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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Compras na Alemanha: seis coisas esquisitas que você só vai encontrar em um supermercado alemão


Fazer compras em um supermercado na Alemanha é uma experiência bem diferente do Brasil. Até mesmo os produtos mais básicos diferem. Enquanto no Brasil aparecem sacos de arroz gigantes e em profusão, na Alemanha o espaço é das batatas. Por aqui, nada de feijão ou farinha: esses são artigos que só se acha em mercados africanos, asiáticos ou especializados em comida importada.

Mas algumas coisas fazem a experiência de ir ao mercado aqui única, a começar pelo cheiro. Esse eu não explicar e nem descrever, mas cada vez que entro no mercado sei que estou na Alemanha. Nas prateleiras também existem coisas muito peculiares que só se encontram por aqui (ou em Blumenau (SC)! Mas como eu digo sempre, Blumenau é mais alemã que a Alemanha, então não conta!). Fiz uma listinha das coisas esquisitas peculiares que se vê por aqui:

Mett – Esse foi um dos meus primeiros sustos na Alemanha. No Brasil, a gente aprende desde a terceira série que a carne de porco tem que ser bem passada ou pode transmitir esquistossomose e outras doenças. Por aqui as enfermidades tropicais não fazem parte das preocupações e os alemães comem carne de porco assim, crua. É a versão do bife tartar feita com carne suína, moída e temperada. Se come com pão, no café da manhã e é tão popular que toda a cantina de universidade vende. Confesso que tive nojo na primeira olhada, mas provei e aprovei. Hoje em dia até faço em casa.

Rollmops – Como eu cresci em Blumenau, Rollmops lembra a minha infância. Não que eu comesse isso: mas o embrulho no estômago que me dava de ver os enrolados de peixe cru se desfazendo em um vidro cheio de vinagre no balcão da vendinha da esquina. Por aqui é uma comida comum e feito com arenque (no Brasil se usa sardinha) e está disponível em potes de todos os tamanhos, com cebola, sem cebola, com temperos diversos. Nunca provei. Não planejo provar.

Sülze – É uma gelatina salgada feita, geralmente, a partir do cozimento da cabeça do porco com as carnes da carcaça do crânio. Parece uma descrição horrenda, mas depois de superar a textura estranha, o sabor é bom. É um caldo de carne (de porco), temperado com especiarias e que endurece em volta de pedaços de carne. Há ainda a versão fatiada, para comer no pão, com variações de frango ou até vegetais. Eu gosto bastante, mas nunca achei outro entusiasta para me acompanhar na degustação.

Ovo cozido – Já contei aqui no blog que, na Páscoa, os alemães não costumam comer ovos de chocolate. A tradição é procurar e saborear deliciosos ovos de galinha cozidos. E eles são vendidos o ano inteiro, com as cascas coloridas. Em casa a gente sempre teve milhares de pudores com os ovos (no bom sentido!) e achava que em qualquer meia-hora fora da geladeira eles se transformariam em um foco de salmonelas, mas por aqui a visão é diferente. Ovos cozidos não são refrigerados e tem 
uma validade bem longa.

Chocolate pro pão – Alemão adora Nutella e suas marcas genéricas. Tem até uma que era fabricada já na época da antiga AlemanhaOriental, a Nudossi. Eu acho mais saborosa, menos doce e com mais avelã, mas há quem prefira a receita tradicional. Mas tradicional mesmo por aqui não é nada cremoso: são fatias finas de chocolate para colocar no pão. E na versão branca e preta. Alguém se habilita a provar!?


Suco de Sauerkraut – Essa é, sem dúvida, a pior coisa comestível que se vende no país. Achei que provar fazia parte do aprendizado e por isso divido a história para que ninguém mais faça isso. O suco de chucrute nada mais é que o caldo que sai quando se espreme o repolho que azedou em um pote com sal. E olha que eu gosto de chucrute, mas o suco é intragável. 

sábado, 25 de agosto de 2012

Receita típica alemã: Mett ou Hackerpeter como aperitivo de Norte a Sul


Mett ou Hackerpeter: entrada perfeita ou acompanhamento para aquela cerveja gelada

A receita de hoje é tipicamente alemã, mas adaptada ao Brasil. Trata-se de Mett ou Hackerpeter (nome usado no Norte do país), também chamada por muitos de bife tartar ou até mesmo carne de cobra. Bom, em primeiro lugar, de cobra não existe nada. Aqui na Alemanha o prato é preparado com carne moída de porco, servida crua. Já no Brasil, pelo risco de doenças que a falta de saneamento poderia provocar a essa prática, o prato é feito com carne de boi. Pode-se usar patinho, com pouca gordura, moído bem fino.

O preparo é muito simples e rápido e o resultado final é uma espécie de patê de carne crua bastante saboroso. Serve-se, preferencialmente, com pães integrais pesados, mas na falta deles, qualquer pão pode acompanhar. Combina perfeitamente com uma cerveja e uma roda de amigos. Muitos restaurantes servem como entrada, mas por aqui, trata-se de um item comum no café da manhã!

Mettbroetchen: opção no café da manhã das cantinas universitárias de todo o país

Nas cantinas das universidades e mesmo das empresas é comum encontrar meio pão francês com Mett e cebolas salpicadas no topo: Mettmitzwibeln, nesse caso. Nos mercados, a carne vem preparada em saches como os patês; por quilo, preparada fresca e de forma muito simples (só sal, pimenta e alho) ou ainda em porções individuais, em embalagens industrializadas.

Come-se Mett de Norte a Sul da Alemanha e a história desse prato ninguém sabe bem contar. Nem a lista exata de ingredientes. A receita abaixo é a que me habituei a fazer, mas existem variações de toda a ordem, por isso, coloco alguns ingredientes como opcionais: uso se tenho em casa. Sem eles, o sabor não muda muito.

Ingredientes:

400 gramas de carne moída sem gordura (patinho ou outra)
1 cebola bem pequena cortada (ou meia média) em cubinhos muito pequenos
2 dentes de alho médios ou 1 grande bem picados
20 a 30 unidades de alcaparras bem picadas (elas dão um sabor especial, mas não deixe de fazer a receita se faltarem. Fica bom mesmo sem as alcaparras)
1 colher bem cheia de mostarda amarela cremosa meio picante (mittelscharf). Na falta dessa, pode usar mostarda escura que também funciona!
1 colher de café de páprica doce (opcional)
1 colher de sopa de cebolinha verde e/ou salsinha picadas bem fininhas
4 a 6 filés de aliche em conserva (bem ficados)
1 gema de ovo sem a pele (peneirada)
1 colher de sopa de conhaque (opcional – raramente uso!)
Sal e pimenta preta a gosto

Preparo:

Misture todos os ingredientes frescos e sirva em seguida.

*Foto de Eigenes Werk, publicada originalmente aqui, e licenciada de acordo com o Creative Commons

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