Existe um
termo curioso que aprendi quando cheguei aqui na Alemanha, mas que em 3 anos e
meio ainda não tinha feito muito sentido pra mim: Ostalgie, que é um neologismo
que mistura nostalgia e “Ost”, de Ostdeutschland, a antiga Alemanha comunista.
O termo se refere a costumes, modo de viver, mas também a produtos que as
pessoas consumiam naquela época em que o pais eram dois. E mesmo passados 21
anos da reunificação (3 de outubro de 1990), há quem ainda prefira ter nos
armários de casa os produtos que eram vendidos nos mercados controlados pelo
governo nos tempos de comunismo. Existem lojas especializadas só em produtos da
época.
Ostalgie:
brinquedos, utensílios e outros ítens de um mercado da DDR
No ano
passado eu participei de um sorteio no Blog da Mel (que eu recomendo demais!!)
e ganhei um kit muito bacana de produtos da antiga DDR que acompanhava o livro “ParaísoSem Bananas”, da historiadora e
escritora Neusa Arnold-Cortez (tá tudo contadinho nesse post aqui). Agora,
morando em Berlin, essa coisa toda das duas Alemanhas é muito mais presente e
mesmo nos supermercados se nota a diferença: as prateleiras têm muitas coisas
que nunca via em Bremen. Recentemente, quando estive em Leipzig, percebi ainda
mais itens dessa lista. Mostardas Bautzner de todos os sabores, o mesmo com o
Russisch Brott, um doce bemmmm doce que
fica no meio termo entre biscoito e suspiro, vendido em forma de letrinhas.
Damenkittel:
modelito das donas de casa da Alemanha comunista*
Em uma loja
popular da Alemanha (a Woolworth, mas pode chamar de Wooly) vi até mesmo uns
vestidos coloridos e de um material duvidável
que custei a entender: em uma visita ao Museu da DDR descobri que eram,
na verdade, uma espécie de guarda-pó, peça central do vestuário feminino para o
trabalho doméstico oferecidos pelas lojas estatais chamado Damenkittel. Fiquei com vontade de comprar um só pelo valor
histórico da peça, mas com essa vida de mambembe, não sei se vale ficar
arrastando mais um pedaço de pano mundo a fora.
Spreewald:
para quem viveu na DDR, gostinho de saudade
Mas tem
outro item que se enquadra na ostalgie que eu acabei comprando. Na verdade,
esse post era só pra falar disso e acabei esticando a conversa, como sempre. :)
Trata-se do pepino em conserva Spreewald, que levam o nome da região onde são produzidos. Eles ficaram famosos com o
sucesso do filme Adeus Lenin (Goodbye Lenin!, de 2003). Em uma cena bem clássica (no vídeo abaixo, a
partir de 42 segundos), o personagem Alexander'Alex' Kerner (interpretado por DanielBrühl), vai ao supermercado em busca do tal pepino, o favorito de sua mãe
doente. Sem encontrar, acaba buscando alternativas para repor a iguaria e não
permitir que sua mãe perceba que o muro caiu.
Bom, já formam
spoilers o bastante pra um post só. Quem não viu o filme, precisa resolver
isso o quanto antes. Pra quem já viu, vale dizer que a mãe da história, ChristianeKerner (interpretada por Katrin Saß) tinha razão em ser fã dos pepinos: suaves
e ao mesmo tempo levemente picantes, entraram na lista dos meus favoritos. Por
hora, tem sabor de Alemanha. Mas creio que um dia, quando estiver de volta ao
Brasil, também vão ter para mim um gostinho de saudade.
*A foto foi
tirada de um anuncio no e-bay, que você encontra nesse link.
Não seria
exagero afirmar que, depois de porco com batata, o Spätzle é uma das comidas
mais populares da Alemanha, especialmente no Sul. É também muito apreciada na Áustria, Suíça e mesmo no Norte da Itália. Essa massa – que fica em um
meio termo entre nhoque e macarrão – é saborosa e fácil de preparar. Pode ser servida com Goulasch (carne de
panela ensopada) ou em sua versão mais tradicional: com queijo, simplesmente. Trata-se de um prato que sempre preparo quando
recebo visitinhas do Brasil: tem sabor de Alemanha mas, ao mesmo tempo, não se
trata de algo pesado. Também é uma opção saborosa para receber amigos
vegetarianos.
Na verdade,
eu fiquei me perguntando como não publiquei um post sobre Spätzle até agora. A
foto ai de cima foi minha irmã quem fez: foi uma janta com vários pratos com
mini porções de comida alemã que preparei quando ela veio me visitar há poucos
dias. Esse aí da foto servi acompanhado de linguiça Cabanossi fritinha: é
igualzinha a calabresa que vende no Brasil. Também acompanharam pepinos emconserva e molho de raiz forte (Meerrettich)
Enfim, são várias
as formas de preparar esse prato e existem vários assessórios pra isso: mas é
possível fazer a receita em casa sem nenhum apetrecho especial: basta uma tábua
de cortar carne e uma faca grande (as facas de pão são boas para isso). Um
espremedor de batatas também pode ser útil. Mas a receitinha que posto aqui
hoje é a mais simples. Então anote tudo ai.
Ingredientes para a massa:
1 ovo por
pessoa
Trigo que
baste
2 colheres
de leite para cada ovo
Sal a gosto
Preparo da massa:
Misture o
ovo com o trigo até obter uma consistência um pouco mais dura que uma massa de
bolo. Pelo vídeo é possível ver qual. Coloque sal a gosto na massa (ou na água,
se preferir). Use o leite para ajustar a textura. Coloque água em uma panela e
deixe ferver. Acrescente sal. Coloque
duas ou três colheres bem cheias da massa em uma tábua de cortar carne (quanto
mais lisa, melhor). Molhe uma espátula ou uma faca grande (como de pão, por
exemplo) na água quente e, com o lado inverso ao corte, vá separando pequenas
porções da massa e colocando na água. Deixe cozinhar até que o Spätzle suba à
superfície e então, tire da água e reserve em um escorredor. Faça pouco de cada
vez e vá sempre tirando da água. Fica mais fácil de trabalhar.
Pra provar
que a coisa não é complicada, não sou eu fazendo no vídeo ai não: é minha irmã
(Danke por servir de “modelo”, Rafa!!) que tinha acabado de aprender a receita.
Käsespätzle:
O jeito
mais tradicional de servir é com queijo: basta misturar queijo (qualquer tipo
que não libere água) e pronto. Eu gosto de refogar uma cebola (na manteiga ou
no óleo de oliva), um dente de alho cortadinho e acrescentar à mistura. Fica um
gostinho especial.
Na internet
existem várias outras opções: com a massa mais fina, mais grossa. Não há receita
certa ou errada: cada um tem seu jeito de fazer, como o dessa Oma aqui de algum
lugar no Sul. A massa que ela prepara é um pouco mais dura, mas o motivo de eu
ter publicado o vídeo é outro: fiquei tonta só de olhar a velocidade com que
ela trabalha (a partir dos 47 segundos). Quem sabe um dia eu chego lá!
Esse é mais
um post da série “Alemanha em detalhes”, com dicas pra evitar apertos e
furadas. Já publiquei um sobre banheiro, mas desta vez o assunto são as
compras. Tudo aquilo que você precisa saber mas ninguém vai ter paciência de
explicar.
Carrinho de
mercado - Para pegar um carrinho de
supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no
lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais.
Quando terminar de fazer as compras, basta levar ele ao local, trancar com a
corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta.
Trancado: coloque uma moedinha para liberar o carrinho de supermercado
Moeda
sempre à mão - Apesar de não pagar pelo carrinho, o difícil é ter sempre uma
moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50
centavos também). Então uma dica bem brasileira: traga na carteira uma moedinha
daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos do Brasil. Ela funciona
perfeitamente pra soltar o carrinho e você nunca vai gastar a dita. Algumas marcas dão de brinde umas fichinhas plásticas que servem para liberar os carrinhos. Também existem chaveiros com a mesma finalidade.
Na carteira: moedinha de 25 antiga brasileira também libera o carrinho
Na hora de passar
no caixa do mercado - Supermercado alemão é uma coisa meio fora dos padrões que
os brasileiros estão acostumados. Você vai descobrir que os mercados tem poucos
caixas, mas nem por isso são demorados. As esteiras são gigantes antes do
caixa. Você coloca suas coisas assim que se aproximar e, ao fim delas, coloca
uma divisória plástica que está disponível no balcão. Assim o funcionário sabe
o que é seu e o que pertence ao próximo cliente. Feito isso, na sua vez, você
passa o carrinho para o outro lado e a caixa vai olhar fuzilando pra ver se
está vazio.
Sem espaço
para as compras - Não existe espaço para colocar as compras depois que são
passadas no caixa. E os funcionários de caixa são muito, mas muito rápidos. O
que fazer? Sempre pegue um carrinho e vá jogando todas as coisas dentro dele, o
mais rápido que puder. Então pague e vá para um balcãozinho na saída do mercado
para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara
feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja,
todos! :P).
Achei um
videozinho que ilustra melhor como as coisas funcionam. Prepare seu coração
porque as cenas são fortes (e é exatamente isso que vai acontecer com você!).
Sacolinhas –
Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas
sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até
25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis).
Escrevi sobre as sacolinhas aqui. Caso for usar as plásticas, lembre-se de coloca-las junto com suas
compras na esteira do caixa.
Organização
– Existem dois tipos de supermercado na Alemanha. Os “normais”, mais
parecidinhos com os do Brasil, com as mercadorias organizadas nas estantes e os
“discounters” (Aldi, Lidl, Penny, Netto, etc) onde a proposta principal é
vender barato. E estes último são um choque na primeira vez que você entra: as
mercadorias estão em caixas empilhadas sobre estruturas de madeira, quando
grandes. As coisas menores ganham espaço nas estantes, mas também ficam nas
caixas.
Diferente: as mercadorias permanecem nas caixas mesmo quando dispostas nas prateleiras*
Cestinhas – São raros os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Eu sugiro pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista a hora do caixa, que já falei acima. Mas você também pode usar o jeitinho alemão: escolha uma caixa vazia nas estantes (tem sempre montes delas no meio da mercadoria que está à venda) e coloque suas coisas dentro dela.
Desconto - Se
você está comprando em uma loja, o preço final é o preço da etiqueta e deu. Não
adianta pechinchar, chorar, pedir. Aliás, não faça isso: de certa forma é
bastante ofensivo.
Pechincha -
Já nos Flohmarkets (ou mercado das pulgas), o vendedor espera que você pechinche.
É a regra do jogo: ele vai dar um preço inicial, você sugere o segundo –
geralmente metade do que ele pediu – e a coisa segue. Se você não pechinchar o
vendedor vai achar que colocou um preço barato demais na mercadoria! Eheheh
Troco exato
- Se o objeto ou serviço que você vai
pagar custa 2,42 Euros, por exemplo, não adianta dar 2,40. Os valores são
sempre exatos e isso vale para os dois lados. Se o seu produto custou 1,99,
você vai receber o um centavinho de troco.
Local certo
para pagar - Em cafés, padarias ou mesmo
em algumas lojas, existe um pratinho acrílico sobre o balcão: é nele que você
deve colocar o dinheiro do pagamento.
Atendimento
- Vendedores alemães não são as pessoas
mais simpáticas do mundo. Então, se você não tem a menor intensão de comprar o
produto, poupe a sua paciência e o trabalho dele e não faça perguntas.
Trocas de
mercadorias - Trocar ou devolver objetos é uma prática muito comum. Você tem,
geralmente, duas semanas para se arrepender da compra. Nesse tempo, leva na
loja e eles devolvem o dinheiro sem muitas perguntas. Isso vale para quase
tudo.
Pagamento
com cartão - Cartão de credito não é
algo tão aceito aqui como é no Brasil. Mesmo grandes redes de loja (como a
Saturn, que vende eletrônicos), não aceitam cartão de crédito. Você pode usar o
débito, claro, mas nesse caso fique
atento. Por cartão de débito se entende um EC Card, ou seja, cartão de uma
conta corrente alemã e não cartões do tipo Visa Travel Money. Então, antes de
comprar, vale ir até um caixa e mostrar o cartão que você tem em mãos pra ver
se é aceito.
Tax Free - De
você não é residente na Europa, pode economizar uns bons euros fazendo o Tax
Free e recebendo o que pagou de imposto de volta. Em alguns produtos, chega a
17% do valor o que significa uma economia bem interessante. O dinheiro é pago
em guichês específicos para isso nos aeroportos internacionais e você precisa
levar a documentação pronta. Assim, sempre que fizer uma compra significativa
em uma loja, vá ao serviço de atendimento ao consumidor com a nota fiscal, seu
passaporte, e peça para que preencham o formulário. Para facilitar a vida,
escreva seu endereço residencial do Brasil em um papel e tenha sempre consigo:
a funcionária precisará coloca esses dados no formulário e a dificuldade em
entender o endereço brasileiro é grande, geralmente.
Se ficou
faltando algum item, é só mandar a sugestão!
*Foto originalmente publicada aqui, sem nome do autor, e licenciada de acordo com as regras do Creative Commons
Há muito o
que se ver em Berlin e por isso, em vez de montar roteiros turísticos, resolvi
dividir a cidade por temas. Assim fica mais fácil escolher o que visitar a
partir de um assunto de interesse. E pra começar essa saga, não tinha como
fugir do óbvio: o muro. E antes de
qualquer dica turística ou explicação, que fique anotado um dado que pode ser
redundante para uns, mas ao mesmo tempo responde a dúvida de outros. O muro não
separava as duas Alemanhas, fora a fora. O muro separava a Berlin capitalista (West
Berlin) do restante da Alemanha comunista: ou seja, formava uma espécie de “ilha”
ocidental dentro da Alemanha oriental.
Berlin dividida: o muro formava uma "ilha" ocidental dentro da Alemanha comunista
Vale dizer
ainda que a parte que ficava para o lado de dentro do muro também era dividida,
com setores controlados pelos aliados. Assim, havia o setor americano (Kreuzberg,
Neukölln, Schöneberg, Steglitz, Tempelhof e Zehlendorf), o setor inglês (Charlottenburg
– onde eu moro! :), Spandau, Tiergarten e Wilmersdorf) e o setor francês (Reinickendorf,
Wedding). Já do lado de fora do muro, ou seja, na parte comunista (East Berlin)
– ou também chamado de setor soviético – ficavam os bairros de Friedrichshain, Köpenick,
Lichtenberg, Mitte, Pankow, Prenzlauer Berg, Treptow, Weissensee, Marzahn, Hellersdorf
e Hohenschönhausen. Uma curiosidade é
que, nessa época, cada setor tinha seu próprio aeroporto. Atualmente, são apenas dois em operação – Tegel e Schönefeld, sendo que o primeiro fecha suas
portas em junho e todas as operações serão feitas a partir do segundo, que vai
se chamar oficialmente Aeroporto Internacional Berlin-Brandenburg.
Berlin
dividida em 4: West, com seus três setores e East, a área comunista
Voltando ao
muro. Logo depois do fim da guerra, as pessoas podiam ainda transitar de um
lado para o outro da cidade. Entre 1949 e 1961, estima-se que mais de 3 milhões
de pessoas migraram da Alemanha Oriental para a Ocidental, muitas usando Berlin
como ponto de partida. A fuga de mão-de-obra qualificada – muitos eram médicos,
engenheiros, professores – levou a DDR a endurecer seu controle de fronteiras
e, em Berlin, a barreira foi imposta do dia para a noite. Na madrugada de 13 de agosto de 1961, o
exercito comunista construiu cercas metálicas em volta de toda a área ocidental
e, a partir desse isolamento provisório, passou a erguer a barreira definitiva,
com dois muros de isolamento com cerca de 4 metros de altura – entre eles
ficava um espaço conhecido como “terra de ninguém” – e 111 quilômetros de
extensão.
Cerca de 80
pessoas morreram em tentativas de cruzar de um lado para o outro durante os 28
anos que o muro ficou de pé, até sua queda, em 9 de novembro de 1989. Esse
número é bem maior pelo registro de algumas ONGs e tem um texto da Deutsche Welle sobre o assunto aqui. Sobre a
queda, vale dizer que foi o momento mais marcante do processo de reunificação
das duas Alemanhas, oficilalizado em 3 de outubro de 1990. A data (3/10) é
feriado nacional e cada ano uma cidade é sede das festividades. Na breve pesquisa, encontrei esse documentário
da época da divisão. Esta em inglês e é bem triste, mas mostra com clareza e
imagens originais como foi a divisão de Berlin em duas.
Feita a
introdução, que deixou o post mais longo do que eu esperava, é melhor falar
logo do que esse texto inicialmente propunha.
Visitar Berlin é encontrar viva a história do muro e das duas Alemanhas
pelas ruas da cidade e em museus. Então, para saber mais sobre o muro, anote ai
o que visitar:
Gedenkstätte
und Dokumentationszentrum Berliner Mauer – Em português, Memorial e Centro de
Documentação do Muro de Berlin (site oficial). Fica na Bernauer Straße, um ponto
onde muitas pessoas tentaram atravessar o muro e onde ficava a Versöhnungskirche
(Igreja da Reconciliação, por ironia!). Na divisão de Berlin, a igreja ficou na
terra de ninguém e foi destruída em 1989 por atrapalhar a vigilância. Em seu lugar
hoje existe uma capela. No local, uma parte do muro foi reconstruída apenas com
barras metálicas, recriando o trajeto. Marcações no chão indicam a trajetória
de túneis escavados para a fuga e as histórias de sucesso e os mortos são
lembrados. Há também totens explicativos, com fotos, textos e vídeos com
imagens da época. Junto ao centro de documentação há uma torre metálica (entrada
gratuita) de onde se pode ver uma parte do muro preservada: os dois muros, uma
torre de vigilância e um pedaço inacessível do que já foi, um dia, a terra de
ninguém. Para chegar lá, vá de metrô até
a Bernauer Straße (U8).
Preservado: do alto da pra ver os dois muros, a torre de vigilância e a terra de ninguém
Informação: totens contam a história do local como a demolição da Versöhnungskirche
Berlin
Nordbahnhof – Fica ao lado do Memorial do Muro e, na entrada mais próxima a
Bernauer Straße mostra as marcas da divisão.
Dentro da estação estão murais (um pouco deteriorados, mas não menos
interessantes) sobre a as estações fantasma: estações que foram desativadas com
a separação de Berlin por onde os trens do lado ocidental seguiam passando, mas
sem autorização de parar. Os motoristas, no entanto, eram orientados a cruzar
essas áreas em baixa velocidade para que pudessem parar e socorrer qualquer
cidadão que - apesar das entradas
lacradas e da forte vigilância subterrânea – tentasse fugir para o lado
ocidental.
Fechadas: murais contam a história de estações fantasma
Sem uso: trens passavam pelas estações fechadas, mas não podiam parar
East Side Galery
– Trata-se do maior trecho preservado do muro. Em algumas partes é possível ver
até mesmo os dois muros e caminhar pelo que já foi a terra de ninguém. As pinturas foram feitas originalmente depois
da queda do muro, em 1990, e estão do lado comunista, em uma área onde, na
época da divisão, não era permitido sequer caminhar. As pinturas foram
restauradas alguns anos depois, mas vândalos insistem em assinar ou mesmo
pichar as obras. É um daqueles locais imperdíveis de Berlin. Não se pode deixar
a cidade sem caminhar ao longo dos 1300 metros da Mühlenstraße. Para chegar lá,
vá até a Warschauer Straße ou até a Ostbahnhof. O site
oficial da East Side Galery é este. De lá, olhando em direção à Warschauer Straße, da pra ver duas torres: trata-se da Oberbaumbrücke, onde foram
gravadas algumas cenas do filme Corra Lola, corra (Lola Rennt). Quando for
visitar essa parte do muro, não deixe de provar o delicioso faláfel que é
servido nas redondezas. A dica do restaurante está aqui.
Galeria: pinturas marcantes como o beijo dos líderes soviéticos Leonid Brezhnev e Erich Honecker pintado por Dmitri Vrubel
Não se pode deixar de ver: são 1300 metros de muro preservados, cobertos com pinturas de diferentes artistas
Símbolo: a Oberbaumbrücke se tornou um símbolo da reunificação e foi cenário de filme
Mauerpark –
Parque do Muro, em uma tradução literal. Fica bem perto do memorial da Bernauer
Straße, mais precisamente, na esquina da Bernauer com a Eberswalder Straße.
Era uma parte da terra de ninguém que, depois da queda do muro foi transformada
em parque. Hoje é um dos endereços preferidos dos jovens descolados e hipsters
da região, que se reúnem por lá nos dias ensolarados para treinar malabares,
fazer piqueniques ou mesmo brincar com as crianças ou passear com os cachorros.
Aos fins de semana, o local abriga um dos mais famosos mercados de pulga
(Flohmarket) da cidade. O mercado acontece aos domingos pela manhã e início da tarde, mas o parque
pode ser visitado a qualquer hora.
Check Point
Charlie - Haviam diversos pontos de
passagem entre os dois lados do muro de Berlin, os check points. O mais
conhecido, representado pela letra C (Charlie, de acordo com o Alfabetofonético da OTAN) ficava na Friedrichstraße com a Zimmerstraße e Mauerstraße
(U6 – desça na Kochstraße). Ao longo dos anos em que a cidade foi dividida,
várias guaritas foram construídas no espaço e a que se tornou um dos mais
famosos pontos turísticos de Berlin, nada mais é do que uma cópia inspirada nas
primeiras estruturas, da década de 60. Dois “guardas” fazem plantão no local e
cobram 2 Euros por pessoa para que se tire uma foto ao lado deles: mico total.
Ao lado, foi colocada uma cópia da placa que marcava a fronteira, anunciando o
fim do setor americano. Junto ao Check Point Charlie há ainda um museu privado
que conta a história do que se passou por lá. Apesar de se tratar de uma visita
daquelas obrigatórias nos roteiros pela cidade, acho o mais decepcionante dos
pontos turísticos. A única coisa bacana é um mural construído ao longo da Friedrichstraße
e da Zimmerstraße e que fala das tentativas de fuga e da vigilância acirrada da
época.
Réplica: o Check Point Charlie decepciona se comparado às outras atrações
Marienfelde
Refugee Center Museum – O Museu doCentro de Refugiados Marienfelde reúne documentos, fotos, vídeos e objetos
relacionados aos alemães que fugiram da DDR para a Alemanha ocidental. O museu
funciona onde antes eram acolhidos os refugiados: cerca de 1, 35 milhão de
pessoas passaram por lá e receberam assistência para fazer sua documentação e
vistos de permição para residir em West Berlin ou em outras partes da Alemanha.
A entrada é gratuita. O museu fica na Marienfelder Allee 66/80. A estação de metrô tem o mesmo nome.
Muro
virtual – Para fechar a experiência sobre o muro, valem algumas indicações
on-line também. Primeiro, vale conhecer o projeto Memorial Landscape BelinWall. Trata-se de uma pesquisa detalhada que mostra o que ainda existe do muro
na cidade, com imagens atuais, remontando
o trajeto e revelando que muitas paredes ou muros existentes hoje em dia
eram, na verdade, parte da antiga divisão das Alemanhas. Outra dica bacana é
baixar um aplicativo com detalhes sobre a localização e pontos de interesse do muro (disponível pra Android e iPhone). Para quem gosta de realidade aumentada, este outro aplicativo “reconstrói” o muro. Baseado em geolocalização, o aplicativo mostra, pela
tela do celular, onde ficava o muro, tornando possível ver a cidade dividida em
tempo real (o vídeo abaixo ta em alemão, mas da pra entender facilmente pelas imagens). Por fim, a visita fica completa com as informações do site Crônicado Muro de Berlin (em inglês e alemão), que narra todos os fatos marcantes dos
28 anos de história da divisão alemã, com imagens e um detalhamento único.
Viajar só é uma
experiência completa quando se pode perceber o país visitado com todos os
sentidos.Cores, cheiros e sabores completam
o cenário urbano e podem ser tão marcantes quanto visitar um monumento ou
passear por um parque famoso. Em Berlin não é diferente. A Alemanha é cheia de
sabores, diferentes em cada região, mas é provável que sua capital tenha o
paladar mais internacional do país. Isso se reflete nos cardápios dos
restaurantes, mas também na comida das ruas.
Algumas coisas
são obrigatórias. Vir para Alemanha significa provar joelho de porco com
chucrute ou ainda Spätzle com queijo. Ao
mesmo tempo, não se pode sair de Berlin sem provar o mais tradicional prato da
cidade: a currywurst. Em qualquer esquina existe uma barraquinha vendendo a
iguaria. Mas esse post é exatamente para dizer qual é a melhor e ainda deixar
as dicas de algumas boas opções da cidade. Se quiser conferir ainda, tem um post
muito legal sobre o mesmo assunto, em inglês, nesse link aqui.
Currywurst – Uma
das mais famosas é a Curry 36. E faz jus a fama. Trata-se do prato mais tradicional de Berlin e
começou a ser servido no pós-guerra como uma opção barata para quem precisava
comer nas ruas. O assunto é tão sério por aqui que o prato ganhou um museu inteirinho dedicado a ele: o Currywurst Museum. Para explicar rapidamente a iguaria local: trata-se de uma salsicha de porco – que pode variar imensamente
de um lugar para o outro, sendo a Bratwurst o mais usado, mas podendo se
parecer com Knacker e ainda bem próxima da Wienerwurst em alguns. Você pode escolher entre a versão com pele
(Darm) ou sem (ohne darm). Eu prefiro a com pele... mas as duas não variam
muito de sabor. A salsicha é grelhada (ou cozida, dependendo do tipo) e cortada
em rodelas. É servida com um molho de catchup temperado e curry, claro. Pode
vir acompanhada de batatas fritas ou de um pãozinho, mas o tradicional é comer
pura mesmo. O Curry 36 fica na Mehringdamm 36 (bem pertinho da saída da estação de metrô Mehringdamm). Pratos a partir de 1,50 Euro.
Delícia: Currywurst do Curry 36 é uma das melhores de Berlin
Sempre cheio: o movimento é grande no Curry 36
Döner Kebap –
Vir pra Alemanha e não comer Döner é como ir pra Italia e não comer macarrão.
Trata-se de uma comida turca, mas criada na Alemanha. Depois da Segunda Guerra Mundial,
os turcos começaram a imigrar para a Alemanha, para trabalhar na reconstrução
do país. Então, empregados na construção civil, precisavam de uma comida
rápida. Alguém decidiu colocar a comida típica do país dentro de um pão chato chamado pita (döner kebab) ou de uma tortilha (durün döner) e assim nascia o sanduíche de carne de
ovelha ou frango, servido de Norte a Sul
da Alemanha. É difícil encontrar um que seja ruim, já que todos se parecem. Mas
é raro encontrar um que seja tão bom quanto o Mustafá. Trata-se de um
quisquezinhoinho bem pequenininho e sem
qualquer charme: mas pela fila que tem a qualquer hora, chovendo ou nevando, fica fácil saber que a
comida é boa. Fica quase em frente ao Curry 36, também na estação de metro do Mehringdamm, exatamente aqui. Eles têm o Döner de frango com legumes e ainda uma
variação especial para os vegetarianos. Custa 2 Euros o sanduiche vegetariano e
2,90 Euros o de frango. É o melhor que já comi na vida: bem temperado e, na
hora de servir, colocam um pouco de queijo feta e espremem um limãozinho. Ai,
ai... O site deles merece uma visita. É muito engraçado!
O melhor da cidade: Döner de frango com legumes do Mustafa
Feio, mas gostoso: só pela fila já da pra imaginar que a comida do Mustafa é boa
Faláfel – Já deu
pra perceber que a cozinha de Berlin é tão internacional quanto a cidade. Para
quem está disposto a provar os sabores da capital alemã, não pode deixar de fora essa
iguaria de origem árabe. Muitos restaurantes turcos servem também faláfel, mas
o melhor que eu já provei em Berlin fica em Friedrichshain. É longe do centro,
mas perto da East Side Gallery: então da pra comer por lá quando for conhecer
os restos do muro. Só pra explicar,
faláfel são bolinhas de grão de bico fritas e podem ser servidas dentro de sanduíches em pão chato (pão pita) ou em um prato com salada, geralmente. Já
fiz em casa: da um trabalhão e fica gostoso, mas nem de longe tão bom quanto o
que o restaurante Haroun al Rachid serve. É um daqueles lugares perdidos que
você descobre por que um amigo indicou pro outro, que passou para o outro e por
ai vai. Sempre que vamos lá pedimos o Faláfel Teller: ou seja, no prato. Custa
4,50, vem com saladas variadas, húmus e um pãozinho. Delicioso. Para chegar no
Haroun, você precisa ir de metrô ou S-Bahn até a estação chamada
Warshauerstrasse. O restaurante fica aqui e o endereço é: Revaler Straße 7. Eles
não tem site, mas achei mais informações aqui.
Vegetariano: prato de faláfel com saladas é a melhor opção do Haroun al Rachid
Salsicha– É difícil
encontrar salsicha ruim na Alemanha. No geral, são saborosas, bem úmidas por
dentro e servidas de um jeito que eu adoro: um pão minúsculo e uma salsicha
enorme. Tem em qualquer esquina, por todos os preços e sabores que se possa
imaginar, começando por 1 euro. Assim,
fica difícil errar. A dica, neste caso, é uma opção
inusitada e que, certamente, só vai se achar na Alemanha. Tratam-se de uns
vendedores ambulantes de salsicha que usam uma espécie de mochila em forma de grelha,
onde assam as salsichas que vendem. É bem curioso e gostoso também. A salsicha
com um pão custa em média 1,50 Euro. Eles ficam em torno da Alexanderplatz,
geralmente em frente ao shopping Alexa. Também já vi várias vezes ao lado do Berliner Dom, próximo
ao museu da DDR.
Ambulantes: salsicha saborosa, assada na hora e servida no pão
Comida alemã em
miniatura – Esse eu não provei ainda. Mas ouvi falar bem e coloquei nessa lista
porque a proposta parece interessante. É um restaurante que serve comida alemã
em porções miniatura. Uma amiga foi e disse que 3 ou 4 porções alimentam uma
adulto bem. Não é exatamente barato como as opções anteriores, mas é bem mais
requintado e oferece a chance de provar várias opções de uma só vez. O restaurante
se chama Die Schule (A Escola) e fica na Kastanienallee 82 em Prenzlauer Berg,
uma região que pertencia a antiga Alemanha comunista e que é repleta de bares,
teatros e restaurantes. O cardápio das
miniaturas esta aqui. Sopa de cenoura com gengibre, Porco empanado (Schnitzel) com limão, mini Eisbein (joelho de porco) com molho de mostarda, Bulette (um hamburguer fofinho, típico de Berlin) com mostarda e chucrute são algumas das opções.
Miniaturas: a foto é do site do Die Schule e da uma idéia do que esperar das pequenas porções