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sexta-feira, 16 de março de 2012

Pepinos Spreewald e a ostalgie: produtos que são a marca registrada da DDR


Existe um termo curioso que aprendi quando cheguei aqui na Alemanha, mas que em 3 anos e meio ainda não tinha feito muito sentido pra mim: Ostalgie, que é um neologismo que mistura nostalgia e “Ost”, de Ostdeutschland, a antiga Alemanha comunista. O termo se refere a costumes, modo de viver, mas também a produtos que as pessoas consumiam naquela época em que o pais eram dois. E mesmo passados 21 anos da reunificação (3 de outubro de 1990), há quem ainda prefira ter nos armários de casa os produtos que eram vendidos nos mercados controlados pelo governo nos tempos de comunismo. Existem lojas especializadas só em produtos da época.

Ostalgie: brinquedos, utensílios e outros ítens de um mercado da DDR

No ano passado eu participei de um sorteio no Blog da Mel (que eu recomendo demais!!) e ganhei um kit muito bacana de produtos da antiga DDR que acompanhava o livro “ParaísoSem Bananas”, da  historiadora e escritora Neusa Arnold-Cortez (tá tudo contadinho nesse post aqui). Agora, morando em Berlin, essa coisa toda das duas Alemanhas é muito mais presente e mesmo nos supermercados se nota a diferença: as prateleiras têm muitas coisas que nunca via em Bremen. Recentemente, quando estive em Leipzig, percebi ainda mais itens dessa lista. Mostardas Bautzner de todos os sabores, o mesmo com o Russisch Brott, um doce bemmmm doce que fica no meio termo entre biscoito e suspiro, vendido em forma de letrinhas.

Damenkittel: modelito das donas de casa da Alemanha comunista*

Em uma loja popular da Alemanha (a Woolworth, mas pode chamar de Wooly) vi até mesmo uns vestidos coloridos e de um material duvidável  que custei a entender: em uma visita ao Museu da DDR descobri que eram, na verdade, uma espécie de guarda-pó, peça central do vestuário feminino para o trabalho doméstico oferecidos pelas lojas estatais chamado Damenkittel.  Fiquei com vontade de comprar um só pelo valor histórico da peça, mas com essa vida de mambembe, não sei se vale ficar arrastando mais um pedaço de pano mundo a fora.

Spreewald: para quem viveu na DDR, gostinho de saudade

Mas tem outro item que se enquadra na ostalgie que eu acabei comprando. Na verdade, esse post era só pra falar disso e acabei esticando a conversa, como sempre. :) Trata-se do pepino em conserva Spreewald, que levam o nome da região onde são produzidos. Eles ficaram famosos com o sucesso do filme Adeus Lenin (Goodbye Lenin!, de 2003).  Em uma cena bem clássica (no vídeo abaixo, a partir de 42 segundos),  o personagem Alexander'Alex' Kerner  (interpretado por DanielBrühl), vai ao supermercado em busca do tal pepino, o favorito de sua mãe doente. Sem encontrar, acaba buscando alternativas para repor a iguaria e não permitir que sua mãe perceba que o muro caiu.



Bom, já formam spoilers o bastante pra um post só. Quem não viu o filme, precisa resolver isso o quanto antes. Pra quem já viu, vale dizer que a mãe da história, ChristianeKerner (interpretada por Katrin Saß) tinha razão em ser fã dos pepinos: suaves e ao mesmo tempo levemente picantes, entraram na lista dos meus favoritos. Por hora, tem sabor de Alemanha. Mas creio que um dia, quando estiver de volta ao Brasil, também vão ter para mim um gostinho de saudade.

*A foto foi tirada de um anuncio no e-bay, que você encontra nesse link.

domingo, 11 de março de 2012

Spätzle: Receita típica rápida com sabor de tradição alemã



Não seria exagero afirmar que, depois de porco com batata, o Spätzle é uma das comidas mais populares da Alemanha, especialmente no Sul. É também muito apreciada na Áustria, Suíça e mesmo no Norte da Itália. Essa massa – que fica em um meio termo entre nhoque e macarrão – é saborosa e fácil de preparar.  Pode ser servida com Goulasch (carne de panela ensopada) ou em sua versão mais tradicional: com queijo, simplesmente.  Trata-se de um prato que sempre preparo quando recebo visitinhas do Brasil: tem sabor de Alemanha mas, ao mesmo tempo, não se trata de algo pesado. Também é uma opção saborosa para receber amigos vegetarianos.  

Na verdade, eu fiquei me perguntando como não publiquei um post sobre Spätzle até agora. A foto ai de cima foi minha irmã quem fez: foi uma janta com vários pratos com mini porções de comida alemã que preparei quando ela veio me visitar há poucos dias. Esse aí da foto servi acompanhado de linguiça Cabanossi fritinha: é igualzinha a calabresa que vende no Brasil. Também acompanharam pepinos emconserva e molho de raiz forte (Meerrettich)

Enfim, são várias as formas de preparar esse prato e existem vários assessórios pra isso: mas é possível fazer a receita em casa sem nenhum apetrecho especial: basta uma tábua de cortar carne e uma faca grande (as facas de pão são boas para isso). Um espremedor de batatas também pode ser útil. Mas a receitinha que posto aqui hoje é a mais simples. Então anote tudo ai.

Ingredientes para a massa:

1 ovo por pessoa
Trigo que baste
2 colheres de leite para cada ovo
Sal a gosto

Preparo da massa:

Misture o ovo com o trigo até obter uma consistência um pouco mais dura que uma massa de bolo. Pelo vídeo é possível ver qual. Coloque sal a gosto na massa (ou na água, se preferir). Use o leite para ajustar a textura. Coloque água em uma panela e deixe ferver. Acrescente sal.  Coloque duas ou três colheres bem cheias da massa em uma tábua de cortar carne (quanto mais lisa, melhor). Molhe uma espátula ou uma faca grande (como de pão, por exemplo) na água quente e, com o lado inverso ao corte, vá separando pequenas porções da massa e colocando na água. Deixe cozinhar até que o Spätzle suba à superfície e então, tire da água e reserve em um escorredor. Faça pouco de cada vez e vá sempre tirando da água. Fica mais fácil de trabalhar.

Pra provar que a coisa não é complicada, não sou eu fazendo no vídeo ai não: é minha irmã (Danke por servir de “modelo”, Rafa!!) que tinha acabado de aprender a receita.



Käsespätzle:

O jeito mais tradicional de servir é com queijo: basta misturar queijo (qualquer tipo que não libere água) e pronto. Eu gosto de refogar uma cebola (na manteiga ou no óleo de oliva), um dente de alho cortadinho e acrescentar à mistura. Fica um gostinho especial.

Na internet existem várias outras opções: com a massa mais fina, mais grossa. Não há receita certa ou errada: cada um tem seu jeito de fazer, como o dessa Oma aqui de algum lugar no Sul. A massa que ela prepara é um pouco mais dura, mas o motivo de eu ter publicado o vídeo é outro: fiquei tonta só de olhar a velocidade com que ela trabalha (a partir dos 47 segundos). Quem sabe um dia eu chego lá!


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alemanha em detalhes: a hora de fazer compras


Esse é mais um post da série “Alemanha em detalhes”, com dicas pra evitar apertos e furadas. Já publiquei um sobre banheiro, mas desta vez o assunto são as compras. Tudo aquilo que você precisa saber mas ninguém vai ter paciência de explicar.

Carrinho de mercado -  Para pegar um carrinho de supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais. Quando terminar de fazer as compras, basta levar ele ao local, trancar com a corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta.

Trancado: coloque uma moedinha para liberar o carrinho de supermercado

Moeda sempre à mão - Apesar de não pagar pelo carrinho, o difícil é ter sempre uma moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50 centavos também). Então uma dica bem brasileira: traga na carteira uma moedinha daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos do Brasil. Ela funciona perfeitamente pra soltar o carrinho e você nunca vai gastar a dita. Algumas marcas dão de brinde umas fichinhas plásticas que servem para liberar os carrinhos. Também existem chaveiros com a mesma finalidade.

Na carteira: moedinha de 25 antiga brasileira também libera o carrinho

Na hora de passar no caixa do mercado - Supermercado alemão é uma coisa meio fora dos padrões que os brasileiros estão acostumados. Você vai descobrir que os mercados tem poucos caixas, mas nem por isso são demorados. As esteiras são gigantes antes do caixa. Você coloca suas coisas assim que se aproximar e, ao fim delas, coloca uma divisória plástica que está disponível no balcão. Assim o funcionário sabe o que é seu e o que pertence ao próximo cliente. Feito isso, na sua vez, você passa o carrinho para o outro lado e a caixa vai olhar fuzilando pra ver se está vazio.

Sem espaço para as compras - Não existe espaço para colocar as compras depois que são passadas no caixa. E os funcionários de caixa são muito, mas muito rápidos. O que fazer? Sempre pegue um carrinho e vá jogando todas as coisas dentro dele, o mais rápido que puder. Então pague e vá para um balcãozinho na saída do mercado para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja, todos! :P).

Achei um videozinho que ilustra melhor como as coisas funcionam. Prepare seu coração porque as cenas são fortes (e é exatamente isso que vai acontecer com você!).



Sacolinhas – Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até 25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis). Escrevi sobre as sacolinhas aqui. Caso for usar as plásticas,  lembre-se de coloca-las junto com suas compras na esteira do caixa.

Organização – Existem dois tipos de supermercado na Alemanha. Os “normais”, mais parecidinhos com os do Brasil, com as mercadorias organizadas nas estantes e os “discounters” (Aldi, Lidl, Penny, Netto, etc) onde a proposta principal é vender barato. E estes último são um choque na primeira vez que você entra: as mercadorias estão em caixas empilhadas sobre estruturas de madeira, quando grandes. As coisas menores ganham espaço nas estantes, mas também ficam nas caixas.

Diferente: as mercadorias permanecem nas caixas mesmo quando dispostas nas prateleiras*


Cestinhas – São raros os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Eu sugiro pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista a hora do caixa, que já falei acima. Mas você também pode usar o jeitinho alemão: escolha uma caixa vazia nas estantes (tem sempre montes delas no meio da mercadoria que está à venda) e coloque suas coisas dentro dela.

Desconto - Se você está comprando em uma loja, o preço final é o preço da etiqueta e deu. Não adianta pechinchar, chorar, pedir. Aliás, não faça isso: de certa forma é bastante ofensivo.

Pechincha - Já nos Flohmarkets (ou mercado das pulgas), o vendedor espera que você pechinche. É a regra do jogo: ele vai dar um preço inicial, você sugere o segundo – geralmente metade do que ele pediu – e a coisa segue. Se você não pechinchar o vendedor vai achar que colocou um preço barato demais na mercadoria! Eheheh

Troco exato -  Se o objeto ou serviço que você vai pagar custa 2,42 Euros, por exemplo, não adianta dar 2,40. Os valores são sempre exatos e isso vale para os dois lados. Se o seu produto custou 1,99, você vai receber o um centavinho de troco.

Local certo para pagar -  Em cafés, padarias ou mesmo em algumas lojas, existe um pratinho acrílico sobre o balcão: é nele que você deve colocar o dinheiro do pagamento.

Atendimento -  Vendedores alemães não são as pessoas mais simpáticas do mundo. Então, se você não tem a menor intensão de comprar o produto, poupe a sua paciência e o trabalho dele e não faça perguntas.
Trocas de mercadorias - Trocar ou devolver objetos é uma prática muito comum. Você tem, geralmente, duas semanas para se arrepender da compra. Nesse tempo, leva na loja e eles devolvem o dinheiro sem muitas perguntas. Isso vale para quase tudo.

Pagamento com cartão -  Cartão de credito não é algo tão aceito aqui como é no Brasil. Mesmo grandes redes de loja (como a Saturn, que vende eletrônicos), não aceitam cartão de crédito. Você pode usar o  débito, claro, mas nesse caso fique atento. Por cartão de débito se entende um EC Card, ou seja, cartão de uma conta corrente alemã e não cartões do tipo Visa Travel Money. Então, antes de comprar, vale ir até um caixa e mostrar o cartão que você tem em mãos pra ver se é aceito.

Tax Free - De você não é residente na Europa, pode economizar uns bons euros fazendo o Tax Free e recebendo o que pagou de imposto de volta. Em alguns produtos, chega a 17% do valor o que significa uma economia bem interessante. O dinheiro é pago em guichês específicos para isso nos aeroportos internacionais e você precisa levar a documentação pronta. Assim, sempre que fizer uma compra significativa em uma loja, vá ao serviço de atendimento ao consumidor com a nota fiscal, seu passaporte, e peça para que preencham o formulário. Para facilitar a vida, escreva seu endereço residencial do Brasil em um papel e tenha sempre consigo: a funcionária precisará coloca esses dados no formulário e a dificuldade em entender o endereço brasileiro é grande, geralmente.

Se ficou faltando algum item, é só mandar a sugestão!

*Foto originalmente publicada aqui, sem nome do autor, e licenciada de acordo com as regras do Creative Commons

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Berlin temática: dicas de turismo e informação para conhecer tudo sobre o muro que dividiu a Alemanha


Há muito o que se ver em Berlin e por isso, em vez de montar roteiros turísticos, resolvi dividir a cidade por temas. Assim fica mais fácil escolher o que visitar a partir de um assunto de interesse. E pra começar essa saga, não tinha como fugir do óbvio: o muro.  E antes de qualquer dica turística ou explicação, que fique anotado um dado que pode ser redundante para uns, mas ao mesmo tempo responde a dúvida de outros. O muro não separava as duas Alemanhas, fora a fora. O muro separava a Berlin capitalista (West Berlin) do restante da Alemanha comunista: ou seja, formava uma espécie de “ilha” ocidental dentro da Alemanha oriental.

Berlin dividida: o muro formava uma "ilha" ocidental dentro da Alemanha comunista

Vale dizer ainda que a parte que ficava para o lado de dentro do muro também era dividida, com setores controlados pelos aliados. Assim, havia o setor americano (Kreuzberg, Neukölln, Schöneberg, Steglitz, Tempelhof e Zehlendorf), o setor inglês (Charlottenburg – onde eu moro! :), Spandau, Tiergarten e Wilmersdorf) e o setor francês (Reinickendorf, Wedding). Já do lado de fora do muro, ou seja, na parte comunista (East Berlin) – ou também chamado de setor soviético – ficavam os bairros de Friedrichshain, Köpenick, Lichtenberg, Mitte, Pankow, Prenzlauer Berg, Treptow, Weissensee, Marzahn, Hellersdorf  e Hohenschönhausen. Uma curiosidade é que, nessa época, cada setor tinha seu próprio aeroporto. Atualmente, são apenas dois em operação – Tegel e Schönefeld, sendo que o primeiro fecha suas portas em junho e todas as operações serão feitas a partir do segundo, que vai se chamar oficialmente Aeroporto Internacional Berlin-Brandenburg.

 Berlin dividida em 4: West, com seus três setores e East, a área comunista

Voltando ao muro. Logo depois do fim da guerra, as pessoas podiam ainda transitar de um lado para o outro da cidade. Entre 1949 e 1961, estima-se que mais de 3 milhões de pessoas migraram da Alemanha Oriental para a Ocidental, muitas usando Berlin como ponto de partida. A fuga de mão-de-obra qualificada – muitos eram médicos, engenheiros, professores – levou a DDR a endurecer seu controle de fronteiras e, em Berlin, a barreira foi imposta do dia para a noite.  Na madrugada de 13 de agosto de 1961, o exercito comunista construiu cercas metálicas em volta de toda a área ocidental e, a partir desse isolamento provisório, passou a erguer a barreira definitiva, com dois muros de isolamento com cerca de 4 metros de altura – entre eles ficava um espaço conhecido como “terra de ninguém” – e 111 quilômetros de extensão.

Cerca de 80 pessoas morreram em tentativas de cruzar de um lado para o outro durante os 28 anos que o muro ficou de pé, até sua queda, em 9 de novembro de 1989. Esse número é bem maior pelo registro de algumas ONGs e tem um texto da Deutsche Welle sobre o assunto aqui. Sobre a queda, vale dizer que foi o momento mais marcante do processo de reunificação das duas Alemanhas, oficilalizado em 3 de outubro de 1990. A data (3/10) é feriado nacional e cada ano uma cidade é sede das festividades.  Na breve pesquisa, encontrei esse documentário da época da divisão. Esta em inglês e é bem triste, mas mostra com clareza e imagens originais como foi a divisão de Berlin em duas.


Feita a introdução, que deixou o post mais longo do que eu esperava, é melhor falar logo do que esse texto inicialmente propunha.  Visitar Berlin é encontrar viva a história do muro e das duas Alemanhas pelas ruas da cidade e em museus. Então, para saber mais sobre o muro, anote ai o que visitar:

Gedenkstätte und Dokumentationszentrum Berliner Mauer – Em português, Memorial e Centro de Documentação do Muro de Berlin (site oficial). Fica na Bernauer Straße, um ponto onde muitas pessoas tentaram atravessar o muro e onde ficava a Versöhnungskirche (Igreja da Reconciliação, por ironia!). Na divisão de Berlin, a igreja ficou na terra de ninguém e foi destruída em 1989 por atrapalhar a vigilância. Em seu lugar hoje existe uma capela. No local, uma parte do muro foi reconstruída apenas com barras metálicas, recriando o trajeto. Marcações no chão indicam a trajetória de túneis escavados para a fuga e as histórias de sucesso e os mortos são lembrados. Há também totens explicativos, com fotos, textos e vídeos com imagens da época. Junto ao centro de documentação há uma torre metálica (entrada gratuita) de onde se pode ver uma parte do muro preservada: os dois muros, uma torre de vigilância e um pedaço inacessível do que já foi, um dia, a terra de ninguém.  Para chegar lá, vá de metrô até a Bernauer Straße (U8).

Preservado: do alto da pra ver os dois muros, a torre de vigilância e a terra de ninguém

Informação: totens contam a história do local como a demolição da Versöhnungskirche

Berlin Nordbahnhof – Fica ao lado do Memorial do Muro e, na entrada mais próxima a Bernauer Straße mostra as marcas da divisão. Dentro da estação estão murais (um pouco deteriorados, mas não menos interessantes) sobre a as estações fantasma: estações que foram desativadas com a separação de Berlin por onde os trens do lado ocidental seguiam passando, mas sem autorização de parar. Os motoristas, no entanto, eram orientados a cruzar essas áreas em baixa velocidade para que pudessem parar e socorrer qualquer cidadão que  - apesar das entradas lacradas e da forte vigilância subterrânea – tentasse fugir para o lado ocidental.

Fechadas: murais contam a história de estações fantasma

Sem uso: trens passavam pelas estações fechadas, mas não podiam parar

East Side Galery – Trata-se do maior trecho preservado do muro. Em algumas partes é possível ver até mesmo os dois muros e caminhar pelo que já foi a terra de ninguém.  As pinturas foram feitas originalmente depois da queda do muro, em 1990, e estão do lado comunista, em uma área onde, na época da divisão, não era permitido sequer caminhar. As pinturas foram restauradas alguns anos depois, mas vândalos insistem em assinar ou mesmo pichar as obras. É um daqueles locais imperdíveis de Berlin. Não se pode deixar a cidade sem caminhar ao longo dos 1300 metros da Mühlenstraße. Para chegar lá, vá até a Warschauer Straße ou até a Ostbahnhof. O site oficial da East Side Galery é este. De lá, olhando em direção à Warschauer Straße, da pra ver duas torres: trata-se da Oberbaumbrücke, onde foram gravadas algumas cenas do filme Corra Lola, corra (Lola Rennt). Quando for visitar essa parte do muro, não deixe de provar o delicioso faláfel que é servido nas redondezas. A dica do restaurante está aqui.

Galeria: pinturas marcantes como o beijo dos líderes soviéticos Leonid Brezhnev e Erich Honecker pintado por Dmitri Vrubel

Não se pode deixar de ver: são 1300 metros de muro preservados, cobertos com pinturas de diferentes artistas 

Símbolo: a Oberbaumbrücke se tornou um símbolo da reunificação e foi cenário de filme

Mauerpark Parque do Muro, em uma tradução literal. Fica bem perto do memorial da Bernauer Straße, mais precisamente, na esquina da Bernauer com a Eberswalder Straße. Era uma parte da terra de ninguém que, depois da queda do muro foi transformada em parque. Hoje é um dos endereços preferidos dos jovens descolados e hipsters da região, que se reúnem por lá nos dias ensolarados para treinar malabares, fazer piqueniques ou mesmo brincar com as crianças ou passear com os cachorros. Aos fins de semana, o local abriga um dos mais famosos mercados de pulga (Flohmarket) da cidade. O mercado acontece aos domingos pela manhã e início da tarde, mas o parque pode ser visitado a qualquer hora.


Check Point Charlie -  Haviam diversos pontos de passagem entre os dois lados do muro de Berlin, os check points. O mais conhecido, representado pela letra C (Charlie, de acordo com o Alfabetofonético da OTAN) ficava na  Friedrichstraße com a Zimmerstraße e Mauerstraße (U6 – desça na Kochstraße). Ao longo dos anos em que a cidade foi dividida, várias guaritas foram construídas no espaço e a que se tornou um dos mais famosos pontos turísticos de Berlin, nada mais é do que uma cópia inspirada nas primeiras estruturas, da década de 60. Dois “guardas” fazem plantão no local e cobram 2 Euros por pessoa para que se tire uma foto ao lado deles: mico total. Ao lado, foi colocada uma cópia da placa que marcava a fronteira, anunciando o fim do setor americano. Junto ao Check Point Charlie há ainda um museu privado que conta a história do que se passou por lá. Apesar de se tratar de uma visita daquelas obrigatórias nos roteiros pela cidade, acho o mais decepcionante dos pontos turísticos. A única coisa bacana é um mural construído ao longo da Friedrichstraße e da Zimmerstraße e que fala das tentativas de fuga e da vigilância acirrada da época.


Réplica: o Check Point Charlie decepciona se comparado às outras atrações

Marienfelde Refugee Center Museum –  O Museu doCentro de Refugiados Marienfelde reúne documentos, fotos, vídeos e objetos relacionados aos alemães que fugiram da DDR para a Alemanha ocidental. O museu funciona onde antes eram acolhidos os refugiados: cerca de 1, 35 milhão de pessoas passaram por lá e receberam assistência para fazer sua documentação e vistos de permição para residir em West Berlin ou em outras partes da Alemanha. A entrada é gratuita. O museu fica na Marienfelder Allee 66/80. A estação de metrô tem o mesmo nome.

Muro virtual – Para fechar a experiência sobre o muro, valem algumas indicações on-line também. Primeiro, vale conhecer o projeto Memorial Landscape BelinWall. Trata-se de uma pesquisa detalhada que mostra o que ainda existe do muro na cidade, com imagens atuais, remontando  o trajeto e revelando que muitas paredes ou muros existentes hoje em dia eram, na verdade, parte da antiga divisão das Alemanhas. Outra dica bacana é baixar um aplicativo com detalhes sobre a localização e pontos de interesse do muro (disponível pra Android e iPhone). Para quem gosta de realidade aumentada, este outro aplicativo “reconstrói” o muro. Baseado em geolocalização, o aplicativo mostra, pela tela do celular, onde ficava o muro, tornando possível ver a cidade dividida em tempo real (o vídeo abaixo ta em alemão, mas da pra entender facilmente pelas imagens). Por fim, a visita fica completa com as informações do site Crônicado Muro de Berlin (em inglês e alemão), que narra todos os fatos marcantes dos 28 anos de história da divisão alemã, com imagens e um detalhamento único.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Dica de viagem: opções de comida para gastar pouco e sentir o sabor de Berlin

Viajar só é uma experiência completa quando se pode perceber o país visitado com todos os sentidos.  Cores, cheiros e sabores completam o cenário urbano e podem ser tão marcantes quanto visitar um monumento ou passear por um parque famoso. Em Berlin não é diferente. A Alemanha é cheia de sabores, diferentes em cada região, mas é provável que sua capital tenha o paladar mais internacional do país. Isso se reflete nos cardápios dos restaurantes, mas também na comida das ruas.

Algumas coisas são obrigatórias. Vir para Alemanha significa provar joelho de porco com chucrute  ou ainda Spätzle com queijo. Ao mesmo tempo, não se pode sair de Berlin sem provar o mais tradicional prato da cidade: a currywurst. Em qualquer esquina existe uma barraquinha vendendo a iguaria. Mas esse post é exatamente para dizer qual é a melhor e ainda deixar as dicas de algumas boas opções da cidade. Se quiser conferir ainda, tem um post muito legal sobre o mesmo assunto, em inglês, nesse link aqui.

Currywurst – Uma das mais famosas é a Curry 36. E faz jus a fama.  Trata-se do prato mais tradicional de Berlin e começou a ser servido no pós-guerra como uma opção barata para quem precisava comer nas ruas.  O assunto é tão sério por aqui que o prato ganhou um museu inteirinho dedicado a ele: o Currywurst Museum. Para explicar rapidamente a iguaria local: trata-se de uma salsicha de porco – que pode variar imensamente de um lugar para o outro, sendo a Bratwurst o mais usado, mas podendo se parecer com  Knacker e ainda bem próxima da Wienerwurst em alguns.  Você pode escolher entre a versão com pele (Darm) ou sem (ohne darm). Eu prefiro a com pele... mas as duas não variam muito de sabor. A salsicha é grelhada (ou cozida, dependendo do tipo) e cortada em rodelas. É servida com um molho de catchup temperado e curry, claro. Pode vir acompanhada de batatas fritas ou de um pãozinho, mas o tradicional é comer pura mesmo. O Curry 36 fica na Mehringdamm 36 (bem pertinho da saída da estação de metrô Mehringdamm). Pratos a partir de 1,50 Euro.

Delícia: Currywurst do Curry 36 é uma das melhores de Berlin


Sempre cheio: o movimento é grande no Curry 36

Döner Kebap – Vir pra Alemanha e não comer Döner é como ir pra Italia e não comer macarrão. Trata-se de uma comida turca, mas criada na Alemanha. Depois da Segunda Guerra Mundial, os turcos começaram a imigrar para a Alemanha, para trabalhar na reconstrução do país. Então, empregados na construção civil, precisavam de uma comida rápida. Alguém decidiu colocar a comida típica do país dentro de um pão chato chamado pita (döner kebab) ou de uma tortilha (durün döner) e assim nascia o sanduíche de carne de ovelha ou frango,  servido de Norte a Sul da Alemanha. É difícil encontrar um que seja ruim, já que todos se parecem. Mas é raro encontrar um que seja tão bom quanto o Mustafá. Trata-se de um quisquezinhoinho bem pequenininho e sem qualquer charme: mas pela fila que tem a qualquer hora, chovendo ou nevando, fica fácil saber que a comida é boa. Fica quase em frente ao Curry 36, também na estação de metro do Mehringdamm, exatamente aqui. Eles têm  o Döner de frango com legumes e ainda uma variação especial para os vegetarianos. Custa 2 Euros o sanduiche vegetariano e 2,90 Euros o de frango. É o melhor que já comi na vida: bem temperado e, na hora de servir, colocam um pouco de queijo feta e espremem um limãozinho. Ai, ai... O site deles merece uma visita. É muito engraçado!

O melhor da cidade: Döner de frango com legumes do Mustafa

Feio, mas gostoso: só pela fila já da pra imaginar que a
comida do Mustafa é boa

Faláfel – Já deu pra perceber que a cozinha de Berlin é tão internacional quanto a cidade. Para quem está disposto a provar os sabores da capital alemã, não pode deixar de fora essa iguaria de origem árabe. Muitos restaurantes turcos servem também faláfel, mas o melhor que eu já provei em Berlin fica em Friedrichshain. É longe do centro, mas perto da East Side Gallery: então da pra comer por lá quando for conhecer os restos do muro.  Só pra explicar, faláfel são bolinhas de grão de bico fritas e podem ser servidas dentro de sanduíches em pão chato (pão pita) ou em um prato com salada, geralmente. Já fiz em casa: da um trabalhão e fica gostoso, mas nem de longe tão bom quanto o que o restaurante Haroun al Rachid serve. É um daqueles lugares perdidos que você descobre por que um amigo indicou pro outro, que passou para o outro e por ai vai. Sempre que vamos lá pedimos o Faláfel Teller: ou seja, no prato. Custa 4,50, vem com saladas variadas, húmus e um pãozinho. Delicioso. Para chegar no Haroun, você precisa ir de metrô ou S-Bahn até a estação chamada Warshauerstrasse. O restaurante fica aqui e o endereço é: Revaler Straße 7. Eles não tem site, mas achei mais informações aqui.

Vegetariano: prato de faláfel com saladas é a melhor
 opção do Haroun al Rachid

Salsicha – É difícil encontrar salsicha ruim na Alemanha. No geral, são saborosas, bem úmidas por dentro e servidas de um jeito que eu adoro: um pão minúsculo e uma salsicha enorme. Tem em qualquer esquina, por todos os preços e sabores que se possa imaginar, começando por 1 euro.  Assim, fica difícil errar. A dica, neste caso, é uma opção inusitada e que, certamente, só vai se achar na Alemanha. Tratam-se de uns vendedores ambulantes de salsicha que usam uma espécie de mochila em forma de grelha, onde assam as salsichas que vendem. É bem curioso e gostoso também. A salsicha com um pão custa em média 1,50 Euro. Eles ficam em torno da Alexanderplatz, geralmente em frente ao shopping Alexa. Também já vi várias vezes ao lado do Berliner Dom, próximo ao museu da DDR.

Ambulantes: salsicha saborosa, assada na hora e servida no pão

Comida alemã em miniatura – Esse eu não provei ainda. Mas ouvi falar bem e coloquei nessa lista porque a proposta parece interessante. É um restaurante que serve comida alemã em porções miniatura. Uma amiga foi e disse que 3 ou 4 porções alimentam uma adulto bem. Não é exatamente barato como as opções anteriores, mas é bem mais requintado e oferece a chance de provar várias opções de uma só vez. O restaurante se chama Die Schule (A Escola) e fica na Kastanienallee 82 em Prenzlauer Berg, uma região que pertencia a antiga Alemanha comunista e que é repleta de bares, teatros e restaurantes.  O cardápio das miniaturas esta aqui.  Sopa de cenoura com gengibre, Porco empanado (Schnitzel) com limão, mini Eisbein (joelho de porco) com molho de mostarda, Bulette (um hamburguer fofinho, típico de Berlin) com mostarda e chucrute são algumas das opções.

Miniaturas: a foto é do site do Die Schule e da uma idéia
do que esperar das pequenas porções

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