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sábado, 9 de julho de 2011

Brasil x Alemanha: prós e contras de escolher um país pra viver


Eu vou ficar mais uns quatro anos morando na Alemanha, pelo menos. Meu marido foi aprovado em uma bolsa de doutorado e, com isso, além dele, eu posso fazer doutorado também. Antes dessa resposta, passamos muito tempo discutindo se voltaríamos ao Brasil com o fim do mestrado ou se tentaríamos a vida um pouco mais por aqui na terra da batata ou em outro canto do Velho Mundo. O fato é que essas discussões serviram como balanço e hoje posso falar com mais clareza sobre as vantagens de viver em cada um dos lugares.

Quer conferir um pouco da disputa? Ai vai então, Brasil x Alemanha...

Família e amigos – Não tem como escapar de ter a família e os amigos de muitos anos no topo dessa lista de prioridades. Assim como não se pode ignorar o peso que o coração tem nessa matemática. As mães – a minha e a dele - , os irmãos dele, a penca de sobrinhos. Ver as crianças crescendo, ajudar a organizar as festinhas de aniversário, os churrascos com a família, as mil decorações para o Natal. Tudo isso não tem preço. Ao mesmo tempo, temos novos e bons amigos aqui, minha irmã mora em Portugal e, estar na Alemanha significa poder estar perto dela com muito mais frequência do que estaria se morasse no Brasil. No fim das contas, não posso ter todo mundo ao mesmo tempo...

Humor – O Brasil é um país alegre, não restam dúvidas. Talvez uma das qualidades maiores do brasileiro é a capacidade de rir de si mesmo e de sua própria desgraça. Com brasileiro não tem tempo ruim e encontrar alguém sorridente pela rua não é exceção, é regra. Na Alemanha é o oposto disso. Apesar de todas as coisas boas que existem por aqui, parece que todos nascem azedos, mal humorados. Sorrir é algo raro e ser bem atendido por aqui então, merece sempre algum comentário aqui em casa. Esteja preparado para caras feias, olhares pesados. Mas saiba que os poucos sorrisos serão sinceros.

Sinceridade – Esse é um ponto que a Alemanha ganha do Brasil. Aqui você pode falar a verdade sem medo de alguém ficar magoadinho. A pessoa quer te visitar e você programou outra atividade para o dia, é só dizer que não pode receber. Não pode ir na festa? Diga não e pronto. Prefiro mil vezes essa aparente frieza – que na verdade é só uma forma de ser franco e direto – do que ao milhares de “sim” cheio de falsidades do Brasil.

Jeitinho – Eu odeio o jeitinho brasileiro e, sinceramente acho que ele é o culpado pela maioria dos problemas do Brasil. O jeitinho é o pai da corrupção: é o pequeno desvio da norma para beneficiar um em prejuízo de outro. Por aqui, as coisas são ou não são. A regra é clara e você deve seguir o Ordnung. Quer fazer algo de forma diferente? Os alemães aceitam argumentos: mostre a eles que o caminho é diverso, mas o fim é o mesmo que estarão dispostos a ceder. Mas isso se não trouxer prejuízo ao coletivo.

Coletividade – Alemão é individualista ao extremo. Ninguém vai te oferecer um gole de refrigerante, um pedaço de chocolate, uma bala. Esqueça. Não é parte da cultura. Mas ao mesmo tempo, a visão de espaço coletivo aqui é o que faz a diferença. Para os alemães, um espaço público é um lugar que pertence a todos e deve ser cuidado por todos. No Brasil, é um espaço que não pertence a ninguém e, por isso, ninguém precisa cuidar dele. O resultado disso é a diferença das praças, parques e jardins daqui e de lá.

Clima – Eu moro no Norte da Alemanha e, pra quem nunca fugiu da aula de Geografia, isso seria o bastante pra definir o inferno. Os dias de chuva são tão frequentes quanto em Londres, sem o charme da capital britânica. O inverno é longo – uns 8 meses - , chuvoso. Neva pouco, chove muito e, no verão, quando você terminou de tirar o último casaco, a primeira folha de outono já começou a cair. É isso e deu. E no Brasil? Morar em Florianópolis, praia por mais de seis meses, vento... ai ai... nessas horas eu me pergunto como é que eu vim parar aqui.

Idioma – Tem um dito popular aqui que diz: “É preciso três meses pra aprender inglês, três anos pra falar francês e 30 anos pra entender alemão”. É exatamente isso. Mesmo que você estude muito, nunca vai falar perfeitamente. Pode morar aqui há cinco, 10 anos e ainda vai trocar algum artigo, errar uma declinação... Se bem que até os alemães erram! Ehhehe E não se pode, nesse caso, dizer que português seja necessariamente fácil... O que faz falta, no fim, é o domínio do idioma em suas entrelinhas: poder fazer piadas, usar ironia, sarcasmos... entender as referências mais sutis. Isso nunca vai acontecer, mesmo que eu fique aqui por toda a minha vida.

Frutas – Manga, mamão, maracujá, pitangas e carambolas do meu Brasil. Não há um único dia em que eu não pense em vocês. Jabuticabas, goiabas, abacates, caldo de cana, mexericas fedidas e mesmo as bananas de mercado. Sinto falta desesperadora de tudo isso e mais, de frutas com gosto de fruta, com cheiro de fruta. Eu compro mangas aqui na Alemanha por pura teimosia: pela textura da manga, eu acho. Porque gosto, não existe e ponto final. Mas é preciso fazer justiça: não existem, no mundo, frutas vermelhas melhores do que as vendidas aqui. Os morangos plantados na Baixa Saxônia (que eu chego de bicicleta, a partir da minha casa) são a coisa mais deliciosa que eu já provei na vida. E as cerejas, amoras, mirtilos... tudo isso faz compensar oito meses de privação com apenas laranjas secas e maças feias no mercado.

Comida – Viver na Alemanha é aprender, em um mês, 32 jeitos de comer porco com batata. Ou batata com porco, se preferir assim. O cardápio é pouco variado no quesito ingredientes e bem interessante quanto a criatividade. Com as raras variações de frango, peru ou peixe, deixam a vida meio sem graça e talvez justifiquem o humor pesado que mencionei antes. Carne vermelha aqui é ruim e, se for importada do Mercosul, tão cara que não da pra comprar. Então, é uma raridade no prato, já que nem vale o esforço pela frustração que vem no sabor. Se bem que eu faço quase todas as receitas brasileiras com ingredientes locais e, ao que me consta, o maridinho não tem do que se queixar... eheheh

Violência – Este é um item que exige poucas explanações. Basta dizer que a sensação de segurança, de andar nas ruas sem medo, de não precisar montar estratégias de como sacar dinheiro e poder usar uma câmera, celular ou qualquer coisa sem olhar em volta, não tem preço. É o item em que a Alemanha ganha mais pontos em comparação ao Brasil e um dos fatores decisivos em me fazer querer viver aqui.

Trânsito – Eu nunca pequei congestionamento na Alemanha. Também nunca dirigi um carro aqui e nunca senti falta disso. O transporte coletivo é excelente e supre todas as necessidades do cotidiano. Nunca senti saudades do trânsito de Florianópolis e de perder duas horas pra ir do Centro Administrativo para o Campeche no fim de tarde de uma sexta-feira...

Custo de vida – Eu só escuto os meus amigos reclamando dos preços no Brasil. Por aqui, as coisas pouco mudaram desde que chegamos, há quase três anos. Pelo que tenho comparado, comida (coisas básicas), produtos de limpeza e afins, são muito mais baratos por aqui do que em terras tupiniquins. Até mesmo o aluguel: não chega a ser uma diferença tão gritante entre morar aqui ou em um lugar confortável da Ilha de Santa Catarina.

Proximidade de outros países – Nesse quesito o Brasil não tem como competir. Ou teria, se as passagens de avião internas não fossem tão proibitivas. Então, o Brasil – que são muitos Brasis – seria um lugar perfeito para viajar. Mas como isso faz parte apenas dos meus sonhos, a Europa sai na frente. Aqui é possível viajar com muito pouco e, com as fronteiras próximas, conhecer muitos países não é uma realidade tão distante.

Custo de vida x qualidade – De um modo geral, aqui se vive melhor com menos dinheiro. Ou vive-se melhor com o mesmo que se gastaria no Brasil. Lazer, cultura e qualidade de vida fazem parte da cesta básica mesmo de quem, como nós, passou muitos anos apenas contando moedinhas para dar conta do sonho.

Cidadania – E por fim, a vitória brasileira neste quesito. Falo de cidadania no sentido de pertencer à sociedade, de ser alguém na vida em termos de reconhecimento. No Brasil, mesmo os estrangeiros, são acolhidos e, nossa mistura tão louca, nos faz mais iguais: somos todos brasileiros: pretos, brancos, loiros, ruivos, morenos, católicos, umbandistas e mesmo gente de religiões que pouco conhecemos. Sim, o Brasil tem problemas, discriminação, racismo... Mas é diferente por aqui: a intolerância é maior, a necessidade de dissimular essa intolerância também é. Existe o “mea culpa” alemão em nunca criticar ou falar mal da cultura alheia ( a culpa no cartório registrada nos anos 40 ainda pesa muito por aqui), mas no fundo, aceitar não significa incluir. Os turcos estão aqui desde o fim da guerra e ainda são “os turcos”, mesmo que seus filhos e netos nunca tenham colocado o pé em Istambul. E o mesmo acontece com todos nós que escolhemos a Alemanha como lar. Mesmo que eu aprenda a língua, que tenha cabelos loiros e olhos azuis, pra sempre vou ser apenas uma estrangeira e nunca, de fato, vou ter a sensação de pertencimento que só o Brasil sabe como oferecer...

36 comentários:

Danilo e Josi disse...

Muito bom o texto Ivana. Posso afirmar que as suas palavras transcrevem bastante nossas impressões, salvo uma ou outra alteração cultural que vivemos aqui em Portugal.
Bem, agora que o Jonny ganhou na loto, podemos combinar umas visitas mais frequentes e umas viagens em conjunto, né?
bjs

Carina disse...

Excelente texto, Ivana! Moro há 9 anos na Alemanha, e sou de SC també, (Joinville) e vejo da mesma forma forma que voce. Acabei de voltar de 3 meses no BR (marido foi desenvolver um projeto pra empresa) e posso incluir mais alguns fatores que me fazem ficar longe de lá: barulho (acho que o BR é o país mais barulhento do mundo!), baixa qualidade dos produtos oferecidos e a impontualidade quase que geral da populacao.
Nem vou entrar no mérito da passividade e corupcao...
Escolhemos este país para morar (marido tb é joinvillense) e é por aqui que pretendemos ficar. ;-)
Tudo de bom pra vcs nesta nova etada- doutorado!

... disse...

Oi Ivana! Aqui é a Giselle Zambiazzi, de SC. Esse texto está ótimo, como todo o blog. Um pequeno comentário sobre conhecer o Brasil: saí de SC por pouco mais de 3 anos. Morei no Sudeste. Conheci uma parte razoável do que é o Brasil de verdade. Acho fundamental nós conhecermos nosso país. Mas, com muito pesar, afirmo: esqueça o romantismo. O Brasil é uma grande farsa onde a corrupção, a falta de educação e de escrúpulos impera. É a lei do "antes ele do que eu" sempre. Infelizmente. Há falta de acesso a muita coisa sim como informação e cultura, mas quando esse acesso é oferecido, a maioria escolhe continuar como está por ser mais cômodo. Eu me decepcionei muito com o Brasil nestes últimos anos e é um assunto que gosto muito de conversar a respeito porque ainda busco uma luz rsrsrs
Beijos e boa sorte a vocês dois aí no Velho Mundo. E obrigada pelo blog!

Maristela disse...

Querida Ivana, como sempre, precisa. O Brasil é um país maravilhoso, que está vivendo uma mudança drástica por causa do crescimento econômico e as diferenças e as intolerâncias que ficavam por baixo do tapete estão aparecendo. Apesar de todos os problemas, não é o pior país para se viver. É uma nação relativamente jovem e que ainda precisa amadurecer para evoluir ainda mais. Esse dia virá, tenho certeza.

Conheci a Alemanha, como vc sabe, há alguns meses, e adorei tudo, especialmente os dois pontos que vc citou, que é a sensação de segurança e a sinceridade. Mas confesso que fiquei chocada com a extrema seriedade e autodefesa das pessoas que prestam serviço por aí. As caixas de supermercado me assustam, hahahaha, e tb tive uma experiência bem chata com uma maluca que trabalha na revistaria do aeroporto de Frankfurt que me expulsou e quase me empurrou, aos berros, só pq cometi a ousadia de entrar na loja (que estava aberta) CINCO minutos antes do horário oficial. Eu não tive dúvidas: mandei-a para aquele lugar em bom português :)

O legal é reconhecermos os pontos positivos e negativos dos lugares que conhecemos e chegar a uma conclusão: estamos todos no mesmo barco :) Beijo grande :D

Laizamarea disse...

Perfeito o texto Ivana,acho que se eu ler mais umas 3400 vezes eu tomo uma decisão =p. Quando tem família e amigos no meio é complicado decidir.

Um beijo!

Mikelli disse...

é sempre dificil escolher onde morar, mas eu ja vejo a escolha como um privilegio. =) Acho que é uma decisao de luxo, poder escolher e avaliar o que eh melhor pra gente. No momento so me vejo morando aqui...nao conseguiria voltar pro Brasil. Mas sei que meu humor e vontade mudam a cada hora e nao teria nada contra morar ate num outro pais europeu ;) eu vou onde o destino me levar mesmo. Adoro me adaptar aos lugares e conhecer culturas novas. bjs!

gabrielstein disse...

Ok... eu soi tenho um grande porem para fazer: Acho uqe a questao de nao se misturar eh muito relativa. Faremos entao uma comparacao...

Alemao no Brasil:
Uau, eh tudo exotico, essa gente alegre, vou aproveitar que to bem longe da Alemanha e vou curtir a vida... mas que gente bem simpatica essa do Brasil eihn? Que comida deliciosa essa brasileira eihn? Bom variar um pouco da alema.

Brasileiro na Alemanha:
Nossa. Os alemaos sao frios. Falei meia duzia de palavras em ingles ou tentei arranhar no portugues e eles nem se importaram. Como eles sao maus! E ainda por cima nao tem a comida do Brasil, porque a comida alema nao presta. Entao acabo ficando com meus amigos brasileiros espanhois e nem me misturo muito, porque eles sao maus....

Entendeu o que eu quis dizer? Se vem pra Alemanha, Franca, Inglaterra, caia de paraquedas, de bracos abertos e tente absorver a cultura, por mais que voce nao entenda. Mais cedo ou mais tarde voce vai compreender, mesmo que nao aceite, pelo menos respeite. E alemao realmente nao eh tao dado assim como brasileiro, porque tem bilhoes de obrigacoes e eh bastante centrado. Brasileiro eh jogador de futebol nato: trabalha 15 horas pra pagar no maximo o aluguel e ainda sai pra tomar uma cervejinha no final do expediente.

--- Quanto aos turcos, eles nao tm nenhum interesse de se integrar, isso eh comprovado, existem zilhoes de pesquisas sobre isso. Entao nao conta. Se as pessoas nao entram dentro do esquema, com um trabalho, bom alemao falado, respeito a sociedade e aos costumes... enfim, certo que vai acabar isolado.

neo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
neo disse...

muito legal a comparacao...concordo quase q completamente...soh na ultima parte nao concordo muito e estou em comum acordo com o gabriel aqui em cima. querendo ou nao os alemao "abrem as pernas" demais, devido a tal anos 40.

Simone Westerduin disse...

Moro na Holanda, sou feliz aqui, concordo com o seu texto, mas em busca da felicidade eu vou esperando por aqui até que possa me mudar novamente para o Brasil. Brasil, Brasil, Brasil, só soube o quanto me faz falta quando os meses longe foram passando.

É saudades da familia, da comida, dos amigos, do cachorro, da espontaneade, da força de vontade, da simplicidade. Saudades, cada um tem a sua né?

Acho que aqui as coisas funcionam muito bem, mas não sou holandesa, isso só me fez pensar que com todos os problemas o Brasil ainda é o meu porto seguro.

Mah* disse...

Nossa...adorei esse Post, acho que todo brasileiro que mora aqui vai concordar com o que vc citou no Post.

BeaCella disse...

Gostei muito do post, mas nao concordo com o topico da cidadania. Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "cidadania é a qualidade ou estado do cidadão", entende-se por cidadão "o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este"

Nesse sentido somos muito mais cidadaos aqui do que no brasil, por poder mesmo nao sendo alemaes ou seja cidadaos de verdade, ainda gozamos da seguranca, educacao, transporte, saúde, entre outros direitos civis.

No Brasil, ao contrário do que foi escrito existe o mesmo ou talvez mais preconceito do que aqui. Sou paulista e me mudei para o nordeste onde morei muitos anos antes de vir pra cá. E posso dizer que MUITAS pessoas que eu conhecia, era amiga, ou parente, em sao paulo se mostraram extremamente preconceituosas com o nordeste e seu povo, sem nem mesmo ter viajado para lá, ou conhecer realmente a cultura. Pra mim isso é o cúmulo.

Adriano Antunes disse...

Ivana, descobri seu blog por acaso, estou gostando muito, principalmente pelo humor com qie você escreve e ao mesmo tempo corretamente. É difícil ler blogs e tal com um português ruim. Moro também na Alemanha e fico até dez completando assim três anos. Me dói ter que voltar mas o contrato de meu esposo se encerra e ele nao fica de jeito nenhum. O bom é que tive a oportunidade de conhecer esses dois mundos. Carregar comigo o que me deixou marcas e sao tantas... Vou voltar pra Curitiba com o coracao apertado e sentirei muita saudade, exceto de algumas coisitas!!!
vou continuar lendo o seu blog... desejo sucesso!

Malu Antunes disse...

Ivana, descobri seu blog por acaso, estou gostando muito, principalmente pelo humor com qie você escreve e ao mesmo tempo corretamente. É difícil ler blogs e tal com um português ruim. Moro também na Alemanha e fico até dez completando assim três anos. Me dói ter que voltar mas o contrato de meu esposo se encerra e ele nao fica de jeito nenhum. O bom é que tive a oportunidade de conhecer esses dois mundos.
Sucesso!!
Malu

Carol disse...

Ola Ivana, adorei seus posts... Adoro ler artigos sobre essas diferenças culturais, achei muito divertido o post de tudo que nao se deve fazer na Alemanha, enfim, deu pra imaginar muito bem essas diferenças, parabens!!!

FGustavSchmid disse...

Oi, Ivana Alles Gute! Muito legal o sue post. Nada acrescentar, a não ser o fato de que, mesmo sendo um Staatsagehörigkeiter, nunca me senti alemão, e sim um estrangeiro, porque tb não me sinto brasileiro. E, sinceramente? Isso me dá o MAIOR orgulho! Acho que a gente pode se afundar em uma ideologia nacionalista, seja ela qual for, quando não conseguimos nos distanciar um pouco das culpas e neuroses de cada povo. Como dizia o Bertolt Brecht, "Ich kann überall hungern." (Vaterlandsliebe, der Haß gegen Vaterländer, in Geschichten von Herrn Keuner - http://goo.gl/JZcQN). Valeu!

Bruno disse...

Nossa cara, show de bola esse texto, super tico em detalhes e informacoes realmente fundamentais para quem como eu esta cogitando a possibilidade de ir passar uma temporada por ai! Valeu!

Ana Cristina disse...

OI Ivana!
encontrei seu blog pelo blog da Bruna. Procurando receitas para parar de engordar, e começar a comer direito. Bem, adorei seu blog. Li o texto sobre as diferenças e veio me explicar muito o sentimento de nunca me sentir "pertencente" a este lugar. Namoro um alemão, mais velho, que vejo que não tem futuro nenhum, eles nos deixam muito sozinhas. beijo e tudo de bom!

Giumollo disse...

Olá Ivana.
Bom, sobre esta da cidadania, você está corretíssima a respeito dos turcos. Moro na Bavária há um ano e aqui tem um monte. Meus amigos sao todos alemaes e muitos falam que os odeiam. Eu particularmente nao tenho nenhum problema sequer(estou aqui como italiano e minha esposa é alema.
Todos me tratam super bem, sou convidados para algumas pequenas reunioes na casa de alguns colegas de trabalho e tudo mais, mas em relacao aos outros extrangeiros em geral, é realmente meio complicado, principalmente turcos, romenos e poloneses.

Giumollo disse...

Olá Ivana.
Bom, sobre esta da cidadania, você está corretíssima a respeito dos turcos. Moro na Bavária há um ano e aqui tem um monte. Meus amigos sao todos alemaes e muitos falam que os odeiam. Eu particularmente nao tenho nenhum problema sequer(estou aqui como italiano e minha esposa é alema.
Todos me tratam super bem, sou convidados para algumas pequenas reunioes na casa de alguns colegas de trabalho e tudo mais, mas em relacao aos outros extrangeiros em geral, é realmente meio complicado, principalmente turcos, romenos e poloneses.

Hummingbird disse...

Oi Ivana, boa noite.

Meu namorado está indo iniciar o doutorado em Bremem em janeiro e gostaria muito de poder falar com você sobre alguns assuntos, será que poderíamos trocar alguns e-mails?

Seria ótimo poder fazer algumas perguntas e entender melhor o estilo de vida alemão :)

Além disso, queria parabenizá-la pelo blog, é cheio de textos muito informativos e muito úteis. Adorei principalmente o de moradia e este sobre as diferenças.

Espero seu contato! Meu e-mail é emaildanany@ gmail .com

Jane disse...

Oi Ivana! Ótimo texto! Eu concordo com quase tudo. Então vou desenvolver só os pontos de discórdia: sério, eu nunca me senti muito "parte integrante" do Brasil na vida, pelos motivos que você mesma citou. Corrupção, violência, impontualidade, jeitinho, falta de pensamento no coletivo, além de absurda desigualdade social. Sou estrangeira aqui, mas isso não me incomoda e nunca foi problema para mim. Tenho ótimos amigos alemães e brasileiros, tenho experiências boas e outras nem tanto com atendimento tanto aqui quanto no Brasil (talvez até mais experiências desagradáveis no Brasil do que aqui, mas nunca pus na ponta do lápis). Acho que a gente chega aqui cheia de mitos na cabeça e acaba se fechando, ainda que inconscientemente. "Alemão é frio", "Alemão é grosseiro" e etc. Gente grosseira e mal educada tem em todo lugar. Gente bacana e educada também. A gente sempre encontra o nosso nicho, em qualquer lugar. Comida não é problema, eu faço a minha, seja alemã, brasileira ou asiática. Mas tem coisas que, para mim, são dificeis de negociar. Por exemplo, a tal da Cidadania. Este seu ponto eu discordo totalmente. Primeiro que turcos não são padrão para estrangeiros. Estrangeiro é uma defininição super multifacetada, e colocar todos no pacote "turco" não é realista. ELES ÑAO QUEREM se integrar, salvo raras exceções! Ainda assim eles recebem DA ALEMANHA uma vidinha até muito boa, se comparada a que teriam na Turquia em condicoes semelhantes. Ou voce sabe de algum estrangeiro no Brasil recebendo Kindergeld, H4, Betreuungsgeld, e etc.? Nao é a toa que querem ficar aqui. Brasileiro nenhum tem acesso ao que eles tem aqui, assim como todo estrangeiro. E ainda reclamam! E ainda se recusam a se integrar! Muitos direitos, poucos deveres? Sei la, essa discussão é longa... E obviamente não sao apenas os turcos. Tá cheio de brasileira golpista por aqui também, acompanhei a história de uma de perto. Como disse, estrangeiro é uma definicão multifacetada. E muitos alemaes sabem disso. E isso eu admiro neles. No mais, um exemplo da linda cidadania brasileira: minha mãe, "cidadã brasileira", levou três meses com o tendão do ombro rompido, controlando dores com remedios fortes, para conseguir ser operada pelo plano de saúde PARTICULAR, com direito a médico cobrando um "por fora" que ela se recusou a pagar. Eu quebrei o braço e fui operada em menos de doze horas pelo Gesetzliche Krankenkasse, sendo "estrangeira". E pra encerrar este meu tratado (rsrs), estou com o Gabrielstein: se joga, de paraquedas! Sem mitos na cabeça! Você pode ter muitas agradáveis surpresas! Experiência própria! :) Beijos

Anônimo disse...

É vdd, minha própria família de sangue não me quis lá pelo fato de eu ter nascido lá, falo alemão perfeito, me pareço com eles e recebo sempre convites de viver e trabalhar lá, mas não aceito ser tratado de forma inferior, o Brasil é a terra das oportunidades, sinto pena de quem vai ter uma vida de rato lá fora.

Mary disse...
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Anônimo disse...

o brasil é muito ruin,
Alemanha mil vezes melhor, tem nem o que comparar

Anônimo disse...

Cidadania, Brasil ganha? hum, não acho. Para um estrangeiro, é sempre a mesma coisa: tem que provar mais que os outros, sempre será "o outro", e quando você ainda é negro, africano. . Em termos de oportunidade o Brasil é muito atrasado mas na Alemanha também a precariedade está ganhando espaço

Ana Paula Serafim Gorrasi disse...

Hoje moro no Brasil no interior meu marido recebeu uma proposta de trabalho pra morarmos na Alemanha tenho uma menina de 3 anos, sou filha única portanto minha mãe só tem uma neta tbem , tenho muito medo de morar na Alemanha por td mais principalmente pela distância q vamos ficar da minha mãe. ........preciso decidir alguém pode me ajudar?

Anônimo disse...

Olá, gostei muito do seu texto! Mas aó queria deixar minha simples opiniäo. Qt à aceitacäo de argumentos, depende da situacäo. Se vc tiver entre amigos, até pode ser que seus argumentos sejam aceitos. Mas se for no trabalho ou em algum setor mais sério, isso näo existe! O que vale é a regra! A regra aqui está acima de tudo. Por isso que as coisas funcionam. Näo existe abrir uma excecäo aqui ou ali. Siga a regra. E se alguma coisa foge à regra, os alemäes näo gostam. Eles demoram a aceitar o que é novo! Aí entra a questäo dos estrangeiros. É coisa fora do padräo, näo é muito bem aceito logo de cara. E se vc näo fala a língua, tudo fica ainda mais difícil. E pra piorar, estrangeiro aqui é visto como um ser de inteligência inferior e se näo fala almäo direito, ganhou um atestado de burrice (Isso já ouvi da boca de alemäes, pro meu maior desespero!) Alemäo é um povo perfeccionista, por5 isso eles querem que falemos o idioma perfeitamente!!! Além disso, tem a frieza extrema. Aqui impera o estamos em grupo, mas sozinhos. Näo sei se vc deve sentir a mesma coisa! Mas sou brasileira, minha família tá toda no Brasil, vim pra cá e moro longe dos amigos brasileiros e, por isso, sinto na pele como é difícil fazer amigos. Se vc dar uma opiniäo, as pessoas te olham, como se vc fosse um ser estranho e näo soubesse o que tá falando! Parabéns pra quem se identificou com essa cultura, pois eu näo vejo a hora de ir embora. A Alemanha faz uma ótima política externa e conseguiu construir uma relacäo de confianca no cenário internacional, mas o que se vê no dia-a-dia é outra coisa. Essa tolerância ainda näo chegou em todas os domicílios. E o que eu percebo é mesma mentalidade de aversäo a estrangeiros. Näo quero aqui generalizar, pois isso näo seria inteligente. Encontrei aqui uma família que me acolheu de bracos abertos, sem me pré-julgar, mas eles parecem pertencer à minoria! Desculpem-me se ofendi alguém, mas essas säo minhas impressöes e eu queria estar errada.

Hércio disse...

Olá Ivana, parabéns pelo ótimo texto. Já visitei a Alemanha algumas vezes, e fiquei impressionado com todas as características que você descreve muito bem. Tenho projeto futuro de morar na Alemanha, e gostaria de manter contato para mais orientações e conselhos.
Um grande abraço.

Anônimo disse...

Gostei do blog, eu sou o oposto sou alemão e moro a quasi 20 anos no Brasil.Atualmente penso em voltar pois a familia ainda cresceu mais uma vez.Educação,saude ect. na Alemanha é incomparavel com Brasil.Meus filhos tem dupla cidanania.Discordo com umas coisas que li.Eu como alemão com meus atributos chatos até hoje que vc citou me vejo sempre como estrangeiro.para os brasileiros sempre fui e será o GRINGO.A integração perfeita não existe.Na Alemanha nos temos experiencias longas com imigrantes de varios paises e por isto somos mais fechados contra outras culturas.Mas em geral somos "Weltbuerger" tanto faz aonde vivemos.

Márcia Márcia disse...

Acho interessante, quando leio sobre olfato dos alemaes serem frios, azedos... Fui duas vezes com meu marido a Hamburgo, ele a trabalho, e eu como turista, mesmo falando pouco inglês, me virei muito bem, pedi informações, até porque me perdi mesmo com um mapa na mão, e precisei de ajuda, reparei que não são todos que falam inglês, como acontece em Amsterdam, mas os que conseguiram me entender tentaram me ajudar, e não tive nenhum problema com vendedores de loja, pelo contrário , sempre diziam um simpático, hallo, não sei se escrevi certo.
Conheci 3 alemaes que fazem negócios com a empresa que meu marido trabalha e foram extremamente agradáveis conosco, e no segundo encontro já me cumprimentaram com 2 beijinhos no rosto, por iniciativa deles. Conclusão ficamos amigos no Facebook, e quando estiveram aqui no RJ para a Copa do Mundo, entraram em contato conosco e fizeram questão de nos encontrar. Sem contar que a cidade de Hamburgo é maravilhosa. Está foi a minha experiência com os alemães.

E.S. disse...

Kkkkkkkkk, ri muito com essa frase!! "Viver na Alemanha é aprender, em um mês, 32 jeitos de comer porco com batata ou batata com porco, se preferir assim." É exatamente isso! rsrsrs. Nem posso me dar ao luxo ainda de fazer muitas criações quando é minha vez de cozinhar porque, por enquanto, ainda estou morando na casa do sogro que, aliás, adora quando eu cozinho porque invento umas comidinhas deliciosas que ele nunca viu na vida :-)
Batata vai com tudo, eu gosto, mas convenhamos que "cozinha é sala de artes" e, nesse quesito, acredito que os alemães poderiam ser um pouco mais criativos... Sem falar das frutas e sucos...ai meu Brasil!!!!!!

Parabéns pelo Blog!

Denis disse...

Bom texto. Faço ressalvas na questão cidadania. O Brasil é muito grande e diversificado. Brasileiros do sul e do norte e nordeste convivem, mas nem sempre de braços abertos. Existe apenas um sorriso no rosto, superficial. Também não vejo acolhimento em relação aos imigrantes de países pobres, como paraguaios, bolivianos e recentemente haitianos, senegaleses e nigerianos que aportam no Brasil. Tratamos mesmo como brasileiros? Acolher gente de paises mais ricos e de feições mais bonitas, é mais fácil.
Acho os alemães simpáticos e acolhedores, sempre me receberam muito bem.

E.S. disse...

É verdade o que disse o @Denis. Existe isso sim no Brasil, muito regionalismo e algum separatismo quando se fala de Norte/Nordeste e Sul/Sudeste, mas falando sobre integração ainda acredito que o Brasil é mais acolhedor com os imigrantes de qualquer nação. Um amigo dominicano que vive aqui na Alemanha relatou que na empresa onde trabalha como engenheiro há um grande "separatismo" (vulgarmente conhecido no Brasil como "panelinha"), entre os germânicos e os haitianos e outros imigrantes. Nos refeitórios sentam-se completamente distantes, isolados como em cena de filme, não há integração e parece não haver interesse (de ambas as partes!) para que isso aconteça... Impressões do meu amigo. E, olha que a empresa onde ele trabalha é uma multinacional do ramo de laticínios bastante conhecida!! Porém, considero que existe um grande respeito à cultura local de cada país onde empresas desse porte possuem escritórios. Será que é somente porque o povo alemão é auto-suficiente? Outro ponto a ser considerado e incomparável é a educação (e todos os demais valores que advêm desse importante substantivo): os germânicos, em geral, são altamente diplomáticos e polidos, falam em tom de voz controlado e evitam incomodar o vizinho com barulhos. É uma sociedade que preza o respeito acima de tudo.
Abraço

Alice Andrade disse...

Pessoal eu estou num momento de transição, tenho muitas dúvidas sobre o assunto. Alguém pode me auxiliar?

E.S. disse...

Oi Alice,

A transição é um momento que merece atenção. Se não quiser expor suas dúvidas deixe seu e-mail. Vivo na Alemanha há alguns meses e já deu para sentir muitas coisas, então terei prazer em discutir com você o que estiver na minha experiência para tentar ajudar.
Abraço!
Lara

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