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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Grillzeit: Tempo de churrasco (alemão)!

E viva a temporada de churrasco na Alemanha!!! Para quem mora em um lugar com jardim grande, como eu tenho a sorte, é bom se acostumar com os piqueniques armados no gramado. Toalhas pelo chão, uma churrasqueira redonda de cinco euros, cada um munido de suas próprias tralhas. Sim, porque aqui, ser chamado para um churrasco significa que você foi convidado a compartilhar o momento com os amigos, não as comidas e bebidas. Já escrevi um post sobre isso e outras regras de comportamento, mas vou copiar as dicas básicas de sobrevivência em um churrasco alemão no fim desse post.

Mas, além disso, se você quiser ser feliz em um churrasco alemão, esqueça tudo o que você conhece por churrasco no Brasil: não pense em picanhas, maminhas, chuletas. Imagine apenas salsichas, espetinhos de porco e frango, bifinhos com um molho verde ou vermelho que fazem qualquer um crer que são vindos de outro planeta e, com sorte, alguns corações de galinha. Aliás, essa é uma parte curiosa. Tirando chineses, indonésios e outros habitantes de países “exóticos”, comer coração de galinha é quase uma barbárie por aqui. Os alemães acham nojentos e é muito provável que não vão querer nem ver você saboreando a tal iguaria. Já me perguntaram se eu não tinha achado isso no setor de comida pra cachorro... Azar o deles, nesse caso.


Azar o nosso, com todo o resto... Falo isso porque o meu querido Herr sempre conta a história do meu primeiro churrasco alemão. Era maio de 2009... e o calor veio tardio naquele ano. No primeiro dia em que o termômetro chegou perto dos 20 graus, o Joatan chamou o Till, nosso alemão mais querido, para um Grillen. Compraram uma churrasqueira descartável (Einweggrill, que custa cerca de 2 euros em qualquer supermercado.), que depois descobri ser muito útil, especialmente para eventos enfumaçados longe de casa. Bom, trata-se de uma bandeja de alumínio que vem com uma grelha do mesmo material, toda furadinha, já com carvão, acendedor e um rabicho de papel para fora: é só por fogo no tal e começar a festa. Como o Herr fala, aqui na Alemanha, é só seguir o manual, porque alguém já foi pago para pensar por você antes.

Enquanto os meninos organizaram o tal do churrasco, eu estava em casa fazendo qualquer coisa. Cheguei já com a comida dourando e o Herr conta que a minha cara de decepção foi tão imensa, que nada que ele dissesse poderia mudar isso. E foi mesmo: me senti enganada! Ehheehe Mas comi as salsichas mesmo assim! Fiz até foto do “glorioso” primeiro churrasco que, para meu próprio espanto, hoje em dia acho normal!

A prova do crime: o primeiro (e decepcionante) churrasco!


Depois desse, vieram muitos outros e nos “profissionalizamos” na parafernália: churrasqueira, cadeiras, cesto pra comida, esteirinhas, pegadores e tudo o mais. Também nas comidinhas: os espetinhos de carne ajudam a matar a saudade de casa e os tais bifes verdes e vermelhos são deliciosos! Vale à pena dar uma chance a eles! :)

É muito comum grelhar também salmão, abobrinhas e pimentões. Queijo tipo coalho (espia aqui no blog da Mel os detalhes) é também uma outra alternativa. Cogumelos no espetinho são deliciosos e aparecem com frequência nas grelhas, muitas vezes acompanhados de bananas. Isso mesmo: bananas. Algumas pessoas fazem as asinhas de frango (que já podem ser compradas temperadas com molho picante): mas assim como a picanha (sim, existe picanha aqui, espia de novo o blog da Mel – já to sócia ehehe), prefiro deixar fora do grelhado. As churrasqueiras são tão pequenas que a carne acaba queimando por fora e não fica passada direito por dentro (mesmo se que você goste mal passada).

Kit completo de tralhas para o grill!


Ah, se você morar em um apartamento sem keller (porão) como o meu, você corre o risco de ter sua churrasqueira roubada... A minha foi. Contei tudo nesse post (já com um pedido de desculpas antecipado pelos palavrões: mas foi um desabafo do calor da hora!)

Outra coisa diferente é o carvão: existem basicamente dois tipos. Um mais parecidinho como o do Brasil, com pedaços irregulares, e outro em bolas que se assemelham a ovos de galinha (pela forma, peso e tamanho). Nos dois casos você vai precisar de um “iniciador de fogo”, geralmente sólido e à base de querosene, o que torna qualquer churrasco alemão um evento com um cheirinho inicial digno de aeroporto...

Mas no fim de tudo, a vida seguiu feliz... cheia de churrascos no verão! Embora a picanha e as maminhas assadas e cortadas em lascas continuem firmas no meu Top 1 da churrasqueira, as salsichas tem o seu valor... Bom verão, bom Grillen e me chama para o próximo! :)

Mais uma fotim do primeiro churrasco alemão da minha vida: modesto e cheio de lições! Na foto, Till, nosso melhor amigo alemão, o Herr (Joatan) e eu:


Para relembrar: Dicas de etiqueta e comportamento para não fazer feio em sua estréia nos churrasquinhos aqui na Alemanha. As diferenças culturais são grandes e isso pode parecer antipático no começo, mas no fim, é pura diversão como em qualquer lugar do mundo!

- A não ser que o organizador do churrasco deixe explícito que vai oferecer a comida (raramente é assim), está implícito que você deve levar sua própria comida e bebidas.

- Pergunte se ele tem espaço na grelha ou se você deve levar uma descartável

- Leve e COMA somente a sua comida. Se algo for para dividir entre todos, a pessoa que preparou vai dizer: esse prato é para dividir com todos. Se não, cada um come o que levou.

- Prepare a sua comida: você vai colocar suas coisas na grelha e vai cuidar delas. Ninguém tem a obrigação de fazer isso por você.

- Leve (ou pergunte se o anfitrião pode emprestar) prato, faca, copos, cadeira, esteira para sentar ou qualquer outra coisa que possa precisar durante o churrasco.

- Vale dizer que não é comum ter churrasqueira em casa (aquele espaço pra churrasco, como existe no Brasil) e, por isso, trata-se de um evento programado para algum parque, jardim ou mesmo no pátio do prédio de alguém. Claro que se for no quintal de alguém que mora em uma casa, você não precisa se preocupar em levar tanta coisa. O importante é que fique claro que ninguém precisa pensar nas suas necessidades!

Se quiser saber mais sobre as regrinhas de etiqueta aqui na Alemanha, o post inteiro está aqui.

Ps.: Esse post é uma homenagem a efeméride do meu primeiro churrasco aqui: Faz exatos dois anos do Grillen das fotos, em 09/05/2009! ehehehe

terça-feira, 6 de abril de 2010

A saga da churrasqueira

Churrasqueira aqui na Alemanha é coisa quase descartável. Todo verão aparecem aos montes nos supermercados e a partir de 6 euros se compra uma. Não espere nada maravilhoso: em algumas semanas de uso, elas começam a ficar com as pernas bambas e dão sinais de cansaço. Mas é exatamente o quanto dura o verão e, sem espaço pra guardar, quando o outono chega, as churrasqueiras acabam indo para o lixo. Alguns mercados vendem umas descartáveis mesmo: Einweggrill (churrasqueira para um uso, por 2 euros), que nada mais é do que uma bandeja de alumínio com carvão, coberta por uma grelha furadinha, que dura o bastante pra uma boa rodada de salsichas.

No ano passado, usamos algumas dessas, mas acabamos comprando a nossa... que desapareceu misteriosamente no inverno. Este ano, quando o sol deu as caras, a vontade de churrasco bateu e rodamos a cidade em busca de uma churrasqueira nova. Nosso desejo foi mais rápido que a logística alemã. Os mercados da redondeza ainda não estão vendendo as tais churrasqueiras e acabamos encontrando apenas no Walle Center, do outro lado da cidade, o que provavelmente era um estoque do ano anterior.

A estréia da tal churrasqueira – que custou 7,99 – foi na sexta-feira santa. Churrasquinho caprichado no quinta! Depois disso, ainda com um resto de carvão, a dita ficou encostada na janela do quarto (moramos no térreo) a espera do próximo Grillen Zeit, como “repousam” todas as churrasqueiras da vizinhança. E sumiu no dia seguinte.

Com todo o perdão do palavreado, fiquei PUTA da cara. Muito irritada MESMO. Não pelo valor da churrasqueira em si: mas pelo desaforo de terem levado a churrasqueira novinha. Custava pedir emprestado? Ano passado emprestamos várias vezes, assim como já usamos churrasqueiras emprestada. É só pedir, levar e trazer de volta. Ninguém se recusa.
Resolvi não deixar por menos e, vestindo todo o estereótipo do latino sangue quente, coloquei um aviso na minha janela e nas árvores em volta. Se não fosse pra ter a churrasqueira de volta, ao menos desabafei minha raiva com um monte de palavrões. Isso foi na segunda, dia 5/4, feriado aqui.

Nesta terça, com um sol perfeito e as flores desabrochando, fomos dar uma caminhada no Jardim Botânico, aqui perto de casa, de olho nas churrasqueiras “estacionadas” nas janelas. E... sim! Lá estava ela... parada do outro lado do condomínio (que tem uns oito blocos onde só moram estudantes), na janela de alguém que pegou “emprestada” e “esqueceu” de devolver... Não tive dúvidas em trazer pra casa e deixar um recado para os “simpáticos vizinhos”.


Sem um porão para guardar tralhas, ficamos sem muita alternativa de onde deixar a churrasqueira semi descartável até o fim do verão. Mas desta vez, vai dar mais trabalho se algum espertinho resolver levar... Uma engenhoca de cadeados vai manter a churrasqueira bem perto dos olhos do gatuno, mas bem longe do seu próximo churrasquinho...


E que venha o final de semana!!!
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel