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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Alemanha passo-a-passo: como usar o transporte público de Berlim e que tickets comprar para ônibus, metrô, S-Bahn e trem



Berlim é um destino cada vez mais popular entre os brasileiros e muita gente quer saber como se virar por aqui. Já viajei bastante na vida e entre todas as cidades grandes que conheci, diria que Berlim oferece o melhor sistema de transporte coletivo. É possível locomover-se por toda a cidade 24 horas por dia, em todos os dias da semana, sem muitos segredos. Mas é preciso ficar atento: ao mesmo tempo em que as opções são muitas, não existe uma regra única sobre como proceder. Um bilhete errado implica na mesma multa de andar sem a passagem: 60 euros, sem desculpas. Esse post, então, é um manual de como usar o transporte da cidade, com sugestões das melhores opções de tickets para quem está vindo passear por aqui e quer economizar.

Dicas importantes antes de começar: assim que souber onde vai se hospedar, verifique as opções de transporte em volta, incluindo o nome dos pontos de ônibus e não apenas das opções sobre trilhos. Faça o download de uma versão off-line do mapa de transporte de Berlim no celular. Na primeira estação grande que cruzar (Alexanderplatz, Hauptbahnhof, etc) ou centro de informações turísticas, vá ao serviço ao cliente e pegue um mapa impresso do transporte da cidade (nem sempre ele está disponível nas plataformas e, em algumas, foi vandalizado e está ilegível!). Se tiver acesso à internet durante a viagem, faça o download do aplicativo da empresa de transportes BVG (disponível também em inglês). Por fim, saiba que os preços informados aqui são da data da publicação do post e podem ter sofrido alterações. Todos os preços estão em Euros.

Quem oferece o quê:

Há duas grandes empresas que operam o transporte de Berlim: a BVG, que é a companhia municipal de transporte e mantém ônibus (Bus), metrô (U-Bahn), bondes (Straßenbahn) e balsas (Fährverkehr), e a Deutsche Bahn (DB), que é a empresa federal de trem e opera os trens rápidos (S-Bahn, que é Schnellbahn) e os trens regionais intermunicipais (Regio).  A cidade é dividida em três zonas tarifárias: A, B e C. É possível comprar tickets para a zona AB, ABC ou BC. A maioria dos pontos turísticos está na zona A, mas não existe ticket individual para ela: então é preciso comprar o AB.

Ticket só vale em um sentido:

Basicamente, quem vem fazer turismo em Berlim precisa comprar o ticket AB. Cada viagem custa 2,70 e o bilhete vale por 90 minutos em uma única direção. Ou seja, não dá para ir do ponto X para Y e depois voltar de Y para X mesmo que ainda esteja dentro do prazo de validade. Isso é sério: não tem desculpa. Você pode ir de X para Y para Z e para a Cochinchina dentro da zona de validade, desde que não retorne. O ticket ABC vale 120 minutos. O mesmo ticket, dentro da zona tarifária, vale para todos os transportes, não importa a combinação: você pode começar a viagem de balsa, pegar um ônibus, trocar para um bonde, seguir até o metrô e depois trocar por um S-Bahn. Se estiver indo sempre no mesmo sentido, o bilhete continua valendo e só e carimbado uma vez.

Onde comprar:

Para usar trem regional, S-Bahn e Metrô (U-Bahn) é preciso comprar o ticket nas máquinas das plataformas. Para tickets unitários, a máquina não aceita notas de 20 euros ou superiores. Para bilhetes mais caros, as notas de 20 são aceitas, mas as de 50 não. As máquinas também aceitam pagamento em cartão de débito (rede Maestro, etc), mas cartões internacionais geralmente dão problemas. Não conte com eles como opção e tenha sempre dinheiro trocado junto.

Os tickets (sejam eles semanais ou diários) devem ser carimbados ainda na plataforma. Não se pode esquecer o carimbo! Andar com um bilhete sem carimbar é o mesmo que andar sem bilhete. Atenção: os tickets diários e semanal são carimbados uma única vez. Você carimba para dar início a validade deles, guarda na carteira e só mostra se o fiscal pedir. Tickets carimbados mais de uma vez não são válidos.

Nos bondes (Straßenbahn), que são os veículos leves sobre trilhos e cobrem boa parte da área que foi a Berlim Oriental, os tickets são vendidos dentro do transporte. As máquinas dão troco, mas a maioria só aceita moedas. Nesse caso, você compra o bilhete e não precisa carimbar. Os motoristas de ônibus também vendem tickets, mas as opções são limitadas. Os bilhetes comprados diretamente com o motorista não precisam ser carimbados. O embarque dos ônibus é, por regra, sempre pela porta da frente (embora muita gente não respeite isso!) e é obrigação do passageiro, caso já tenha o ticket, mostra-lo ao motorista. Geralmente o motorista nem olha, mas isso não significa que não exista controle randômico. Existe sim!



Que bilhete comprar:

A escolha do melhor bilhete depende de onde a pessoa vai se hospedar, quantas pessoas estão viajando juntas e quantos dias vão ficar e o que planejam visitar na cidade. Mas basicamente é assim: existem bilhetes unitários por 2,70; bilhetes vendidos em quatro unidades (recebe-se os 4 e carimba-se um cada vez que for utilizar) por 9,00. Há ainda bilhetes válidos para o dia (com direito a transporte ilimitado, em todas as direções, válido até as 3:00 do dia seguinte) por 7,00 (unitários) ou por 17,30 (para até 5 pessoas), bilhetes semanais (30,00), mensais válidos para o dia todo (81,00) e mensais válidos a partir das 10:00  (59,10) durante a semana e durante o dia todo nos finais de semana e feriados.  Os tickets mensais podem ser comprados valendo para o mês todo conforme o calendário (mesmo que o mês tenha 31 dias!) ou por 30 dias.

Para uma pessoa: Para quem for ficar até 4 dias na cidade, o negócio é comprar um ticket diário (Tageskarte) por dia. Para 5 a 7 dias, vale o da semana e por aí vai.

Para duas pessoas: A opção mais barata é comprar os tickets individuais para cada pessoa.

Para três ou mais pessoas: Caso o grupo tenha certeza de que vai fazer todos os passeios juntos, vale a pena comprar os bilhetes diários de grupo. Uma pessoa fica com o bilhete, mostra caso o fiscal pedir e informa quem está viajando com o tal ticket.

Bilhete de turista vale a pena?

Existem cartões para turistas válidos por 48h, 72h, 4, 5 ou 6 dias. Esses tickets dão desconto em algumas das principais atrações de Berlim, mas observando a lista, minha opinião sincera é de que não vale a pena, já que a maioria das atrações com desconto são secundarias e o principal de Berlim esta nas ruas ou é de graça. Eu, particularmente, não compraria, a não ser que estivesse planejando uma maratona de museus e atrações: nesse caso, vale colocar o valor do ingresso de cada uma na ponta do lápis, o valor com o desconto e ver se a coisa se paga.

Para quem é estudante e tem carteirinha internacional, o cartão de turista vale menos a pena ainda. Existe um cartão de museus de Berlim que custa 24 euros e vale para todos os museus mantidos pelo estado por três dias. Estudante paga 12 euros no cartão. Então, se somar os 12 euros mais três tickets diários, são 33 euros: o cartão de “descontos” custa 42 pelo mesmo período e vale apenas para entrar nas atrações da Ilha dos Museus.

Transporte noturno:

Nos dias de semana os transportes sobre trilhos encerram a meia-noite e meia e só voltam a funcionar depois das 4:30. Durante esses horários, a cidade é servida por uma extensa malha de linhas noturnas de ônibus, identificadas pela letra N e o número da rota. Esses ônibus seguem uma linha próxima as linhas regulares, mas atendem mais lugares. Por isso é importante saber também o nome das paradas de ônibus próximas ao local para onde se quer ir: como o ônibus para mais que os trens, é possível que exista um ponto na porta de casa. Além disso, as conexões podem ser um pouco diferentes. Vale a pena pesquisar a melhor opção na página da BVG.

Os tickets diários valem até as 3:00 do dia seguinte e isso vale para a hora que você vai desembarcar e não para a hora que está embarcando no destino inicial: ou seja, o ticket tem que valer durante todo o período que você estará dentro do transporte. Então, caso já tenha passado das 3:00, é preciso usar um novo bilhete. O esquema é o mesmo: embarque pela frente, mostrando o ticket ao motorista. Esses ônibus costumam ter as conexões asseguradas: ou seja, um espera pelo outro para que você não fique meia-hora plantado no ponto do meio da noite. O transporte é confortável, climatizado e seguro.

Bilhetes para ir do aeroporto ao Centro

Tegel (TXL): O aeroporto Tegel, que era para ter sido desativado em 2012 em função do novo aeroporto BER (que não se sabe se um dia vai ficar mesmo pronto!) funciona ativamente. Fica bem próximo ao centro da cidade e só é atendido por ônibus. Para usar esses ônibus é preciso comprar o ticket AB.

Na porta de saída do aeroporto há um guichê de informação da empresa de ônibus e as filas são 
sempre enormes. Caso você já saiba que bilhete quer comprar, há maquinas do lado de fora, sem filas. Funcionários da empresa ajudam a comprar o ticket caso tenha dúvidas. A regra de entrar pela frente nos ônibus e mostrar o ticket ao motorista vigora nessas linhas, mas 99% das pessoas não segue. Com malas, é mais cômodo entrar pelas portas central e traseira e ninguém reclama.

Schönefeld (SXF): Fica mais ou menos no fim do mundo. Bom, não é verdade, exatamente. Fica na zona C e por isso é preciso comprar o ticket ABC. Muita gente é multada por não ter o ticket da zona C, fique atento. E mais que isso: não esqueça, em hipótese alguma, de carimbar o ticket antes de entrar no trem ou no S-Bahn! As máquinas que carimbam ficam nas plataformas. Entrar sem o ticket carimbado da multa e os fiscais da linha do Schönefeld não são nada compreensivos com quem não entende o funcionamento dos transportes da cidade.

Para ir do aeroporto ao centro, as melhores opções são o trem regional (para pouco e chega rapidinho) e o S-Bahn. Consulte a tabela de horários para saber qual é a linha que vai chegar primeiro. Para os dois trens, o ticket é o mesmo ABC. Há ainda opções de ônibus para o Schönefeld, que podem ser úteis especialmente para quem precisa se deslocar durante a madrugada. O ticket também é o mesmo: ABC.

Partícula complementar da zona C:

Caso você tenha comprado o ticket do dia ou da semana para a zona AB e precise ir para algum lugar fora dessa área, basta comprar um complemento (Anschlussfahrschein) por 1,60. É preciso carimbar esse complemento antes de entrar no transporte e, caso o fiscal apareça em algum ponto já fora da zona AB, mostra-se os dois tickets (o AB e o complemento). O complemento também só vale em uma direção e só vale acompanhado do ticket principal.

Há dois destinos turísticos bem comuns na zona C: a cidade de Potsdam, capital do estado de Brandemburgo, onde fica o famoso castelo Sanssouci e o campo de concentração de Sachsenhausen. Eu recomendo as duas visitas para quem for ficar mais do que quatro dias em Berlim. Nos dois casos é preciso ter o ticket ABC ou AB + complemento do C para chegar lá. Mas atenção: esse ticket não vale para rodar dentro das cidades (as duas já não são mais Berlim) e é preciso comprar um ticket local com o motorista de ônibus para chegar até as atrações.

Bicicleta paga passagem:

Caso você esteja passeando de bicicleta e resolva levar a magrela dentro do trem para percorrer uma distância maior, saiba que ela paga uma passagem extra. Você precisa ter o seu ticket como as regras já explicadas e ainda comprar uma passagem para a bicicleta. O bilhete unitário, também válido somente em uma direção (Einzelfahrschein Fahrrad), custa 1,90. Para carregar a bicicleta no trem o dia todo, de forma ilimitada, são 4,80. Esses tickets da bicicleta também precisam ser carimbados. Há vagões para bicicletas nos trens e espaço para elas em muitos ônibus.

Ônibus turístico drop-on drop-off vale a pena?

Há duas linhas de ônibus em Berlim que percorrem praticamente o mesmo trajeto do ônibus turístico: a 100 e a 200. Eu, particularmente, detesto esses ônibus turísticos em qualquer lugar do planeta e em uma cidade com a malha de transporte tão boa como Berlim, acho um desperdício de dinheiro. Só recomendo caso alguém tenha dificuldade de locomoção ou muita preguiça de explorar.

O que pode e o que não pode

Sem ticket: Não pense em bancar o espertinho e andar sem bilhete porque o controle é apenas randômico. Se um amigo veio, não comprou bilhete e nada aconteceu, ele não foi experto: foi mau caráter. O sistema de transporte funciona com o controle randômico porque as pessoas sabem que tem um papel a cumprir. Se você não vê quase ninguém comprando bilhetes, não é porque estão viajando sem: a maioria dos moradores de Berlim tem tickets mensais ou mesmo anuais, ou seja, nem passam perto das máquinas de venda.

Bebidas alcóolicas: Nos transportes operados pela BVG é proibido beber. Nos S-Bahn e trens regionais, não. Ninguém respeita isso, mas se bater a fiscalização, pode render multa.

Comida: Comer nos transportes também não pode, mas essa é mais uma daquelas regras que berlinense nenhum respeita. No entanto, há poucos dias, um motorista expulsou um passageiro que estava comendo um Dönner Kebab e a coisa virou caso de polícia.

Idosos: Os trens e ônibus têm bancos especiais para idosos e a boa educação recomenda oferecer lugar aos mais velhos. No entanto, na Alemanha não existe preço diferenciado ou tarifa livre para os mais velhos.

Outros espaços: Há ainda espaço para bicicletas, cadeirantes e carrinhos de bebê, com bancos retráteis. Obviamente é preciso liberar essas áreas sempre que necessário.

Passe de estudante: Estudantes universitários aqui pagam um ticket semestral direto na universidade e por isso não há desconto de passagens para quem é estudante e está apenas de visita. A carteirinha internacional não é válida para comprar tickets de transporte com desconto, mas vale para museus e muitas atrações.

Segurança e riscos:

O transporte de Berlim é relativamente seguro, mas como em toda a cidade grande, existem problemas. Nas madrugadas, evite vagões muito vazios. Há casos (raros, mas existem) de violência randômica: grupos escolhem uma vítima aleatória e atacam. O problema mais comum são batedores de carteira e ladrões de celular. Há muitos casos em que a pessoa está usando o celular distraída, sentada perto da porta e que o bandido aproveita os últimos segundos em que as portas estão abertas para roubar o celular e sair correndo pela estação. Nas estações, evite ainda subir escadas rolantes com objetos de valor na mochila. Ah, e por fim, nunca compre tickets de terceiros nas plataformas: há uma grande chance de serem falsos. No mais, aproveite Berlim!!!


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Alemanha em detalhes: uma visita detalhada aos mercados de Natal, os tradicionais Weihnachtsmarkt


Há quem diga que mercado de Natal é assim: quem viu um, viu todos. É evidente que há muitas coisas em comum entre eles: são 4,5 mil mercados espalhados por toda a Alemanha e que recebem anualmente 180 milhões de pessoas, movimentando cerca de 1,9 bilhões de Euros. Um baita negócio!

Cada mercado tem suas peculiaridades, claro. O primeiro teria sido o de Dresdem, que completa 580 anos de atividades em 2014. Alguns mercados – ou parte deles – tentam manter costumes medievais: serve bebidas em canecas de barro e seus vendedores se vestem com roupas tradicionais. 

Mas alguns itens são obrigatórios em todos os Weihnachtsmarkt da Alemanha: vinho quente, amêndoas caramelas, Lebkuchen e barracas de artesanato ou produtos decorativos. Montados em uma praça com uma grande árvore de Natal ao centro, alguns mercados são mais charmosos que os outros, mas em todos é preciso beber algo quente para escapar do frio. 

Quer saber o que se encontra de Norte a Sul, de Berlim às pequenas cidades? É só conferir as imagens abaixo, feitas em diferentes cidades da Alemanha. É mais ou menos como visitar todos os mercados em quatro fotos e sem nem gelar as mãos!


Uma visão geral:


Barraquinhas de enfeites:


As bebidas quentes:


Doces do advento:


E pra quem ficou querendo mais, basta acessar a página do blog no Facebook. Por lá você encontra links para albuns de fotos com muito mais detalhes dessa época maravilhosa do ano. É só curtir!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Primeiros socorros: guia básico de remédios simples e vendidos sem receita na Alemanha


Na Alemanha se toma muito menos remédio que no Brasil. Aqui existe um chá para cada coisa e eles realmente funcionam. Tenho a sensação que – fora a rinite da primavera e os resfriados do inverno – fica-se menos doente por aqui. Ainda assim, comprar remédios era uma coisa que me enchia de dúvidas no começo. O que tem? O que pode? O que não pode?

Com o passar do tempo descobri que as coisas simples também são vendidas sem receita, como no Brasil. Assim, dá pra sobreviver a um resfriado sem correr ao consultório. Por isso vai um guia de emergência para os primeiros passos por aqui. Lembre-se que isso não é um receituário, que eu não sou médica e nem farmacêutica e que é preciso ter muito cuidado com a automedicação.

Analgésicos: AAS e Paracetamol vendem em qualquer farmácia. É só pedir por esses nomes mesmo. Tem os de marcas tradicionais, mas também os não-famosos, que custam bem menos. É só chegar no balcão e pedir.

Relaxante muscular: Esse também vende sem receita. É só pedir por Diclofenac. A marca mais vendida por aqui é Voltarem. Vem em caixa de 10 ou 20 comprimidos. Tem ainda as versões em pomada e gel.

Diarreia: Há um similar ao popular Imosec brasileiro. Se chama Imodium. Também vende sem receita em qualquer farmácia.

Dor de estomago: Ai depende da dor. Para má digestão, tem um que se chama Iberogast, que vende em lojas tipo DM ou Rossmann. É, na verdade, uma combinação de ervas (que tem gosto daqueles digestivos de Camomila que toda a vó tem em casa) e se toma com água. Tem ainda um efervescente que se parece com o Sonrisal: Ben-u-ron Brausetabletten.

Azia: Existem duas opções: pastilhas de chupar (Magen Pastillen), tipo Magnésia Bisurada, ou comprimidos de engolir (Magen Tabletten). Os dois estão à venda na DM, Müller, Rossmann e afins. Alguns, até no supermercado. Para casos mais graves, o bom e velho omeprazol também está à venda em qualquer farmácia, sem receita.

Gases: Similar aos comprimidos de dimeticona vendidos no Brasil, é possível encontrar uma série de opções de Magen-Darm Entspannungs, ou seja, relaxantes do estomago e intestino, com princípio ativo de simeticon. Existem capsulas oleosas, comprimidos e pastilhas de chupar.

Alergia: Bendito seja o Cetirizin de todas as primaveras. Nunca tive alergia no Brasil, mas o pólen aqui me leva ao desespero e tomo esse medicamento a primavera inteira, um por noite (dá muito sono). É só pedir na farmácia pelo nome do remédio ou qualquer Antiallergikum: vende sem receita.

Tosse e dor de garganta: Xarope se chama Hustensaft e os mais simples também estão à venda sem receita. Tem os bem básicos e naturebas, com mel e plantas, na DM, Rossmann, etc. Na farmácia também são vendidos alguns sem receita. O mesmo vale para as pastilhas, Hustenpastillen ou Hustenbonbons (esses são mais balinhas mesmo, sem efeito analgésico). Spray de própolis nunca vi por aqui, mas tem uma alternativa na farmácia para aliviar na hora a dor: Sulagil, um spray com um gosto horroroso.

Descongestionante nasal: Existem os Meerwasser Nasen Spray, que são apenas soro, até nos supermercados. Esses não tem qualquer princípio ativo e tem efeito leve, mais para a limpeza mesmo. Alguns produtos vendidos no Rossmann ou DM têm princípios ativos: antialérgicos leves, por exemplo. Na farmácia é possível pedir por um Nasen Spray mais forte, que tenha efeito descongestivo, sem precisar de receita.

Vitaminas: supermercados e lojas de rede vendem tubos de vitaminas efervescentes em profusão. E custa pouco, muito pouco. Um tubo com dez pastilhas de multivitaminas (tipo aquelas famosas de A a Zinco, que vendem no Brasil) ou de vitamina C sai por menos de um euro. É bom ter sempre em casa, não só na hora do resfriado.

Colírio: Colírios, Augentropfen, seguem basicamente a dica dos descongestionantes nasais. Umectantes (lágrimas artificiais) nas lojas de rede e com algum tipo de função a partir da conversa com o farmacêutico. Eu uso um chamo Hylo-Comod, vendido em farmácia, para aliviar a ardência depois de muitas horas no computador. Mas em épocas de primavera, também tenho o Vividrin Akut, que é antialérgico e tira a sensação de areia no olho que o pólen provoca.

Sangramento Nasal: O isolamento térmico bem feito e os aquecedores ligados tornam o ambiente dentro de casa bastante seco. Com a umidade relativa do ar baixa, os sangramentos nasais são frequentes e há quem se assuste com isso nas primeiras semanas. São poucas as pessoas que conheço que não sofrem com o problema. Para aliviar, além de umidificar o quarto com equipamentos próprios para esse fim, vale manter a saúde do nariz com uma pomadinha Nasen Heilsalbe. São tubos bem pequenos, também à venda nas lojas de rede e que podem

Calmantes: tem várias opções naturebas nessas lojas citadas ai em cima. Baldrian é um deles. Tem ainda chás que ajudam a relaxar: Schlaff Gut Tee ou ainda Schlaf und Nerven Tee.

Anti-depressivo: uma opção natural bem popular aqui na Alemanha são os comprimidos de Johanniskräuter. Eu uso isso no inverno: a falta de sol sempre me dá uma depressão leve e os comprimidos tem um bom efeito.

Picada de inseto:  Não é coisa muito comum na Alemanha, mas pode acontecer, especialmente no verão. Para isso, existem uns sprays ou gel (sempre em embalagens bem pequenas), vendidas junto aos repelentes nas lojas de rede. Geralmente são identificados como Sofort-Hilfe. E ajudam mesmo. A dor some na hora e a coisa para de coçar.

Assaduras e ressecamento da pele: Há uma pomada aqui nas farmácias que é a prima rica do Hipoglós. Não cheira mal, não mancha a roupa e serve para as mesmas coisas que a marca famosa no Brasil. Se chama Bepanthol.  


A lista é bem básica. Portanto, quem se animar a completar ou sugerir, fique à vontade para usar o espaço dos comentários. :) 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alemanha em detalhes: a hora de fazer compras


Esse é mais um post da série “Alemanha em detalhes”, com dicas pra evitar apertos e furadas. Já publiquei um sobre banheiro, mas desta vez o assunto são as compras. Tudo aquilo que você precisa saber mas ninguém vai ter paciência de explicar.

Carrinho de mercado -  Para pegar um carrinho de supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais. Quando terminar de fazer as compras, basta levar ele ao local, trancar com a corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta.

Trancado: coloque uma moedinha para liberar o carrinho de supermercado

Moeda sempre à mão - Apesar de não pagar pelo carrinho, o difícil é ter sempre uma moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50 centavos também). Então uma dica bem brasileira: traga na carteira uma moedinha daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos do Brasil. Ela funciona perfeitamente pra soltar o carrinho e você nunca vai gastar a dita. Algumas marcas dão de brinde umas fichinhas plásticas que servem para liberar os carrinhos. Também existem chaveiros com a mesma finalidade.

Na carteira: moedinha de 25 antiga brasileira também libera o carrinho

Na hora de passar no caixa do mercado - Supermercado alemão é uma coisa meio fora dos padrões que os brasileiros estão acostumados. Você vai descobrir que os mercados tem poucos caixas, mas nem por isso são demorados. As esteiras são gigantes antes do caixa. Você coloca suas coisas assim que se aproximar e, ao fim delas, coloca uma divisória plástica que está disponível no balcão. Assim o funcionário sabe o que é seu e o que pertence ao próximo cliente. Feito isso, na sua vez, você passa o carrinho para o outro lado e a caixa vai olhar fuzilando pra ver se está vazio.

Sem espaço para as compras - Não existe espaço para colocar as compras depois que são passadas no caixa. E os funcionários de caixa são muito, mas muito rápidos. O que fazer? Sempre pegue um carrinho e vá jogando todas as coisas dentro dele, o mais rápido que puder. Então pague e vá para um balcãozinho na saída do mercado para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja, todos! :P).

Achei um videozinho que ilustra melhor como as coisas funcionam. Prepare seu coração porque as cenas são fortes (e é exatamente isso que vai acontecer com você!).



Sacolinhas – Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até 25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis). Escrevi sobre as sacolinhas aqui. Caso for usar as plásticas,  lembre-se de coloca-las junto com suas compras na esteira do caixa.

Organização – Existem dois tipos de supermercado na Alemanha. Os “normais”, mais parecidinhos com os do Brasil, com as mercadorias organizadas nas estantes e os “discounters” (Aldi, Lidl, Penny, Netto, etc) onde a proposta principal é vender barato. E estes último são um choque na primeira vez que você entra: as mercadorias estão em caixas empilhadas sobre estruturas de madeira, quando grandes. As coisas menores ganham espaço nas estantes, mas também ficam nas caixas.

Diferente: as mercadorias permanecem nas caixas mesmo quando dispostas nas prateleiras*

Cestinhas – São raros os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Eu sugiro pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista a hora do caixa, que já falei acima. Mas você também pode usar o jeitinho alemão: escolha uma caixa vazia nas estantes (tem sempre montes delas no meio da mercadoria que está à venda) e coloque suas coisas dentro dela.

Desconto - Se você está comprando em uma loja, o preço final é o preço da etiqueta e deu. Não adianta pechinchar, chorar, pedir. Aliás, não faça isso: de certa forma é bastante ofensivo.

Pechincha - Já nos Flohmarkets (ou mercado das pulgas), o vendedor espera que você pechinche. É a regra do jogo: ele vai dar um preço inicial, você sugere o segundo – geralmente metade do que ele pediu – e a coisa segue. Se você não pechinchar o vendedor vai achar que colocou um preço barato demais na mercadoria! Eheheh

Troco exato -  Se o objeto ou serviço que você vai pagar custa 2,42 Euros, por exemplo, não adianta dar 2,40. Os valores são sempre exatos e isso vale para os dois lados. Se o seu produto custou 1,99, você vai receber o um centavinho de troco.

Local certo para pagar -  Em cafés, padarias ou mesmo em algumas lojas, existe um pratinho acrílico sobre o balcão: é nele que você deve colocar o dinheiro do pagamento.

Atendimento -  Vendedores alemães não são as pessoas mais simpáticas do mundo. Então, se você não tem a menor intensão de comprar o produto, poupe a sua paciência e o trabalho dele e não faça perguntas.

Trocas de mercadorias - Trocar ou devolver objetos é uma prática muito comum. Você tem, geralmente, duas semanas para se arrepender da compra. Nesse tempo, leva na loja e eles devolvem o dinheiro sem muitas perguntas. Isso vale para quase tudo.

Pagamento com cartão -  Cartão de credito não é algo tão aceito aqui como é no Brasil. Mesmo grandes redes de loja (como a Saturn, que vende eletrônicos), não aceitam cartão de crédito. Você pode usar o  débito, claro, mas nesse caso fique atento. Por cartão de débito se entende um EC Card, ou seja, cartão de uma conta corrente alemã e não cartões do tipo Visa Travel Money. Então, antes de comprar, vale ir até um caixa e mostrar o cartão que você tem em mãos pra ver se é aceito.

Tax Free - De você não é residente na Europa, pode economizar uns bons euros fazendo o Tax Free e recebendo o que pagou de imposto de volta. Em alguns produtos, chega a 17% do valor o que significa uma economia bem interessante. O dinheiro é pago em guichês específicos para isso nos aeroportos internacionais e você precisa levar a documentação pronta. Assim, sempre que fizer uma compra significativa em uma loja, vá ao serviço de atendimento ao consumidor com a nota fiscal, seu passaporte, e peça para que preencham o formulário. Para facilitar a vida, escreva seu endereço residencial do Brasil em um papel e tenha sempre consigo: a funcionária precisará coloca esses dados no formulário e a dificuldade em entender o endereço brasileiro é grande, geralmente.

Se ficou faltando algum item, é só mandar a sugestão!

*Foto originalmente publicada aqui, sem nome do autor, e licenciada de acordo com as regras do Creative Commons

domingo, 22 de janeiro de 2012

Alemanha em detalhes: hora de ir ao banheiro! (Sim, tem regras pra isso também!)


Algumas coisas os guias de viagem e reportagens de turismo não falam, mas é interessante que  você deve tenha em mente se vier visitar a Alemanha –mesmo que de passagem. Já falei das regras de convivência e do jeito alemão nesse post aqui, mas essa série “Alemanha em detalhes”, que este post inaugura, é uma versão mais resumida de tudo, de coisas bem básicas pra você não fazer feio. Cada post vai ser sobre um tema e vai misturar curiosidades e impressões.

O post de estreia é sobre banheiros. Isso mesmo! Então, anota tudo ai.

- Os banheiros das casas, hotéis e qualquer outro lugar tem um cestinho de lixo, mas não se joga papel higiênico nele. O papel vai na privada. O cesto é para absorventes. Aliás, é comum encontrar uns saquinhos plásticos ou de papel no banheiro. Neles você coloca o absorvente antes de jogar no lixo.

- A descarga do banheiro tem, normalmente,  dois botões. Um deles é para um fluxo de água menor (se você fez o número um) e ou outro para a descarga completa, em caso de número dois. A intenção é poupar água: colabore usando a opção certa. Algumas descargas tem uma placa só. Você aciona ela apertando na parte de baixo e, quando tudo foi embora, interrompe a descarga apertando novamente em cima e assim só usa a água necessária, sem deixar correr mais do que precisa.

- Em alguns lugares você vai encontrar algo semelhante a um suporte de sabão liquido na parede, dentro do próprio cubículo onde fica a privada. Trata-se de um gel antibacteriano à base de álcool que você aplica em um pedaço de papel higiênico e limpa e esteriliza o assento do vaso antes de usar. Bem prático e útil!

- Homens alemães fazem xixi  sentados. Isso mesmo. As mães ensinam seus filhos desde cedo a sentar para evitar gotas e respingos pela privada, já que elas mesmas terão que limpar! (Aqui as pessoas limpam suas próprias casas e empregadas são artigos de luxo que poucos podem ou costumam bancar). Se você perguntar a um alemão se ele senta pra fazer xixi, espere duas coisas: primeiro, a resposta direta (Claro que eu sento!) e depois a expressão de quem não entendeu (leia-se: Por que você está me perguntando isso? Você, por um acaso, não senta?). Então, meninos, em lugares públicos podem pular essa regrinha, mas se estiverem visitando alguém, a expectativa é que sentem para fazer xixi. E não se assustem se encontrarem avisos nos banheiros lembrando dessa gentileza.

Igual as meninas: "Homens de nível sentam na privada"

- É comum encontrar, especialmente em prédios mais antigos, a privada com uma espécie de plataforma. A primeira vez que você usa é meio assustador: fica o “serviço” todo lá, esperando para ser conferido. E a intenção era exatamente essa. Em épocas de guerras ou doenças, verificar a presença de sangue – ou mesmo vermes – nas fezes era uma forma importante de controlar a própria saúde e por isso as privadas foram desenhadas  de forma  a permitir esse tipo de “autoexame”. Muita gente costuma colocar alguns pedaços pequenos de papel higiênico na tal plataforma antes de usar o banheiro e assim evita que resíduos fiquem presos nessa parte plana. Achei um vídeo que ilustra bem tudo isso. O banheiro em questão não está lá essas coisas... mas vale é ver o conceito.






- Aliás, todo e qualquer banheiro alemão tem uma escovinha. Todos, em qualquer lugar. A ideia é que você deixe o banheiro limpo para o próximo que for usar.  Vale para locais públicos, em menor intensidade, mas vale sobretudo se dividir casa com outras pessoas ou se compartilhar banheiros em hostel ou hotel, por exemplo: passe uma escovinha antes de sair pra ter certeza que tudo ficou de acordo.

- Na hora de alugar um quarto de hotel, preste atenção nos detalhes da descrição. Se o quarto tiver banheiro privativo, isso vai estar claramente descrito. É comum em hotéis de categoria turística existirem quartos em que o banheiro é compartilhado com outros quartos do mesmo andar. Nesse caso, geralmente existe apenas uma pia no quarto ou nem isso.

- É muito raro encontrar banheiro gratuito na Alemanha. Mesmo nos shoppings: tem sempre uma senhorinha cuidando e cobrando. O preço médio é de 50 centavos, mas se o esquema não for de cobrança (e sim de contribuição, apenas), ninguém vai correr atrás de você para cobrar o que faltou.

- Aliás, leve sempre moedinhas de 50 centavos quando sair de casa para passear. As cidades têm vários banheiros públicos e, para abrir a porta e usar, você precisa colocar a moedinha. Geralmente essas caixinhas de cobrança automáticas não dão troco. Ah, esses banheiros são autolimpantes e se trancam para uma autolavagem entre um usuário e outro.

- Nas estações de trem os banheiros costumam ser mais caros: 1 Euro e o ticket do banheiro da direito a algum desconto em compras nas lojas da própria estação. Uma baita sacanagem! Esses banheiros são, nas cidades maiores, super modernos! A descarga é automática e o assento da privada gira para ser lavado e seco para o próximo usuário. Espia ai a tecnologia! eheheh 







- Não se assuste se chegar a um banheiro e ele tiver luz negra ou azulada dentro. Acostume os olhos e faça o que tem que fazer! Em alguns locais – especialmente shoppings em cidades maiores e bairros mais alternativos, digamos assim – essa foi a tática adotada para evitar que viciados fizessem uso de drogas injetáveis nos banheiros. Com a luz azulada é impossível enxergar qualquer veia do corpo... É bizarro e nos lugares que vi essas soluções nem creio que se fazia necessárias, mas se a administração do local optou por elas, deve ter suas razões.

- Os meninos podem encontrar coisas bem divertidas em banheiros públicos. Para estimular o uso correto dos mictórios – leia-se “acertar o alvo”, alguns bares e afins colocam brinquedinhos no local. Nunca vi, mas já ouvi falar e achei um vídeo para ilustrar. Uns modelos tem um gol e a ideia é acertar a bolinha para marcar. Outros tem um adesivo em forma de mosca que motiva a pontaria dos usuários. Espia ai a hora do gol!








- Torneiras e chuveiros podem ter um único manípulo e, mesmo que isso pareça meio óbvio, fica a dica: ele funciona ainda como misturador. Mais quente para um lado, mais frio para o outro: mais ou menos água para cima ou para baixo.

- Água na Alemanha é algo caro. Muito caro. Por isso, se estiver hospedado na casa de alguém, colabore com o seu anfitrião e economize: banhos rápidos e não deixar a torneira aberta para escovar os dentes são um bom começo.

- Aliás, se estiver na casa de algum amigo, outra dica: tome um banho só por dia, pelos mesmos motivos anteriores. Alemão toma muito menos banho do que isso (pular um –uns –dia é algo bem normal aqui).

- Se vier para a Alemanha, esqueça o conceito de suíte. Mesmo em casas mais requintadas, raramente você vai encontrar um banheiro no quarto. Alemães estão acostumados a dividir banheiro com outras pessoas da casa e não enxergam necessidade alguma em cada um ter uma instalação sanitária particular.

- Ainda sobre o banho – e pra fechar esse post escatológico -, a água na Alemanha é bastante calcária e sua pele pode sentir isso em poucos dias, especialmente se for inverno. A pele começa a descamar e podem aparecer rachaduras nos cotovelos, tornozelos e joelhos. Nesse caso, um hidratante bem cremoso resolve. Para as mulheres, a dica é usar sabonete íntimo com PH neutro: faz realmente diferença e evita probleminhas que podem estragar o conforto da sua viagem!
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel