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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Roteiro de turismo na Alemanha: Cinco dicas para os amantes de cerveja encontrarem o melhor em Berlim

Bier: o logo da Eschenbräu é feio, mas a cerveja é boa, muito boa

A Alemanha é sinônimo de cerveja e visitar Berlim pode ser a chance de fazer um mergulho no que o país tem de melhor. Apesar da fama cervejeira ser da Francônia, região que abrange o Norte da Baviera, o Sul da Turíngia e um pedacinho de Baden-Württemberg – Berlim tem reunido o melhor fora do eixo industrial. Por aqui, dezenas de microcervejarias têm encontrado mercado para os seus produtos e o número de fãs só cresce.

Assim, quando vier a cidade, minha dica é fugir das cervejarias mais tradicionais e de rótulos conhecidos do mercado. Apesar dos preços salgados, cervejas da Paulaner, Erdinger, Höfbrau, por exemplo, podem ser encontradas facilmente no Brasil. Então, aproveite a chance para beber e conhecer o que não se pode ter em casa.

1 – Vá a um bom Getränkemarkt
Os supermercados maiores (Edeka, Real, Kaufland, Rewe) costumam ter uma boa oferta de cervejas, mas os mercados especializados em bebidas, Getränkemarkt, selecionam seus estoques com mais carinho. Pode ser qualquer um: as estantes são como a Disneylândia dos cervejeiros e com preços bem alemães. Cervejas boas a partir de 0,65 € a garrafa de meio litro. A rede de lojas de bebidas Hoffmann é um bom ponto de partida.

Variedade: mesmo nos supermercados, não faltam opções de cerveja

2 – Visite uma loja especializada

São muitas pela cidade e cada um elege sua favorita. Elas reúnem aquelas preciosidades do mundo todo, cervejas artesanais e mesmo raridades. As cervejas não custam tanto quanto em um bar, mas os preços começam nos 2 Euros, geralmente. Eu gosto da Berlin Bier Shop por conveniência: é perto de casa e tem uma carta que não faz feio (apesar do site não fazer jus a loja!).

Arminiusmarkthalle: barris abastecidos com as melhores cervejas de Berlim


3 – Visite o Mercado Público Arminiusmarkthalle

Várias cervejarias nasceram e floresceram na região do Moabit em épocas passadas. Algumas fecharam e outras param de servir o público diretamente e concentraram suas torneiras nos diversos bares e restaurantes desse simpático mercado. Fique atento que o local fecha cedo, por volta das 19h, mas é possível entrar pelos fundos para beber cerveja e comer em um dos muitos restaurantes que se instalaram lá. Procure por esse ai da foto e peça o carrossel de degustação, com cinco cervejas locais (100 ml cada) por 5 Euros: uma preciosidade. Não deixe de provar a Berliner Weiss, que é uma cerveja de trigo bem azeda e pouco convencional. Eu particularmente não gosto, mas vale a experiência. As minhas favoritas são a Kreuzberger Tag und Nacht.


Menu de degustação: cinco copos de 100 ml por 5 Euros

4 – A cervejaria mais feia de Berlim
O lugar não é exatamente fácil de achar: a cervejaria fica nos fundos de um condomínio estudantil e muita gente desiste na porta achando que está no lugar errado. Vai ver esse é o segredo da Eschenbräu. Durante o verão, há um Biergarten na rua e o divertido é que você pode levar a própria comida, se quiser, e pedir uma das cervejas da casa para empurrar tudo pra baixo. Eles oferecem uma pilsen, uma escura e uma de trigo o ano todo e, a cada mês, uma especialidade. É preciso conferir o cardápio de produção. A Black Mamba, uma dessas ofertas, foi uma das melhores cervejas que já bebi na vida. Ah, antes que eu esqueça: o título de cervejaria mais feia vem por conta do logo e da decoração. É muito mal desenhado, propositalmente, quero crer.

5 – O point hipster das cervejas artesanais


A Vagabond é um daqueles lugares obrigatórios em Berlim, frequentado por gente da cidade e não por turistas. Vale pela essência da ideia e pelas cervejas, claro. A cervejaria foi fundada por três americanos cansados da mesmice das marcas comerciais da cidade. A ideia se tornou realidade por financiamento coletivo (crowdfunding) e hoje em dia o espaço é pequeno demais para tantos fãs. Por isso, evite os fins de semana, onde é até difícil chegar perto do balcão. Durante a semana, com sorte, se acha espaço em uma das cinco mesas da casa. O local é o mesmo onde as cervejas da casa são feitas (pode espiar!), mas elas não são as únicas estrelas. As torneiras servem ainda a produção de cervejarias parcerias em pequenas quantidades e é bem normal o quadro de ofertas mudar durante a noite. Além disso, o cardápio de cerveja tem ao menos uma centena de marcas, todas classificadas por tipo e sabor. Não espere pagar barato, mas vá com a certeza de sair feliz (e bêbado!).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Alemanha em detalhes: uma visita detalhada aos mercados de Natal, os tradicionais Weihnachtsmarkt


Há quem diga que mercado de Natal é assim: quem viu um, viu todos. É evidente que há muitas coisas em comum entre eles: são 4,5 mil mercados espalhados por toda a Alemanha e que recebem anualmente 180 milhões de pessoas, movimentando cerca de 1,9 bilhões de Euros. Um baita negócio!

Cada mercado tem suas peculiaridades, claro. O primeiro teria sido o de Dresdem, que completa 580 anos de atividades em 2014. Alguns mercados – ou parte deles – tentam manter costumes medievais: serve bebidas em canecas de barro e seus vendedores se vestem com roupas tradicionais. 

Mas alguns itens são obrigatórios em todos os Weihnachtsmarkt da Alemanha: vinho quente, amêndoas caramelas, Lebkuchen e barracas de artesanato ou produtos decorativos. Montados em uma praça com uma grande árvore de Natal ao centro, alguns mercados são mais charmosos que os outros, mas em todos é preciso beber algo quente para escapar do frio. 

Quer saber o que se encontra de Norte a Sul, de Berlim às pequenas cidades? É só conferir as imagens abaixo, feitas em diferentes cidades da Alemanha. É mais ou menos como visitar todos os mercados em quatro fotos e sem nem gelar as mãos!


Uma visão geral:


Barraquinhas de enfeites:


As bebidas quentes:


Doces do advento:


E pra quem ficou querendo mais, basta acessar a página do blog no Facebook. Por lá você encontra links para albuns de fotos com muito mais detalhes dessa época maravilhosa do ano. É só curtir!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Páscoa na Alemanha: o mito da tradição (alemã?!?!?) das casquinhas de ovos recheadas com amendoim açucarado


Tudo pronto: Na Alemanha, mas do jeito que se faz no Sul do Brasil

Páscoa no Sul do Brasil – ao menos em Blumenau e região! – é sinônimo de casquinhas de ovos decoradas recheadas com amendoim confeitado. Sempre ouvi que se tratava de uma tradição alemã e há quase seis anos na Alemanha nunca encontrei nada parecido. Bem, em partes. Eu explico já.

Na Páscoa por aqui os ovos somem do mercado. Mas não os túneis de ovos de chocolate comuns no Brasil: esses não existem mesmo. Falo dos ovos normais, aqueles de caixinha – que aqui vem 10 e não 12! Na véspera do feriado de Páscoa é melhor se precaver: eles desaparecem das estantes. São levados pra casa, cozidos, pintados e escondidos pelos jardins na manhã de domingo. Já falei por aqui dessa tradição.

Só no Brasil: túneis de ovos são coisas impensáveis na Páscoa alemã

Claro que existem chocolates no mercado. Este ano encontrei até uns ovos grandinhos – como os número 15 do Brasil, mais ou menos. Mas no geral, as pessoas presenteiam ovinhos, pintinhos de chocolate, coelhinhos e ovelhinhas. Sem exagero. Adultos, muitas vezes, trocam pequenos presentes. Mas nada de casquinhas decoradas com amendoim.

As casquinhas decoradas, quase todas de plástico em épocas de Made in China, aparecem aos montes, mas para decorar as tradicionais árvores de páscoa: Osterbaum. Muitas pessoas montam no jardim: decoram alguma árvore ainda seca por conta do fim do inverno com as casquinhas coloridas. Outras compram galhos com pequenos brotos e colocam em um vaso, onde são penduradas as casquinhas coloridas.

Osterbaum: árvores do quintal ainda sem folhas são decoradas

Variedade: É só escolher o galho favorito e montar a árvore em casa

Nas ruas: um vaso qualquer vira decoração de Páscoa

Assim como a árvore de Natal, a decoração é colocada cedo. É terminar o Carnaval que os coelhinhos estão à venda. Dessa forma, os galhos são comprados quase secos, apenas com os brotinhos verdes, e florescem dentro de casa com o passar dos dias. Com isso, levam a primavera para os lares e preparam o clima de renovação da Páscoa.

Bom, aqui em casa não tem nada disso. Não somos religiosos, mas adoro datas festivas e tradições familiares. Assim, festejo a páscoa mais ou menos como fazia na minha infância: com as casquinhas recheadas de amêndoas doces.

Tradição

Em uma pesquisada descobri que a tradição é atribuída aos húngaros. Na época da quaresma, as plantas não eram regadas e no dia de Páscoa os pretendentes apareciam para regá-las, recitando poesias. A rega, porém, não tinha nada a ver com flores: eram as moças que acabavam molhadas, quando os homens lançam gotas de água com ramos de plantas. E as casquinhas? Bem, nos dias antes da rega, as moças decoravam casca de ovos que enchiam de doces para entregar aos seus pretendentes no dia de Páscoa.

Especulo que seja essa troca cultural toda da época do antigo império Austro-Húngaro que tenha feito a tradição chegar ao dia de hoje do Sul do Brasil. Perguntando para amigos e parentes, descobri que tanto famílias alemãs quanto italianas tem o hábito. Deve ter sido uma tataratataratataravó comum que foi regada e frutificou a tradição.

Este ano decidi decorar casquinhas de plástico e achei em uma feirinha de Páscoa uma técnica bem interessante. Compra-se uns plásticos, envelopa-se a casquinha,coloca-se na água quente e tchammm: tá pronto. Bom, quase. As casquinhas vem com um gancho para pendurar na árvore, mas nada que um estilete afiado não resolva.

Simples: é só colocar na água quente que o plástico adere à casquinha

Achar o amendoim foi outra empreitada. Como moro em uma cidade muito pequena (Weimar), não existem mercados asiáticos que vendem amendoim cru, mas com a casquinha vermelha ainda. Bati pé na cidade toda e ouvi em muitas lojas: Não, agora não é época de amêndoas confeitadas. Bom, não para os alemães, né! Mais uma prova de que rechear casquinhas de ovos não tem nada a ver com o país. Por aqui esses confeitos são típicos dos mercados de Natal.

No fim de muito bater perna, tive que me contentar com um amendoim já torrado, mas sem sal, que vende no setor de salgadinhos e snacks do Rewe. Foi o melhor que encontrei. Preparei a receita como a do Natal, mas no lugar da canela coloquei raspas da casca de um limão. Ficou bem gostoso.

E, pra não deixar qualquer dúvida de que rechear casquinhas de ovos com amendoim não tem nada a ver com a Alemanha, mergulhei em mais uma pesquisa e o mais perto que encontrei foi isso: casquinhas de ovos usadas como formas para pequenos bolinhos que serão saboreados no domingo. No fim das contas, a única coisa em comum é o nível de glicemia do domingo: no Brasil ou na Alemanha, Páscoa é sempre um dia bem doce!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Zuckertüten: uma doce tradição escolar da Alemanha

Bibelôs: a tradição se perpetua em enfeites que celebram o início da vida escolar

O calendário escolar da Alemanha, como em todo o hemisfério Norte, anda em compasso diferente do Brasil. Por aqui, as férias maiores são no verão, entre julho e agosto e, nessa época, as lojas se enchem de material escolar. Mas não só isso. É a época em que aparecem cones coloridos de todos os tamanhos: são as Zuckertüten ou ainda Schultüten, em outras partes da Alemanha. A tradução é simples: sacola de açúcar na primeira e sacola da escola, na segunda. O nome pode variar conforme a região, mas o conteúdo não muda muito: doces, balas e guloseimas em geral!

Prontas: são várias as opções e o preço varia de 7 a 15 euros

A tradição nasceu no século 19 e foi registrada pela primeira vez na cidade de Jena (se lê Iêna), aqui na Turíngia, do ladinho de Weimar. Desde então, espalhou-se pelo país e foi se modernizando. Mas a razão é única: tornar menos traumático e mais doce o primeiro dia de escola dos pequenos. Por trás disso, há uma historinha quase tão fofa quanto a do Natal ou do coelhinho da Páscoa. Os pais contam às crianças que há, na escola, uma árvore que dá doces... e que eles precisam ir até lá conferir. Se, ao chegarem lá, encontrarem esses doces maduros e prontos para serem colhidos, significa que é hora de ir para a escola. 

No início, os cones eram feitos pela própria família: mães e avós colocavam seus dotes à prova nessa empreitada. Hoje em dias, as lojas estão repletas desses cones: de heróis, personagens, cores e tamanhos variados. Aliás, o tamanho é uma questão importante: os grandes são para as crianças que estão começando a escola e os menores para os irmãos enciumados aguardarem a sua vez.

Pequenas: para os irmãos menores ou como um segundo presente de avós ou tios

Uma vez escolhida a Zuckertüten, a hora é de rechear. Com campanhas sobre cáries e alimentação saudável, o conteúdo mudou ao longo dos anos. Ainda existem doces, claro, mas em menor quantidade. Brinquedinhos, games, bichos de pelúcia e itens especiais de material escolar estão na lista de preferência. É ai que entram as borrachas coloridas, os lápis enfeitados ou mesmo livros de historinhas: tudo para preparar a criança para esse novo universo que ela vai encontrar.

Mas não são os pais que entregam as surpresas. Essa é a função da escola. As prendas precisam ser deixadas com os professores (às vezes mesmo em uma data anterior) para que seja organizada a árvore ou qualquer outra forma de colocar todos os enormes cones juntos. Então, um a um os pequenos são chamados para a “colheita” dos frutos: posam para a foto, despedem-se dos pais e vão descobrir quais são as surpresas da sacola dentro da sala de aula. Claro que o costume pode variar um pouco em cada região ou em cada escola, mas no geral, é mais ou menos assim... Existe forma mais doce de começar a vida escolar?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dica de viagem e cultura: as cinco melhores salsichas da Alemanha que você precisa provar


Delíciosas e variadas: Knacker (à frente) e Bratwurst (ao fundo) estão entre as mais populares

Eu nasci em Blumenau (SC) e, por isso, salsicha alemã sempre fez parte do cardápio da família. E pra mim, salsicha alemã significava, invariavelmente, uma combinação colorida: uma vermelha de doer os olhos e uma branca, ambas cozidas. Precisei vir na Alemanha pra aprender que o país tem mais de 1500 tipos de salsichas conhecidas. Esse número, por si só, já é o bastante para refutar qualquer argumento: não existe um tipo de salsicha que possa ser chamada de “alemã”.  Seria como chamar um único prato de “comida brasileira”.

Reclamações a parte, enquanto os restaurantes do Vale do Itajaí não repensam a nomenclatura, fica uma explicação curtinha. A tal da salsicha branca alemã é nada menos que uma Weisswurst, típica da Baviera e estados vizinhos. E a vermelha, bom... essa eu sugeriria chamar de Blumenauer, já que nunca vi nada parecido por aqui.

Mas para quem está de viagem marcada para a Alemanha e tem a sorte de poder provar as salsichas em sua matriz, não há desespero: não precisa transformar as férias em um rodízio de embutidos e enjoar para o resto da vida. A diversidade é tanta que, confesso, em três anos e meio aqui, não consegui provar um quinto delas.  Mesmo assim, já experimentei muito mais salsicha que achei que pudesse existir: desde a Blütwurst da Bavária (feita de sangue e que pode ser servida sem defumar, como se fosse um molho à bolonhesa), à Pinkel (com cereais, servida tradicionalmente com couve amarga, no Norte da Alemanha).

Antes da lista, vale acrescentar um pouco de teoria. Sim: tem disso na hora de fazer salsicha. E por aqui, elas são classificadas basicamente em três grupos: Rohwurst , Brühwurst e Kochwurst. Rohwurst são as salsichas feitas com ingredientes crus e que são vendidas dessa maneira ou passam por um processo de secagem por fumaça (são defumadas). Brühwurst são aquelas em que a carne e os outros ingredientes são processados em pedaços tão pequenos até formarem um patê em que não da pra perceber os ingredientes de forma individual. As salsichas de cachorro-quente se encaixam nessa categoria. Por fim, há ainda a categoria da Kochwurst, que são feitas com ingredientes previamente cozidos.

No meio de tantas, selecionei cinco que arriscaria chamar de essenciais. Cinco sabores distintos, de cinco regiões diferentes para ter uma ideia clara – e deliciosa – da diversidade na produção de embutidos na Alemanha. Anota a lista ai, então, e bom apetite.

Thüringer Rostbratwurst  - Bratwurst é uma das salsichas mais comuns da Alemanha e a Thüringer Rostbratwurst é uma delas. A salsicha tem denominação de origem controlada, ou seja, somente a Bratwurst feita no estado alemão da Turíngia (Thüringer) - que é onde pra onde eu vou me mudar em julho! - e  com uma receita específica pode receber este nome. O que elas tem de especial? São mais temperadas e mais suculentas que as outras do mesmo tipo. Deliciosas! São geralmente servidas como a maioria das salsichas aqui na Alemanha: a Wurst enorme em um pão bem pequenininho. Complete a iguaria com mostarda e não esqueça de lamber os dedos no final.

Saborosa: a tradicional Bratwurst ganhou novos temperos na Turíngia

Berliner Currywurst: Já falei bastante sobre essa iguaria que virou o prato mais típico da capital alemã nesse post aqui. Para resumir, trata-se de uma bratwurst assada e cortada em rodelas, servida com catchup temperado e curry. Não da pra visitar Berlin sem provar uma dessas, de preferência no tradicionalíssimo Curry 36.  Tem até um museu só pra falar da Currywurst: é assunto sério para os alemães.

Berlinense: a salsicha típica da capital alemã ganhou até um museu

Nüremberger Bratwurst: mais uma daquelas com denominação de origem controlada. Ou seja, tem que ser feita em Nürnberg pra ter esse nome. A Nüremberger é uma Bratwurst pequena, entre 7 e 9 centímetros, fina e temperada com bastante manjericão. É, sem dúvida, uma das mais populares no país e, apesar de ser produzida apenas na Baviera vende na Alemanha inteira e foi parar até no  McDonald's. Isso mesmo: em uma promoção temporária, apareceu uma opção de lanche com três salsichas Nürnberger dentro do pão: der Nürnburger.

McDonald´s: a salsicha de Nüremberg virou o Nürnburger**

Weisswurst : É aquela que o Brasil – ou ao menos o Vale do Itajaí – decidiu chamar de salsicha alemã. Popular na Baviera, é pouco consumida nas demais regiões da Alemanha. A Weisswurst é preparada cozida e servida, geralmente, no café da manhã, acompanhada de Bretzel. Originalmente era feita com carne de vitela e toucinho de porco, mas atualmente a maioria delas é feita apenas de porco. Deve ser servida inteira, bem quente e, na hora de comer, é preciso tirar a pele com a boca ou com os talheres.  Combina deliciosamente com mostarda doce.

Do Sul: a Weisswurst é a queridinha da Baviera***

Bremer Knacker : Essa não é tão famosa por este nome, mas é certamente uma das mais gostosas. Trata-se, na verdade da Bockwurst (que também é vendida no Brasil). O nome Knacker dela vem de uma característica da própria salsicha: a pele que envolve é um pouco mais rígida que o enchimento e, uma vez grelhada, fica levemente crocante ao morder. Lembra, de longe, o tipo de salsicha que se usa no cachorro-quente no Brasil, mas é muito, muito, infinitamente melhor. Além disso, é mais longa e mais grossa, temperada com alho e servida com mostarda amarela em um pão que mal da pra pegar a dita. E a melhor – no melhor esquema de coxinha de rodoviária – fica na Hauptbahnhof de Bremen, próximo a saída dos fundos, exatamente em frente da padaria do Werder Bremen. Não tem como errar. E... na hora de fazer esse post foi que eu me dei conta que, depois de três anos morando em Bremen e tendo comido incontáveis vezes a tal salsicha, eu nunca fiz foto nenhuma dela. Então, a foto que ilustra é de uma propaganda publicada em um site de posto de gasolina. Fazer o quê? 

Knacker ou Bockwurst: a pele mais dura deixa a salsicha "crocante"****

* Foto de Thomas Kees, publicada originalmente aqui, licenciada conforme o Creative Commons
** Foto extraída do site do McDonald´s, publicada originalmente aqui.
*** Foto de Rainer Zenz, publicada originalmente aqui, licenciada conforme o Creative Commons.
****Foto de uma propaganda de posto de gasolina originalmente publicada aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pepinos Spreewald e a ostalgie: produtos que são a marca registrada da DDR


Existe um termo curioso que aprendi quando cheguei aqui na Alemanha, mas que em 3 anos e meio ainda não tinha feito muito sentido pra mim: Ostalgie, que é um neologismo que mistura nostalgia e “Ost”, de Ostdeutschland, a antiga Alemanha comunista. O termo se refere a costumes, modo de viver, mas também a produtos que as pessoas consumiam naquela época em que o pais eram dois. E mesmo passados 21 anos da reunificação (3 de outubro de 1990), há quem ainda prefira ter nos armários de casa os produtos que eram vendidos nos mercados controlados pelo governo nos tempos de comunismo. Existem lojas especializadas só em produtos da época.

Ostalgie: brinquedos, utensílios e outros ítens de um mercado da DDR

No ano passado eu participei de um sorteio no Blog da Mel (que eu recomendo demais!!) e ganhei um kit muito bacana de produtos da antiga DDR que acompanhava o livro “ParaísoSem Bananas”, da  historiadora e escritora Neusa Arnold-Cortez (tá tudo contadinho nesse post aqui). Agora, morando em Berlin, essa coisa toda das duas Alemanhas é muito mais presente e mesmo nos supermercados se nota a diferença: as prateleiras têm muitas coisas que nunca via em Bremen. Recentemente, quando estive em Leipzig, percebi ainda mais itens dessa lista. Mostardas Bautzner de todos os sabores, o mesmo com o Russisch Brott, um doce bemmmm doce que fica no meio termo entre biscoito e suspiro, vendido em forma de letrinhas.

Damenkittel: modelito das donas de casa da Alemanha comunista*

Em uma loja popular da Alemanha (a Woolworth, mas pode chamar de Wooly) vi até mesmo uns vestidos coloridos e de um material duvidável  que custei a entender: em uma visita ao Museu da DDR descobri que eram, na verdade, uma espécie de guarda-pó, peça central do vestuário feminino para o trabalho doméstico oferecidos pelas lojas estatais chamado Damenkittel.  Fiquei com vontade de comprar um só pelo valor histórico da peça, mas com essa vida de mambembe, não sei se vale ficar arrastando mais um pedaço de pano mundo a fora.

Spreewald: para quem viveu na DDR, gostinho de saudade

Mas tem outro item que se enquadra na ostalgie que eu acabei comprando. Na verdade, esse post era só pra falar disso e acabei esticando a conversa, como sempre. :) Trata-se do pepino em conserva Spreewald, que levam o nome da região onde são produzidos. Eles ficaram famosos com o sucesso do filme Adeus Lenin (Goodbye Lenin!, de 2003).  Em uma cena bem clássica (no vídeo abaixo, a partir de 42 segundos),  o personagem Alexander'Alex' Kerner  (interpretado por DanielBrühl), vai ao supermercado em busca do tal pepino, o favorito de sua mãe doente. Sem encontrar, acaba buscando alternativas para repor a iguaria e não permitir que sua mãe perceba que o muro caiu.



Bom, já formam spoilers o bastante pra um post só. Quem não viu o filme, precisa resolver isso o quanto antes. Pra quem já viu, vale dizer que a mãe da história, ChristianeKerner (interpretada por Katrin Saß) tinha razão em ser fã dos pepinos: suaves e ao mesmo tempo levemente picantes, entraram na lista dos meus favoritos. Por hora, tem sabor de Alemanha. Mas creio que um dia, quando estiver de volta ao Brasil, também vão ter para mim um gostinho de saudade.

*A foto foi tirada de um anuncio no e-bay, que você encontra nesse link.

domingo, 11 de março de 2012

Spätzle: Receita típica rápida com sabor de tradição alemã



Não seria exagero afirmar que, depois de porco com batata, o Spätzle é uma das comidas mais populares da Alemanha, especialmente no Sul. É também muito apreciada na Áustria, Suíça e mesmo no Norte da Itália. Essa massa – que fica em um meio termo entre nhoque e macarrão – é saborosa e fácil de preparar.  Pode ser servida com Goulasch (carne de panela ensopada) ou em sua versão mais tradicional: com queijo, simplesmente.  Trata-se de um prato que sempre preparo quando recebo visitinhas do Brasil: tem sabor de Alemanha mas, ao mesmo tempo, não se trata de algo pesado. Também é uma opção saborosa para receber amigos vegetarianos.  

Na verdade, eu fiquei me perguntando como não publiquei um post sobre Spätzle até agora. A foto ai de cima foi minha irmã quem fez: foi uma janta com vários pratos com mini porções de comida alemã que preparei quando ela veio me visitar há poucos dias. Esse aí da foto servi acompanhado de linguiça Cabanossi fritinha: é igualzinha a calabresa que vende no Brasil. Também acompanharam pepinos emconserva e molho de raiz forte (Meerrettich)

Enfim, são várias as formas de preparar esse prato e existem vários assessórios pra isso: mas é possível fazer a receita em casa sem nenhum apetrecho especial: basta uma tábua de cortar carne e uma faca grande (as facas de pão são boas para isso). Um espremedor de batatas também pode ser útil. Mas a receitinha que posto aqui hoje é a mais simples. Então anote tudo ai.

Ingredientes para a massa:

1 ovo por pessoa
Trigo que baste
2 colheres de leite para cada ovo
Sal a gosto

Preparo da massa:

Misture o ovo com o trigo até obter uma consistência um pouco mais dura que uma massa de bolo. Pelo vídeo é possível ver qual. Coloque sal a gosto na massa (ou na água, se preferir). Use o leite para ajustar a textura. Coloque água em uma panela e deixe ferver. Acrescente sal.  Coloque duas ou três colheres bem cheias da massa em uma tábua de cortar carne (quanto mais lisa, melhor). Molhe uma espátula ou uma faca grande (como de pão, por exemplo) na água quente e, com o lado inverso ao corte, vá separando pequenas porções da massa e colocando na água. Deixe cozinhar até que o Spätzle suba à superfície e então, tire da água e reserve em um escorredor. Faça pouco de cada vez e vá sempre tirando da água. Fica mais fácil de trabalhar.

Pra provar que a coisa não é complicada, não sou eu fazendo no vídeo ai não: é minha irmã (Danke por servir de “modelo”, Rafa!!) que tinha acabado de aprender a receita.



Käsespätzle:

O jeito mais tradicional de servir é com queijo: basta misturar queijo (qualquer tipo que não libere água) e pronto. Eu gosto de refogar uma cebola (na manteiga ou no óleo de oliva), um dente de alho cortadinho e acrescentar à mistura. Fica um gostinho especial.

Na internet existem várias outras opções: com a massa mais fina, mais grossa. Não há receita certa ou errada: cada um tem seu jeito de fazer, como o dessa Oma aqui de algum lugar no Sul. A massa que ela prepara é um pouco mais dura, mas o motivo de eu ter publicado o vídeo é outro: fiquei tonta só de olhar a velocidade com que ela trabalha (a partir dos 47 segundos). Quem sabe um dia eu chego lá!


sábado, 28 de janeiro de 2012

Sülze: queijo de porco com gosto de infância

Eu cresci em uma casa que, para os dias de hoje, podia bem ser chamada de sítio ou fazenda. Tínhamos uma grande horta, uma roça com mandioca, batata-doce e milho. No quintal, vacas, porcos e muitas galinhas mantinham a subsistência. E foi assim que cresci vendo um monte de coisas que, só quando cheguei a Alemanha, descobri de onde elas vinham. Tínhamos sempre nabo branco (Kohlrabi) pra sopa. Fazíamos nosso chucrute (Sauerkraut) e, volta e meia,  a função era dar conta de limpar e processar um porco inteiro: torresmo, toucinho e morcilhas (Blüttwurst) saiam da cozinha. E saia também uma geléia salgada e meio azeda que,  por aqui, achei aos borbotões no mercado: sim, nós preparávamos Sülze em casa. A Sülze também tem outro nome por aqui: Presskopf (algo do tipo cabeça prensada), que remete aos ingredientes do seu preparo.

Acho que eu tinha entre sete ou oito anos nessa época e não lembro exatamente da receita. Sei que as cartilagens, a cabeça, e carnes menos nobres do porco eram cozidas e depois temperadas com muito cheiro verde. Colocadas em uma forma para esfriar, a água ficava gelatinosa e bem temperada. Depois era só desenformar e cortar em fatias para servir. Eu gostava de comer a tal da Sülze no pão caseiro, feito no forno à lenha, que sempre tinha na mesa lá de casa. Quando cheguei na Alemanha e encontrei a tal da geleia, comprei um vidro pra provar e fiquei decepcionada. Apesar da receita ser aparentemente a mesma, não tinha o gostinho daquela que minha Oma preparava. 
  
Alemã: Sülze ou Presskopf traz carnes da cabeça do porco em uma espécie de gelatina*

Mas eis que hoje bateu um momento daqueles fome+curiosidade no maridão na hora de fazer as compras e eles se depara com o insólito desejo de comer Sülzekotelett. Já explico: não tem nada de bacon, cabeça ou qualquer outra parte esquisita. É uma costeleta de porco defumada e sem osso (ou seja, Kassler, pra simplificar!), mergulhada nessa geleia e com uns pedacinhos de ovo, cenoura e pepino por cima. A aparência não é convidativa, mas o que se pode dizer à fome nessas horas? Ele veio todo faceiro com a tal iguaria na mão e provamos aqui em casa. Não é tão boa quanto a da minha Oma – alguém pesou a mão no vinagre que chega a repuxar o canto da boca – mas foi a primeira vez que, bem faceira, achei uma Sülze alemã em que eu pudesse sentir o gostinho de infância.

Espia ai a cara to Sülzekotelett no pacote original (vende no Lidl) e no prato, onde fica mais fácil observar a geleia que envolve a carne:



Ta ai mais uma prova: quando eu falo que Blumenau é a cidade mais alemã do mundo, não to mentindo! :)

* A foto da fatia de Sülze, é de Rainer Zenz, publicada originalmente aqui, licenciada de acordo com as normas do Creative Commons

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dica de viagem: as melhores cervejas da Alemanha

Variedade: é o supermercado, mas se quiser pode chamar de Disneylândia :)
(fotinho feita pela minha irmã Rafa ou pelo cunhado César, não deu pra descobrir!)


Não há como negar a vocação alemã na produção de cerveja. Nem no consumo. De Norte a Sul do país a bebida é unanimidade: o consenso só não existe na hora de dizer qual é a melhor. Nesse ponto, os bávaros defenderão ferrenhamente seu produto e os alemães do norte farão coro em dizer que a cerveja deles é vencedora. Bairrismos a parte, o melhor de tudo é o preço: uma boa cerveja custa menos de 1 euro a garrafa de meio litro. E não pense que essa quantidade é pra ser bebida em copos, dividida com os amigos: essa é a porção individual. :) Nos bares, claro, o preço é mais salgado: varia de 2,50 a 3,50 pelas garrafinhas de 330 ml em uma balada normal.


Eu cheguei aqui na Alemanha sem entender nada de cerveja e, depois de três anos, isso não mudou. :) Quanto mais eu bebo, mais vejo que não conheço nada! De qualquer forma, esse não é um blog sobre cervejas: só resolvi escrever esse post para falar do que eu gosto e pra sugerir algumas cervejas para os amigos que vem me visitar aqui na terra da batata. Simples assim. Então, se quiser comentar o texto, fique à vontade, mas não se esqueça que tudo o que vem abaixo é o mais puro e egoísta achismo. Além disso, aceito sugestões sobre quais ainda não degustei e estão faltando na lista.

Ah, antes que eu me perca em links de marcas e afins, preciso falar do grande enigma da humanidade: a pergunta que eu mais ouvi nas férias pelo Brasil. “É verdade que alemão toma cerveja quente?” A resposta é bem alemã: Jein! Ja (sim) e nein (não), ao mesmo tempo. Eu já falei sobre isso em uma das colunas que escrevi para o Santa durante a Oktoberfest de Blumenau e repito aqui. As cervejas alemãs são mais pesadas que as brasileiras e feitas para beber em uma temperatura um pouco mais elevada, geralmente entre dois e seis graus. Considerando o período do ano em que a temperatura está perto disso (ou mesmo no verão, em que a água dos lagos – usada pra gelar a cerveja em passeios – não está muito além dos dez graus), fica fácil entender o porquê dessa fama. Claro que já vi muito alemão bebendo cerveja quente do mercado, sem dó nem piedade...


Bom, vamos a minha lista das especiais: mas não em ordem de preferência, porque não saberia dizer qual é a melhor. Cada uma combina melhor para uma determinada ocasião. E fica logo dito que eu não gosto de cervejas muito amargas e que, depois de fazer a lista, pela ordem que vieram a lembrança, ficou claro algo que nem eu mesma sabia: minha preferência por cervejas com sabor predominantemente maltado.

Paulaner Salvator: É uma doppelbock com sabor bem acentuado de malte e 7,8% de álcool. Foi a primeira cerveja produzida pela Paulaner e mantém a mesma receita desde o final do século 18. Os monges que criaram a receita bebiam esta cerveja no lugar das refeições no período da quaresma.

Schneider Weisse Aventinus Tap 6: Outra doppelbok, mas de trigo, com 8,2% de álcool. Fabricada desde 1907, reivindica o título de ser a mais antiga do estilo feita na Bavária. No side da marca, é descrita como: em tons escuros de rubi, com notas fortes de banana, passas e ameixa, com toque de alcaçuz. Seja lá o que for, é boa demais! A Tap 7 também merece ser provada. Nunca sei qual das duas eu gosto mais!

Duckstein Rotblondes:Por alguma razão que eu desconheço, essa Altbier com 4,9% de álcool é mais cara que as demais no mercado. Mas merece ser provada: tem um cheiro frutado e uma espuma bem cremosa e é bem pouco amarga. Foi a primeira a entrar na minha lista das favoritas aqui na Alemanha.

Maisel’s Weisse Original: Mais uma cerveja de trigo, dessa vez clara, com 5,2% de álcool. É saborosa, com notas de banana e um fundo meio cítrico. Acho essa cerveja muito melhor que a Franziskaner, Erdinger ou Paulaner do tipo, embora seja menos popular. É uma cerveja sem muita complexidade, mas daquelas que certamente você vai pedir o segundo copo.

Mönchshof Kellerbier: Esta honesta Kellerbier, com 5,4% de álcool, certamente a cerveja que eu mais bebi na Alemanha. Tem um sabor bem maltado e um retro gosto um pouco frutado. É aquela cerveja pra tomar bastante, sem culpa e sem ressaca braba no dia seguinte. Sem contar que o “plop” na hora de abrir a garrafa faz toda a diferença. Ah, vale dizer que, infelizmente, dessa cervejaria, a Kellerbier é a única que merece atenção.

Augustiner Edelstoff: Eu não provei todas as cervejas da Augustiner, mas pela fama, devem ser todas muito boas. Minha favorita nesse pacote bávaro é uma Munich Helles Lager com 5,6% de álcool: além de deliciosa, é linda. Adoro o desenho do rótulo tanto quanto o sabor suave e refrescante.

Hofbräu Oktoberfestbier: mais uma da Baviera, esta é uma cerveja de março (Märzbier) e consumida durante a Oktoberfest. Só pode ser chamada assim por ser feita no Sul da Alemanha, já que se trata de uma denominação de origem controlada. Tem 6,3% de graduação alcoólica e entra na lista mais pelo charme do que pelo sabor. Como não é vendida o ano todo, tem sempre aquela sensação boa de encontrar a nova safra no mercado.

Staropramen Lager: para que não me chamem de bairrista, coloco aqui uma não-alemã. Devo dizer que as cervejas tchecas são maravilhosas, mas por hoje fico somente com a minha favorita. Vende em qualquer supermercado na Alemanha. Trata-se de uma pilsner suave, com 5,0% de álcool e sabor bem frutado com um fundo levemente adocicado e maltes bem leves. É refrescante e deliciosa.

Claro que na Alemanha tem muita cerveja ruim, mas para escolher apenas uma que represente toda a desgraça engarrafada, não preciso pensar muito:

Oettinger Pils: É a cerveja oficial de todos os mendigos e desocupados do país, já que é vendida a 35 centavos a garrafa de meio litro. Não sei nem o que falar do gosto: papelão com cachorro molhado, embora eu nunca tenha comido o primeiro e nem lambido o segundo. O mais cruel é ver esta porcaria de cerveja vendida como “especial” ai no Brasil. Alguém ta ganhando muito dinheiro com isso.

Cerveja no Brasil

As cervejas brasileiras não são ruins: só não têm personalidade. Como o clima do país é, em geral, muito quente, as cervejas mais fracas acabam combinando melhor. Confesso que no primeiro gole de Brahma depois de três anos de Alemanha eu tive a sensação de estar bebendo água. Mas como a companhia dos amigos não tem preço, acho que qualquer cerveja no Brasil tem um sabor muito especial. Eu tenho minhas favoritas por lá também: cheias de personalidade e de sabor, diferente das marcas mais tradicionais, mas não vou falar muito sobre elas não. Ficam só os nomes. 


De Blumenau, recomendo a saborosa Strong Golden Ale da Eisenbahn. Se for pra Pomerode, faça o favor para si mesmo de provar a Imperial Stout da Schornstein: deixa qualquer Guinness no chinelo! Entre as comerciais brasileiras, minha favorita ta bem longe de ser uma unanimidade: gosto de Kaiser Gold e, na falta, vou de Brahma Extra.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pinheirinho, que alegria! La, la, la, la, la, la, la, la, laaaaa!


Pinheirinhão: No Natal alemão a árvore tem destaque, como no mercado da Gendarmenmarkt 

Se tem um costume que os alemães não abrem mão é da árvore de Natal. Final de outubro e já ficam todos ouriçados em busca da melhor opção e eu chutaria que 99,5% deles só leva pra dentro de casa pinheirinhos naturais. No primeiro ano que passei aqui não me dei conta disso até janeiro chegar e as ruas ficarem tomadas de uma quantidade absurdamente gigante de pinheirinhos usados, meio mortos, pelas calçadas. Fiquei chocada e questionando esse papo todo de sustentabilidade que tanto falam por aqui.

Com o tempo – e o alemão melhorando com isso – li matérias sobre as plantações de pinheirinhos de Natal: fazendas inteiras especializadas no produto e com isso decidi que tal costume não era nenhuma barbárie. A TV também mostra sempre as árvores gigantes – de muitos metros – sendo “plantadas” nas praças para os mercados de Natal. Comecei a achar tudo fofo e a observar a correria dos senhores de cabelinhos brancos e olhos muito azuis em busca da árvore perfeita. Você vê a cena por todos os lugares: no ônibus, no metro. E as lojinhas de vender pinheirinhos se multiplicam. As praças ganham cercadinhos e uma tenda e lá estão eles às centenas: basta escolher o tamanho e o tipo favorito. Pelos tons de verde e pelo formato, dá pra perceber que são diferentes tipos, mas não parei pra pesquisar o assunto.

O meu pinheirinho: este ano a festa de Natal é aqui em Berlin

Em casa, nunca tinha feito um pinheirinho, por assim dizer. Todos os anos eu improvisava alguma coisa com luzes e bolinhas, mas como passamos as últimas festas de Natal em Portugal, onde mora a minha irmã, dispensei a decoração. Este ano vai ser diferente: seremos os anfitriões da festa de Natal (ai que chique!) e por isso queria deixar nossa casinha com cara de casa de família e sai à procura de uma árvore. Brasileira que sou, criada em Natais de 40 graus lá nas ruas de Blumenau, não pensei duas vezes antes de comprar uma árvore artificial e foi tudo pela internet: comprei árvore, pisca-pisca (que não pisca, mas é bonitinho mesmo assim!), bolinhas, fitas e afins tudo pelo e-bay. E viva o Natal sem filas.

Montamos o tal do pinheirinho no dia que chegou – e descobrimos que 1,5 metros de árvore ocupa muito mais espaço do que prevíamos – mas não tive tempo de decorar na hora. Só colocamos as luzinhas. Eis que o marido recebe um amigo nesse meio tempo (um alemão, claro!) que olha abismado para a coisa verde com 30 pontinhos de luz e, sem pudores, deixa claro o que está tudo fora do “Ordnung”. A primeira pergunta foi por que a árvore não era natural, seguida de um comentário de que ela não podia ficar assim, só com as luzinhas. Das geht nicht! Ai o marido explicou que a coisa toda ia ser enfeitada e tal... Mas o engraçado de tudo foi o choque e a necessidade de explicar que o Natal não podia ser daquele jeito! Eu ri.

No entanto, Natal sempre foi assunto sério na minha casa. Minha mãe foi professora de artes por quase 30 anos e hoje em dia, já aposentada, trabalha justamente com decoração: ela faz carros alegóricos para a Oktoberfest de Blumenau, faz cenários de teatro e, claro, tem dedinho dela nas decorações lindas que estão chamando a atenção para o Natal da cidade. Que orgulho! Então não podia fazer feio e decidi que não ia apenas pendurar bolinhas, para o ceticismo mais puro do marido (que nem queria a árvore pela casa!). Fiz um monte de “arranjinhos”, cheios de laços e detalhes... e a árvore ficou uma fofura! Achei tão bonitinha que resolvi colocar as fotos por aqui também. E a melhor parte foi ver que o marido entrou no clima também e agora, quando chego do trabalho, está a arvore com as luzinhas acesas me dando boas vindas!








 Ps1.: Esse post foi inspirado pela Joaninha Bacana, que falou sobre o pinheirinho dela noBlog bacanudo que ela tem (recomendo!!!) e me deixou com vontade de mostrar o meu também!!!  Feliz Natal pra ela e pra todo mundo que passa por aqui!!!


 Ps2.:Ah, e pra quem ficou achando o título do post meio esquisito, trata-se de uma musiquinha de Natal...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Receita de Natal: Amêndoas carameladas têm o sabor dos Weihnachtsmark da Alemanha


Os posts mais recentes aqui do blog têm sido bem natalinos. Falei sobre os mercados de Natal, as bebidas quentes e até mesmo do Vanillekipferl, meu biscoito favorito dessa época. Mas ficou faltando ainda escrever sobre uma das coisas mais marcantes dessa época de festas aqui na Alemanha: as amêndoas caramelizadas. O cheiro é maravilhoso e você sente por toda a cidade: tem sempre uma barraquinha vendendo as mais diversas qualidades e fica difícil resistir. A variedade é grande: amêndoas, nozes, macadâmias, amendoins, as brasileiríssimas castanhas-do-Pará e até mesmo sementes de abóbora. Bom, essas últimas ai o marido provou e não gostou muito não, então resolvi deixar passar.

No primeiro Natal que passei aqui achei bem curioso encontrar os tais amendoins confeitados, já que na minha casa – e na maioria das casas do Sul do Brasil – é costume preparar essa iguaria para a Páscoa e com ela rechear casquinhas de ovos. Bom, tudo diferente por aqui: na Páscoa, os ovos são apenas ovos cozidos (contei tudo aqui nesse post) e os amendoins doces são coisas do Natal.

Todos os anos eu compro as amêndoas no mercado e este ano decidi tentar fazer em casa. A parte mais legal é que ficaram iguaizinhas e é muito fácil e rápido. Assim, mesmo quem está longe dos Mercados de Natal alemães pode provar essa iguaria. A receita é a mesma para qualquer um dos frutos. No Brasil, eu certamente tentaria fazer com nozes pecã, que são uma delícia, além, claro, das castanhas-do-Pará.


Amêndoas caramelizadas

Ingredientes

200 gramas de amêndoas (ou amendoim, nozes, castanhas, etc)
200 gramas de açúcar
10 gramas de açúcar de baunilha (um pacotinho ou uma colher de sopa rasa)
1 colher de sopa rasa de canela em pó 125 ml de água

Preparo

Coloque a água em uma frigideira de laterais altas e acrescente o açúcar, a baunilha e a canela. Misture bem e espere ferver.


Quando estiver fervendo bem, junte as amêndoas.


Mexa com cuidado para que fique dourando por igual. A calda logo vai começar a açucarar.


Nesse ponto, mexa devagar, para manter o açúcar colado às amêndoas.


Uma vez açucaradas, retire do fogo por alguns minutos.


Retorne ao fogo mexendo sempre e observe que o açúcar vai derreter novamente.


 Mexa sem parar para que todas as amêndoas adquiram um caramelo brilhante de forma homogênea.


Quando todas estiverem caramelizadas, despeje sobre papel manteiga (Backpapier) e separe uma das outras o máximo que puder.


É só esperar esfriar e se deliciar! Guarde em pote bem fechado para evitar que, com a umidade, o açúcar derreta e deixe as amêndoas grudadas. Se ficou com alguma dúvida ainda quanto ao passo-a-passo, tem um vídeo em alemão aqui que mostra em detalhes todo o processo. Não tem como errar!!!!
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel