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segunda-feira, 26 de março de 2012

Berlin temática: Nazismo, holocausto e a 2ª Guerra Mundial marcam roteiro pela cidade


Nazismo e holocausto ainda são – e sempre vão ser – um tema espinhoso para a Alemanha e para qualquer alemão. Não é um tema sobre o qual se possa fazer piada: e isso os brasileiros precisam aprender de uma vez por todas. É um daqueles assuntos proibidos em festas, conversas ou qualquer situação, a não ser com quem se tenha muita, muita intimidade mesmo.  E para Berlin, essa regra vale ainda com mais ênfase. Por aqui, as lembranças dos anos em que o terceiro Reich comandou a Alemanha são ainda mais evidentes: seja na arquitetura característica dos anos de Nacional Socialismo ainda presente pelas ruas importantes da cidade, seja pelos memoriais e museus que fazem parte do roteiro obrigatório de quem visita a capital alemã.

Esse post é para falar dessas atrações mas também para fazer um desabafo. Um xingamento, quase. É para todos os “alemães” do Vale do Itajaí (e de outros rincões colonizados no Brasil e no mundo) saberem o quão sem tamanho é o ridículo de achar que ser alemão é ser nazista. E pior: de achar que isso é uma coisa bacana. Quero escrever aqui com todas as letras: quem pensa assim é ignorante, otário, mal informado e sobretudo babaca, muito babaca. Mais ainda quem sai aos quatro ventos propagando um revisionismo que nega o holocausto: esses deveriam ser presos.  O que aconteceu na Alemanha durante a Segunda Guerra mundial foi muito sério e muito grave e as marcas estão em cada um que aqui vive e logo são percebidas por quem adota o país como lar.

Eu só não entendo por que, entre tantas parcerias e “missões” que os nobres políticos catarinenses fazem aqui na Alemanha, nenhuma delas tratou de recursos para um projeto educacional  que levasse informação clara e detalhada sobre os regimes totalitaristas para dentro da sala de aula: eu posso apostar que não faltariam instituições interessadas em apoiar a ideia.

Bom, opiniões à parte, que esse post seja mais do que um guia de turismo: que possa servir para levar informações e inspiração para quem planeja visitar Berlin. Então, sem mais delongas, vamos à lista temática do que há para ver na cidade. Existem outros locais, museus e afins. Essa é uma lista de sugestões entre o que há de mais significativo.

Memorial dos Judeus Mortos na Europa – Vir para Berlin e não visitar o memorial é como ir para Roma e não ver o papa. Os 2711 blocos de pedra, inaugurados em 2004, já configuram uma das mais tradicionais imagens de Berlin. Ficam bem próximos do Brandenburg Tor e podem ser visitados a qualquer hora. O centro de informação, porém, tem horários específicos conforme a época do ano. Trata-se de uma espécie de museu e que a trajetória da perseguição aos judeus é contada em murais e fotos. Depoimentos, fragmentos de cartas e postais e vídeos complementam o espaço, em uma tocante narrativa sobre o terror do holocausto. No fim da visita, é possível consultar a base de dados do memorial em busca de nomes de judeus mortos durante o período da guerra.

Lápides: Memorial aos Judeus relembra os mortos durante a 2ª Guerra Mundial

Cartões e cartas: histórias de despedidas e desespero estão narradas em fragmentos reais

Crueldade: fotos mostram os horrores do período da guerra

Memorial aos Homossexuais – Em frente ao Memorial dos Judeus Mortos na Europa, já dentro do Tiergarten, há mais uma lápide, similar às que formam o complexo que relembra o massacre. Desta vez, trata-se de uma homenagem aos homossexuais, também perseguidos pelo regime nacional socialista. Em uma das pontas da lápide há uma pequena janela de vidro, pela qual fica à mostra um monitor que exibe beijos de casais gays.

Memória: dentro da estrutura, vídeo mostra beijos de casais gays

Topografia do Terror – Trata-se de um centro de documentação que, em sua área externa, mostra os restos das paredes e os fundamentos do que já foi o quartel-general da SS e da Gestapo, as forças policiais do regime nazista. Um pedaço do muro de Berlin ainda está no local. O espaço tem bastante foco nas ações repressoras coordenadas por Heinrich Himmler, um dos principais personagens da perseguição aos judeus e outras minorias. A história contada no espaço complementa a do Memorial dos Judeus Mortos na Europa: o centro de documentação mostra as engrenagens da máquina de matar construída pelos Nazistas e como ela operava.

Documentação: porões do espaço que já foi sede da SS serve hoje como memorial

Marcante: um trecho do muro foi preservado e pode ser visitado

Bunker de Hitler – Esse não é um ponto turístico e nem poderia ser diferente. Não há espaço na Alemanha para qualquer lugar que possa se tornar ponto de culto para neo-nazis de plantão. O lugar onde ficava a casamata onde Hitler, sua família e outros oficiais do nazismo tiveram seu fim foi inundado, aterrado e hoje abriga um estacionamento. Fica ao lado do Memorial dos Judeus Mortos na Europa (na Gertrud-Kolmar-Str) e apenas uma placa – colocada pelos moradores vizinhos – conta a história do local e mostra a planta dos subterrâneos da fortaleza.

Estacionamento: não há referência ao bunker em guias de turismo sobre Berlin

Campo de Concentração de Sachsenhausen – Esta é, provavelmente, a visita mais triste que se pode fazer em Berlin. O campo de concentração, que fica nos arredores da cidade (cerca de 35 minutos de trem), foi o primeiro a ser construído e passou a funcionar já em 1936, primeiro como prisão e, depois, como local de matança. Cerca de 200 mil pessoas passara por lá. Os galpões onde os judeus eram alojados de maneira sub-humana, os barracões de enfermaria – onde eram conduzidas experiências com os prisioneiros, a área de fuzilamento e os fornos, onde eram queimados os milhares de corpos, ainda estão no local. A dimensão do espaço é superlativa e o horror é ainda maior quando se imagina que Sachsenhausen foi um dos menores campos. Com o fim da guerra, o campo de Sachsenhausen foi tomado pelos russos e transformado em uma prisão militar. A visita leva ao menos três horas (a partir da chegada no campo) e por isso é bom conferir os horários de funcionamento antes de fazer o deslocamento. 

Portões abertos: visitantes ainda encontram o lema "O trabalho liberta"


 Fornos: estruturas eram usadas para cremar os corpos dos judeus mortos a tiros ou gás

Galpões: eram dezenas de galpões imensos, repletos de beliches

Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche  - A igreja, que fica no início da luxuosa avenida Kurfürstendamm é um dos cartões postais da cidade e marco presente da destruição provocada na Segunda Guerra Mundial. Junto a estrutura severamente danificada, foi construída uma nova igreja e um memorial, embora a torre semidestruída tenha sido mantida. Atualmente, a torre passa por uma reforma e está envolta em tapumes: mas ela não será reconstruída. Apenas restaurada para que permaneça da forma como ficou após os bombardeios sofridos em 1943.

Em reforma: tapumes brancos cobrem a torre atingida por bombardeios 

Museu dos Judeus – Aberto em 2001, o museu conta a história de 2000 anos de presença judaica em Berlin. A história é contada de forma a revelar o porquê as perseguições começaram e mostra ainda como viviam essas pessoas antes da guerra. O museu está na lista dos melhores da cidade.

Centro Anne Frank – Embora Anne Frank nunca tenha colocado os pés na cidade, uma exposição contando sua história foi montada em 1994 para marcar os 50 anos da liberação dos prisioneiros do Nacional Socialismo. O material produzido acabou se transformando em uma exibição permanente.

Casa da Conferência de Wannsee – Um importante capítulo na história da Segunda Guerra Mundial foi escrito em  20 de janeiro de 1942, quando os mais graduados oficiais nazistas se reuniram em uma casa no bairro balneário de Wannsee, em Berlin, para dar encaminhamento ao que ficou conhecido como “a solução final” para os judeus. Neste encontro, a Conferência de Wannsee, não houve discussão sob se as vidas seriam preservadas ou como os prisioneiros seriam tratados: essa já era uma decisão tomada e o foco do encontro era em como exterminar aqueles que os nazistas consideravam uma sub-raça (Untermensch). A casa onde foi feita esta reunião foi transformada em um memorial e pode ser visitada gratuitamente.

Mansão: casa onde foi realizada a Conferência de Wannsee virou um memorial*


Arquitetura nazista – Passear por Berlin é, cruzar, em suas esquinas, com prédios que remontam ao III Reich, construídos em um estilo particular: inspirados no classicismo Romano, porém com linhas sóbrias e retas, muitas vezes chamado de “Severe deco”. Uma vez percebida a identidade das fachadas, fica fácil reconhecer as estruturas e duas das mais representativas construções são, sem dúvida, o prédio do Ministério Federal das Finanças (durante o III Reich, era o Reichsluftfahrtministerium - Ministério da Aeronáutica) e o Estádio Olímpico de Berlin. Em outros, as fachadas ainda trazem suásticas dissimuladas em arabescos decorativos ou, por vezes, a águia que carregava o símbolo nazista não foi apagada, como na fachada do ministério das finanças do bairro de Charlottenburg.

Ministério das finanças: arquitetura sóbria remonta ao regime fascista alemão

Charlottenburg: a águia nazista não foi apagada da fachada do ministério das finanças

Estádio Olímpico: linhas retas e concreto marcam o estilo da obra inaugurada em 1936

* Foto de Clemensfranz, publicada originalmente aqui, licenciada conforme o Creative Commons

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Berlin temática: dicas de turismo e informação para conhecer tudo sobre o muro que dividiu a Alemanha


Há muito o que se ver em Berlin e por isso, em vez de montar roteiros turísticos, resolvi dividir a cidade por temas. Assim fica mais fácil escolher o que visitar a partir de um assunto de interesse. E pra começar essa saga, não tinha como fugir do óbvio: o muro.  E antes de qualquer dica turística ou explicação, que fique anotado um dado que pode ser redundante para uns, mas ao mesmo tempo responde a dúvida de outros. O muro não separava as duas Alemanhas, fora a fora. O muro separava a Berlin capitalista (West Berlin) do restante da Alemanha comunista: ou seja, formava uma espécie de “ilha” ocidental dentro da Alemanha oriental.

Berlin dividida: o muro formava uma "ilha" ocidental dentro da Alemanha comunista

Vale dizer ainda que a parte que ficava para o lado de dentro do muro também era dividida, com setores controlados pelos aliados. Assim, havia o setor americano (Kreuzberg, Neukölln, Schöneberg, Steglitz, Tempelhof e Zehlendorf), o setor inglês (Charlottenburg – onde eu moro! :), Spandau, Tiergarten e Wilmersdorf) e o setor francês (Reinickendorf, Wedding). Já do lado de fora do muro, ou seja, na parte comunista (East Berlin) – ou também chamado de setor soviético – ficavam os bairros de Friedrichshain, Köpenick, Lichtenberg, Mitte, Pankow, Prenzlauer Berg, Treptow, Weissensee, Marzahn, Hellersdorf  e Hohenschönhausen. Uma curiosidade é que, nessa época, cada setor tinha seu próprio aeroporto. Atualmente, são apenas dois em operação – Tegel e Schönefeld, sendo que o primeiro fecha suas portas em junho e todas as operações serão feitas a partir do segundo, que vai se chamar oficialmente Aeroporto Internacional Berlin-Brandenburg.

 Berlin dividida em 4: West, com seus três setores e East, a área comunista

Voltando ao muro. Logo depois do fim da guerra, as pessoas podiam ainda transitar de um lado para o outro da cidade. Entre 1949 e 1961, estima-se que mais de 3 milhões de pessoas migraram da Alemanha Oriental para a Ocidental, muitas usando Berlin como ponto de partida. A fuga de mão-de-obra qualificada – muitos eram médicos, engenheiros, professores – levou a DDR a endurecer seu controle de fronteiras e, em Berlin, a barreira foi imposta do dia para a noite.  Na madrugada de 13 de agosto de 1961, o exercito comunista construiu cercas metálicas em volta de toda a área ocidental e, a partir desse isolamento provisório, passou a erguer a barreira definitiva, com dois muros de isolamento com cerca de 4 metros de altura – entre eles ficava um espaço conhecido como “terra de ninguém” – e 111 quilômetros de extensão.

Cerca de 80 pessoas morreram em tentativas de cruzar de um lado para o outro durante os 28 anos que o muro ficou de pé, até sua queda, em 9 de novembro de 1989. Esse número é bem maior pelo registro de algumas ONGs e tem um texto da Deutsche Welle sobre o assunto aqui. Sobre a queda, vale dizer que foi o momento mais marcante do processo de reunificação das duas Alemanhas, oficilalizado em 3 de outubro de 1990. A data (3/10) é feriado nacional e cada ano uma cidade é sede das festividades.  Na breve pesquisa, encontrei esse documentário da época da divisão. Esta em inglês e é bem triste, mas mostra com clareza e imagens originais como foi a divisão de Berlin em duas.


Feita a introdução, que deixou o post mais longo do que eu esperava, é melhor falar logo do que esse texto inicialmente propunha.  Visitar Berlin é encontrar viva a história do muro e das duas Alemanhas pelas ruas da cidade e em museus. Então, para saber mais sobre o muro, anote ai o que visitar:

Gedenkstätte und Dokumentationszentrum Berliner Mauer – Em português, Memorial e Centro de Documentação do Muro de Berlin (site oficial). Fica na Bernauer Straße, um ponto onde muitas pessoas tentaram atravessar o muro e onde ficava a Versöhnungskirche (Igreja da Reconciliação, por ironia!). Na divisão de Berlin, a igreja ficou na terra de ninguém e foi destruída em 1989 por atrapalhar a vigilância. Em seu lugar hoje existe uma capela. No local, uma parte do muro foi reconstruída apenas com barras metálicas, recriando o trajeto. Marcações no chão indicam a trajetória de túneis escavados para a fuga e as histórias de sucesso e os mortos são lembrados. Há também totens explicativos, com fotos, textos e vídeos com imagens da época. Junto ao centro de documentação há uma torre metálica (entrada gratuita) de onde se pode ver uma parte do muro preservada: os dois muros, uma torre de vigilância e um pedaço inacessível do que já foi, um dia, a terra de ninguém.  Para chegar lá, vá de metrô até a Bernauer Straße (U8).

Preservado: do alto da pra ver os dois muros, a torre de vigilância e a terra de ninguém

Informação: totens contam a história do local como a demolição da Versöhnungskirche

Berlin Nordbahnhof – Fica ao lado do Memorial do Muro e, na entrada mais próxima a Bernauer Straße mostra as marcas da divisão. Dentro da estação estão murais (um pouco deteriorados, mas não menos interessantes) sobre a as estações fantasma: estações que foram desativadas com a separação de Berlin por onde os trens do lado ocidental seguiam passando, mas sem autorização de parar. Os motoristas, no entanto, eram orientados a cruzar essas áreas em baixa velocidade para que pudessem parar e socorrer qualquer cidadão que  - apesar das entradas lacradas e da forte vigilância subterrânea – tentasse fugir para o lado ocidental.

Fechadas: murais contam a história de estações fantasma

Sem uso: trens passavam pelas estações fechadas, mas não podiam parar

East Side Galery – Trata-se do maior trecho preservado do muro. Em algumas partes é possível ver até mesmo os dois muros e caminhar pelo que já foi a terra de ninguém.  As pinturas foram feitas originalmente depois da queda do muro, em 1990, e estão do lado comunista, em uma área onde, na época da divisão, não era permitido sequer caminhar. As pinturas foram restauradas alguns anos depois, mas vândalos insistem em assinar ou mesmo pichar as obras. É um daqueles locais imperdíveis de Berlin. Não se pode deixar a cidade sem caminhar ao longo dos 1300 metros da Mühlenstraße. Para chegar lá, vá até a Warschauer Straße ou até a Ostbahnhof. O site oficial da East Side Galery é este. De lá, olhando em direção à Warschauer Straße, da pra ver duas torres: trata-se da Oberbaumbrücke, onde foram gravadas algumas cenas do filme Corra Lola, corra (Lola Rennt). Quando for visitar essa parte do muro, não deixe de provar o delicioso faláfel que é servido nas redondezas. A dica do restaurante está aqui.

Galeria: pinturas marcantes como o beijo dos líderes soviéticos Leonid Brezhnev e Erich Honecker pintado por Dmitri Vrubel

Não se pode deixar de ver: são 1300 metros de muro preservados, cobertos com pinturas de diferentes artistas 

Símbolo: a Oberbaumbrücke se tornou um símbolo da reunificação e foi cenário de filme

Mauerpark Parque do Muro, em uma tradução literal. Fica bem perto do memorial da Bernauer Straße, mais precisamente, na esquina da Bernauer com a Eberswalder Straße. Era uma parte da terra de ninguém que, depois da queda do muro foi transformada em parque. Hoje é um dos endereços preferidos dos jovens descolados e hipsters da região, que se reúnem por lá nos dias ensolarados para treinar malabares, fazer piqueniques ou mesmo brincar com as crianças ou passear com os cachorros. Aos fins de semana, o local abriga um dos mais famosos mercados de pulga (Flohmarket) da cidade. O mercado acontece aos domingos pela manhã e início da tarde, mas o parque pode ser visitado a qualquer hora.


Check Point Charlie -  Haviam diversos pontos de passagem entre os dois lados do muro de Berlin, os check points. O mais conhecido, representado pela letra C (Charlie, de acordo com o Alfabetofonético da OTAN) ficava na  Friedrichstraße com a Zimmerstraße e Mauerstraße (U6 – desça na Kochstraße). Ao longo dos anos em que a cidade foi dividida, várias guaritas foram construídas no espaço e a que se tornou um dos mais famosos pontos turísticos de Berlin, nada mais é do que uma cópia inspirada nas primeiras estruturas, da década de 60. Dois “guardas” fazem plantão no local e cobram 2 Euros por pessoa para que se tire uma foto ao lado deles: mico total. Ao lado, foi colocada uma cópia da placa que marcava a fronteira, anunciando o fim do setor americano. Junto ao Check Point Charlie há ainda um museu privado que conta a história do que se passou por lá. Apesar de se tratar de uma visita daquelas obrigatórias nos roteiros pela cidade, acho o mais decepcionante dos pontos turísticos. A única coisa bacana é um mural construído ao longo da Friedrichstraße e da Zimmerstraße e que fala das tentativas de fuga e da vigilância acirrada da época.


Réplica: o Check Point Charlie decepciona se comparado às outras atrações

Marienfelde Refugee Center Museum –  O Museu doCentro de Refugiados Marienfelde reúne documentos, fotos, vídeos e objetos relacionados aos alemães que fugiram da DDR para a Alemanha ocidental. O museu funciona onde antes eram acolhidos os refugiados: cerca de 1, 35 milhão de pessoas passaram por lá e receberam assistência para fazer sua documentação e vistos de permição para residir em West Berlin ou em outras partes da Alemanha. A entrada é gratuita. O museu fica na Marienfelder Allee 66/80. A estação de metrô tem o mesmo nome.

Muro virtual – Para fechar a experiência sobre o muro, valem algumas indicações on-line também. Primeiro, vale conhecer o projeto Memorial Landscape BelinWall. Trata-se de uma pesquisa detalhada que mostra o que ainda existe do muro na cidade, com imagens atuais, remontando  o trajeto e revelando que muitas paredes ou muros existentes hoje em dia eram, na verdade, parte da antiga divisão das Alemanhas. Outra dica bacana é baixar um aplicativo com detalhes sobre a localização e pontos de interesse do muro (disponível pra Android e iPhone). Para quem gosta de realidade aumentada, este outro aplicativo “reconstrói” o muro. Baseado em geolocalização, o aplicativo mostra, pela tela do celular, onde ficava o muro, tornando possível ver a cidade dividida em tempo real (o vídeo abaixo ta em alemão, mas da pra entender facilmente pelas imagens). Por fim, a visita fica completa com as informações do site Crônicado Muro de Berlin (em inglês e alemão), que narra todos os fatos marcantes dos 28 anos de história da divisão alemã, com imagens e um detalhamento único.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Viagem e turismo: as cinco melhores dicas pra aproveitar Berlin de graça ou pagando pouco


Brandenburgertor: provavelmente o cartão postal mais famoso da cidade

Dizer que Berlin é uma cidade viva é resumir a capital alemã de uma forma muito simplista. A cidade são, na verdade, 16 pequenos municípios que, com o passar dos anos, foram englobados no que se conhece por Berlin. Esse processo vem de muito antes da divisão da Alemanha – e da cidade – em duas e da reunificação, há mais de 20 anos. Com essa formatação, cada um desses bairros de Berlin tem hoje características distintas, um estilo peculiar de moradores e muito o que fazer.

Quem mora por aqui descobre que a cidade tem diferentes estilos de vida em cada um desses espaços: pode ser a hoje região de Kreuzberg com seus cafés e jovens famílias e os hipsters da cidade. Berlin é também o tradicionalíssimo bairro de Charlottenburg, em volta do maior castelo da cidade, e sua região de comércio requintado (Kurfürstendamm, chamada de Ku´damm pelos locais). Pode ser também as ruas repletas de bares, teatros, restaurantes estrangeiros e alternativos de um lado para o outro em Prenzlauer Berg, parte do que já foi a Alemanha comunista. Berlin também tem seus bairros de imigrantes, como Wedding e Moabit (onde é melhor ficar um pouco mais atento se for circular pela madrugada, ainda mais sem companhia). Mas para a maioria dos visitantes, Berlin é mesmo o Mitte – a região central onde ficam os mais conhecidos pontos turísticos.

Para os visitantes interessados em descobrir as mil caras de Berlin ou aqueles que querem apenas cobrir a lista dos “imperdíveis” da cidade (logo vou escrever um post sobre isso), cinco dicas podem fazer a visita mais fácil, interessante e mais barata. Antes delas, porém, fica uma sugestão: se você for estudante, faça uma carteirinha internacional antes da viagem. Os descontos valem realmente a pena. Se não deu tempo de fazer, traga qualquer identificação estudantil da sua universidade mesmo: em muitos casos ela pode ser aceita. Se você for jornalista, traga uma identificação profissional: todos os museus mantidos pelo estado (já explico isso) oferecem acesso gratuito para a imprensa.

Mas vamos às dicas:

1 – Faça um tour “gratuito” pela cidade – Já fiz um post sobre isso, mas repito brevemente aqui. Trata-se de uma caminhada com guia (que pode ser em alemão, inglês, espanhol e outras línguas – embora não tenha visto em Português) que dura umas três horas e passa pelos principais pontos de interesse do centro. Muitos você já “mata” nessa caminhada, mas a melhor parte é ter uma visão mais ampla do que existe no entorno e poder voltar para conferir com mais calma nos dias seguintes. Você não é obrigado a pagar pelo guia, mas o normal é que cada pessoa contribua com uma gorjeta (de 3 a 5 euros no fim da caminhada). O ponto de partida é no Starbucks que fica na frente do Brandenburgertor, as 11h e as 13h, diariamente, faça chuva ou faça sol.

2 – Visite a cúpula da Reichtag de graça e com guia – Assim que souber as datas da sua viagem, entre no site da Reichtag , que é o prédio do parlamento alemão, e agende uma visita. Ele tem um domo lindíssimo, todo em vidro, por onde apenas grupos organizados podem passar. E só entra quem marcou antecipadamente e recebeu a confirmação. No site você pode escolher três opções de data e horário para a sua visita e aguarda que seja confirmado o seu pedido. Também pode optar pela visita simples, com guia ou uma palestra de uma hora sobre a história do prédio e um pouco da estrutura política alemã. Fique atento: você recebe um e-mail automático logo após a inscrição pela internet, mas isso não é a confirmação. Os seus “bilhetes de entrada” só chegam depois que a solicitação for confirmada por um funcionário. Tenha em mãos o nome completo e data de nascimento de todos os que estiverem viajando com você na hora de fazer a reserva.

Reichtag: marque com antecedência e visite a cúpula sem pagar nada

3 – Visite mais de 30 museus pelo preço de um – Existem mais de 170 museus em Berlin e muitos deles são mantidos pelo  Estado.  Outros são operados por empresas particulares ou são franquias de museus internacionalmente conhecidos. Para os museus do estado  - que incluem a maioria das opções na Ilha dos Museus – existe um ticket valido por três dias consecutivos e que custa 19 euros (ou 9,50 para estudantes): uma pechincha. Você compra no primeiro museu que visitar e entra em todos os outros sem custos adicionais. Veja como comprar e a lista de museus no pacote aqui

4 – Concertos, museus e exposições de graça – Existem vários sites especializados na agenda cultural de Berlin com tudo o que a cidade tem a oferecer de graça, mas acho esse o melhor, mas existem outros como este ou muitos que você acha em uma pesquisa rápida. Você escolhe pela data e fica sabendo o que tem de graça nesse dia: pode ser até mesmo um concerto da famosíssima Orquestra Filarmônica de Berlin. Claro que os sites tem muita propaganda, mas com um pouco de paciência, da pra peneirar muita coisa boa.

5 – Faça um tour de ônibus por 2,30 euros –  Esse é o preço da passagem do transporte local para um trecho em uma direção. Se por acaso você comprou o ticket do dia, o seu passeio sai de graça. Isso porque, existe uma linha de transporte coletivo da cidade que faz praticamente o mesmo trajeto dos ônibus turísticos. Trata-se da linha 100 (tem até um site especial sobre ela!!!), que liga a estação Zoologischer Garten à Alexanderplatz (ou Alex, para os íntimos!). Você pega ao lado da Reichtag, nos pontos de ônibus convencionais (aqueles que tem a letra H marcando). O ônibus é de dois andares e passa a cada 10 minutos. Se você comprar o ticket de 2,30, tem duas horas para terminar o passeio (pode sair e voltar para o ônibus nesse tempo).

Caso tenha o ticket do dia, então leva o tempo que quiser e percorre pontos turísticos como: Gedächtniskirche, Zoologischer Garten, Siegessäule, Schloss Belleuve, Haus der Kulturen der Welt, Reichtag, Brandenburgertor, Gendarmenmakt, Zeughaus, Humbolt-Universität, Deutsche Staatsoper, Lustgarten, Berliner Dom, Nikolaiviertel, Rotes Rathaus, Fernsehturm e Alexanderplatz. Ou seja, cobre praticamente o que a cidade tem de melhor. Claro que no ônibus de linha não vai ter um fone de ouvido e nem um guia explicando, mas nada que um aplicativo de celular com as descrições, um guia de turismo impresso ou mesmo uma pesquisa antecipada na internet não resolvam.

Linha 100: o postal mostra que ônibus convencional cobre o melhor da cidade 


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