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terça-feira, 7 de abril de 2015

Faculdade na Alemanha: passo-a-passo para cursar o bacharelado (graduação) em uma universidade no país

Universidade de Bremen: uma das melhores no Norte da Alemanha

A Alemanha oferece ensino superior gratuito e isso tem atraído cada vez mais estudantes estrangeiros interessados em estudar no país. Mas entrar em uma universidade alemã exige dedicação e boas notas. E não só: para quem é estrangeiro, o desafio já começa no aprendizado do idioma.

A maioria dos cursos de bacharelado é em alemão. Ou seja, sem um conhecimento intermediário/avançado da língua as chances são poucas. Quanto tempo leva para aprender alemão? Depende de cada um. Mas considerando o que as escolas de línguas geralmente oferecem – quatro a cinco semanas por nível – é só fazer as contas: A1.1, A1.2, A2.1, A2.2 e por ai vai até o B2.2 ou C1, conforme a exigência da universidade.

Para quem quer economizar nessa hora, uma boa opção são os cursos oferecidos pela Volkshochschule, subsidiados pelo governo. Em Berlim, cada nível custa a partir de 100 euros, o que é muito menos do que escolas de idiomas privadas ou institutos como o Goethe cobram. E o ensino é de qualidade. A maioria dos estudantes é imigrante e tem pressa em aprender. Por isso as aulas fluem bem e todo mundo está interessado.

Mas falar alemão não é o suficiente. É preciso conseguir uma vaga na universidade o que significa concorrer de igual para igual com os alemães e candidatos de outros países. Para isso existe um curso preparatório e de nivelamento que dura um ano: o Studienkolleg. O curso é oferecido tanto por instituições públicas (onde se paga apenas uma taxa semestral que dá direito ao transporte na cidade e região) ou privadas. 

Além disso, é preciso saber de antemão qual curso se pretende cursar como bacharelado, já que a estrutura educacional na Alemanha é diferente. Existem por aqui as faculdades técnicas (Fachhoschule / Hochschule, com cursos mais voltados à prática, como mídia, informática, administração e negócios, etc) e as universidades (Universität, com engenharias, medicina e outros cursos que envolvem mais pesquisa).

Para entrar em qualquer uma das duas é preciso fazer um teste (tipo o Enem!). Para as Fachhochschulen o exame se chama Fachhochschulreife, ou Fachabitur, como é conhecido popularmente. Esse exame é aceito excepcionalmente também para alguns cursos em Universidade. 

No entanto, quem pretende entrar em alguma universidade precisa fazer o Abitur. Com a nota dessa prova pode-se então participar do processo de seleção de cada universidade do país.
É importante observar que o nível de alemão exigido pelas universidades é maior do que o exigido pelo Studienkolleg, então, muitas vezes, é preciso estudar um pouco mais a língua para passar em um exame de proficiência como o DSH2 ou DSH3, ou TestDaf.

Quem já cursou um ano de universidade no Brasil pode tentar pedir transferência. As regras, nesse caso, dependem da universidade pretendida, que vai definir o que pode ou não ser aproveitado e que documentos serão necessários para o aceite. No entanto, a exigência de passar no teste de proficiência de alemão permanece.

Algumas – raras ainda! – universidades oferecem cursos de bacharelado em inglês, mas são quase sempre faculdades privadas e com mensalidades que ultrapassam os 500 euros. Pode parecer pouco se comparado aos preços praticados no Brasil, mas a conta aumenta com os cerca de 700 euros necessários para viver no país (incluindo casa, plano de saúde, comida, etc). E lembre-se, para pedir o visto de estudante é preciso ter o dinheiro para o ano todo (660 euros por mês) depositado em uma conta-poupança bloqueada na Alemanha.

Se você quer fazer o mestrado, tem muita informação aqui. Já esse post explica como tentar o doutorado na Alemanha.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Doutorado na Alemanha: passo-a-passo para conseguir uma vaga, um orientador e uma bolsa de estudos

Bremen: clima ruim, mas uma boa universidade em uma cidade charmosa

Fazer doutorado na Alemanha pode ser uma grande vantagem, uma vez que o ensino por aqui é gratuito, salvo as poucas universidades privadas do país ou alguns cursos muito específicos. O dinheiro do financiamento que se recebe serve para pagar as despesas de moradia e subsistência. Além disso, para os padrões europeus, a Alemanha (exceto do Sul!) é um país bem barato. Esse post detalha os passos para quem pensa em fazer doutorado por aqui. Por isso, antes de enviar qualquer pergunta, leia atentamente.

É preciso dizer que para os brasileiros ficou ainda mais fácil chegar ao doutorado com as bolsas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Antes, a seleção toda dependia de um convênio entre Capes/Cnpq/Daad, com chamadas anuais e que, em média, concediam cerca de 60 bolsas de doutorado pleno. Essas bolsas ainda existem e contemplam também áreas que estão fora do CsF.

É possível participar dos dois processos seletivos ao mesmo tempo. Uma coisa é independente da outra. Se a sua área não for diretamente engenharias ou computação, fique atento a uma área do CsF que se chama Indústria Criativa: uma série de projetos de moda, design, comunicação e outras áreas distantes da engenharia encontram abrigo ai e, com isso, podem se encaixar no escopo do programa.

Quanto a língua, é preciso ter proficiência pelo menos em inglês. Obviamente não dá para chegar no país sem se comunicar com o professor e sem ter uma língua de trabalho. As universidades aceitam Toefl ou Ielts, além de outros exames de proficiência. As duas bolsas (Capes/Cnpq/Daad e CsF oferecem curso de alemão por um período de um a seis meses antes do início da bolsa, conforme a necessidade do aluno). Para estudar em alemão, exceto na área de Direito, onde a exigência de língua é maior, é preciso ter o TestDaf ou o DSH2 equivalentes ao avançado (C1). No período do curso de alemão recebe-se moradia (indicada pela escola de alemão), curso e uma ajuda de custo financiada pelo Daad. A bolsa de doutorado propriamente dita inicia depois do curso de alemão.

Os tipos de doutorado

Em primeiro lugar é preciso ainda decidir o que se quer fazer aqui: um doutorado integral (de três a quatro anos) ou sanduíche, que é um ano fora quando já se está matriculado no doutorado em alguma universidade brasileira. Se o doutorado for integral, existem quatro possibilidades. O site do Daad também tem dicas importantes.

Programa de doutorado: são raros na Alemanha. São cursos de doutorado como no Brasil, com cadeiras estruturadas, para os quais deve se fazer a inscrição no processo seletivo diretamente na universidade, observando as exigências, datas e prazos de cada uma. Mas note bem: nunca conheci ninguém que fizesse doutorado assim aqui.

Posição de pesquisador: Para essa você não precisa ter uma bolsa. Trata-se de um contrato de trabalho como assistente de pesquisa em uma universidade, geralmente em algum projeto pré-existente. Nesse período de trabalho, o doutorando desenvolve sua pesquisa em paralelo, geralmente relacionada ao projeto em que trabalha. Muitas universidades europeias oferecem posições assim e é fácil encontrar vagas nesse site, nesse e nesse outro ainda.

Doutorado em empresa: Um professor doutor vinculado a alguma universidade orienta o estudante durante uma pesquisa feita diretamente na indústria, com objetivos práticos relacionados a empresa que remunera o doutorando.

Pesquisador livre (Promotion): É a modalidade mais comum de doutorado por aqui. É um acordo entre o professor e o aluno e as regras são estabelecidas nessa relação. São as vagas mais fáceis de se conseguir e as que funcionam melhor junto com o financiamento das bolsas brasileiras. Segue uma explicação mais detalhada de como funciona o acordo.

Como encontrar uma universidade e um orientador

Escrevo como foi a minha abordagem, mas podem existir outras maneiras: a parceria entre universidades, um professor como contato, etc. Bem, fiz sozinha um projeto inicial do que me interessava trabalhar no doutorado e procurei, na Alemanha toda, professores que pesquisassem o tema. A grande maioria tem o curriculo on-line. Observe sempre que para doutorado tem que ser uma Universität (e não uma Hoschule ou Fachhoschulle, que são técnicas!) e obviamente o professor tem que ser doutor (há professores que não são por aqui).

Depois dessa busca, selecionei doze professores que poderiam me orientar e enviei a eles um email me apresentando, falando da minha ideia de pesquisa (dois parágrafos, não mais! Para ter certeza de que leriam!) e dizendo que não estava procurando bolsa, já que poderia contar com financiamento de bolsa do Brasil. Dos 12, um disse que tava se aposentando, outro sugeriu um colega mais na área e DEZ disseram que aceitariam me orientar e pediram para mandar mais detalhes de projeto, curriculo, minhas notas, etc.

Na sequência, dei uma melhor selecionada pela universidade, pela região que queria morar e então agradeci os demais e escolhi um. Esse professor te da uma carta de aceite: nela ele diz que, caso você consiga a bolsa, ele aceita ser o teu orientador. Isso basta para se inscrever nos editais. Ai é torcer para que o projeto esteja bem feito e que seja aprovado pelo comitê de seleção das bolsas no Brasil.

Já com a bolsa, a matrícula na universidade

O segundo passo é dentro da universidade alemã: o professor vai sugerir ajustes no projeto (ou não!) e vai encaminhar ao PhD comitê da universidade. Esse comitê se reúne três ou quatro vezes ao ano, não mais. Esse comitê avalia o projeto e diz se o aluno pode ou não se matricular, se terá ou não que cursar disciplinas como formação complementar.

Caso seja negado, nada de desespero: é preciso refazer ou ajustar o projeto para a próxima reunião. Isso não é um problema para a bolsa: uma carta do seu professor dizendo que você já está trabalhando é o bastante para que os pagamentos sejam efetuados. Depois da aprovação do comitê, você é autorizado a se matricular como PhD Candidate na universidade (algumas faculdades têm uma modalidade especial de matrícula que é de Perspective PhD Candidate: isso permite a matrícula de quem ainda está fazendo os ajustes no projeto, por exemplo, mas garante benefícios de estudante e visto enquanto ainda está aguardando a aprovação do comitê).

A forma como se vai trabalhar - se o aluno vai ter uma sala na universidade, se vai usar a biblioteca, se vai trabalhar de casa - é definida entre aluno e professor, bem como a periodicidade dos encontros. As regras podem variar um pouco em cada universidade, assim como a lista de documentos exigidos para a matrícula, prazos e afins. Mas em um resumo bem geral é assim que funciona o processo.

Outras bolsas de estudo para brasileiros

Mas as bolsas para doutorado não se resumem a Capes/Cnpq/Daad e CsF. Brasileiros podem se candidatar a uma série de outros financiamentos oferecidos por instituições alemãs e internacionais. Mas ai, nada como usar o bom e velho Google, né! :)



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Choque cultural: sono, raiva, angústia fazem parte do processo de adaptação


Adaptação intercultural é assunto de pesquisas bastante sérias. Os processos são tão comuns entre quem decide viver em outro país que podem ser praticamente medidos e existe um gráfico para representar esse processo. É um erro pensar que isso não vai acontecer com você: vai. E dói. Mas dá pra sobreviver. Importante é saber que esse é um processo natural e não se desesperar.

Claro que esse choque não é o mesmo em todos os países. Quanto mais diferente for a cultura originária da cultura da nova casa, maior vai ser o impacto. Vale até observar essa tabela que cria algumas referências para perceber um pouco do que distancia uma cultura da outra e assim prever o choque.

Tipos culturais: o modelo de Lewis, publicada originalmente aqui

Brasil e Alemanha estão em vértices opostos do triângulo, o que deixa claro que as diferenças são marcantes. Mas na chegada a Alemanha tudo parece perfeito. A primeira fase da vida por aqui é de lua-de-mel. Uma mistura da euforia da viagem, uma nova casa, uma nova vida, tudo colabora para criar uma aura mágica. A burocracia toda da chegada – fazer o registro na prefeitura, abrir conta em banco, contratar plano de saúde, fazer a matrícula da faculdade, dar entrada no visto – afetam o bom humor. Mas a aventura de ir ao mercado, de andar por ruas novas, conhecer pessoas supera.

É comum nessa hora nascer uma paixonite pelo novo país e um questionamento da própria cultura. É um período de deslumbramento com o novo. Já vi muito brasileiro recém-chegado com um discurso chato de negação das raízes, mas isso logo passa. Como a maioria chega por aqui para começar as aulas entre setembro e outubro, no chamado semestre de inverno, depois dos primeiros dois meses vem o frio e com ele a escuridão. Esse período de tempo coincide justamente com a queda da curva do choque-cultural e para quem vem do calor, os sentimentos acabam potencializados.

Essa fase tem sintomas de depressão. São aquelas noites em que a saudade aperta e a gente deita no travesseiro se perguntando porque saiu de casa. É comum se sentir bastante sonolento (ainda mais pelas poucas horas de luz), cansado. O esforço mental para viver a vida em um outro idioma é bem maior e até enviar um simples e-mail parece uma tarefa complicada. Conheço gente que entrou em períodos de hibernação, dormindo doze horas por dia e só saindo pra comprar comida. É preciso ficar atento e lutar contra esses sintomas. Claro que a adaptação requer energia extra, mas não vale se trancar em casa e achar que o mundo lá fora vai voltar a ser como na casa da mamãe.

Tempo x satisfação: a adaptação a nova cultura, publicada originalmente aqui

Essa reclusão é mais ou menos o fundo do poço: é quando tudo no novo país irrita e quando tentamos provar (para nós mesmos!) que a nossa cultura originária é melhor. Embora os especialistas digam que faz parte do processo, acho que muita gente reage (eternamente) às diferenças assim: achando que o mundo inteiro tem que se adaptar à forma como está acostumado a fazer.

Dos três aos seis, sete meses de Alemanha é a fase em que nada presta. Nessa hora o importante é evitar a tentação de se juntar com outros estrangeiros para falar mal o tempo todo dos alemães e da Alemanha. A tentação é grande, mas é preciso lembrar que ninguém chegou aqui amarrado: todo mundo veio porque quis e pode voltar se quiser.

Mas passada a inquietação maior – que geralmente coincide com a chegada da Primavera, inicia a outra fase: a dos ajustes culturais. Nessa hora, vale descobrir como fazer feijoada sem importar nenhum ingrediente. Vale adaptar receitas locais a um paladar mais abrasileirado, mas é importante aceitar que o mundo não vai mudar por sua causa.


E por fim, depois dos ajustes, vem a calmaria: a adaptação. Nessa hora – depois de um ano, mais ou menos – as regras do novo país passam a fazer um pouco mais de sentido. O idioma estrangeiro deixa de ser um problema maior e os dias entram em sua rotina: o restaurante favorito, os amigos que ajudaram nas horas duras, o parque florido, os planos para a próxima viagem...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alemanha de A a Z: um guia prático para entender a terra dos castelos, da batata e da cerveja


Um guia prático para entender esse país cheio de regras, peculiaridades e consoantes. Uma coleção de verbetes com experiências, muito achismo e nenhum rigor científico: experiências somadas no cotidiano de um país com uma aura tão indigesta quanto repolho azedo com joelho de porco cozido, mas que se revela um local seguro, prático e até divertido de se viver.

Atenção: a reprodução desse texto ou suas imagens em qualquer outro veículo midiático – incluindo blogs ou sites só é permitida a partir de consulta prévia. Caso queira compartilhar, publique o parágrafo acima e inclua um link para o post original.



Alemanha – O país coleciona ódios e amores na mesma proporção. Bom, não exatamente. A liderança econômica da Alemanha na união europeia coloca o país – e em especial a chanceler Angela Merkel – no centro das críticas pela crise econômica. Não raro a governante é retratada como nazista, embora dentro do país goze de prestígio (demonstrado nas urnas nas últimas eleições). Más línguas dizem que a Alemanha conquistou com a economia e com a criação da EU aquilo que o Nazismo almejava e fracassou. Críticas à parte, é o país de um povo ordeiro e que tenta superar as marcas do passado. Uma economia de índices fortes apesar da crise e um lugar onde se vive com estabilidade e segurança.



Berlin – É capital alemã desde a reunificação, em 1991 (antes era a capital da Alemanha comunista – a DDR e Bonn era da Alemanha “Ocidental”, a BRD) e uma das cidades mais cosmopolitas da Europa. Apesar dos seus 4,4 milhões de habitantes, é um lugar relativamente tranquilo e seguro. O sistema de transporte de Berlin é certamente um dos mais eficientes do mundo – embora quem viva lá não se conforme com os 10 minutos de atraso dos trens que cruzam a região metropolitana. Tem lugares lindos mas, como um todo, não é exatamente o modelo europeu de beleza. Berlin encanta por ser história viva: a guerra, o muro, a divisão das Alemanhas transformam a capital germânica na cidade mais rica em história de todo o país. Imperdível.



Cerveja – A Alemanha pode até não ser o maior consumidor mundial de cerveja (com 143 litros por pessoa a cada ano, tchecos ocupam essa posição, seguidos dos austríacos, com 108). Os alemães estão em terceiro, com a média de 107 litros por pessoa por ano. No Brasil, que ocupa a 17ª posição, são 62. Mas as cervejas produzidas na Alemanha garantem a fama internacional. Existem incontáveis marcas produzidas por 1274 cervejarias registradas. Fora quem faz em casa. Os tipos variam muito, mas para serem chamadas de cerveja, todas devem seguir a lei de pureza na fabricação, a Reinheitsgebot. Somente água, malte, lúpulo e fermento podem ser usados no fabrico. Comparando as cervejas alemãs do tipo Pils com as brasileiras – que são quase sempre dessa categoria – fica fácil diferenciar: as cervejas alemãs são mais “fortes”. Tem um sabor mais marcante de malte e uma variação grande na lupulagem. São servidas um pouco menos geladas que no Brasil para que se possa apreciar o sabor em todas as suas notas.



Domingo – Todo sábado parece que o país está às vésperas de uma guerra, especialmente nos supermercados. No domingo – com raríssimas e recentes exceções nas cidades maiores – NADA abre no país. Não tem mercado, não tem loja, não tem shopping aberto. Padarias fazem plantão em sistema de rodízio, como as farmácias. Cada final de semana é uma que “faz o favor” de abrir em um determinado horário para vender. Mas as portas abertas são por pouco tempo. É melhor planejar o domingo com antecedência, fazer a lista de compras bem completa para não faltar nada.



Educação – O sistema de educação alemão causa estranhamento em quem chega. No final do que seria a quarta série no Brasil, os professores dividem os alunos em três grupos: os mais inteligentes, estudiosos e com boas notas; os intermediários, e os mais “fracos”. Cada grupo segue para uma escola diferente. Os “espertos” vão para o Gymnasium, onde serão preparados para entrar na universidade. Os do meio, passam a frequentar a Real Schule, que acaba mais cedo e conduz, geralmente, a um curso técnico ou a um curso superior do tipo tecnólogo. Já os “burrinhos” são encaminhados para a Hauptschule, onde recebem um ensino elementar e são encaminhados cedo para cursos profissionalizantes em áreas de ocupações menos especializadas: jardineiros, zeladores, padeiros, condutores de ônibus e afins. Isso porquê, na Alemanha, até para assentar tijolos em uma obra é preciso um curso técnico. Geralmente são três anos de preparação para qualquer atividade.



Feiras de Natal – As celebrações de Natal na Alemanha são pura magia. Em todas as cidades são organizados mercados que vendem comidas típicas do inverno e o tradicional vinho quente temperado com especiarias, o Glühwein. O cheiro da bebida se soma com as amêndoas carameladas, a neve e todos os cantos parecem cenário de filme. Sem exagero. É lindo demais. Já o réveillon, Silvester, como se diz aqui, é o oposto disso. Algumas cidades fazem queima de fogos, mas no geral, são apenas as pessoas que levam seus fogos para a beira de um rio, se houver. Alias, os espaços tradicionais são verdadeiras praças de guerra: o cenário é apavorante, com bombas e rojões explodindo por todos os lados. Isso porquê os fogos são proibidos no país o ano inteiro e só podem ser comprados e usados nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. Ou seja: são 48 horas para dar vazão a todo o fetiche bélico de um país inteiro. Além disso, o frio espanta qualquer ânimo. Pode ser divertido passar na rua, mas é preciso ter um programa para depois, porque meia hora depois da virada a multidão já estourou seus fogos, deixou toneladas de lixo para trás e se dispersou. Abaixo de zero, só mesmo com um bar quentinho pra comemorar!



Geração de energia – A Alemanha vive de energia termoelétrica (do carvão) e nuclear, mas está trabalhando duro em um plano ambicioso: mudar sua matriz até 2020. Muito tem sido feito e já se pode escolher comprar energia de fontes renováveis. Placas solares e turbinas eólicas estão espalhadas no país inteiro e isso não sai barato. No entanto, quem vive aqui aceitou pagar o preço de cuidar do meio ambiente. Além da energia, alemães consideram a separação do lixo quase uma religião. Veja o verbete Lixo.



Hauptbahnhof – Cada cidade tem a sua estação central de trem, que interliga os mais distantes recantos do país. A malha ferroviária alemã é de dar inveja. As conexões são geralmente precisas: é normal ter-se apenas três ou quatro minutos para trocar de um trem para o outro. Por isso qualquer atraso é catastrófico. Mas tem pra quem se queixar e as queixas são ouvidas. Mais de 60 minutos de atraso significa receber dinheiro de volta. Quem vive aqui reclamaconstantemente da Deutsche Bahn, mas quem vem de fora geralmente elogia: os serviços são bastante organizados em comparação a outros países, mas se paga bem mais caro por isso. Um cálculo bom (mas não preciso!) é saber que cada hora de trem custa aproximadamente 10 euros quando os tickets são comprados com antecedência. Se comprar na hora, pode ser o dobro disso. Existem muitas formasde economizar e encontrar tickets mais baratos.



Imigrantes – Estatísticas de 2011 apontam que 19,5% da população total alemã (81,75 milhões de pessoas) é imigrante ou descendente de imigrantes.  Mas em muitas cidades a sensação é de que esses números são bem mais altos. Turcos são a larga maioria. Oficialmente, 1,575 milhão no final de 2012. Mas é preciso levar em conta que as novas gerações – filhos e netos dos turcos que imigraram no pós-guerra para trabalhar na reconstrução do país - já são nascidas na Alemanha e, portanto, alemães. Poloneses aparecem em segundo na lista: 532 mil. São seguidos dos italianos (529 mil), gregos (298 mil), croatas (224 mil) e romenos (205 mil). Brasileiros são muito menos, mas ainda assim 34.945 estão registrados no país. Essa mistura cultural pode ser vista no rosto das pessoas, na lojas de todas as nacionalidades, nos bairros de imigrantes. Mas nem tudo são flores e, mesmo com um passaporte alemão na mão, estrangeiro será para sempre estrangeiro.



Joaninha – Elas são símbolos de boa sorte aqui na Alemanha. Mas se você morar perto de um parque ou tiver um jardim grande, podem bem ser um azar! No final da primavera e começo do verão elas surgem aos milhões e não raro você passeia por um jardim e escuta um barulho “crocante” sob os pés... das joaninhas que vai amassando involuntariamente pelo caminho.



Kirche ou Kirsche – Igreja ou cereja? Alemão é mesmo um idioma complicado. Complicadíssimo. Mark Twain já dizia que "A vida é muito curta para aprender alemão", mas aprender o idioma é a principal chave para a integração. Costumo brincar que a universidade pode ser em inglês, mas a vida real segue sendo em alemão mesmo. Fora isso – e de volta a cereja! – a frutinha toma conta dos mercados no verão e faz o inverno todo ter valido a pena.



Lixo – Separar o lixo é o verdadeiro esporte nacional da Alemanha. E é bom fazer isso direito antes que um vizinho carrancudo apareça na porta pra dizer que você separou isso ou aquilo errado. Existem toneis de coleta de lixo reciclado nas casas ou em algum local próximo. Sempre. Então, o negócio é memorizar a cor dos contêineres: azul é para papel; amarelo para embalagens pequenas e metais; marrom é para lixo orgânico e o preto para o que não se pode reciclar. Vidro é separado por cor: há um contêiner para o transparente, outro para o marrom e outro para o verde. Até hoje não sei o que fazer com garrafas azuis e, por via das dúvidas, deixo de decoração em casa.



Mau humor – Eu não diria que os alemães são necessariamente mau humorados. Prefiro dizer que tem um senso de humor peculiar, diferente do brasileiro. É uma questão de costume. Tem gente que acha que sinceridade é grosseria e por isso acha que todo mundo na Alemanha é mal educado. Eu acho a vida mais simples. Se você recebe um convite e não pode ir, diz que não e pronto. Não promete e depois falta. Essa sinceridade quase em excesso é parte da personalidade do país e ajuda a construir a má fama. Claro que tem momentos em que a paciência some, especialmente naquelas temporadas de chuva, quando para sair na rua é obrigatório vestir uma cara azeda. Mas ai vem o sol... ah, o sol. E o humor muda e a vida segue.



Nazismo – Esse é um tema proibido. Nunca, jamais faça qualquer piada sobre o assunto. Não fale sobre a guerra em uma festa. Os alemães carregam até hoje uma culpa e uma vergonha muito grande pelo Nacional Socialismo e o assunto sempre transforma os humores. A questão é tão tabu que beira a paranoia. Por aqui, ter uma bandeira da Alemanha é algo mal visto: só pode na Copa. Ter orgulho do país ou de ser alemão também são valores que remetem ao fascismo. Os neonazistas só contribuem para entornar ainda mais o caldo.



Ordnung – Esta é a palavra que melhor resume a Alemanha. Para tudo existe uma regra, uma norma, uma lei. Para cada coisa que se queira fazer há um uniforme específico e um manual. Para a vida funcionar é preciso seguir todas as regras. Isso mantém o Ordnung, a ordem, traz estabilidade e faz a vida de todo mundo mais fácil. Bom, esse é o pensamento alemão. Nesses anos de Alemanha acabei aprendendo que o Ordung é, na verdade, o antônimo do jeitinho: se no Brasil sempre se acha uma maneira de contornar a situação e levar vantagem dela, aqui a mesma regra vale para todos e não adianta espernear.



Pontualidade – Chegar atrasado é um crime. E deveria ser no mundo todo! Marcar com alguém e fazer a pessoa esperar é o mesmo que determinar que o seu tempo vale mais do que o tempo da outra pessoa. Tirando a empresa de trens, que já foi muito pontual em outros tempos, todas as coisas seguem o ponteiro à risca. Se for se atrasar mais do cinco minutos, é bom mandar uma mensagem ou ligar avisando. Isso vale para o trabalho, para o compromisso com os amigos, para a universidade. Um amigo disse uma vez que a precisão é tão importante para os alemães que deve ser por isso que eles dizem os números de forma invertida: primeiro a unidade e depois a dezena! Só pode!



Qualidade – Se o orgulho de ser alemão é algo negativo para as pessoas, a relação com os produtos é inversa. Regras de controle de qualidade rígidas e consumidores exigentes deixam poucas queixas em relação a qualquer coisa feita no país. Isso vale até mesmo para os supermercados mais baratos – os discounter, tipo Lidl, Netto, Aldi, Norma. Até os produtos de marca branca, vendidos com exclusividade por determinada rede, tem boa qualidade e podem ser comprados sem medo. São muito mais baratos e não decepcionam em geral. Se tiver dúvida, consulte as etiquetas dos testes de qualidade, que são exibidas com orgulho pelas marca. Gut ou Sehr Gut estampados no fundo branco com o nome dos institutos são a certeza de levar pra casa coisas boas e, na maioria das vezes, sem ter que pagar mais caro por isso.



Religião – Dizem que a antiga Alemanha comunista é o lugar mais sem Deus do mundo. Isso por conta dos índices elevados de ateísmo nos estados que antes formavam a DDR. Mas esse fenômeno, que se repete em menor escala na “outra” Alemanha, tem um componente econômico importante: o imposto descontado direto na folha de pagamento para quem professa uma religião. Os valores variam conforme a renda, em uma conta que não sei definir como é feita. Mas chegam perto dos 100 Euros por mês pra quem ganha entre mil e dois mil. Por isso muita gente que pede benção pra avó se declara ateia na Alemanha. Quem paga justifica que o valor é usado para a conservação das igrejas que são verdadeiros museus e que financia muitas ações de caridade e mesmo bolsas estudantis oferecidas pelas organizações religiosas. Quem declarou e se arrepende depois da chegada do primeiro contracheque precisa ir a prefeitura e fazer uma papelada enorme em que “renuncia a fé”.



Salsicha – Existem estimados mil e quinhentos tipos de salsichas na Alemanha e, claro, eu devo conhecer uns 40, chutando alto. Cada cidade tem sua especialidade, seu jeito de preparar, sua receita secreta. Basicamente é assim: tira a tripa de dentro do porco e coloca o porco moído e temperado dentro da tripa. Duas salsichas, no entanto, são facilmente encontradas no país todo. A Bratwurst da Turíngia, que tem entre 30 e 40 cm, uns 3cm de diâmetro e é servida assada em um pão minúsculo com mostarda. A outra é a Currywurst, o prato típico de Berlin. A tenda do Curry 36, que fica na capital, é considerada por muitos a melhor, mas é possível achar boas opções na Alemanha inteira. Lembra (bem de longe!) a salsicha de cachorro-quente do Brasil, assada na grelha, cortada em rodelas e servida com um catchup temperado e curry em pó no topo. A descrição pode não ser convidativa, mas uma visita ao país não está completa sem provar a iguaria.



Teimosia – A minha cidade, Blumenau, em Santa Catarina, foi fundada por alemães e ainda abriga muitos descendentes. Por lá a gente usa um ditado mais ou menos assim: “Alemão não é teimoso. Teimoso é quem tenta discutir com alemão”. Bom, de algum lugar isso saiu. Eu já cai na besteira de discutir ou tentar argumentar algumas vezes por aqui e, depois de alguns anos de sofrimento, fica a dica: nem comece.



Universidade – A Alemanha tem internacionalizado suas universidades cada vez mais. Depois do tratado de Bolonha, especialmente. Com o fim dos cursos superiores chamados de Diplom (mais extensos que um bacharelado no Brasil e já com a equivalência do título de mestrado), passaram a pipocar mestrados internacionais no país. Ou seja: cursos em inglês gratuitos em todas as áreas, embora os bacharelados sejam em alemão (com raríssimas exceções). O ensino superior na Alemnha é gratuito. São poucas as faculdades privadas e é possível escapar delas com boas opções públicas. O que se paga por aqui é uma taxa de matrícula semestral – entre 150 e 300 euros, conforme a cidade – que já inclui o ticket para o transporte local. Então, para quem planeja arriscar um voo solo no exterior para uma especialização, a Alemanha é o caminho mais fácil, já que não é preciso entrar na briga por bolsas de estudo.



Verão – Dias que amanhecem as 3h30 e anoitecem depois das 22h. O mês mais aguardado do ano, sem dúvidas. Sim, o mês: porque o verão por aqui não é exatamente uma estação inteira. Sair de casa com os braços de fora e nem pensar em levar um casaquinho (mesmo que leve) é raridade. E nesses dias de “raridade”, os 30 graus parecem ser 40. As casas, as cidades, os transportes: nada épreparado para o calor. Em alguns Estados, quando os termômetros passam dos 30 graus as aulas são canceladas. Mas nem todo mundo tem a mesma sorte. Para quem trabalha, o jeito é driblar a massa quente com ventiladores e esperar. A única certeza é que o calor dura muito pouco.



Xenofobia – Esse é um assunto sério no país. A xenofobia existe sim e é um problema grave. E não é apenas contra um grupo étnico distinto: é contra todo mundo que não é alemão. Antes que eu seja execrada, quero dizer que sim, existe uma grande maioria de alemães que convive perfeitamente com um país internacionalizado. Mas se você é estrangeiro, mesmo que fale a língua e seja loiro e de olhos azuis vai enfrentar problemas (em maior ou menor escala) em algum momento. Isso vale para empregos, para amigos, para a simpatia no atendimento, para resolver os problemas. Mas vale muito na hora de alugar casa: como estrangeiro, mesmo tendo emprego, grana e afins, é sempre mais difícil conseguir um apartamento. Uma vez que os imóveis aqui não são de quem chega primeiro – ocorre sempre um tipo de entrevista e todo mundo vai arrumado ver casa – os alemães acabam sempre tendo a preferência.



Zelador – O zelador do prédio será o seu melhor amigo aqui na Alemanha. É quem arruma a torneira com vazamento, o chuveiro que tem cal (sim, porque a água é muito alcalina e vai entupindo tudo com o tempo). Se você morar em um condomínio estudantil, esses serviços costumam estar incluídos. Se não, leia com atenção o contrato. Tive um problema sério com isso. Apareceu uma mancha de mofo na minha parede na época em que vivia em Berlin em um apartamento térreo – e isso é uma coisa séria e que precisa ser resolvida o quanto antes – e a administradora do prédio disse que o zelador passaria lá para resolver. Eu disse que não precisava, que eu mesma faria. Já tinha aprendido com o zelador do prédio anterior que a única coisa que resolve esse problema é um spray anti mofo que vende nas lojas de material de construção, para uso profissional. Os do mercado não valem nada. Enfim: o homem foi lá, jogou o spray, esperou três minutos, secou com um pano e foi embora em menos de dez minutos. Veio a conta: 65 euros.



... – Essa é a primeira “amostra grátis” do Alemanha de A a Z. A ideia é continuar escrevendo sobre os mais diferentes aspectos do país. Por isso, se gostou, comente. Se não gostou, comente também. Sugestões de novos verbetes são sempre bem vindas. É só deixar um recado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Deutsche Welle: há vagas para jornalistas formados em estágios pagos


ATENÇÃO

O texto deste post refere-se única e exclusivamente ao processo seletivo promovido pela Redação de Língua Portuguesa para a África e não tem qualquer relação com outras redações (Leia os comentários no PS ao fim do texto, por favor!).

Sede em Bonn: estruturas modernas abrigam redações em 30 idiomas*

A Deutsche Welle (DW, agora!) é responsável pela imagem da Alemanha no mundo todo e hoje produz conteúdos em 30 línguas diferentes, inclusive português. Não é à toa que a emissora se entitula: A voz da Alemanha. Aliás, só de português, são duas redações: para o Brasil e para a África, esta em que estou trabalhando por um período de três meses. A experiência tem sido muito interessante e melhor: jornalistas de qualquer canto do Brasil ou de países lusófonos podem ter a mesma oportunidade. Esta é a razão desse post, uma vez que já contei como vimparar aqui em Bonn. Importante: as inscrições estão abertas e o site oficial do programa é este aqui!!! A Glória Sousa, jornalista portuguesa da DW (e minha colega de apartamento também!) escreveu um pouco mais sobre a Deutsche Welle nesse post aqui. Aliás, é do post dela que roubei a foto ai de cima!

Existem, na verdade, dois tipos de estágio por aqui na Redação de Língua Portuguesa para a África: um para estudantes (mas para esse, é preciso estar matriulado em alguma instituição de ensino da Europa e, além disso, ter visto para a Alemanha ou ser cidadão de um país membro da EU), outro para quem já terminou. Nesta para jornalistas formados, as regras são mais amenas e aumentam as chances de fazer parte da equipe. São selecionados anualmente quatro jornalistas e cada um passa três meses por aqui. É tudo feito com muita antecedência: as inscrições terminam no fim de junho, a resposta sai, geralmente, em setembro e, o primeiro candidato (os selecionados definem qual o período de disponibilidade dentro dos espaços oferecidos) chega apenas em janeiro. Ou seja, é tudo sem pressa e sem atropelos. Da tempo de conversar com o chefe no Brasil e pedir licença ou mesmo de deixar um aviso prévio e organizar a viagem com muita calma. Confesso que, mesmo que se eu tivesse que deixar um trabalho por conta dessa experiência, não teria pensado duas vezes!

Vale dizer que a equipe (que não da pra saber antes, mas eu entrego o segredo!) é uma motivação a parte: nosso editor chefe é alemão, mas fala português com uma fluência invejável. Depois, temos mais um editor do Cabo Verde (a gentileza em pessoa!) e colegas brasileiros, angolanos, do Moçambique, portugueses e, quem sabe de outros cantos. São todos de uma simpatia ímpar e a sensação é de acolhimento: só isso já valeria a experiência.

O foco da redação é a África lusófona: uma chance, infelizmente, de percebermos na pele o quão imensa é a ignorância dos brasileiros quanto aos assuntos africanos. Me pergunto em que momento foi, na elaboração dos currículos escolares, que passamos a achar que a África é uma coisa só e que as ex-colônias de Portugal passaram a simples menções em nossos livros dos anos do ensino fundamental. A cada dia me envergonho do pouco que sei – e do pouco que os brasileiros sabem –, mas aprendo o como somos parecidos dos dois lados do Atlântico. E as semelhanças vão muito além da cor da pele, da religiosidade ou dos ritmos marcados por tambores.  Em uma vida toda não saberia metade do que sabem as pessoas com quem tenho convivido aqui: mas todos tem a paciência e a graça de perdoar essa falha cultural (mesmo que seja imperdoável!) e me explicar, com conhecimento de causa, que o ”Vem dançar Com Tudo” da novela (ou mesmo o Kuduro, do Latino) podem ser qualquer coisa, menos kuduro. Só pra citar um exemplo. Esta tem sido a chance de corrigir – ao menos um pouco – essa falha cultural.

O fazer do jornalismo – entrevistar, reportar, escrever, construir textos – é o mesmo em qualquer redação pautada pela ética. Mudam os softwares usados para tratar sons ou publicar artigos, mas para isso cada um que chega aqui é treinado e logo se ajusta. O bacana é ter a chance de conversar com pessoas no mundo todo e fazer entrevistas falando português lusitano, angolano e até de Macao. Também em inglês ou alemão (para quem domina, já que não é necessariamente obrigatório): a preocupação de marcar conversas levando em consideração o fuso horário e de traduzir as falas para que ganhem uma voz em português depois. Eu já havia feito de tudo um pouco em 18 anos de jornalismo – jornal, rádio, tv, internet, assessoria, tradução – e, para mim, foi a grande novidade. Adorei.

To contando a experiência para motivar mais gente a mandar a candidatura. As inscrições terminam sempre no fim de junho, mas é preciso ficar atento já que esta é a data que vale para a chegada do material, não para o carimbo no correio. E são necessárias umas duas semanas ao menos para que tudo atravesse o oceano e chegue bonitinho aqui, na mesa do chefe. Vale dizer que os alemães são bastante severos com as datas: então, nada de esperar para amanhã.

Quem já trabalhou em rádio ou TV tem mais chances. Falar alemão ajuda, mas um bom nível de inglês faz toda a diferença também. É preciso preencher um questionário (bem simples) da própria DW e juntar alguns documentos na inscrição: currículo em inglês ou alemão com os dados completos e corretos de contato (uma sugestão é usar omodelo europeu de CVs), cópia do diploma de jornalismo traduzido para o inglês ou alemão (não precisa ser juramentada: você mesmo pode traduzir e mandar anexada) e exemplos de trabalhos. Vamos a essa parte em detalhes: separe algumas coisas legais que você já fez (qualidade, não quantidade!). Matérias de rádio, tv, textos de jornal: de preferência algum trabalho onde seja possível ouvir sua voz (já que aqui você vai trabalhar com rádio, não esqueça!). Grave tudo em um CD, DVD, cartão de memória ou fita cassete: só não aceitam por aqui sinais de fumaça!

Olha, a aplicação oficial não pede uma carta de motivação, mas eu mandei uma e deu certo. Me chamaram! Então, não custa colocar em uma página (ou duas, no máximo) o porquê você quer trabalhar na Deutsche Welle. Tem umas dicas nesse post que são para mestrado, mas é só adaptar os propósitos.  Então, é só imprimir a papelada, fazer uma capinha bonita pro CD (sempre ajuda, né!), fazer figa, e mandar tudo pro editor chefe aqui:

Deutsche Welle
Portugiesisches Programm
Johannes Beck
Kurt-Schumacher-Str. 3
53113 Bonn -  Alemanha

Pra fechar, digo e repito: o estágio é muito bacana. Não é sempre que se tem a chance de fazer parte de uma das maiores estruturas internacionais de imprensa! Vale a pena tentar! :)  

PS (07/08/2012) :
Neste post, três coisas precisam ficar bem claras.

Primeiro: a Deutsche Welle produz conteúdos em 30 idiomas. Isso quer dizer que são 30 departamentos diferentes, independentes, embora da mesma empresa. Cada um tem sua política de funcionários e estágios. Que fique claro: a redação brasileira é uma coisa e a redação de Português para a África é outra diferente. As redações são física e administrativamente separadas. Isso quer dizer que a redação da Espanha, da Macedônia, da China ou a do Brasil, por exemplo, têm políticas próprias, critérios pessoais e vagas de estágio em diferentes programas (que variam em duração, benefícios e afazeres!).  O texto deste post refere-se única e exclusivamente ao processo seletivo promovido pela Redação de Língua Portuguesa para a África e nada além disso. Não se trata de um padrão, de uma regra geral: é um post que repete todas as informações disponíveis em uma página pública, aberta, apenas acrescido de comentários com a experiência que tive no processo.

Segundo: recebi diversos e-maisl pedindo dicas sobre o estágio. Esse post são as dicas. Não há nada além do que está escrito aqui que eu possa dizer. As perguntas também estão todas respondidas no site do estágio da Redação de Língua Portuguesa paraa África. É só ler com atenção e fazer exatamente como está escrito por lá. Assim como eu, dezenas de outros jornalistas já fizeram esse estágio e nenhum deles tem qualquer influência ou participação no processo seletivo. O post é a dica de uma oportunidade bacana, não uma oferta de uma agência de empregos.

Terceiro: Redação de Língua Portuguesa para a África costuma oferecer essa chamada anualmente. Que fique claro: costuma. Não faço ideia se vão oferecer no próximo ano ou no outro, ou no outro. É preciso pesquisar no site oficial da redação e verificar. Essa é uma pergunta que não posso responder.


* Foto publicada originalmente no blog Histórias de Bonn, nesse post aqui.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dicas de etiqueta, bom senso, convívio social e sobrevivência na Alemanha

Depois de mais de dois anos morando por aqui, fica mais fácil perceber as diferenças de comportamento entre o Brasil e a Alemanha. Não estou falando de comidas e tradições, mas das situações cotidianas e dos pequenos detalhes que podem fazer com que você evite cometer gafes ou até mesmo situações de mal entendidos.

Vale dizer ainda que, embora você possa achar muitos dos itens um exagero – e alguns são mesmo generalizações, antes que alguém fale mal dizendo que viveu algo diferente –, vai descobrir que o respeito e a privacidade são coisas muito boas e que é melhor ter em excesso do que não ter. No fim das contas, a grande diferença entre os dois países é: no Brasil, a visão é de que espaço coletivo não pertence a ninguém. Na Alemanha, espaço coletivo significa que é de todo mundo e todos tem a obrigação de zelar por ele...

E para fechar: uma das melhores coisas da Alemanha é que as pessoas não ficam ´ofendidinhas´ por qualquer coisa. Você pode perguntar com todas as letras o que precisa levar para um jantar ou mesmo negar um convite porque foi feito de última hora. Ser sincero e dizer “não“ é uma regra e não é considerado ofensivo ou falta de educação. Confira a lista e boa sorte.

Compromissos em geral:

- NUNCA, mas NUNCA mesmo chegue atrasado. Isso é bastante ofensivo e significa, de certa maneira, que você não considera o tempo da pessoa que te espera valioso.

- Os trens e ônibus são muito pontuais e você pode se programar com muita precisão por aqui. Não estranhe se alguém combinar horários como 12h47, 17h31.

- Se por alguma razão você se atrasar por mais de CINCO minutos, por favor, mande um sms ou ligue para a pessoa que está esperando para avisar e tenha um bom motivo para isso ter acontecido. Se você chegar mais de 10 minutos atrasado, vai encontrar a pessoa de cara feia ou nem vai a encontrar mais. Eu não esperaria...

- Saiba que atrasos são um motivo de isolamento social: se você sempre se atrasa quando marca, as pessoas vão parar de convidar você para qualquer coisa apenas para não terem que ficar esperando. Justo, não?

- Atrasar é ruim, mas chegar cedo demais também. Se o compromisso for em um bar ou restaurante, não chega a ser um grande problema se você chegar 5 ou 10 minutos antes. Mas JAMAIS chegue na casa de uma pessoa antes do horário combinado (nem que sejam cinco minutos!!!). Ela provavelmente vai estar terminando de se arrumar ou organizar os preparativos e vai ser interrompida de forma indesejada. Pontualidade é tudo!

- Se você encontrar um amigo alemão e na hora da despedida disser o famoso: “ A gente tem que marcar um churrasco uma hora dessas” ou “Eu telefono”, ele vai querer saber quando, que horas e onde. Você não precisa usar esse tipo de conversa que se usa no Brasil. Diga que foi um prazer encontra-lo e pronto. Mas se disser que vai ligar, ligue mesmo: ele vai estar esperando. Esses compromissos ´no ar´ não existem por aqui: ou você marca ou não marca.

Geral:

- Não se assuste se encontrar cachorros no restaurante, no trem, no banco. Eles são bem vindos em todos os lugares, exceto se houver uma plaquinha dizendo explicitamente que eles devem ficar do lado de fora.

- Aliás, se encontrar um cachorro do lado de fora ou mesmo com seu dono passeando por ai, não chame, não de carinho, não toque nele. Alemães detestam que você tente fazer festinha com os bichos tanto quanto detestam que você olhe muito ou faça festinha com os filhos deles.

- Acostume-se com os ruídos de soar o nariz logo na primeira semana. Você vai ouvir isso o tempo todo, em todos os lugares, mesmo à mesa. E saiba que para os alemães, nada é mais nojento do que ficar com o nariz fungando, como é comum no Brasil. Então, não pense nem por meio segundo. Se o nariz fungar, entre no clube do barulho e limpe geral para não parecer mal educado.

- Os barulhos corporais não são tão mal vistos como no Brasil. Não se assuste se alguém passar na rua e peidar como se não fosse nada. Claro que isso não vale para locais fechados!

- No banheiro, o papel higiênico usado é jogado dentro do vaso, diferente de como se faz em vários lugares (se não a maioria!) do Brasil. O cestinho de lixo é apenas para absorventes femininos, toalhinhas de limpeza, cotonetes e afins...

- No Brasil, via de regra, as pessoas são apresentadas umas as outras e já trocam beijinhos (dois ou três, dependendo da região). Aqui isso NÃO existe. Apenas amigos MUITO, mas MUITO próximos se cumprimentam com um abraço e talvez um beijinho no ar.

- Quando for apresentado a alguém, espere o gesto da pessoa estendendo a mão. Nem mesmo apertar a mão é praxe em todas as situações. Especialmente depois da gripe suína –o quando campanhas estimulavam a evitar o contato físico – dar a mão caiu em desuso. Então, de novo: se a pessoa estender a mão, cumprimente. Se não, um aceno de cabeça e um sorriso leve são mais do que o bastante para uma saudação amistosa.

- No consultório médico, nunca, jamais tente cumprimentar seu médico com um aperto de mão. Ele só tocará em seus pacientes – de luva, geralmente – se isso for inevitável. Afinal, se você está indo no médio é porque, provavelmente, está doente.

Almoço, jantar e afins:

- Se você recebeu o convite pra jantar na casa de alguém, isso quer dizer que essa pessoa está oferecendo a comida e não a bebida (se ela for oferecer bebida, vai avisar você claramente). Portanto, leve o que você planeja beber (refrigerante, suco, vinho, cerveja, etc) e beba o que você levou!

- Além da sua própria bebida, é costume levar um vinho para os donos da casa, de presente, como forma de agradecer o jantar.

- Se quiser, se ofereça para levar alguma sobremesa. Caso os anfitriões achem a ideia boa, combine com eles o que vai levar. Sorvete é quase sempre uma boa opção.

- É bacana ajudar a recolher os pratos e louças, mas não corra para a pia para lavá-los. A maioria das pessoas tem máquinas de lavar louças ou, se não, os alemães costumam ficar horrorizados com a quantidade de água que nós, brasileiros, gastamos pra lavar louça. Ofereça-se pra secar que está de bom tamanho.

Visitas:

- Nunca, jamais, por motivo algum apareça na casa de alguém de surpresa. Combine antes, ligue, mande sms. Se você aparecer de surpresa tem grande chance de nem ser recebido. E não fique de cara amarrada se isso acontecer. Ler um livro, ir ao mercado ou qualquer outra atividade que a pessoa já programou tem a mesma importância.

- Sempre tire os sapatos quando chegar na casa de alguém, ou ao menos faça a menção de tirar. A maioria das pessoas só anda dentro de casa descalça ou com chinelos de pano, para evitar que areia, lama, neve e folhas sujem o ambiente. Afinal, são raros os que contam com alguém pra ajudar na limpeza.

- Já que você vai tirar os sapatos com frequência, esqueça as meias velhas ou furadas. Jogue tudo fora! E esqueça as meias brancas. Não me pergunte o motivo, mas usar meias brancas aqui na Alemanha é algo muito mal e fora de moda.

Churrasco:

- A não ser que o organizador do churrasco deixe explícito que vai oferecer a comida (raramente é assim), está implícito que você deve levar sua própria comida e bebidas.

- Pergunte se ele tem espaço na grelha ou se você deve levar uma descartável

- Leve e COMA somente a sua comida. Se algo for para dividir entre todos, a pessoa que preparou vai dizer: esse prato é para dividir com todos. Se não, cada um come o que levou.

- Prepare a sua comida: você vai colocar suas coisas na grelha e vai cuidar delas. Ninguém tem a obrigação de fazer isso por você.

- Leve (ou pergunte se o anfitrião pode emprestar) prato, faca, copos, cadeira, esteira para sentar ou qualquer outra coisa que possa precisar durante o churrasco.

- (adendo em 25/02/11) Vale dizer que não é comum ter churrasqueira em casa (aquele espaço pra churrasco, como existe no Brasil) e, por isso, trata-se de um evento programado para algum parque, jardim ou mesmo no pátio do prédio de alguém. Claro que se for no quintal de alguém que mora em uma casa, você não precisa se preocupar em levar tanta coisa. O importante é que fique claro que ninguém precisa pensar nas suas necessidades!

Compras:

- Os supermercados, em geral, tem esteiras muito longas e nenhum espaço depois do caixa. Você coloca tudas as suas compras na esteira, a caixa passa em uma velocidade alucinante. Você joga de volta no carrinho o mais rápido que conseguir, paga e sai correndo. Então, nos balcões de apoio que todo o supermercado tem, você coloca as coisas com calma nas sacolas, bolsas, mochilas e afins. Isso é sério! Não estranhe! E se fizer de forma lenta, vai levar cara feia ou mesmo um xingamento de quem está na fila aguardando.

- Falando em compras, leve as suas sacolas! As sacolas são pagas no mercado (entre 0,07 e 0,25 cada uma de plástico).

- Deixe as caixas dos produtos no mercado! Eles tem caixas coletoras de papel e você não precisa carregar pra casa a caixa de peitos de frango congelados que, por sua vez, também estão dentro de sacos plásticos. Então, evite levar peso e entulho à toa.

- Em qualquer loja, escolha tudo antes de ir ao caixa. Ou mesmo antes de dirigir a palavra ao vendedor. Se quer ver um perfume que está no balcão, só peça se realmente estiver pensando em levar. Pedir pra provar vários e não levar nenhum é um desaforo. Assim como também é muito mal ficar escolhendo coisas de última hora ou ficar na indecisão na hora do caixa. Ninguém tem paciência pra isso, nem os outros clientes e menos ainda o caixa.

Universidade:

- A regra da pontualidade vale também para as universidades. Seja SEMPRE pontual e, caso se atrase, não entre pedindo desculpas ou dizendo o porquê do atraso. Entre fazendo o menor barulho possível, sente-se sem algazarra e deseje ter um manto da invisibilidade para evitar o olhar gélido do professor.

- Não saia durante a aula pra atender telefone. Nem pra ir no banheiro (a não ser que seja absolutamente inevitável). Os professores costumam fazer intervalos a cada 1h30 de aula, em média, para que todos possam atender suas necessidades sem distúrbios maiores.

- Existem dois tipos de pontualidade no mundo acadêmico. O horário ´sharp´ e o horário acadêmico. No primeiro caso, se a aula está prevista para começar as 8h, será as 8h em ponto. No segundo caso, isso significa 8h15, mas pontualmente as 8h15... No primeiro dia, chegue no horário sharp e descubra qual é o estilo do professor. É provável que ele fale sobre isso claramente e explique que horas planeja realmente começar as aulas.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alemanha / Bremen: onde morar e como encontrar apartamento ou casa

Um dos pedidos mais frequentes que recebo por e-mail, de pessoas que encontram o blog em busca de informações sobre morar em Bremen e na Alemanha, diz respeito a moradia. Então, na última mensagem, fiz uma resposta mais detalhada para transformar em um post. As dicas são voltadas para Bremen, mas com uma ajuda do Google é possível achar o mesmo em outros lugares. Não deixe de conferir ainda as dicas do Pedro e da Luiza no blog Horny Mule!

Então, anota aí:

Moradias estudantis:

Se você vem como estudante, pode tentar moradias estudantis, que são mobiliadas. Eles tem aptos compartilhados (um quarto só seu, mas dividindo banheiro e cozinha), apartamentos de solteiro (1 cômodo) e mesmo de dois cômodos, pra casais ou três, pra quem tem filhos. Para os apartamentos individuais e maiores existe uma fila de espera então, assim que souber do resultado da universidade, já envie o formulário e o documento pedindo vaga. Seja insistente nos pedidos pra ser atendido. O site deles eh: www.studentenwerk.bremen.de. Quanto antes fizer a inscrição, maiores as chances de conseguir vaga. É o jeito mais barato de morar por aqui. Os quartos custam cerca de 190,00 e os apartamentos individuais a partir de 235,00, com tudo incluso (até mesmo internet de alta velocidade)

Esta foto é do Luisental, a moradia estudantil onde vivemos aqui em Bremen. É cheia de jardins, limpa, organizada. Recomendo!


Ainda como estudante, existe uma moradia privada que também oferece quartos/apartamentos mobiliados. Fica praticamente dentro da Universidade de Bremen. Confira o site para as vagas e valores:
www.galileoresidenz.com.

Repúblicas e apartamentos compartilhados:

Aqui na Alemanha é muito comum que pessoas sozinhas morem em apartamentos compartilhados (estilo as repúblicas no Brasil). Essa não é uma prática apenas estudantil, mas de adultos jovens e mesmo casais sem filhos. Nesse caso, é comum as pessoas que já moram na casa optarem por uma entrevista antes de escolher quem vai ficar por lá. Você pode fazer alguns contatos ainda no Brasil, mas é provável que só vá fechar negócio depois de conhecer seus futuros colegas de apartamento pessoalmente. Para ter ideias de preços e vagas, consulte esses dois sites:

www.wg-gesucht.de.

www.schwarzesbrett.bremen.de

Esse último é o site de classificados da cidade, a forma mais comum de conseguir moradia. Como é um classificado livre, os próprios locatários atualizam as informações diariamente. Fique de olho todos os dias!

Curta temporada:

Caso você esteja vindo por um período determinado de tempo, vale olhar as opções de Zwischenmiette, que são sublocações por algum período de tempo (não se preocupe, isso é legalmente reconhecido aqui) de algum apartamento ou quarto já mobiliado. São pessoas que saem para viajar por um mês, um semestre ou mesmo por um ano de intercâmbio e locam seus quartos/apartamentos neste tempo. Nos sites de WGs acima existem ofertas desse tipo.

Imobiliárias:

Existe ainda a opção das imobiliárias, que podem ser um pouco chatas na burocracia, como no Brasil. A maior aqui em Bremen é a Gewoba: www.gewoba.de . Você pode tentar ainda um site chamado www.immobilienscout24.de.

No caso de apartamentos de imobiliária, raramente vem com mobília, mas você pode encontrar coisas bem baratas para montar a casa e viver por uns meses no Ikea. Veja nesse post as dicas de como economizar na hora de montar sua casa aqui em Bremen.

Hostel:

Pra quem não tem ideia de onde morar, é bom fazer uma reserva em hostel para os primeiros dias. Como cheguei por aqui já com casa, acabei não precisando dos serviços, mas todos os meus amigos que precisaram de hostel indicaram o mesmo, com bom preço, limpo, cozinha para preparar suas próprias refeições, bem localizado e com atendimento bem simpático. Não recebo um tostão pela propaganda deles, mas vale a dica: townside.de

Fique atento a alguns detalhes na hora de alugar:

- Por aqui, o número de Zimmer representa o número de cômodos da casa. Ou seja, 2 Zimmer não são dois quartos, mas sim dois cômodos (normalmente, quarto e sala).

- Kalt é o aluguel sem incluir o aquecimento e Warm, o preço já com o aquecimento. E aquecimento é um dos maiores custos que você vai ter (e é pago mensalmente, seja verão ou inverno)

- Nebenkosten - são os custos adicionais e que podem incluir, entre outras coisas: água quente e fria, limpeza das áreas externas, manutenção, etc. Veja com atenção o que está ou não incluso no valor.

- Kaution - é normal (e em 99% dos casos acontece) pagar uma caução para alugar. Pode ser de 2 ou 3 alugueis kalt, normalmente. Esse dinheiro é devolvido quando se sai, depois de o proprietário verificar se o apto está ok. Caso haja dano, o valor é descontado desse dinheiro.

- Provision - é a comissão do agente imobiliário. Alguns aptos são ´Provisionfrei´ ou seja, você não paga comissão. Se tiver que pagar, esse $ é perdido.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O pior ano de nossas vidas

A semana tem sido corrida a ponto de não dar tempo de pensar. Ou digerir tudo o que está acontecendo. Nesta sexta-feira, dia 16, será a apresentação final do projeto de um ano que faz parte do currículo obrigatório do mestrado em Digital Media que estou fazendo, aqui em Bremen. Foi um ano duro, muito duro e tudo o que eu mais quero é que acabe logo.

Academicamente falando, posso dizer que foi o pior ano de nossas vidas. Minha, no meu projeto e do Joatan, no dele. O que começou com aquela curiosidade de lidar com pessoas de diferentes países e culturas, culminou em uma sequência tão grande de problemas e desentendimentos que tudo o que eu quero é esquecer. Falo isso por mim, não por ele.

No fim das contas, perdeu-se mais tempo tentando conciliar diferenças, egos, falta de talento do que produzindo algo concreto, em si. Aprendi muito, claro. Mas como pessoa, sou muito pior, agora. Tenho uma série de preconceitos que eu não tinha, ressalvas com culturas que antes sequer conhecia. Claro que nesse tempo também fiz amigos: uns que quero manter mas, a maioria, apenas por circunstância e sei que não vou falar com esses nunca mais a partir de sexta-feira, a não ser que, por coincidência,tropece com eles na rua. Como cada um vem de um canto do mundo, as chances são poucas.

Particularmente, estudei muito e hoje domino temas que antes eu nem sonhava que existiam. Mas preferiria ter feito isso de outra forma: com mais cursos e matérias, sem ter que andar com o freio de mão puxado porque muita gente não sabe onde fica o acelerador. No fim das contas, sei que me sai bem, mas poderia ter me saído muito melhor. Projeto, daqui pra frente, só faço em grupos em que eu possa descartar no caminho aqueles que não estão contribuindo. Nunca mais vou trabalhar com bolas de ferro amarradas à canela.

E que venha a tese... o doutorado... e o que mais tiver que vir :)
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel