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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Turismo internacional: 20 formas de reconhecer o brasileiro chato no exterior (e manter distância dele)


Atenção: Esse é um post de humor. Apesar de ser 100% baseado em fatos reais, é um comentário engraçado sobre o comportamento dos brasileiros no exterior. Aos mal-humorados de plantão, favor parar a leitura aqui e seguir direto para o próximo post do blog. 

Os brasileiros estão ganhando o mundo e é difícil viajar sem esbarrar com conterrâneos por ai. Paris, Roma e Londres já devem ter mais brasileiros do que nativos! Há muita gente legal passeando em busca de cultura, diversão. Esses encontros podem resultar em novas amizades ou em boas risadas mundo a fora. Mas há quem atrapalhe a festa: pessoas inconvenientes que deviam ficar em casa até tirar um diploma de como se comportar longe do país. E antes que alguém me acuse de falta de patriotismo, esse guia é 100% baseado em fatos reais.

Então, ai vai a lista para quem quer desfrutar dos principais destinos turísticos sem ter que conviver com esse tipo de pessoa: um manual para reconhecer os "infelizes". Ai, se der de cara com o tipo, é só escolher um outro restaurante ou uma mesa bem longe.

1 - Brasileiro fala alto de um modo geral. Mas fora de casa o brasileiro chato, fala mais alto ainda. Se anda em grupo, parece que todos têm um megafone na garganta. É só reparar no grupo mais berrão e nem precisa pedir o passaporte.

2 - Aliás, brasileiro chato nem devia precisar de passaporte quando viaja pro exterior. Existe um certo ritual de obrigatoriedade que faz com que todos saiam vestidos iguais. No início da viagem, homens usam camisa da seleção ou de qualquer time de futebol nacional. No segundo dia, camisetas da Tommy Hilfiger e abrigos de moletom da GAP. É patético.

3 - Brasileiros chatos tem um orgulho imenso em sua brasilidade e ostentam isso além da camisa de futebol. Assim, depois de trocarem pela Tommy Hilfiger ou pela "I S2 (Insira aqui qualquer capital da Europa)" ainda vão ser reconhecidos: eles usam bonés com a bandeirinha do Brasil, mochilas com patches de bandeirinha costurados. É só procurar atentamente: em algum lugar vai se encontrar a bandeirinha.

4 - Mulheres brasileiras chatas também têm uniforme. Calça ou camisa de oncinha: ou os dois. Nos pés, sapatos de salto (!??!?!) para caminhar com elegância – só que não – todas as vias barrentas das ruinas de Roma. Superapropriado. Ah, claro, elas estarão sempre com a cara meio emburrada e se queixando (aos berros) das dores nos pés como se o mundo tivesse que abrir alas para seus pezinhos massacrados pela burrice.

5 - Mas brasileiro chato adora exibir seu humor espirituoso em alto e bom som: fazer piadinha de judeus em campo de concentração, fazer bico de pato e sinalzinho de vitória na frente da torre Eifel, escalar o memorial do holocausto, achar que top e minissaia são as melhores opções para entrar no Vaticano.

6 - Brasileiro chato também aparece na foto de todo mundo. Não sabe tirar a foto em um spot disputado e dar dois passos pro lado. Não. Fica conferindo no Ipad se a foto ficou boa em vez de simplesmente dar lugar para outras pessoas. Aliás, eu sempre acho que todo o chato usa tablet como câmera e nem precisa ser brasileiro.

7 - Brasileiros chatos não só param na frente dos pontos turísticos de forma inapropriada como também atrapalham o caminho. O melhor lugar para discutir onde almoçar? No topo da escada rolante. Onde abrir o mapa para ver a direção certa? Na saída do metrô.

8 - Brasileiro quando viaja também fica chato por conta da saudade. Pode ser que coma feijão três vezes por ano em casa, mas se estiver no exterior há três dias, vai passar o tempo se queixando do quanto sente falta de um feijãozinho com arroz.

9 - Na hora de comer, brasileiro chato é vencedor: espera 20 minutos na fila do McDonald’s em Barcelona (sim, tem gente que prefere McDonald’s a provar a culinária local – nem que seja um bocadillo de Ramón!) e na hora de ser atendido começa a pensar no que vai comer. Ai olha para o cardápio na parede como se o restaurante fosse vietnamita e pede a comida pra família inteira, um sem picles, outro sem cebola...

10 - A saudade também transforma o brasileiro chato em um tipo agressivo. Se escuta alguém falando português, já dispara: Oh, que saudade de ouvir a nossa língua. E segue o diálogo entre o residente e o visitante. R: Pois é, há muitos brasileiros por aqui (não importa onde, sempre há). V: Me senti tão em casa quando ouvi você falando. R: Nossa, deve fazer muito tempo que você está longe então. V: Faz sim, já to fora do Brasil há quatro dias e ainda vou ficar mais cinco para conhecer 15 países.

11 - O mesmo brasileiro chato se acha o cara mais esperto do universo. Acha que está certo em não pagar o ticket do transporte público (por que o controle é por amostragem) e não entende o quanto os alemães são "idiotas" por comprarem o ticket se ninguém vai conferir. 

12 - Brasileiro chato espertalhão também some do mapa três quadras antes do fim do freetour só pra não dar uma gorjeta para o guia que passou três horas explicando tudo sobre a cidade.

13 - E mais esperto ainda: brasileiro chato guarda lugar na fila para dez pessoas que se materializam do nada depois de 30 minutos de espera pra comprar o ticket do museu. E claro, cada uma vai pagar separado, com cartão.

14 - Mais o mais chato de todo o brasileiro chato é o orgulho da sua própria ignorância. “Eu já viajei dez vezes pros Estados Unidos e não falo uma palavra de inglês”. “Achei toda a maquiagem que eu queria e comprei cinco bolsas Michael Kors e a vendedora nem falava português”. Dinheiro pro cursinho de inglês não sobra né.

15 - Mas tem brasileiro chato que sabe falar “the book is on the table” e faz isso logo que escuta outros brasileiros na área. Acha que ninguém mais no mundo entende inglês e que ninguém percebe as asneiras que estão sendo ditas na tentativa de esconder que a única língua que sabem falar mesmo é português.

16 - Brasileiro chato é chato até no caminho de volta pra casa. Além das duas malas que leva a bordo – feliz da vida porque a aeromoça não viu e os “idiotas” da cia aérea deixaram passar – carrega meio freeshop em sacolas. Lota o guarda-volumes acima da sua poltrona, acima da do vizinho, acima da de todo mundo. E berra com o cidadão do grupo de excursão que ficou do outro lado da aeronave para que ele venha tirar uma foto com a senhora argentina que acabou de conhecer.

17 - Claro, porque brasileiro chato não anda sozinho. Tem medo do desconhecido universo que se esconde depois do carimbo no passaporte em Guarulhos e tenha 20, 30 ou 60, se comporta como se fosse a excursão da turma pela formatura no ensino médio.

18 - Mas pior que sentar do lado de um brasileiro chato em um avião é sentar na frente dele. Empolgado, o brasileiro chato não se contenta em ver um filminho, como o resto do mundo. Quer explorar toda a tecnologia da aeronave e opta pelos joguinhos eletrônicos em telas que a sensibilidade ao toque não é exatamente uma qualidade. E sim, claro, irritado, começa a “tocar” cada vez mais forte. Um aviso: touchscreen é o nome. Não punchscreen.

19 - E como todo bom chato, de qualquer idioma, passam a noite de papo na “cozinha”, rindo alto, como se as cortinas que separam a área de serviço fossem a prova de som. Só não são mais chatos por que ainda não há sinal de celular nas nuvens.

20 - Mas no fim das contas, acho que o problema não são os brasileiros. Devem ser uma resposta orgânica ao ar estranho que transforma uma grande quantidade de viajantes em chatos de galocha, uma vez que os sintomas vão desaparecendo a medida que os grupos se dispersam depois da Alfândega em aeroportos do Brasil. Bom, a cura chega para quase todos, mas sempre escapa um. Porque brasileiro chato mesmo é aquele que te chama pra ver 938983928312 fotos fora de foco, com a cabeça cortada ou selfies no ipad enquanto ele conta (sobre as compras) da viagem.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Dicas de convivência: franqueza alemã pode parecer grosseria, mas torna a vida mais fácil

Falso pudor: no Brasil, perguntar o salário desqualifica o candidato ao emprego

Já ouvi muita gente dizendo que alemão é mal humorado, grosso e carrancudo. Pode até ser algumas vezes, mas no geral, o que acontece é um choque cultural e a franqueza acaba sendo interpretada como rispidez. Vou simplificar a história. Escrevo esse post do Brasil, onde estou a trabalho, e confesso que já estava um tanto desacostumada a “malemolência” daqui e por isso o estranhamento começou cedo: já no café da manhã, lendo o jornal fresquinho.

Passei os olhos pelas páginas de classificados de emprego e veio o primeiro choque – fruto de muitos anos longe do Brasil: nenhum dos anúncios dizia de quanto era o salário. Isso me lembrou da hipocrisia local: é um pecado sem tamanho estar mais interessado no salário do que no trabalho a ser feito! Como assim? Eu gosto da minha profissão – amo ser jornalista, na verdade! – mas não teria o menor pudor em passar meus dias organizando e programando minha próxima viagem a um destino paradisíaco se dinheiro desse em árvore.

Eu trabalho pura e simplesmente porque preciso de dinheiro pra viver e mesmo assim, no Brasil, parece um crime querer saber a perspectiva salarial antes de decidir se me candidato ou não para uma vaga. Na Alemanha, se o salário – em valor anual bruto – não estiver especificado, virá um código de referência (especialmente em cargos do serviço público), dizendo quanto se vai ganhar: 70% do valor de referência XYWSX ou salário referência JKDCFKL. A renda líquida vai depender se a pessoa é solteira ou casada (quem casa paga menos!), em que categoria de imposto está incluída, quanto decidiu contribuir para a previdência, o tipo de plano de saúde (caro e obrigatório!) e por ai vai. Para não ser surpreendido, o ideal é calcular em média entre 30%  e 40% de desconto sobre o valor bruto.

Há ainda empresas que oferecem vagas em uma categoria salarial chamada 400 Euros Basis, em que quase não há descontos e o que varia é o valor da hora. Assim, a pessoa sabe o quanto vai ganhar e negocia o valor que receberá por hora: ou seja, o quanto ela vai trabalhar para ganhar os 400 euros por mês. Como esse tipo de emprego costuma ser bem maleável – pode-se fazer algumas horas na segunda de manhã, outras três na terça à tarde, folga na quarta e trabalha depois mais duas na quinta, por exemplo – é uma opção bem comum entre os estudantes, já que pode ser adequada ao calendário de aulas. Tudo com muita clareza.

A impossível arte de dizer não

Dizer não é outro tabu no Brasil. Tanto que muitas vezes deixo de perguntar o que quero só pra não constranger meu interlocutor. Um diálogo absolutamente normal na Alemanha: “Podes me dar uma carona? – Não, tenho um outro compromisso hoje”. Tudo normal, direto, sem culpas ou rodeios. No Brasil, eu jamais pediria: a pessoa vai ficar sem graça de dizer que não, talvez desvie o caminho para me dar a tal da carona e depois comente em casa o quão folgada fui em fazer o pedido.

A questão da negativa também vale para qualquer convite. Vim fazer uma série de reportagens no Brasil, todas previamente definidas e marcadas, com uma agenda apertada. As pessoas me ligaram oferecendo outras histórias – muitas vezes igualmente interessantes, mas fora do meu escopo e agenda. Agradeci e disse que não poderia: que ofensa! Brasileiros preferem ouvir que vou tentar ver se encaixo o compromisso na agenda, mesmo sabendo que isso não vai acontecer. O não ofende.

No entanto, o que me ofende muito mais é o inverso de dizer não. Já convidei amigos para um café, que me responderam sorridentes que sim, mas que não apareceram. Na Alemanha, a ofensa de “dar o cano” é incalculável, já a negativa é honesta, prática, evita falsas expectativas e facilita a vida de todo mundo.

Mas afinal de contas, tenho uma “grosseria” preferida. Para dizer não no Brasil, é preciso ter um arsenal de desculpas: todas tão mirabolantes que no fim sempre penso em escrever um livro sobre a aventura da pessoa. E entre os “sisudos”, é tão mais simples: obrigada, mas já tenho um outro compromisso nesse dia. E mesmo na hora de ir: Tchau, tenho um compromisso agora. Assim, sem qualquer adendo, sem qualquer informação adicional.

Creio que a franqueza gera confiança e a certeza de que um não é tão honesto quanto um sim. Por isso, quando conhecer um alemão, nunca se despeça dizendo: “A gente se vê! Eu te ligo! Vamos marcar um churrasquinho uma hora dessas”. Ele certamente vai pegar a agenda para anotar seu telefone, avisar quando vai ligar e verificar se estará livre para essa noite de carnes e cervejas. E pode ter certeza: mesmo que ela seja daqui a um mês, a pessoa vai estar lá e vai chegar na hora certa. Isso se chama respeito e não grosseria.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alemanha em detalhes: a hora de fazer compras


Esse é mais um post da série “Alemanha em detalhes”, com dicas pra evitar apertos e furadas. Já publiquei um sobre banheiro, mas desta vez o assunto são as compras. Tudo aquilo que você precisa saber mas ninguém vai ter paciência de explicar.

Carrinho de mercado -  Para pegar um carrinho de supermercado, você precisa de uma moeda de 1 Euro. Você coloca essa moeda no lugar específico, na parte onde se empurra o carrinho, e solta ele dos demais. Quando terminar de fazer as compras, basta levar ele ao local, trancar com a corrente do carrinho anterior e pegar seu dinheiro de volta.

Trancado: coloque uma moedinha para liberar o carrinho de supermercado

Moeda sempre à mão - Apesar de não pagar pelo carrinho, o difícil é ter sempre uma moeda de 1 Euro na carteira (alguns poucos mercados aceitam moedas de 50 centavos também). Então uma dica bem brasileira: traga na carteira uma moedinha daquelas antigas (a prateadinha) de 25 centavos do Brasil. Ela funciona perfeitamente pra soltar o carrinho e você nunca vai gastar a dita. Algumas marcas dão de brinde umas fichinhas plásticas que servem para liberar os carrinhos. Também existem chaveiros com a mesma finalidade.

Na carteira: moedinha de 25 antiga brasileira também libera o carrinho

Na hora de passar no caixa do mercado - Supermercado alemão é uma coisa meio fora dos padrões que os brasileiros estão acostumados. Você vai descobrir que os mercados tem poucos caixas, mas nem por isso são demorados. As esteiras são gigantes antes do caixa. Você coloca suas coisas assim que se aproximar e, ao fim delas, coloca uma divisória plástica que está disponível no balcão. Assim o funcionário sabe o que é seu e o que pertence ao próximo cliente. Feito isso, na sua vez, você passa o carrinho para o outro lado e a caixa vai olhar fuzilando pra ver se está vazio.

Sem espaço para as compras - Não existe espaço para colocar as compras depois que são passadas no caixa. E os funcionários de caixa são muito, mas muito rápidos. O que fazer? Sempre pegue um carrinho e vá jogando todas as coisas dentro dele, o mais rápido que puder. Então pague e vá para um balcãozinho na saída do mercado para empacotar suas coisas com calma. Se você demorar no caixa, vai levar cara feia ou mesmo será repreendido por outro cliente com menos paciência (ou seja, todos! :P).

Achei um videozinho que ilustra melhor como as coisas funcionam. Prepare seu coração porque as cenas são fortes (e é exatamente isso que vai acontecer com você!).



Sacolinhas – Na hora das compras você precisa levar suas próprias sacolas ou pagar pelas sacolas plásticas que os mercados oferecem (de 7 centavos as mais simples até 25 pelas mais reforçadas, ou mesmo 1 Euro por sacolas de pano reutilizáveis). Escrevi sobre as sacolinhas aqui. Caso for usar as plásticas,  lembre-se de coloca-las junto com suas compras na esteira do caixa.

Organização – Existem dois tipos de supermercado na Alemanha. Os “normais”, mais parecidinhos com os do Brasil, com as mercadorias organizadas nas estantes e os “discounters” (Aldi, Lidl, Penny, Netto, etc) onde a proposta principal é vender barato. E estes último são um choque na primeira vez que você entra: as mercadorias estão em caixas empilhadas sobre estruturas de madeira, quando grandes. As coisas menores ganham espaço nas estantes, mas também ficam nas caixas.

Diferente: as mercadorias permanecem nas caixas mesmo quando dispostas nas prateleiras*

Cestinhas – São raros os mercados que oferecem cestinhas de compras para os clientes. Ou você usa carrinho ou usa suas sacolinhas recicláveis – as mesmas que vai colocar as compras depois de pagar – para colocar as coisas enquanto escolhe. Eu sugiro pegar um carrinho sempre que for comprar mais do que cinco coisas, tendo em vista a hora do caixa, que já falei acima. Mas você também pode usar o jeitinho alemão: escolha uma caixa vazia nas estantes (tem sempre montes delas no meio da mercadoria que está à venda) e coloque suas coisas dentro dela.

Desconto - Se você está comprando em uma loja, o preço final é o preço da etiqueta e deu. Não adianta pechinchar, chorar, pedir. Aliás, não faça isso: de certa forma é bastante ofensivo.

Pechincha - Já nos Flohmarkets (ou mercado das pulgas), o vendedor espera que você pechinche. É a regra do jogo: ele vai dar um preço inicial, você sugere o segundo – geralmente metade do que ele pediu – e a coisa segue. Se você não pechinchar o vendedor vai achar que colocou um preço barato demais na mercadoria! Eheheh

Troco exato -  Se o objeto ou serviço que você vai pagar custa 2,42 Euros, por exemplo, não adianta dar 2,40. Os valores são sempre exatos e isso vale para os dois lados. Se o seu produto custou 1,99, você vai receber o um centavinho de troco.

Local certo para pagar -  Em cafés, padarias ou mesmo em algumas lojas, existe um pratinho acrílico sobre o balcão: é nele que você deve colocar o dinheiro do pagamento.

Atendimento -  Vendedores alemães não são as pessoas mais simpáticas do mundo. Então, se você não tem a menor intensão de comprar o produto, poupe a sua paciência e o trabalho dele e não faça perguntas.

Trocas de mercadorias - Trocar ou devolver objetos é uma prática muito comum. Você tem, geralmente, duas semanas para se arrepender da compra. Nesse tempo, leva na loja e eles devolvem o dinheiro sem muitas perguntas. Isso vale para quase tudo.

Pagamento com cartão -  Cartão de credito não é algo tão aceito aqui como é no Brasil. Mesmo grandes redes de loja (como a Saturn, que vende eletrônicos), não aceitam cartão de crédito. Você pode usar o  débito, claro, mas nesse caso fique atento. Por cartão de débito se entende um EC Card, ou seja, cartão de uma conta corrente alemã e não cartões do tipo Visa Travel Money. Então, antes de comprar, vale ir até um caixa e mostrar o cartão que você tem em mãos pra ver se é aceito.

Tax Free - De você não é residente na Europa, pode economizar uns bons euros fazendo o Tax Free e recebendo o que pagou de imposto de volta. Em alguns produtos, chega a 17% do valor o que significa uma economia bem interessante. O dinheiro é pago em guichês específicos para isso nos aeroportos internacionais e você precisa levar a documentação pronta. Assim, sempre que fizer uma compra significativa em uma loja, vá ao serviço de atendimento ao consumidor com a nota fiscal, seu passaporte, e peça para que preencham o formulário. Para facilitar a vida, escreva seu endereço residencial do Brasil em um papel e tenha sempre consigo: a funcionária precisará coloca esses dados no formulário e a dificuldade em entender o endereço brasileiro é grande, geralmente.

Se ficou faltando algum item, é só mandar a sugestão!

*Foto originalmente publicada aqui, sem nome do autor, e licenciada de acordo com as regras do Creative Commons

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Grillzeit: Tempo de churrasco (alemão)!

E viva a temporada de churrasco na Alemanha!!! Para quem mora em um lugar com jardim grande, como eu tenho a sorte, é bom se acostumar com os piqueniques armados no gramado. Toalhas pelo chão, uma churrasqueira redonda de cinco euros, cada um munido de suas próprias tralhas. Sim, porque aqui, ser chamado para um churrasco significa que você foi convidado a compartilhar o momento com os amigos, não as comidas e bebidas. Já escrevi um post sobre isso e outras regras de comportamento, mas vou copiar as dicas básicas de sobrevivência em um churrasco alemão no fim desse post.

Mas, além disso, se você quiser ser feliz em um churrasco alemão, esqueça tudo o que você conhece por churrasco no Brasil: não pense em picanhas, maminhas, chuletas. Imagine apenas salsichas, espetinhos de porco e frango, bifinhos com um molho verde ou vermelho que fazem qualquer um crer que são vindos de outro planeta e, com sorte, alguns corações de galinha. Aliás, essa é uma parte curiosa. Tirando chineses, indonésios e outros habitantes de países “exóticos”, comer coração de galinha é quase uma barbárie por aqui. Os alemães acham nojentos e é muito provável que não vão querer nem ver você saboreando a tal iguaria. Já me perguntaram se eu não tinha achado isso no setor de comida pra cachorro... Azar o deles, nesse caso.


Azar o nosso, com todo o resto... Falo isso porque o meu querido Herr sempre conta a história do meu primeiro churrasco alemão. Era maio de 2009... e o calor veio tardio naquele ano. No primeiro dia em que o termômetro chegou perto dos 20 graus, o Joatan chamou o Till, nosso alemão mais querido, para um Grillen. Compraram uma churrasqueira descartável (Einweggrill, que custa cerca de 2 euros em qualquer supermercado.), que depois descobri ser muito útil, especialmente para eventos enfumaçados longe de casa. Bom, trata-se de uma bandeja de alumínio que vem com uma grelha do mesmo material, toda furadinha, já com carvão, acendedor e um rabicho de papel para fora: é só por fogo no tal e começar a festa. Como o Herr fala, aqui na Alemanha, é só seguir o manual, porque alguém já foi pago para pensar por você antes.

Enquanto os meninos organizaram o tal do churrasco, eu estava em casa fazendo qualquer coisa. Cheguei já com a comida dourando e o Herr conta que a minha cara de decepção foi tão imensa, que nada que ele dissesse poderia mudar isso. E foi mesmo: me senti enganada! Ehheehe Mas comi as salsichas mesmo assim! Fiz até foto do “glorioso” primeiro churrasco que, para meu próprio espanto, hoje em dia acho normal!

A prova do crime: o primeiro (e decepcionante) churrasco!


Depois desse, vieram muitos outros e nos “profissionalizamos” na parafernália: churrasqueira, cadeiras, cesto pra comida, esteirinhas, pegadores e tudo o mais. Também nas comidinhas: os espetinhos de carne ajudam a matar a saudade de casa e os tais bifes verdes e vermelhos são deliciosos! Vale à pena dar uma chance a eles! :)

É muito comum grelhar também salmão, abobrinhas e pimentões. Queijo tipo coalho (espia aqui no blog da Mel os detalhes) é também uma outra alternativa. Cogumelos no espetinho são deliciosos e aparecem com frequência nas grelhas, muitas vezes acompanhados de bananas. Isso mesmo: bananas. Algumas pessoas fazem as asinhas de frango (que já podem ser compradas temperadas com molho picante): mas assim como a picanha (sim, existe picanha aqui, espia de novo o blog da Mel – já to sócia ehehe), prefiro deixar fora do grelhado. As churrasqueiras são tão pequenas que a carne acaba queimando por fora e não fica passada direito por dentro (mesmo se que você goste mal passada).

Kit completo de tralhas para o grill!


Ah, se você morar em um apartamento sem keller (porão) como o meu, você corre o risco de ter sua churrasqueira roubada... A minha foi. Contei tudo nesse post (já com um pedido de desculpas antecipado pelos palavrões: mas foi um desabafo do calor da hora!)

Outra coisa diferente é o carvão: existem basicamente dois tipos. Um mais parecidinho como o do Brasil, com pedaços irregulares, e outro em bolas que se assemelham a ovos de galinha (pela forma, peso e tamanho). Nos dois casos você vai precisar de um “iniciador de fogo”, geralmente sólido e à base de querosene, o que torna qualquer churrasco alemão um evento com um cheirinho inicial digno de aeroporto...

Mas no fim de tudo, a vida seguiu feliz... cheia de churrascos no verão! Embora a picanha e as maminhas assadas e cortadas em lascas continuem firmas no meu Top 1 da churrasqueira, as salsichas tem o seu valor... Bom verão, bom Grillen e me chama para o próximo! :)

Mais uma fotim do primeiro churrasco alemão da minha vida: modesto e cheio de lições! Na foto, Till, nosso melhor amigo alemão, o Herr (Joatan) e eu:


Para relembrar: Dicas de etiqueta e comportamento para não fazer feio em sua estréia nos churrasquinhos aqui na Alemanha. As diferenças culturais são grandes e isso pode parecer antipático no começo, mas no fim, é pura diversão como em qualquer lugar do mundo!

- A não ser que o organizador do churrasco deixe explícito que vai oferecer a comida (raramente é assim), está implícito que você deve levar sua própria comida e bebidas.

- Pergunte se ele tem espaço na grelha ou se você deve levar uma descartável

- Leve e COMA somente a sua comida. Se algo for para dividir entre todos, a pessoa que preparou vai dizer: esse prato é para dividir com todos. Se não, cada um come o que levou.

- Prepare a sua comida: você vai colocar suas coisas na grelha e vai cuidar delas. Ninguém tem a obrigação de fazer isso por você.

- Leve (ou pergunte se o anfitrião pode emprestar) prato, faca, copos, cadeira, esteira para sentar ou qualquer outra coisa que possa precisar durante o churrasco.

- Vale dizer que não é comum ter churrasqueira em casa (aquele espaço pra churrasco, como existe no Brasil) e, por isso, trata-se de um evento programado para algum parque, jardim ou mesmo no pátio do prédio de alguém. Claro que se for no quintal de alguém que mora em uma casa, você não precisa se preocupar em levar tanta coisa. O importante é que fique claro que ninguém precisa pensar nas suas necessidades!

Se quiser saber mais sobre as regrinhas de etiqueta aqui na Alemanha, o post inteiro está aqui.

Ps.: Esse post é uma homenagem a efeméride do meu primeiro churrasco aqui: Faz exatos dois anos do Grillen das fotos, em 09/05/2009! ehehehe

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dicas de etiqueta, bom senso, convívio social e sobrevivência na Alemanha

Depois de mais de dois anos morando por aqui, fica mais fácil perceber as diferenças de comportamento entre o Brasil e a Alemanha. Não estou falando de comidas e tradições, mas das situações cotidianas e dos pequenos detalhes que podem fazer com que você evite cometer gafes ou até mesmo situações de mal entendidos.

Vale dizer ainda que, embora você possa achar muitos dos itens um exagero – e alguns são mesmo generalizações, antes que alguém fale mal dizendo que viveu algo diferente –, vai descobrir que o respeito e a privacidade são coisas muito boas e que é melhor ter em excesso do que não ter. No fim das contas, a grande diferença entre os dois países é: no Brasil, a visão é de que espaço coletivo não pertence a ninguém. Na Alemanha, espaço coletivo significa que é de todo mundo e todos tem a obrigação de zelar por ele...

E para fechar: uma das melhores coisas da Alemanha é que as pessoas não ficam ´ofendidinhas´ por qualquer coisa. Você pode perguntar com todas as letras o que precisa levar para um jantar ou mesmo negar um convite porque foi feito de última hora. Ser sincero e dizer “não“ é uma regra e não é considerado ofensivo ou falta de educação. Confira a lista e boa sorte.

Compromissos em geral:

- NUNCA, mas NUNCA mesmo chegue atrasado. Isso é bastante ofensivo e significa, de certa maneira, que você não considera o tempo da pessoa que te espera valioso.

- Os trens e ônibus são muito pontuais e você pode se programar com muita precisão por aqui. Não estranhe se alguém combinar horários como 12h47, 17h31.

- Se por alguma razão você se atrasar por mais de CINCO minutos, por favor, mande um sms ou ligue para a pessoa que está esperando para avisar e tenha um bom motivo para isso ter acontecido. Se você chegar mais de 10 minutos atrasado, vai encontrar a pessoa de cara feia ou nem vai a encontrar mais. Eu não esperaria...

- Saiba que atrasos são um motivo de isolamento social: se você sempre se atrasa quando marca, as pessoas vão parar de convidar você para qualquer coisa apenas para não terem que ficar esperando. Justo, não?

- Atrasar é ruim, mas chegar cedo demais também. Se o compromisso for em um bar ou restaurante, não chega a ser um grande problema se você chegar 5 ou 10 minutos antes. Mas JAMAIS chegue na casa de uma pessoa antes do horário combinado (nem que sejam cinco minutos!!!). Ela provavelmente vai estar terminando de se arrumar ou organizar os preparativos e vai ser interrompida de forma indesejada. Pontualidade é tudo!

- Se você encontrar um amigo alemão e na hora da despedida disser o famoso: “ A gente tem que marcar um churrasco uma hora dessas” ou “Eu telefono”, ele vai querer saber quando, que horas e onde. Você não precisa usar esse tipo de conversa que se usa no Brasil. Diga que foi um prazer encontra-lo e pronto. Mas se disser que vai ligar, ligue mesmo: ele vai estar esperando. Esses compromissos ´no ar´ não existem por aqui: ou você marca ou não marca.

Geral:

- Não se assuste se encontrar cachorros no restaurante, no trem, no banco. Eles são bem vindos em todos os lugares, exceto se houver uma plaquinha dizendo explicitamente que eles devem ficar do lado de fora.

- Aliás, se encontrar um cachorro do lado de fora ou mesmo com seu dono passeando por ai, não chame, não de carinho, não toque nele. Alemães detestam que você tente fazer festinha com os bichos tanto quanto detestam que você olhe muito ou faça festinha com os filhos deles.

- Acostume-se com os ruídos de soar o nariz logo na primeira semana. Você vai ouvir isso o tempo todo, em todos os lugares, mesmo à mesa. E saiba que para os alemães, nada é mais nojento do que ficar com o nariz fungando, como é comum no Brasil. Então, não pense nem por meio segundo. Se o nariz fungar, entre no clube do barulho e limpe geral para não parecer mal educado.

- Os barulhos corporais não são tão mal vistos como no Brasil. Não se assuste se alguém passar na rua e peidar como se não fosse nada. Claro que isso não vale para locais fechados!

- No banheiro, o papel higiênico usado é jogado dentro do vaso, diferente de como se faz em vários lugares (se não a maioria!) do Brasil. O cestinho de lixo é apenas para absorventes femininos, toalhinhas de limpeza, cotonetes e afins...

- No Brasil, via de regra, as pessoas são apresentadas umas as outras e já trocam beijinhos (dois ou três, dependendo da região). Aqui isso NÃO existe. Apenas amigos MUITO, mas MUITO próximos se cumprimentam com um abraço e talvez um beijinho no ar.

- Quando for apresentado a alguém, espere o gesto da pessoa estendendo a mão. Nem mesmo apertar a mão é praxe em todas as situações. Especialmente depois da gripe suína –o quando campanhas estimulavam a evitar o contato físico – dar a mão caiu em desuso. Então, de novo: se a pessoa estender a mão, cumprimente. Se não, um aceno de cabeça e um sorriso leve são mais do que o bastante para uma saudação amistosa.

- No consultório médico, nunca, jamais tente cumprimentar seu médico com um aperto de mão. Ele só tocará em seus pacientes – de luva, geralmente – se isso for inevitável. Afinal, se você está indo no médio é porque, provavelmente, está doente.

Almoço, jantar e afins:

- Se você recebeu o convite pra jantar na casa de alguém, isso quer dizer que essa pessoa está oferecendo a comida e não a bebida (se ela for oferecer bebida, vai avisar você claramente). Portanto, leve o que você planeja beber (refrigerante, suco, vinho, cerveja, etc) e beba o que você levou!

- Além da sua própria bebida, é costume levar um vinho para os donos da casa, de presente, como forma de agradecer o jantar.

- Se quiser, se ofereça para levar alguma sobremesa. Caso os anfitriões achem a ideia boa, combine com eles o que vai levar. Sorvete é quase sempre uma boa opção.

- É bacana ajudar a recolher os pratos e louças, mas não corra para a pia para lavá-los. A maioria das pessoas tem máquinas de lavar louças ou, se não, os alemães costumam ficar horrorizados com a quantidade de água que nós, brasileiros, gastamos pra lavar louça. Ofereça-se pra secar que está de bom tamanho.

Visitas:

- Nunca, jamais, por motivo algum apareça na casa de alguém de surpresa. Combine antes, ligue, mande sms. Se você aparecer de surpresa tem grande chance de nem ser recebido. E não fique de cara amarrada se isso acontecer. Ler um livro, ir ao mercado ou qualquer outra atividade que a pessoa já programou tem a mesma importância.

- Sempre tire os sapatos quando chegar na casa de alguém, ou ao menos faça a menção de tirar. A maioria das pessoas só anda dentro de casa descalça ou com chinelos de pano, para evitar que areia, lama, neve e folhas sujem o ambiente. Afinal, são raros os que contam com alguém pra ajudar na limpeza.

- Já que você vai tirar os sapatos com frequência, esqueça as meias velhas ou furadas. Jogue tudo fora! E esqueça as meias brancas. Não me pergunte o motivo, mas usar meias brancas aqui na Alemanha é algo muito mal e fora de moda.

Churrasco:

- A não ser que o organizador do churrasco deixe explícito que vai oferecer a comida (raramente é assim), está implícito que você deve levar sua própria comida e bebidas.

- Pergunte se ele tem espaço na grelha ou se você deve levar uma descartável

- Leve e COMA somente a sua comida. Se algo for para dividir entre todos, a pessoa que preparou vai dizer: esse prato é para dividir com todos. Se não, cada um come o que levou.

- Prepare a sua comida: você vai colocar suas coisas na grelha e vai cuidar delas. Ninguém tem a obrigação de fazer isso por você.

- Leve (ou pergunte se o anfitrião pode emprestar) prato, faca, copos, cadeira, esteira para sentar ou qualquer outra coisa que possa precisar durante o churrasco.

- (adendo em 25/02/11) Vale dizer que não é comum ter churrasqueira em casa (aquele espaço pra churrasco, como existe no Brasil) e, por isso, trata-se de um evento programado para algum parque, jardim ou mesmo no pátio do prédio de alguém. Claro que se for no quintal de alguém que mora em uma casa, você não precisa se preocupar em levar tanta coisa. O importante é que fique claro que ninguém precisa pensar nas suas necessidades!

Compras:

- Os supermercados, em geral, tem esteiras muito longas e nenhum espaço depois do caixa. Você coloca tudas as suas compras na esteira, a caixa passa em uma velocidade alucinante. Você joga de volta no carrinho o mais rápido que conseguir, paga e sai correndo. Então, nos balcões de apoio que todo o supermercado tem, você coloca as coisas com calma nas sacolas, bolsas, mochilas e afins. Isso é sério! Não estranhe! E se fizer de forma lenta, vai levar cara feia ou mesmo um xingamento de quem está na fila aguardando.

- Falando em compras, leve as suas sacolas! As sacolas são pagas no mercado (entre 0,07 e 0,25 cada uma de plástico).

- Deixe as caixas dos produtos no mercado! Eles tem caixas coletoras de papel e você não precisa carregar pra casa a caixa de peitos de frango congelados que, por sua vez, também estão dentro de sacos plásticos. Então, evite levar peso e entulho à toa.

- Em qualquer loja, escolha tudo antes de ir ao caixa. Ou mesmo antes de dirigir a palavra ao vendedor. Se quer ver um perfume que está no balcão, só peça se realmente estiver pensando em levar. Pedir pra provar vários e não levar nenhum é um desaforo. Assim como também é muito mal ficar escolhendo coisas de última hora ou ficar na indecisão na hora do caixa. Ninguém tem paciência pra isso, nem os outros clientes e menos ainda o caixa.

Universidade:

- A regra da pontualidade vale também para as universidades. Seja SEMPRE pontual e, caso se atrase, não entre pedindo desculpas ou dizendo o porquê do atraso. Entre fazendo o menor barulho possível, sente-se sem algazarra e deseje ter um manto da invisibilidade para evitar o olhar gélido do professor.

- Não saia durante a aula pra atender telefone. Nem pra ir no banheiro (a não ser que seja absolutamente inevitável). Os professores costumam fazer intervalos a cada 1h30 de aula, em média, para que todos possam atender suas necessidades sem distúrbios maiores.

- Existem dois tipos de pontualidade no mundo acadêmico. O horário ´sharp´ e o horário acadêmico. No primeiro caso, se a aula está prevista para começar as 8h, será as 8h em ponto. No segundo caso, isso significa 8h15, mas pontualmente as 8h15... No primeiro dia, chegue no horário sharp e descubra qual é o estilo do professor. É provável que ele fale sobre isso claramente e explique que horas planeja realmente começar as aulas.
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel