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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Turismo seguro: oito dicas simples que descomplicam qualquer viagem pelo mundo

Alvo fácil: bolsa aberta, para trás, em um transporte público lotado

Viajar o mundo tem suas técnicas e muitas delas aprendi a duras penas: errando! Já carreguei malas enormes e cheias de coisas inúteis pensando em “talvez eu queira usar isso ou precise daquilo”. Mas com o tempo e a experiência de ter percorrido mais países do que os dedos permitem contar, algumas coisas muito simples se tornaram regras. Pode até parecer óbvio, mas observar essas regrinhas pode fazer toda a diferença. Por que um calo no pé, uma câmera roubada ou uma indigestão podem transformar qualquer viagem de sonho em pesadelo.

Calçado: O melhor calçado para viajar é um tênis (velho) confortável. Havaianas podem ir na mala para os dias desesperadoramente quentes, mas ainda assim é preciso avaliar. Os destinos europeus geralmente são “limpos”, mas há cidades em que ratos, cães, gatos e toda a sorte de animais vive pelas ruas. Assim, calçados abertos facilitam o contato com excrementos e podem ser uma porta aberta para doenças. Sapatilhas e botas baixas podem ser úteis, mas mesmo um corpo jovem e em forma pode sentir o impacto na coluna e nas articulações depois de dez ou doze horas de caminhada. Quem inventou solados com sistemas de absorção de impacto não sabia o bem que estava fazendo para quem tem a síndrome do pé na estrada.

Água da torneira: Pergunte aos locais sobre a água. Se as pessoas da cidade bebem água da torneira, você pode arriscar também. Mas desconfie de qualquer sinal de hesitação na resposta e prefira água mineral. O problema não está geralmente no tratamento da água, mas nas condições dos canos que fazem a sua distribuição e na (falta de) higiene das caixas de armazenamento. Em Roma, por exemplo, existem fontes de água potável pela cidade inteira. Todo mundo bebe e se refresca nelas sem medo. Então, vá sem medo. Mas pense que, na dúvida, é melhor gastar uns trocados a mais com água e uns a menos com remédios para diarreia.

Remédios: Aliás, leve sempre uma farmacinha junto. Nem sempre é fácil explicar para o vendedor da farmácia que não fala uma palavra de inglês o que se está procurando. Já tentou pedir gaze em grego? Só consegui na terceira tentativa. Na farmacinha é bom ter spray antisséptico, curativos (para os calos!), remédio pra dor de cabeça, um digestivo e um para diarreia. Eu levo sempre omeprazol também, por que a comida mais apimentada de alguns países pode afetar estômagos mais sensíveis. Claro que para as emergências é preciso acionar o seguro de viagem, mas coisinhas simples podem ser resolvidas rapidamente com um pouco de planejamento.

Bolsa: A melhor bolsa para fazer turismo é o modelo carteiro com zíper.  Aquelas com uma alça que atravessa o tronco. Regule a alça um pouco mais curta, de forma que a bolsa fique na altura do ventre, use SEMPRE para frente e aproveite as férias. Isso vale para homens e mulheres. Assim, dá para ficar com as mãos livres – o que garante fotos melhores! – e evitar furtos. De um modo geral, a Europa é segura, mas batedores de carteira estão em todos os lugares onde há aglomeração turística. E nunca, nunca deixe a bolsa aberta nem por um minuto. Mochilas nas costas também podem ser perigosas. Existem vários golpes em que uma pessoa distrai você e a outra rouba objetos da mochila. 

Taxi: Os principais destinos turísticos costumam oferecer uma infraestrutura de transporte eficiente. Usar trens, metrô, ônibus pode ser tão interessante quanto visitar um ponto turístico. É uma forma de ver e entender como as pessoas vivem, é a chance de ter contato com a vida real do lugar. E mais que isso: é uma forma muito eficiente de evitar ser enganado. Porque podem até existir taxistas bacanas no mundo, mas a má fama da categoria tem lá suas razões. Com minha eterna cara de turista (mesmo no Brasil!), sou o alvo preferencial. Evito sempre os taxis, mas quando tenho que usar, fico de olho. Primeiro, sempre vejo o mapa da cidade em casa. Depois, costumo traçar o caminho no Google maps para ter ideia de direção e distância. Depois, pergunto o preço – ou quanto daria, mais ou menos, de A a B. Alguns Apps permitem simular o preço de uma corrida também e dá para perceber se o valor pedido está dentro do esperado. Em alguns casos, vale negociar uma tarifa fechada.  Por fim, quando tenho internet 3G, deixo o taxista ver que estou acompanhando o percurso pelo GPS do celular. Pode parecer paranoia, mas depois de ser enrolada várias vezes, essas táticas de “guerrilha urbana” têm me safado de maiores chateações.

Roupas básicas: Esqueça o modelito da moda, os saltos, os enfeites todos. Roupa de viagem tem que ser prática e confortável. Assim, prefira peças quem combinem entre sim, com cores bem básicas. Uma calça – ou bermuda – geralmente encara mais de um dia de jornada. Uma camiseta por dia tá de bom tamanho. Um casaco leve (conforme a temperatura). Se for viajar no inverno, leve apenas um casaco bom. Ninguém vai reparar que roupa se está usando e é muito comum na Europa as pessoas usarem um mesmo casaco o inverno inteiro.

Moeda local: Depois da implantação do Euro, viajar pela Europa ficou muito mais fácil sem a preocupação de cambiar moedas a cada troca de país. Mas muitos destinos populares no Velho Mundo têm sua moeda própria, embora seja comum encontrar restaurantes, hotéis e mesmo atrações oficiais que aceitem Euro. Mas isso é uma furada. O câmbio desses locais é uma piada e pagar em euro significa, geralmente, pagar 20, 30% mais caro. O ideal é fazer um cálculo do quanto se planeja gastar e fazer o câmbio apenas uma vez, para não pagar muitas taxas. Para quem usa cartões de débito europeus, o saque nos países fora da zona do Euro pode ser até mais barato que a taxa da casa de câmbio. Mas meu preferido mesmo é o Visa Travel Money (não, eles não patrocinam o blog! Ehhe), que pode ser usado como cartão de débito nas máquinas da bandeira Visa e permite saques com taxas justas, em moeda local, no mundo inteiro.

Bateria e cartão extras para a câmera:
Tudo bem que o celular hoje em dia quebra um grande galho e todo mundo acaba tirando muitas fotos de viagem com eles, uma vez que as câmeras têm cada dia mais resolução. Mas eu nunca viajo sem uma câmera na bolsa. Uma não, duas na verdade. Uma maior, com um pouco mais de resolução e uma bem portátil, para “roubar” fotos onde nem sempre é possível sacar a câmera grande. Mas isso é exagero meu. A dica mesmo é investir em duas coisas: um cartão de memória extra e uma (ou duas!) baterias de reserva. Por que em alguns lugares é impossível parar de fotografar. E mesmo que eu saia do hotel com a bateria da câmera carregada, corro o risco de ficar sem ao longo do dia. Assim, sempre tenho uma bateria extra (carregada, claro!!) na bolsa. E outra coisa: esqueça a síndrome do filme, quando a gente tinha que pensar muito antes de apertar o botão. Fotografe muito, faça mais de uma foto da mesma cena, tente diferentes ângulos e regulagens da câmera (mesmo das pequenas!). Quando se faz uma única foto, não dá para chorar depois se ficou tremida ou se a ponta da torre foi cortada. Afinal, não tem como prever se a gente vai ter a chance de voltar ao mesmo destino... 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Compras na Alemanha: uma espiada em como funcionam os supermercados


Tarefas cotidianas simples – como ir ao supermercado – podem ser desafiadoras quando se está em um país diferente. Primeiro porque os produtos e marcas são outros. Depois, porque rótulos e etiquetas estão no novo idioma e, por fim, se este país for a Alemanha, ir ao mercado requer velocidade. Há várias que os alemães fazem diferente na hora das compras. Já escrevi em detalhes sobre a aventura de ir às compras, mas nunca é demais dar uma espiada em três diferentes tipos de comércio: dois supermercados e uma loja de cosméticos e produtos de limpeza.

Vale lembrar que os dois supermercados são bem diferentes. O primeiro é um Aldi, que entra na categoria de discounters. Esse tipo de supermercado – onde ainda entram outros como Lidl, Netto, Penny, Norma – são bastante baratos, mas tem uma variedade menor de produtos. Muito do que vendem tem marcas próprias, mas pode comprar sem problemas: a qualidade é a mesma – tem coisas até melhores! – que marcas famosas.

Já os mercados “normais”, ou seja, sem ser de descontos, são um pouco mais parecidos com os do Brasil. As fotos foram feitas no Edeka – como ele existe o Rewe, Kaiser's, Real, Kaufland, etc – que oferece as marcas mais famosas, além de uma série de produtos internacionais. Apesar dos preços mais altos, há sempre uma marca própria com um custo mais parecido ao dos discounters. A vantagem é encontrar de tudo por lá, especialmente uma grande variedade de frutas e verduras.

Os dois tipos de supermercados oferecem produtos de limpeza e higiene pessoal, mas existem redes de lojas especializadas nisso. Nessas lojas também são vendidos medicamentos – muitos deles naturais – sem receita. Para itens do dia-a-dia, além da maior variedade, costumam ser mais baratas que os supermercados. As fotos desse post são da rede Rossmann, mas como ela existe a Müller, DM, entre outras regionais.




No Aldi: 


No Edeka:


No Rossmann:  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Primeiros socorros: guia básico de remédios simples e vendidos sem receita na Alemanha


Na Alemanha se toma muito menos remédio que no Brasil. Aqui existe um chá para cada coisa e eles realmente funcionam. Tenho a sensação que – fora a rinite da primavera e os resfriados do inverno – fica-se menos doente por aqui. Ainda assim, comprar remédios era uma coisa que me enchia de dúvidas no começo. O que tem? O que pode? O que não pode?

Com o passar do tempo descobri que as coisas simples também são vendidas sem receita, como no Brasil. Assim, dá pra sobreviver a um resfriado sem correr ao consultório. Por isso vai um guia de emergência para os primeiros passos por aqui. Lembre-se que isso não é um receituário, que eu não sou médica e nem farmacêutica e que é preciso ter muito cuidado com a automedicação.

Analgésicos: AAS e Paracetamol vendem em qualquer farmácia. É só pedir por esses nomes mesmo. Tem os de marcas tradicionais, mas também os não-famosos, que custam bem menos. É só chegar no balcão e pedir.

Relaxante muscular: Esse também vende sem receita. É só pedir por Diclofenac. A marca mais vendida por aqui é Voltarem. Vem em caixa de 10 ou 20 comprimidos. Tem ainda as versões em pomada e gel.

Diarreia: Há um similar ao popular Imosec brasileiro. Se chama Imodium. Também vende sem receita em qualquer farmácia.

Dor de estomago: Ai depende da dor. Para má digestão, tem um que se chama Iberogast, que vende em lojas tipo DM ou Rossmann. É, na verdade, uma combinação de ervas (que tem gosto daqueles digestivos de Camomila que toda a vó tem em casa) e se toma com água. Tem ainda um efervescente que se parece com o Sonrisal: Ben-u-ron Brausetabletten.

Azia: Existem duas opções: pastilhas de chupar (Magen Pastillen), tipo Magnésia Bisurada, ou comprimidos de engolir (Magen Tabletten). Os dois estão à venda na DM, Müller, Rossmann e afins. Alguns, até no supermercado. Para casos mais graves, o bom e velho omeprazol também está à venda em qualquer farmácia, sem receita.

Gases: Similar aos comprimidos de dimeticona vendidos no Brasil, é possível encontrar uma série de opções de Magen-Darm Entspannungs, ou seja, relaxantes do estomago e intestino, com princípio ativo de simeticon. Existem capsulas oleosas, comprimidos e pastilhas de chupar.

Alergia: Bendito seja o Cetirizin de todas as primaveras. Nunca tive alergia no Brasil, mas o pólen aqui me leva ao desespero e tomo esse medicamento a primavera inteira, um por noite (dá muito sono). É só pedir na farmácia pelo nome do remédio ou qualquer Antiallergikum: vende sem receita.

Tosse e dor de garganta: Xarope se chama Hustensaft e os mais simples também estão à venda sem receita. Tem os bem básicos e naturebas, com mel e plantas, na DM, Rossmann, etc. Na farmácia também são vendidos alguns sem receita. O mesmo vale para as pastilhas, Hustenpastillen ou Hustenbonbons (esses são mais balinhas mesmo, sem efeito analgésico). Spray de própolis nunca vi por aqui, mas tem uma alternativa na farmácia para aliviar na hora a dor: Sulagil, um spray com um gosto horroroso.

Descongestionante nasal: Existem os Meerwasser Nasen Spray, que são apenas soro, até nos supermercados. Esses não tem qualquer princípio ativo e tem efeito leve, mais para a limpeza mesmo. Alguns produtos vendidos no Rossmann ou DM têm princípios ativos: antialérgicos leves, por exemplo. Na farmácia é possível pedir por um Nasen Spray mais forte, que tenha efeito descongestivo, sem precisar de receita.

Vitaminas: supermercados e lojas de rede vendem tubos de vitaminas efervescentes em profusão. E custa pouco, muito pouco. Um tubo com dez pastilhas de multivitaminas (tipo aquelas famosas de A a Zinco, que vendem no Brasil) ou de vitamina C sai por menos de um euro. É bom ter sempre em casa, não só na hora do resfriado.

Colírio: Colírios, Augentropfen, seguem basicamente a dica dos descongestionantes nasais. Umectantes (lágrimas artificiais) nas lojas de rede e com algum tipo de função a partir da conversa com o farmacêutico. Eu uso um chamo Hylo-Comod, vendido em farmácia, para aliviar a ardência depois de muitas horas no computador. Mas em épocas de primavera, também tenho o Vividrin Akut, que é antialérgico e tira a sensação de areia no olho que o pólen provoca.

Sangramento Nasal: O isolamento térmico bem feito e os aquecedores ligados tornam o ambiente dentro de casa bastante seco. Com a umidade relativa do ar baixa, os sangramentos nasais são frequentes e há quem se assuste com isso nas primeiras semanas. São poucas as pessoas que conheço que não sofrem com o problema. Para aliviar, além de umidificar o quarto com equipamentos próprios para esse fim, vale manter a saúde do nariz com uma pomadinha Nasen Heilsalbe. São tubos bem pequenos, também à venda nas lojas de rede e que podem

Calmantes: tem várias opções naturebas nessas lojas citadas ai em cima. Baldrian é um deles. Tem ainda chás que ajudam a relaxar: Schlaff Gut Tee ou ainda Schlaf und Nerven Tee.

Anti-depressivo: uma opção natural bem popular aqui na Alemanha são os comprimidos de Johanniskräuter. Eu uso isso no inverno: a falta de sol sempre me dá uma depressão leve e os comprimidos tem um bom efeito.

Picada de inseto:  Não é coisa muito comum na Alemanha, mas pode acontecer, especialmente no verão. Para isso, existem uns sprays ou gel (sempre em embalagens bem pequenas), vendidas junto aos repelentes nas lojas de rede. Geralmente são identificados como Sofort-Hilfe. E ajudam mesmo. A dor some na hora e a coisa para de coçar.

Assaduras e ressecamento da pele: Há uma pomada aqui nas farmácias que é a prima rica do Hipoglós. Não cheira mal, não mancha a roupa e serve para as mesmas coisas que a marca famosa no Brasil. Se chama Bepanthol.  


A lista é bem básica. Portanto, quem se animar a completar ou sugerir, fique à vontade para usar o espaço dos comentários. :) 
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