmo nos estados que antes formavam a DDR. Mas esse fenômeno, que se repete em menor escala na “outra” Alemanha, tem um componente econômico importante: o imposto descontado direto na folha de pagamento para quem professa uma religião. Os valores variam conforme a renda, em uma conta que não sei definir como é feita. Mas chegam perto dos 100 Euros por mês pra quem ganha entre mil e dois mil. Por isso muita gente que pede benção pra avó se declara ateia na Alemanha. Quem paga justifica que o valor é usado para a conservação das igrejas que são verdadeiros museus e que financia muitas ações de caridade e mesmo bolsas estudantis oferecidas pelas organizações religiosas. Quem declarou e se arrepende depois da chegada do primeiro contracheque precisa ir a prefeitura e fazer uma papelada enorme em que “renuncia a fé”.



Salsicha – Existem estimados mil e quinhentos tipos de salsichas na Alemanha e, claro, eu devo conhecer uns 40, chutando alto. Cada cidade tem sua especialidade, seu jeito de preparar, sua receita secreta. Basicamente é assim: tira a tripa de dentro do porco e coloca o porco moído e temperado dentro da tripa. Duas salsichas, no entanto, são facilmente encontradas no país todo. A Bratwurst da Turíngia, que tem entre 30 e 40 cm, uns 3cm de diâmetro e é servida assada em um pão minúsculo com mostarda. A outra é a Currywurst, o prato típico de Berlin. A tenda do Curry 36, que fica na capital, é considerada por muitos a melhor, mas é possível achar boas opções na Alemanha inteira. Lembra (bem de longe!) a salsicha de cachorro-quente do Brasil, assada na grelha, cortada em rodelas e servida com um catchup temperado e curry em pó no topo. A descrição pode não ser convidativa, mas uma visita ao país não está completa sem provar a iguaria.



Teimosia – A minha cidade, Blumenau, em Santa Catarina, foi fundada por alemães e ainda abriga muitos descendentes. Por lá a gente usa um ditado mais ou menos assim: “Alemão não é teimoso. Teimoso é quem tenta discutir com alemão”. Bom, de algum lugar isso saiu. Eu já cai na besteira de discutir ou tentar argumentar algumas vezes por aqui e, depois de alguns anos de sofrimento, fica a dica: nem comece.



Universidade – A Alemanha tem internacionalizado suas universidades cada vez mais. Depois do tratado de Bolonha, especialmente. Com o fim dos cursos superiores chamados de Diplom (mais extensos que um bacharelado no Brasil e já com a equivalência do título de mestrado), passaram a pipocar mestrados internacionais no país. Ou seja: cursos em inglês gratuitos em todas as áreas, embora os bacharelados sejam em alemão (com raríssimas exceções). O ensino superior na Alemnha é gratuito. São poucas as faculdades privadas e é possível escapar delas com boas opções públicas. O que se paga por aqui é uma taxa de matrícula semestral – entre 150 e 300 euros, conforme a cidade – que já inclui o ticket para o transporte local. Então, para quem planeja arriscar um voo solo no exterior para uma especialização, a Alemanha é o caminho mais fácil, já que não é preciso entrar na briga por bolsas de estudo.



Verão – Dias que amanhecem as 3h30 e anoitecem depois das 22h. O mês mais aguardado do ano, sem dúvidas. Sim, o mês: porque o verão por aqui não é exatamente uma estação inteira. Sair de casa com os braços de fora e nem pensar em levar um casaquinho (mesmo que leve) é raridade. E nesses dias de “raridade”, os 30 graus parecem ser 40. As casas, as cidades, os transportes: nada épreparado para o calor. Em alguns Estados, quando os termômetros passam dos 30 graus as aulas são canceladas. Mas nem todo mundo tem a mesma sorte. Para quem trabalha, o jeito é driblar a massa quente com ventiladores e esperar. A única certeza é que o calor dura muito pouco.



Xenofobia – Esse é um assunto sério no país. A xenofobia existe sim e é um problema grave. E não é apenas contra um grupo étnico distinto: é contra todo mundo que não é alemão. Antes que eu seja execrada, quero dizer que sim, existe uma grande maioria de alemães que convive perfeitamente com um país internacionalizado. Mas se você é estrangeiro, mesmo que fale a língua e seja loiro e de olhos azuis vai enfrentar problemas (em maior ou menor escala) em algum momento. Isso vale para empregos, para amigos, para a simpatia no atendimento, para resolver os problemas. Mas vale muito na hora de alugar casa: como estrangeiro, mesmo tendo emprego, grana e afins, é sempre mais difícil conseguir um apartamento. Uma vez que os imóveis aqui não são de quem chega primeiro – ocorre sempre um tipo de entrevista e todo mundo vai arrumado ver casa – os alemães acabam sempre tendo a preferência.



Zelador – O zelador do prédio será o seu melhor amigo aqui na Alemanha. É quem arruma a torneira com vazamento, o chuveiro que tem cal (sim, porque a água é muito alcalina e vai entupindo tudo com o tempo). Se você morar em um condomínio estudantil, esses serviços costumam estar incluídos. Se não, leia com atenção o contrato. Tive um problema sério com isso. Apareceu uma mancha de mofo na minha parede na época em que vivia em Berlin em um apartamento térreo – e isso é uma coisa séria e que precisa ser resolvida o quanto antes – e a administradora do prédio disse que o zelador passaria lá para resolver. Eu disse que não precisava, que eu mesma faria. Já tinha aprendido com o zelador do prédio anterior que a única coisa que resolve esse problema é um spray anti mofo que vende nas lojas de material de construção, para uso profissional. Os do mercado não valem nada. Enfim: o homem foi lá, jogou o spray, esperou três minutos, secou com um pano e foi embora em menos de dez minutos. Veio a conta: 65 euros.



... – Essa é a primeira “amostra grátis” do Alemanha de A a Z. A ideia é continuar escrevendo sobre os mais diferentes aspectos do país. Por isso, se gostou, comente. Se não gostou, comente também. Sugestões de novos verbetes são sempre bem vindas. É só deixar um recado.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dica de viagem e cultura: as cinco melhores salsichas da Alemanha que você precisa provar


Delíciosas e variadas: Knacker (à frente) e Bratwurst (ao fundo) estão entre as mais populares

Eu nasci em Blumenau (SC) e, por isso, salsicha alemã sempre fez parte do cardápio da família. E pra mim, salsicha alemã significava, invariavelmente, uma combinação colorida: uma vermelha de doer os olhos e uma branca, ambas cozidas. Precisei vir na Alemanha pra aprender que o país tem mais de 1500 tipos de salsichas conhecidas. Esse número, por si só, já é o bastante para refutar qualquer argumento: não existe um tipo de salsicha que possa ser chamada de “alemã”.  Seria como chamar um único prato de “comida brasileira”.

Reclamações a parte, enquanto os restaurantes do Vale do Itajaí não repensam a nomenclatura, fica uma explicação curtinha. A tal da salsicha branca alemã é nada menos que uma Weisswurst, típica da Baviera e estados vizinhos. E a vermelha, bom... essa eu sugeriria chamar de Blumenauer, já que nunca vi nada parecido por aqui.

Mas para quem está de viagem marcada para a Alemanha e tem a sorte de poder provar as salsichas em sua matriz, não há desespero: não precisa transformar as férias em um rodízio de embutidos e enjoar para o resto da vida. A diversidade é tanta que, confesso, em três anos e meio aqui, não consegui provar um quinto delas.  Mesmo assim, já experimentei muito mais salsicha que achei que pudesse existir: desde a Blütwurst da Bavária (feita de sangue e que pode ser servida sem defumar, como se fosse um molho à bolonhesa), à Pinkel (com cereais, servida tradicionalmente com couve amarga, no Norte da Alemanha).

Antes da lista, vale acrescentar um pouco de teoria. Sim: tem disso na hora de fazer salsicha. E por aqui, elas são classificadas basicamente em três grupos: Rohwurst , Brühwurst e Kochwurst. Rohwurst são as salsichas feitas com ingredientes crus e que são vendidas dessa maneira ou passam por um processo de secagem por fumaça (são defumadas). Brühwurst são aquelas em que a carne e os outros ingredientes são processados em pedaços tão pequenos até formarem um patê em que não da pra perceber os ingredientes de forma individual. As salsichas de cachorro-quente se encaixam nessa categoria. Por fim, há ainda a categoria da Kochwurst, que são feitas com ingredientes previamente cozidos.

No meio de tantas, selecionei cinco que arriscaria chamar de essenciais. Cinco sabores distintos, de cinco regiões diferentes para ter uma ideia clara – e deliciosa – da diversidade na produção de embutidos na Alemanha. Anota a lista ai, então, e bom apetite.

Thüringer Rostbratwurst  - Bratwurst é uma das salsichas mais comuns da Alemanha e a Thüringer Rostbratwurst é uma delas. A salsicha tem denominação de origem controlada, ou seja, somente a Bratwurst feita no estado alemão da Turíngia (Thüringer) - que é onde pra onde eu vou me mudar em julho! - e  com uma receita específica pode receber este nome. O que elas tem de especial? São mais temperadas e mais suculentas que as outras do mesmo tipo. Deliciosas! São geralmente servidas como a maioria das salsichas aqui na Alemanha: a Wurst enorme em um pão bem pequenininho. Complete a iguaria com mostarda e não esqueça de lamber os dedos no final.

Saborosa: a tradicional Bratwurst ganhou novos temperos na Turíngia

Berliner Currywurst: Já falei bastante sobre essa iguaria que virou o prato mais típico da capital alemã nesse post aqui. Para resumir, trata-se de uma bratwurst assada e cortada em rodelas, servida com catchup temperado e curry. Não da pra visitar Berlin sem provar uma dessas, de preferência no tradicionalíssimo Curry 36.  Tem até um museu só pra falar da Currywurst: é assunto sério para os alemães.

Berlinense: a salsicha típica da capital alemã ganhou até um museu

Nüremberger Bratwurst: mais uma daquelas com denominação de origem controlada. Ou seja, tem que ser feita em Nürnberg pra ter esse nome. A Nüremberger é uma Bratwurst pequena, entre 7 e 9 centímetros, fina e temperada com bastante manjericão. É, sem dúvida, uma das mais populares no país e, apesar de ser produzida apenas na Baviera vende na Alemanha inteira e foi parar até no  McDonald's. Isso mesmo: em uma promoção temporária, apareceu uma opção de lanche com três salsichas Nürnberger dentro do pão: der Nürnburger.

McDonald´s: a salsicha de Nüremberg virou o Nürnburger**

Weisswurst : É aquela que o Brasil – ou ao menos o Vale do Itajaí – decidiu chamar de salsicha alemã. Popular na Baviera, é pouco consumida nas demais regiões da Alemanha. A Weisswurst é preparada cozida e servida, geralmente, no café da manhã, acompanhada de Bretzel. Originalmente era feita com carne de vitela e toucinho de porco, mas atualmente a maioria delas é feita apenas de porco. Deve ser servida inteira, bem quente e, na hora de comer, é preciso tirar a pele com a boca ou com os talheres.  Combina deliciosamente com mostarda doce.

Do Sul: a Weisswurst é a queridinha da Baviera***

Bremer Knacker : Essa não é tão famosa por este nome, mas é certamente uma das mais gostosas. Trata-se, na verdade da Bockwurst (que também é vendida no Brasil). O nome Knacker dela vem de uma característica da própria salsicha: a pele que envolve é um pouco mais rígida que o enchimento e, uma vez grelhada, fica levemente crocante ao morder. Lembra, de longe, o tipo de salsicha que se usa no cachorro-quente no Brasil, mas é muito, muito, infinitamente melhor. Além disso, é mais longa e mais grossa, temperada com alho e servida com mostarda amarela em um pão que mal da pra pegar a dita. E a melhor – no melhor esquema de coxinha de rodoviária – fica na Hauptbahnhof de Bremen, próximo a saída dos fundos, exatamente em frente da padaria do Werder Bremen. Não tem como errar. E... na hora de fazer esse post foi que eu me dei conta que, depois de três anos morando em Bremen e tendo comido incontáveis vezes a tal salsicha, eu nunca fiz foto nenhuma dela. Então, a foto que ilustra é de uma propaganda publicada em um site de posto de gasolina. Fazer o quê? 

Knacker ou Bockwurst: a pele mais dura deixa a salsicha "crocante"****

* Foto de Thomas Kees, publicada originalmente aqui, licenciada conforme o Creative Commons
** Foto extraída do site do McDonald´s, publicada originalmente aqui.
*** Foto de Rainer Zenz, publicada originalmente aqui, licenciada conforme o Creative Commons.
****Foto de uma propaganda de posto de gasolina originalmente publicada aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pepinos Spreewald e a ostalgie: produtos que são a marca registrada da DDR


Existe um termo curioso que aprendi quando cheguei aqui na Alemanha, mas que em 3 anos e meio ainda não tinha feito muito sentido pra mim: Ostalgie, que é um neologismo que mistura nostalgia e “Ost”, de Ostdeutschland, a antiga Alemanha comunista. O termo se refere a costumes, modo de viver, mas também a produtos que as pessoas consumiam naquela época em que o pais eram dois. E mesmo passados 21 anos da reunificação (3 de outubro de 1990), há quem ainda prefira ter nos armários de casa os produtos que eram vendidos nos mercados controlados pelo governo nos tempos de comunismo. Existem lojas especializadas só em produtos da época.

Ostalgie: brinquedos, utensílios e outros ítens de um mercado da DDR

No ano passado eu participei de um sorteio no Blog da Mel (que eu recomendo demais!!) e ganhei um kit muito bacana de produtos da antiga DDR que acompanhava o livro “ParaísoSem Bananas”, da  historiadora e escritora Neusa Arnold-Cortez (tá tudo contadinho nesse post aqui). Agora, morando em Berlin, essa coisa toda das duas Alemanhas é muito mais presente e mesmo nos supermercados se nota a diferença: as prateleiras têm muitas coisas que nunca via em Bremen. Recentemente, quando estive em Leipzig, percebi ainda mais itens dessa lista. Mostardas Bautzner de todos os sabores, o mesmo com o Russisch Brott, um doce bemmmm doce que fica no meio termo entre biscoito e suspiro, vendido em forma de letrinhas.

Damenkittel: modelito das donas de casa da Alemanha comunista*

Em uma loja popular da Alemanha (a Woolworth, mas pode chamar de Wooly) vi até mesmo uns vestidos coloridos e de um material duvidável  que custei a entender: em uma visita ao Museu da DDR descobri que eram, na verdade, uma espécie de guarda-pó, peça central do vestuário feminino para o trabalho doméstico oferecidos pelas lojas estatais chamado Damenkittel.  Fiquei com vontade de comprar um só pelo valor histórico da peça, mas com essa vida de mambembe, não sei se vale ficar arrastando mais um pedaço de pano mundo a fora.

Spreewald: para quem viveu na DDR, gostinho de saudade

Mas tem outro item que se enquadra na ostalgie que eu acabei comprando. Na verdade, esse post era só pra falar disso e acabei esticando a conversa, como sempre. :) Trata-se do pepino em conserva Spreewald, que levam o nome da região onde são produzidos. Eles ficaram famosos com o sucesso do filme Adeus Lenin (Goodbye Lenin!, de 2003).  Em uma cena bem clássica (no vídeo abaixo, a partir de 42 segundos),  o personagem Alexander'Alex' Kerner  (interpretado por DanielBrühl), vai ao supermercado em busca do tal pepino, o favorito de sua mãe doente. Sem encontrar, acaba buscando alternativas para repor a iguaria e não permitir que sua mãe perceba que o muro caiu.



Bom, já formam spoilers o bastante pra um post só. Quem não viu o filme, precisa resolver isso o quanto antes. Pra quem já viu, vale dizer que a mãe da história, ChristianeKerner (interpretada por Katrin Saß) tinha razão em ser fã dos pepinos: suaves e ao mesmo tempo levemente picantes, entraram na lista dos meus favoritos. Por hora, tem sabor de Alemanha. Mas creio que um dia, quando estiver de volta ao Brasil, também vão ter para mim um gostinho de saudade.

*A foto foi tirada de um anuncio no e-bay, que você encontra nesse link.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alemanha em detalhes: a hora de fazer compras


Esse é mais um post da série “Alemanha em detalhes”, com dicas pra evitar apertos e furadas. Já publiquei um sobre banheiro, mas desta vez o assunto são as compras. Tudo aquilo que você precisa saber mas ninguém vai ter paciência de explicar.

Carrinho de mercado -  Para pegar um carrinho de supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais. Quando terminar de fazer as compras, basta levar ele ao local, trancar com a corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta.

Trancado: coloque uma moedinha para liberar o carrinho de supermercado

Moeda sempre à mão - Apesar de não pagar pelo carrinho, o difícil é ter sempre uma moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50 centavos também). Então uma dica bem brasileira: traga na carteira uma moedinha daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos do Brasil. Ela funciona perfeitamente pra soltar o carrinho e você nunca vai gastar a dita. Algumas marcas dão de brinde umas fichinhas plásticas que servem para liberar os carrinhos. Também existem chaveiros com a mesma finalidade.

Na carteira: moedinha de 25 antiga brasileira também libera o carrinho

Na hora de passar no caixa do mercado - Supermercado alemão é uma coisa meio fora dos padrões que os brasileiros estão acostumados. Você vai descobrir que os mercados tem poucos caixas, mas nem por isso são demorados. As esteiras são gigantes antes do caixa. Você coloca suas coisas assim que se aproximar e, ao fim delas, coloca uma divisória plástica que está disponível no balcão. Assim o funcionário sabe o que é seu e o que pertence ao próximo cliente. Feito isso, na sua vez, você passa o carrinho para o outro lado e a caixa vai olhar fuzilando pra ver se está vazio.

Sem espaço para as compras - Não existe espaço para colocar as compras depois que são passadas no caixa. E os funcionários de caixa são muito, mas muito rápidos. O que fazer? Sempre pegue um carrinho e vá jogando todas as coisas dentro dele, o mais rápido que puder. Então pague e vá para um balcãozinho na saída do mercado para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja, todos! :P).

Achei um videozinho que ilustra melhor como as coisas funcionam. Prepare seu coração porque as cenas são fortes (e é exatamente isso que vai acontecer com você!).



Sacolinhas – Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até 25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis). Escrevi sobre as sacolinhas aqui. Caso for usar as plásticas,  lembre-se de coloca-las junto com suas compras na esteira do caixa.

Organização – Existem dois tipos de supermercado na Alemanha. Os “normais”, mais parecidinhos com os do Brasil, com as mercadorias organizadas nas estantes e os “discounters” (Aldi, Lidl, Penny, Netto, etc) onde a proposta principal é vender barato. E estes último são um choque na primeira vez que você entra: as mercadorias estão em caixas empilhadas sobre estruturas de madeira, quando grandes. As coisas menores ganham espaço nas estantes, mas também ficam nas caixas.

Diferente: as mercadorias permanecem nas caixas mesmo quando dispostas nas prateleiras*

Cestinhas – São raros os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Eu sugiro pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista a hora do caixa, que já falei acima. Mas você também pode usar o jeitinho alemão: escolha uma caixa vazia nas estantes (tem sempre montes delas no meio da mercadoria que está à venda) e coloque suas coisas dentro dela.

Desconto - Se você está comprando em uma loja, o preço final é o preço da etiqueta e deu. Não adianta pechinchar, chorar, pedir. Aliás, não faça isso: de certa forma é bastante ofensivo.

Pechincha - Já nos Flohmarkets (ou mercado das pulgas), o vendedor espera que você pechinche. É a regra do jogo: ele vai dar um preço inicial, você sugere o segundo – geralmente metade do que ele pediu – e a coisa segue. Se você não pechinchar o vendedor vai achar que colocou um preço barato demais na mercadoria! Eheheh

Troco exato -  Se o objeto ou serviço que você vai pagar custa 2,42 Euros, por exemplo, não adianta dar 2,40. Os valores são sempre exatos e isso vale para os dois lados. Se o seu produto custou 1,99, você vai receber o um centavinho de troco.

Local certo para pagar -  Em cafés, padarias ou mesmo em algumas lojas, existe um pratinho acrílico sobre o balcão: é nele que você deve colocar o dinheiro do pagamento.

Atendimento -  Vendedores alemães não são as pessoas mais simpáticas do mundo. Então, se você não tem a menor intensão de comprar o produto, poupe a sua paciência e o trabalho dele e não faça perguntas.

Trocas de mercadorias - Trocar ou devolver objetos é uma prática muito comum. Você tem, geralmente, duas semanas para se arrepender da compra. Nesse tempo, leva na loja e eles devolvem o dinheiro sem muitas perguntas. Isso vale para quase tudo.

Pagamento com cartão -  Cartão de credito não é algo tão aceito aqui como é no Brasil. Mesmo grandes redes de loja (como a Saturn, que vende eletrônicos), não aceitam cartão de crédito. Você pode usar o  débito, claro, mas nesse caso fique atento. Por cartão de débito se entende um EC Card, ou seja, cartão de uma conta corrente alemã e não cartões do tipo Visa Travel Money. Então, antes de comprar, vale ir até um caixa e mostrar o cartão que você tem em mãos pra ver se é aceito.

Tax Free - De você não é residente na Europa, pode economizar uns bons euros fazendo o Tax Free e recebendo o que pagou de imposto de volta. Em alguns produtos, chega a 17% do valor o que significa uma economia bem interessante. O dinheiro é pago em guichês específicos para isso nos aeroportos internacionais e você precisa levar a documentação pronta. Assim, sempre que fizer uma compra significativa em uma loja, vá ao serviço de atendimento ao consumidor com a nota fiscal, seu passaporte, e peça para que preencham o formulário. Para facilitar a vida, escreva seu endereço residencial do Brasil em um papel e tenha sempre consigo: a funcionária precisará coloca esses dados no formulário e a dificuldade em entender o endereço brasileiro é grande, geralmente.

Se ficou faltando algum item, é só mandar a sugestão!

*Foto originalmente publicada aqui, sem nome do autor, e licenciada de acordo com as regras do Creative Commons
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel