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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Natal na Alemanha: saudades do tempo em que a neve era de algodão e o Papai Noel suava em bicas


Quando eu era criança, adorava ficar colocando bolinhas de algodão na árvore de Natal, aquele pinheiro que tinha que ser montado no dia 23 pra ainda estar verde no dia 24, tamanho é o calor que faz em Blumenau nessa época do ano. Mas eu achava que aquele algodão era igualzinho a neve e, na minha cabeça, com pouco senso estético, era como ter um Natal branco. Depois de seis anos na Europa, nunca tive um, embora a previsão do tempo sempre me encha de esperança e salve minha árvore dos algodõezinhos.  

Na Alemanha descobri um Natal mais parecido com os contos de fada. Os mercados com seu perfume de amêndoas carameladas e vinho quente temperado. A decoração de bonecos de neve, renas e quebra-nozes, com uma presença pequena do vermelho Noel, frequente no Brasil. O frio, o vapor quente que sai da boca, a mão coberta de luvas para carregar as sacolas com presentes e os ingredientes enjambrados para fazer uma ceia brasileira no outro lado do oceano.

O Natal na Alemanha é o Natal que eu sonhava na minha infância e o Natal da minha infância é o que tem me feito sonhar todos os dias agora. Mesmo que todo o Papai Noel pareça ridículo quando o termômetro marca 40 graus, sinto falta de ver aqueles heróis (e heroínas, algumas vezes!) de algodão colado na cara ou usando aquelas máscaras plásticas de traumatizar qualquer infância, derretendo de calor sob uma touca vermelha. Ando com saudade de suar para limpar a casa e de passar horas cozinhando pratos que nada combinam com a temperatura tropical.


Mas o que eu mais sinto falta, mesmo, são os cheiros. Na semana no Natal, a grama da minha casa sempre era cortada, um zelo de deixar tudo pronto para receber visitas, e quando a máquina picava as folhas, o sol cozinhava tudo e subia aquele cheiro. Melhor que isso, só cheiro de trovoada.  Na casa da minha infância – que era lilás! Ah, quem teve o privilégio de viver em uma casa lilás com verdinho!?!? – o chão era de madeira e se fecho os olhos, o cheiro de cera cremosa passada a duras penas pelo assoalho sobe pelas minhas narinas. Se mistura no ar com o cheiro de óleo de peroba e a cara vermelha da minha mãe, esbaforida, tirando mais uma formada de bolachas do forno.

Sinto falta do cheiro da minha cidade, dos pés ganhando calos das sandálias que batem a rua XV de ponta a ponta em busca dos últimos presentes. Sinto falta dos amigos secretos, dos tantos encerramentos e festas de fim de ano que se tem: da hidroginástica, do clube, da confraria, do trabalho, das amigas... Sinto falta até mesmo dos presentes trocados nesses momentos, que quase sempre eram uma desgraça e rendiam antipatias até o Carnaval.

Lembro de uma vez, em um desses amigos tantos, que fui presenteada com um corte de tecido de viscose estampado, quando tudo o que eu queria era uma imitação de sandália plástica que custava cinco a menos do que o preço acordado. Vai ver meu amigo da época suspeitou de um gosto que eu não demoraria a questionar.

E para piorar essas saudades tantas, esse ano minha árvore jaz em uma caixa, os enfeites em outra e a chance de eles se encontrarem são as menores do mundo. Estou me mudando mais uma vez e, de Natal,  só mesmo os mercados da rua, e sua mesmice impessoal: sem uma árvore montada em casa, a cidade mais parece um showroom de decoração para uma temporada de festas que esse ano não chegou pra mim.

As saudades são enormes, tantas que doem. Poucas vezes tive tanta nostalgia de Natais já idos e nunca antes achei que um Natal suarento tivesse tanta graça. Trocaria qualquer chocolate suíço por uma sombrinha de chocolate Saturno, doce e hidrogenado, que minha mãe pendurava na árvore junto com os papais-noéis e bolas de vidro...



Esse post faz parte do “Coletivo de Natal” do grupo Blogueiros e Blogueiras brasileiros na Alemanha. Para conhecer outros trabalhos sobre a natividade preparados pelos lusófon@s, clique aqui.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Alemanha em detalhes: uma visita detalhada aos mercados de Natal, os tradicionais Weihnachtsmarkt


Há quem diga que mercado de Natal é assim: quem viu um, viu todos. É evidente que há muitas coisas em comum entre eles: são 4,5 mil mercados espalhados por toda a Alemanha e que recebem anualmente 180 milhões de pessoas, movimentando cerca de 1,9 bilhões de Euros. Um baita negócio!

Cada mercado tem suas peculiaridades, claro. O primeiro teria sido o de Dresdem, que completa 580 anos de atividades em 2014. Alguns mercados – ou parte deles – tentam manter costumes medievais: serve bebidas em canecas de barro e seus vendedores se vestem com roupas tradicionais. 

Mas alguns itens são obrigatórios em todos os Weihnachtsmarkt da Alemanha: vinho quente, amêndoas caramelas, Lebkuchen e barracas de artesanato ou produtos decorativos. Montados em uma praça com uma grande árvore de Natal ao centro, alguns mercados são mais charmosos que os outros, mas em todos é preciso beber algo quente para escapar do frio. 

Quer saber o que se encontra de Norte a Sul, de Berlim às pequenas cidades? É só conferir as imagens abaixo, feitas em diferentes cidades da Alemanha. É mais ou menos como visitar todos os mercados em quatro fotos e sem nem gelar as mãos!


Uma visão geral:


Barraquinhas de enfeites:


As bebidas quentes:


Doces do advento:


E pra quem ficou querendo mais, basta acessar a página do blog no Facebook. Por lá você encontra links para albuns de fotos com muito mais detalhes dessa época maravilhosa do ano. É só curtir!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Natal na Alemanha: seis coisas absolutamente inúteis que você pode comprar pelo correio


Eu adoro o Natal e já escrevi bastante sobre ele aqui no Blog. Já dei receitas de todas as bebidinhas deliciosas dessa época, falei dos mercados aqui na Alemanha que são um encanto, ensinei a fazer Flammkuchen, uma comida bem típica das barraquinhas nos dias gelados. Também entreguei o segredo de como fazer em casa as amêndoas carameladas e meu biscoito favorito, o Vanillekipferl!

Mas hoje eu quero falar de outra coisa. Acabei de receber em casa um catálogo de produtos de uma empresa chamada Pearl. Uma pérola, sem dúvida! Em alguma das centenas de vezes que comprei coisas pelo E-bay devo ter comprado dessa loja e tcham: sou agraciada todos os meses com um livro que parece um festival dos horrores. Só me sinto menos culpada porque o papel vai para a reciclagem.

Enfim... Chegou o tal catálogo com um especial de Natal e fazia tempo que não via nada tão engraçado. É tão bom que resolvi compartilhar as seis coisas mais bizarras que você não precisa para o Natal.

Uma bola de Natal cantante – Claro, você decora sua árvore e entre todos os penduricos e afins, coloca uma bola de plástico com uma cara desenhada nela, dotada de um sensor de movimento que desata a cantar cada vez que alguém se mexe na sala. Mais divertido do que isso só mesmo colocar um daqueles apitos de entrada de loja do interior na estrela – blinnnnnnnnnnnnnnnblonnnng – e ter certeza que ele anuncia cada vez que alguém levanta do sofá.

Uma bola de Natal USB – Nem todo mundo gosta do delicioso som de um speaker rouco pela casa (tin tin tin, tin tin tin, tin tin tin tin tinnnnnnnn) e para essas pessoas que não vão comprar a bola que canta, a novidade do ano é uma bola de Natal com um display digital de 3,8 centímetros para exibir as fotos da família na árvore. Que lindo! Até 70 fotos ficam em destaque nos menos de 4 centímetros cercados por dois metros de árvores, bolas, laços e luzinhas por todos os lados. Se minha mãe tivesse uma assim nunca mais ia sentir minha falta no Natal!

Uma vela a bateria – Até não me parece tão mal uma vela com um LED para um reino de desastrados. Mas essa vai além: ela tem um movimento realista da chama, conforme o catálogo. Tudo o que eu pude imaginar é, naquele minuto de silêncio que sempre ocorre nas conversas, em vez do crepitar do fogo se escuta o motorzinho da vela fazendo nhóim, nhóim, nhóim... Ainda bem que desliga com o controle remoto.

Um pinheirinho que canta e dança – Um não, dois! Dois lindos modelos de pinheirinho que cantam e dançam suas canções natalinas favoritas. Estou tão emocionada que nem posso falar mais sobre isso...

Um boneco de neve inflável – Mas não só isso. Um boneco quase humano: além do brilho próprio – fornecido por duas lâmpadas em seu interior, a criatura de 1,80 treme de frio! Oh! Imagina que lindo, em vez de nhóim, nhóim, nhóim ter um objeto vibrador de quase dois metros no quintal...

Uma toca que canta e dança – Claro, porque não?!?!? Obviamente você precisa primeiro comprar essa roupinha ma-ra-vi-lho-sa de mamãe Noel e pagar o mico do ano saindo do banheiro vestida assim para surpreender sua cara-metade com três primos e dois tios ainda meio bêbados na sala! Por que claro, vestir-se com a temática de Natal é o que há de mais sexy. Mas para fechar a noite de amor, não esqueça de comprar a toquinha e entre fazendo um strip-tease ao som de Jingle-bells, tocado pela própria toca, claro, enquanto a coisa vermelha se contorce na sua cabeça. Será que vem com luzinha no pompom? Vai ser uma noite quente...

E de brinde a sétima, que não é natalina mas pode garantir um ano inteiro de bizarrice:


Peixe de um metro e meio cheio de gás hélio e dirigível por controle remoto. Como eu nunca pensei nisso antes!?!?!?! Já sei o que pedir pro Papai Noel...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Historinha de Natal: a criança esperta!


Eu já contei aqui que estou trabalhando em um mercado de Natal este mês. E quando se trabalha com gente, muita coisa acontece... Mas ontem foi um dia engraçado e não resisti em postar a historinha.
Bem, estava eu vendendo canecas e canecas de Glühwein quando chega um menininho com a mãe e pede, ele mesmo, um chocolate quente, com chantilly, claro! Achei o menino fofinho e servi o chantilly no capricho e ele se empolgou em comer o creme com uma colherinha.

Então o menino me chama e fala, com aquela cara que você quer morder de tão fofo: Tia, a senhora pode colocar mais chantilly pra mim? Alguém resiste? Fui lá e coloquei o creme mais uma vez... e ele seguiu na comilança.

Continuei atendendo os clientes e, de repente, olho para o lado e lá tá o menino com o copo cheioooo de chantilly de novo... E de novo... E de novo! Então eu começo a perguntar para os meus colegas...

O menininho chamou um por um e pediu mais chantilly com aquela cara de fofo. Muitooooo esperto. Fui lá conferir e perguntei pra ele: Quantos anos você tem? Ele responde todo maroto:  Eu tenho três anos...

E com três anos passou a conversa em todo mundo da barraca de Glühwein!


Fiz o quadrinho acima pra contar a história lá no 9GAG também. O link é este aqui!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pinheirinho, que alegria! La, la, la, la, la, la, la, la, laaaaa!


Pinheirinhão: No Natal alemão a árvore tem destaque, como no mercado da Gendarmenmarkt 

Se tem um costume que os alemães não abrem mão é da árvore de Natal. Final de outubro e já ficam todos ouriçados em busca da melhor opção e eu chutaria que 99,5% deles só leva pra dentro de casa pinheirinhos naturais. No primeiro ano que passei aqui não me dei conta disso até janeiro chegar e as ruas ficarem tomadas de uma quantidade absurdamente gigante de pinheirinhos usados, meio mortos, pelas calçadas. Fiquei chocada e questionando esse papo todo de sustentabilidade que tanto falam por aqui.

Com o tempo – e o alemão melhorando com isso – li matérias sobre as plantações de pinheirinhos de Natal: fazendas inteiras especializadas no produto e com isso decidi que tal costume não era nenhuma barbárie. A TV também mostra sempre as árvores gigantes – de muitos metros – sendo “plantadas” nas praças para os mercados de Natal. Comecei a achar tudo fofo e a observar a correria dos senhores de cabelinhos brancos e olhos muito azuis em busca da árvore perfeita. Você vê a cena por todos os lugares: no ônibus, no metro. E as lojinhas de vender pinheirinhos se multiplicam. As praças ganham cercadinhos e uma tenda e lá estão eles às centenas: basta escolher o tamanho e o tipo favorito. Pelos tons de verde e pelo formato, dá pra perceber que são diferentes tipos, mas não parei pra pesquisar o assunto.

O meu pinheirinho: este ano a festa de Natal é aqui em Berlin

Em casa, nunca tinha feito um pinheirinho, por assim dizer. Todos os anos eu improvisava alguma coisa com luzes e bolinhas, mas como passamos as últimas festas de Natal em Portugal, onde mora a minha irmã, dispensei a decoração. Este ano vai ser diferente: seremos os anfitriões da festa de Natal (ai que chique!) e por isso queria deixar nossa casinha com cara de casa de família e sai à procura de uma árvore. Brasileira que sou, criada em Natais de 40 graus lá nas ruas de Blumenau, não pensei duas vezes antes de comprar uma árvore artificial e foi tudo pela internet: comprei árvore, pisca-pisca (que não pisca, mas é bonitinho mesmo assim!), bolinhas, fitas e afins tudo pelo e-bay. E viva o Natal sem filas.

Montamos o tal do pinheirinho no dia que chegou – e descobrimos que 1,5 metros de árvore ocupa muito mais espaço do que prevíamos – mas não tive tempo de decorar na hora. Só colocamos as luzinhas. Eis que o marido recebe um amigo nesse meio tempo (um alemão, claro!) que olha abismado para a coisa verde com 30 pontinhos de luz e, sem pudores, deixa claro o que está tudo fora do “Ordnung”. A primeira pergunta foi por que a árvore não era natural, seguida de um comentário de que ela não podia ficar assim, só com as luzinhas. Das geht nicht! Ai o marido explicou que a coisa toda ia ser enfeitada e tal... Mas o engraçado de tudo foi o choque e a necessidade de explicar que o Natal não podia ser daquele jeito! Eu ri.

No entanto, Natal sempre foi assunto sério na minha casa. Minha mãe foi professora de artes por quase 30 anos e hoje em dia, já aposentada, trabalha justamente com decoração: ela faz carros alegóricos para a Oktoberfest de Blumenau, faz cenários de teatro e, claro, tem dedinho dela nas decorações lindas que estão chamando a atenção para o Natal da cidade. Que orgulho! Então não podia fazer feio e decidi que não ia apenas pendurar bolinhas, para o ceticismo mais puro do marido (que nem queria a árvore pela casa!). Fiz um monte de “arranjinhos”, cheios de laços e detalhes... e a árvore ficou uma fofura! Achei tão bonitinha que resolvi colocar as fotos por aqui também. E a melhor parte foi ver que o marido entrou no clima também e agora, quando chego do trabalho, está a arvore com as luzinhas acesas me dando boas vindas!








 Ps1.: Esse post foi inspirado pela Joaninha Bacana, que falou sobre o pinheirinho dela noBlog bacanudo que ela tem (recomendo!!!) e me deixou com vontade de mostrar o meu também!!!  Feliz Natal pra ela e pra todo mundo que passa por aqui!!!


 Ps2.:Ah, e pra quem ficou achando o título do post meio esquisito, trata-se de uma musiquinha de Natal...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Receita de Natal: Amêndoas carameladas têm o sabor dos Weihnachtsmark da Alemanha


Os posts mais recentes aqui do blog têm sido bem natalinos. Falei sobre os mercados de Natal, as bebidas quentes e até mesmo do Vanillekipferl, meu biscoito favorito dessa época. Mas ficou faltando ainda escrever sobre uma das coisas mais marcantes dessa época de festas aqui na Alemanha: as amêndoas caramelizadas. O cheiro é maravilhoso e você sente por toda a cidade: tem sempre uma barraquinha vendendo as mais diversas qualidades e fica difícil resistir. A variedade é grande: amêndoas, nozes, macadâmias, amendoins, as brasileiríssimas castanhas-do-Pará e até mesmo sementes de abóbora. Bom, essas últimas ai o marido provou e não gostou muito não, então resolvi deixar passar.

No primeiro Natal que passei aqui achei bem curioso encontrar os tais amendoins confeitados, já que na minha casa – e na maioria das casas do Sul do Brasil – é costume preparar essa iguaria para a Páscoa e com ela rechear casquinhas de ovos. Bom, tudo diferente por aqui: na Páscoa, os ovos são apenas ovos cozidos (contei tudo aqui nesse post) e os amendoins doces são coisas do Natal.

Todos os anos eu compro as amêndoas no mercado e este ano decidi tentar fazer em casa. A parte mais legal é que ficaram iguaizinhas e é muito fácil e rápido. Assim, mesmo quem está longe dos Mercados de Natal alemães pode provar essa iguaria. A receita é a mesma para qualquer um dos frutos. No Brasil, eu certamente tentaria fazer com nozes pecã, que são uma delícia, além, claro, das castanhas-do-Pará.


Amêndoas caramelizadas

Ingredientes

200 gramas de amêndoas (ou amendoim, nozes, castanhas, etc)
200 gramas de açúcar
10 gramas de açúcar de baunilha (um pacotinho ou uma colher de sopa rasa)
1 colher de sopa rasa de canela em pó 125 ml de água

Preparo

Coloque a água em uma frigideira de laterais altas e acrescente o açúcar, a baunilha e a canela. Misture bem e espere ferver.


Quando estiver fervendo bem, junte as amêndoas.


Mexa com cuidado para que fique dourando por igual. A calda logo vai começar a açucarar.


Nesse ponto, mexa devagar, para manter o açúcar colado às amêndoas.


Uma vez açucaradas, retire do fogo por alguns minutos.


Retorne ao fogo mexendo sempre e observe que o açúcar vai derreter novamente.


 Mexa sem parar para que todas as amêndoas adquiram um caramelo brilhante de forma homogênea.


Quando todas estiverem caramelizadas, despeje sobre papel manteiga (Backpapier) e separe uma das outras o máximo que puder.


É só esperar esfriar e se deliciar! Guarde em pote bem fechado para evitar que, com a umidade, o açúcar derreta e deixe as amêndoas grudadas. Se ficou com alguma dúvida ainda quanto ao passo-a-passo, tem um vídeo em alemão aqui que mostra em detalhes todo o processo. Não tem como errar!!!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Vanillekipferl: uma receita simples de biscoito com sabor da Alemanha


Natal na Alemanha é cheio de tradições: os mercados, as bebidas quentes, mas também os docinhos. É época de ir pra cozinha e perfumar a casa com aquele cheirinho de biscoitos saídos do forno. São vários esta lista: os amanteigados, decorados com glacê, os Spekulatius e os meus favoritos, Vanillekipferl, em forma de lua crescente. Então, esse é um post vapt-vupt pra falar sobre eles, já que preparei uma receita ontem e deixei gente com água na boca. São tão simples de preparar que nem parece verdade. Confere ai a receita:

Vanillekipferl

Ingredientes:

200 gramas de manteiga ou margarina gelada
100 gramas de amêndoas moídas (pode ser feito com castanha-do-Pará, de caju ou mesmo amendoim)
350 gramas de trigo
70 gramas de açúcar de confeiteiro
5 pacotinhos de açúcar de baunilha (corresponde a 5 col de sopa rasas)
1 pitada de sal (se usar manteiga ou margarina sem sal)
1 ovo
1 colherinha de café rasa de canela em pó
Açúcar de confeiteiro pra decorar

Preparo:

Junte todos os ingredientes em uma bacia e mexa com a mão até formar uma massa uniforme e descolar dos dedos. Leve a geladeira coberta com plástico para não ressecar por pelo menos 1 hora. A receita não leva nenhum tipo de fermento ou bicarbonato. Retire, modele as luas crescentes, disponha em uma forma com papel manteiga, separadas por 1 a 2 centímetros entre elas e asse em forno pré-aquecido a 200 graus até que as pontas das luas fiquem bem douradas. Passe os biscoitos assados pelo açúcar de confeiteiro e saboreie essa delícia alemã!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Receita de Natal: Feuerzangenbowle é o vinho quente mais sofisticado que esquenta o Weihnachtsmarkt alemão


Feuerzangenbowle nada mais é do que uma versão mais condimentada do Glüwein, acrescida de rum. O mais delicioso dessa bebida é o espetáculo. Para fazê-la, coloca-se um torrão de açúcar em um suporte, molha-se de rum com alto teor alcólico e ateia-se fogo. O fogo derrete o açúcar e as linguas flamejantes caem no vinho e se misturam a bebida já condimentada.

Nos mercados de Natal da Alemanha, a receita é feita em grande quantidade. Mas da pra comprar uma caneca com o suporte para porções individuais. Na falta dela, improvise com um garfo. É só equilibrar o garfo na borda da caneca, colocar um cubo de açúcar sobre ele e incendiar com a ajuda do conhaque. Fica delicioso!

Feuerzangenbowle:

Ingredientes:

1 litro de vinho tinto seco
50 ml de rum (acima de 50% de álcool – Na Alemanha usa-se tradicionalmente um rum – austríaco ehehhe - com 80% de álcool chamado Stroh)
2 paus de canela de 10 centímetros
3 cravos da índia
2 rodelas de limão
2 rodelas de laranja
1/4 de maçã com casca
3 unidades de anis estrelado
1 punhado de amêndoas em lascas
1/4 de folha de louro pequena
1 torre de açúcar ou 10 cubinhos de açúcar

Preparo:

Coloque o vinho em uma panela. Junte todos os temperos – menos o açúcar e o rum - em uma trouxa de gaze ou pano fininho para que não se dispersem no vinho. Coloque a trouxa de temperos no vinho e leve ao fogo até ficar bem quente (não pode ferver!). Desligue o fogo e deixe descansar por cerca de uma hora para pegar bem o sabor. Aqueça novamente e, quando estiver bem aquecido, coloque o açúcar sobre uma superfície metálica com orifícios (vale até um escorredor de macarrão, na falta de algo próprio!) e despeje o rum sobre o açúcar, até que fique bem encharcado. Cuidadosamente, coloque fogo no açúcar umedecido de rum e espere que derreta antes de servir.

Não deixe de ver também as receitas do Glüwein e do Eierpunch.





Receita de Natal: Um brinde ao Weihnachtsmarkt com Glühwein, o vinho quente alemão



O Natal aqui na Alemanha tem um cheiro característico. Um não, dois: de amêndoas caramelizadas (que vou escrever em breve) e o de vinho quente, o famoso Glühwein. As cidades todas ficam com esse aroma no ar, misturado ao vento gelado e cortante dessa época do ano. Trata-se da bebida mais vendida nos tradicionais mercados de Natal. Lembra bastante o quentão brasileiro, servido nas festas juninas do Sul do país, mas um pouco mais temperado. O Glühwein seria uma versão mais moderna de uma bebida chamada Conditum Paradoxum, uma espécie de vinho temperado que se bebia frio durante a idade média.

As bebidas quentes são o que garantem um passeio divertido pelos mercados de Natal, especialmente quando a neve tomou conta dos pátios e os termômetros insistem em ficar vários graus abaixo de zero. A desculpa pra beber é sempre a mesma: só pra esquentar! E esquenta mesmo... as mãos e a alma. A coisa é tão popular que é impossível não associar Natal alemão ao vinho quente.


O Glühwein é servido em canecas decoradas – cada mercado ou cada barraca tem o seu modelo – e na hora da compra paga-se por dois produtos diferentes: o valor do vinho quente (que este ano, em Berlin varia de 2 a 4 euros) e um depósito pela caneca, Pfand (2 a 5 euros). Quando terminar de beber, é só devolver a caneca e pegar seu dinheiro de volta. Ou levar a caneca de lembrança pra casa.

Também é possível encontrar garrafas de Glühwein já prontinho no mercado, mas fazer em casa, com todos os temperos é mais saboroso. Sachês com o tempero do vinho quente também são fáceis de achar: vem com um pó pra ser misturado a uma garrafa de vinho. Mas melhor do que comprar engarrafado, o melhor mesmo é fazer em casa! Se quiser, confira ainda a receita de outras duas bebidas quentres tradicionais dessa época: o Eierpunch e o Feuerzangenbowle.

Glühwein:

Ingredientes:

1 garrafa de vinho tinto (ou branco!) seco
2 paus de canela de 10 centímetros
3 cravos da índia
2 colheres de açúcar
1/2 limão (suco)
1/4 limão (casca em pedaços!)
1/2 laranja (suco)
1/4 laranja (casca em pedaços!)

Preparo:

Coloque o vinho em uma panela e adicione o suco de limão, de laranja e o açúcar. Junte todos os temperos em uma trouxa de gaze ou pano fininho para que não se dispersem no vinho. Coloque a trouxa de temperos no vinho e leve ao fogo até ficar bem quente (não pode ferver!). Desligue o fogo e deixe descansar por cerca de uma hora para pegar bem o sabor. Aqueça novamente na hora de servir. Pode ser servido com 20 ml de rum ou 30 ml de Amaretto (licor de amêndoas) em cada caneca de 200 ml.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Receita de Natal: tradicional nos mercados da Alemanha, a Flammkuchen pode ser feita em casa


Como eu contei aqui, aprendi a fazer várias receitas de frio trabalhando em um mercado de Natal. Uma delas foi a tal da Flammkuchen, típica da Alsácia, e quem quiser sentir o gostinho do Natal em casa, pode experimentar. No mercado, eram quatro opções: Clássica (bacon em cubinhos, cebola e queijo ralado), Mediterrânea (azeitonas pretas e verdes em rodelas, jalapeños e scharfkäse triturado), italiana (tomate, mozzarella e manjericão) e espanhola (tomate, presunto serrano e jalapeños, servida com rúcula e queijo parmesão ralado). Em alguns dias da semana sai ainda uma especial de atum (atum, cebola, mozzarela, azeitonas verdes e pretas). Mas para começar, sugiro a mais tradicional:


Flammkuchen clássica

Ingredientes:

- 6 a 8 Tortilhas (daquelas mexicanas mesmo!) com 25 centímetros
- 1 colher de Schmand
- 1 copo de Crème Fraîche
- Ervas de Provence, nós moscada moída, pimenta preta, páprica doce, alho em pó e sal

Para a cobertura:
- Bacon (ou presunto defumado, salsicha, enfim, o que preferir), cebola, queijo ralado para pizza

Preparo:

Pré-aqueça o forno em 200 graus. Se tiver uma pedra de pizza, melhor ainda: aqueça bem a pedra antes. Misture o Schmand com o Crème Fraîche e todos os temperos. Passe uma fina camada por toda a superfície da tortilha (como se estivesse passando manteiga no pão). Coloque a cobertura como em uma pizza. Leve ao forno até as bordas ficarem bem douradas. Corte em quadradinhos para servir.

Importante: A massa deve ser toda coberta pelo creme. As partes que não forem cobertas vão queimar como essa redonda da foto que eu fiz em casa. Outra dica é: se não tiver uma pedra,coloque a Flammkuchen apenas em um papel de assar (Backpapier), sem forma. Com isso ela vai ficar mais crocante e faz toda a diferença!

A  foto abaixo é da Flammkuchen que vende lá na barraquinha do Weihnachtsmarkt. Fiz com o celular e não ficou muito boa. Lá em cima é da receita feita em casa.


Weihnachtsmarkt: a Alemanha se rende aos mercados de Natal


Não fosse a falta que a família faz, eu responderia sem titubear que o Natal na Alemanha é o melhor do mundo. É lindo e as celebrações já começam em novembro com a montagem dos tradicionais mercados de Natal: Weihnachtsmarkt, também chamado de Christkindlmarkt (algo como mercado do Menino Jesus). A tradição se espalha de Norte a Sul (e em outros países da Europa também) e cria um clima especial em todas as cidades.


São barraquinhas decoradas, luzes, o cheiro de amêndoas doces e vinho quente pelo ar. A atmosfera é quase mágica: um convite a enfrentar o frio e passear pelas ruas. Em Bremen, onde morei por três anos, acontecem paralelamente dois mercados de Natal: um bem no centro da cidade, tradicional, e outro na beira do rio Weser, que recria os costumes, comidas e vestimentas da Idade Média.


Agora, em Berlin, a coisa é mais complicada. Comecei a ver barraquinhas pipocando em vários pontos da cidade e me espantei com a informação: são aproximadamente 60 mercados de Natal espalhados pelos 16 distritos da capital Alemã. No bairro onde eu moro, que se chama Charlottenburg-Willmersdorf, são doze mercados. Um dos mais recomendados é bem pertinho da minha casa: o Weihnachtsmarkt Schloss Charlottenburg, que fica montado na frente do castelo que pertenceu a Casa dos Hohenzollern, antigos imperadores da Prússia. Além das tradicionais barraquinhas, o castelo é iluminado durante toda a noite com holofotes coloridos e projeções: é só pegar uma caneca de Glühwein bem quentinho e ficar apreciando.

Aliás, por falar em Glühwein, este ano estou acompanhando o mercado de Natal por um outro ângulo. Estou trabalhando algumas horas por semana em uma barraquinha deste mercado, que vende além de bebidas quentes, alguns pratos típicos dessas feirinhas: Flammkuchen (uma receita típica da região em que a Alemanha faz fronteira com a França e Suiça e que você pode fazer em casa!) e Gulasch, a tradicional carne ensopada que os alemães tanto amam, mas feita com cervos e servida com Spätzle (hmmmmm).


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dia de São Nicolau na Alemanha: eu também quero um presente!

Dia especial: São Nicolau e Knecht Ruprecht visitam as crianças alemãs*

Eu me esqueci de pendurar uma meia ontem a noite e, por isso, acordei sem presente hoje. Essa é a tradição aqui na Alemanha. No dia 6 de dezembro, as crianças que deixaram suas meias ganham presentes de São Nicolau (Heiligen Nikolaus): brinquedinhos, doces e, em tempos mais antigos, tangerinas. É um dia bem bacana e esperado por aqui. Nas cidades menores, inclusive, é dia de pedir doces de casa em casa (o costume de fazer isso no Halloween já foi importado por aqui também, mas o São Nicolau é realmente alemão).

Mas os doces não saem de graça não! As crianças precisam mostrar algum dote artístico para os visitantes a fim de conquistar suas prendas. Em geral, ou cantam ou recitam um versinho. No primeiro ano que passei na Alemanha, trabalhei por uns meses em um estúdio fotográfico e, perto do fim do expediente, começaram a chegar os pequenos – de tocas de Papai Noel, tiaras com orelhas de rena e afins – fazendo suas breves apresentações em troca de balas. Até decorei um versinho:

‎"Ich bin ein armer Kater,
habe keinen Vater,
habe keine Mutter,
gib mir etwas Futter."


(Eu sou um pobre gato, não tenho pai,
não tenho mãe, me de algo para comer).

Andei pesquisando um pouco sobre essa data festiva e achei alguns relatos curiosos, embora nenhuma fonte “oficial” que eu possa citar aqui. Mas para registro, dizem que em tempos antigos, as crianças eram presenteadas com ovos, bacon, bebidas alcóolicas e frutas. Bom, os tempos mudaram. Na minha infância, em Blumenau, lembro bem que todo ano, em 6 de dezembro, passava um Papai Noel pela rua distribuindo balas e passávamos o dia de olho no portão pra não perder a chegada do visitante ilustre.

Por aqui, também acontecem visitas, mas nos jardins de infância: Kindergarten. Mas esqueça o Papai Noel modelo Coca-cola. Quem faz a peregrinação é o bispo Nikolaus, com uma túnica vermelha e uma mitra na cabeça, acompanhado de seu ajudante Knecht Ruprecht, um barbudo de túnica marrom e com um cajado feito de varetas. Tradicionalmente é ele que pergunta às crianças se elas sabem rezar. Se souberem, ganham algum presente do saco que carrega: tangerinas, amendoins, doces ou pão de mel (Lebkuchen). Se não souberem, ganham umas varetadas :).

Nunca vi o tal do Knecht Ruprecht, mas acho bacana ver a figura do São Nicolau em uma forma menos “industrializada”, por assim dizer. Vale dizer que, por aqui, essa é a única aparição importante do Papai Noel. Até mesmo na decoração natalina ele não tem muito destaque (ao menos não como no Brasil, onde é a figura principal da festa). O pinheiro, as luzinhas, bonecos de neve, quebra-nozes, renas e o Räuchermann são muito mais frequentes. Mas o centro da festa é mesmo a figura do Menino Jesus e as representações do presépio (Krippenfiguren). Aliás, por aqui, é o Menino Jesus (Christkind) quem dá os presentes de Natal.

Bom, de qualquer forma vou deixar umas balinhas preparadas e, caso alguém passe por aqui pedindo doces, eu conto a história aqui no blog :)!!!

* A foto que ilustra o post, é de Böhringer, publicada originalmente aqui, licenciada de acordo com as normas do Creative Commons

domingo, 26 de dezembro de 2010

No ano em que Noite Feliz virou a Dança do tiro-liro

Faz pouco mais de um ano que vim pra Portugal pela primeira vez. Minha irmã mora aqui, tem uma família portuguesa ‘bué da fixe’ e mostrou o país inteirinho pra mim: se não o país todo, ao menos muito mais do que a maioria dos lusitanos já teve a chance de conhecer. Mas minha relação com Portugal vem de muito antes e não apenas dos livros de história ou da literatura estudada para o vestibular há muitos anos.

Eu tenho uma tia portuguesa e desde pequena a culinária da terrinha permeava as tradições brasileiras: bolo rei, pastéis de nata e bacalhau. Mas a música foi uma referência maior: eu passei a minha infância e pré-adolescência ouvindo Roberto Leal. Na verdade, apesar de ter alguns em casa, ouvindo um único disco dele, infinitas vezes. Minha irmã ganhou o tal do LP, não sei de quem, não sei de onde, mas eu e uma vizinha da mesma idade passamos tardes inteiras ouvindo repetidas vezes as mesmas canções.

A primeira música do Lado A era a Dança do Tiro Liro... “Tiro liro liro, é tudo muito giro!” E na época, no meu vocabulário de menina, “giro” era tão somente o verbo girar. Depois havia uma canção chamada “Férias em Portugal”. Essa era especial: uma balada romântica que eu e a fiel escudeira da infância, dançávamos de rosto colado com a capa do disco do gajo :D. Era dupla: trocávamos a cada vez, já que uma tinha uma foto grande e a outra tinha que contentar-se com o Roberto Lealzinho: injustiça.

Essa música em especial descrevia cada “sítio” do país: “Um país de amor, recordações. Em Coimbra ouvir velhas canções. Capas negras vestem ilusões. Castelos de história e tradições. Rio d’Ouro e Porto mais além. Nas aldeias tudo corre bem. No Algarve as noites de sol e de verões, não cabem em mil canções”. A letra deve ter erros, como as outras que estão por vir, porque escrevo o que está na memória: e cada frase dessas, depois, virou um cenário pelas andanças por esse país tão lindo. E tinha mais: “Carapaus, vinho verde e companhia. É uma noitada numa tasca em Portugal. Um fandango, caldo verde à Mouraria. Carapaus, vinho verde e companhia”.

Neste Natal não teve carapaus: teve bacalhau, vinho verde e companhia. Muita companhia – da família portuguesa que ganhamos de presente – e muito vinho verde. E depois de algumas taças de “Binho Berde”... todas as histórias ai de cima deixaram os recantos da minha memória e acabaram degustadas das entradas à sobremesa. Corei, fiquei vermelha, roxa e dei muitas risadas. E mal sabia que isso era apenas o começo.

E no meio de tanta conversa, fui eu a ganhar a primeira prenda da noite, mesmo com todos os pacotes ainda fechados sob a árvore. Chega o dono da casa, com o celular em punho e me passa uma chamada. Do outro lado da linha, a pessoa mais improvável do mundo: quem me deseja feliz natal todo simpático era o próprio Roberto Leal! :)


Enquanto na infância meus coleguinhas de escola dançavam ao som do Balão Mágico, eu me requebrava no Tiro-liro. Foi pra mim, como seria para a maioria, mais ou menos como a Simony ou o a Xuxa telefonarem. Inusitado é pouco! E, me perdoem a tietagem tão démodé: mas foi uma surpresa prá lá de feliz.

E agora, vou mesmo andar pelas ruas lisboetas com outro ritmo: “Subo a viela, toda enfeitada, roupa estendida pelos balcões e uma janela iluminada, que cheira a vinho, tascas e canções”...

sábado, 6 de novembro de 2010

Receita de Natal: sem as frutas secas tradicionais, o melhor Stollen do mundo, de chocolate, nozes, castanhas e marzipã, é o meu!


O melhor Stollen do mundo – entre os que eu já provei, claro! – é o meu! Ehhehehe Sim, verdade e sem falsa modéstia. Pra quem não sabe, Stollen é uma espécie de panetone – um pão cheio de frutas cristalizadas, castanhas e, algumas vezes com recheio de marzipã – que se come no Natal. (Saiba mais em alemão ou em inglês) Aqui na Alemanha não é comum ver panetones à venda. Existem, claro, mas como artigos importados. A tradição é mesmo comer Stollen.

Como estou em uma fase que não sei pra onde a vida vai me levar (se vou embora, se fico na Alemanha, na Europa ou pra que canto do mundo sigo), ando empenhada em aprender as receitas típicas daqui e, de preferência, com ingredientes que eu possa encontrar mundo a fora. Por que assim, mesmo que eu vá embora, posso levar um pouco da Alemanha comigo e, em especial, o Natal daqui: que é perfumado, lindo, gelado.
Pra ser perfeito, só falta a família reunida. Mas não se pode ter tudo na vida.

Bom, voltado ao Stollen. As revistas de mulherzinha – que eu adoro comprar porque é uma forma não tão chata de estudar alemão – estão cheias de receitas. Desde o mais tradicional Stollen, com frutas cristalizadas, uva passa e marzipã, até outras criações, com pasta de papoula.

Esse ai é o mais tradicional deles, com a receita pra quem quiser se aventurar:


Achei uma outra receita bacana em uma dessas revistas em que o Stollen é enrolado como um rocambole – o que evita que todas as frutinhas parem no fundo dele (a página da revista com a receita tá no final desse post). Como o meu namorado não é muito fã de frutas secas, lembrei dos ‘chocotones’ do Brasil e fiz uma mistura: Stollen enrolado com chocolate ao leite, chocolate amargo, avelãs e recheio de marzipã. E eu juro: é o melhor que já provei nesse mundo!!!! Vai ai a receitinha (que não é nada difícil!)

Stolen de chocolate com avelãs e receio de marzipã

Ingredientes para dois Stollen de 30 centímetros:

Para a massa:
500 gramas de trigo (Na Alemanha, tipo 405)
125 ml de leite
1 cubo de fermento biológico fresco (aqui são 42 gramas. Não sei o tamanho dos cubos no Brasil)
100 gramas de açúcar
125 gramas de manteiga ou margarina
4 colheres de licor de amêndoas (opcional)

Para o recheio:
200 gramas de avelãs picadas grossamente (deve ficar ótimo também com castanhas do Pará)
100 gramas de chocolate meio amargo em barra (picado grosseiramente)
100 gramas de chocolate ao leite (picado grosseiramente)
150 gramas de massa de marzipã (opcional, mas por aqui é fácil achar: Marzipanrohmasse)

Para a cobertura:
2 colheres de manteiga ou margarina
Açúcar de confeiteiro pra polvilhar

Preparo:
Em uma bacia, coloque metade do trigo e faça um buraco no meio. Coloque cerca de 1/3 do açúcar e esfarele o cubo de fermento sobre o açúcar. Aqueça o leite a uma temperatura em que possa tocar nele (muito quente vai matar o fermento) e despeje cuidadosamente sobre o fermento esfarelado. Deixe o fermento levedar por cerca de 15 minutos. Acrescente o restante do trigo, o açúcar e a manteiga (ou margarina) derretida. Amasse como se fosse um pão, embora a massa fique bem mais mole. Se precisar, acrescente mais trigo até obter uma textura consistente o bastante para abrir com rolo, mas não dura demais. Deixe crescer por cerca de 40 minutos. Depois de crescida, divida a massa em duas partes e, em superfície polvilhada, abra com a ajuda de um rolo até que ela forme um retângulo com cerca de 30 centímetros de largura, uns 50 de comprimento e cerca de 2 a 3 milímetros de espessura.

Para o recheio, misture as avelãs e o chocolate picado e divida em duas partes, já que a receita é para montar dois rolos com cerca de 30 centímetros cada. Divida também o marzipã e faça uma ‘cobra’ com ele. Para enrolar, coloque na ponta o marzipã e comece a enrolar em volta dele como se fosse um rocambole. Vá colocando a mistura de chocolate e avelã por toda a superfície da massa e enrole com cuidado. Cuide para que as extremidades laterais não fiquem sem recheio. Na última volta, deixe sem nada, para dar acabamento. Deixe o rolo pronto descansar por cerca de 20 minutos. Leve ao forno pré-aquecido em 180 graus por cerca de 40 minutos. Repita o procedimento para o segundo rolo. Quando tirar o Stollen do forno, passe manteiga ou margarina e polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Ai em baixo vai a página da revista com a receita original. Vale dizer que há um erro quando a espessura da massa descrita no item 3: são 2 milímetros e não 2 centímetros obviamente.


Na revista veio ainda uma terceira receita, de Stollen de queijo Quark com papoulas. Não fiz e nunca provei, mas fica para ilustrar a variedade dessa delícia natalina tão típica da Alemanha.

de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel