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terça-feira, 6 de abril de 2010

A saga da churrasqueira

Churrasqueira aqui na Alemanha é coisa quase descartável. Todo verão aparecem aos montes nos supermercados e a partir de 6 euros se compra uma. Não espere nada maravilhoso: em algumas semanas de uso, elas começam a ficar com as pernas bambas e dão sinais de cansaço. Mas é exatamente o quanto dura o verão e, sem espaço pra guardar, quando o outono chega, as churrasqueiras acabam indo para o lixo. Alguns mercados vendem umas descartáveis mesmo: Einweggrill (churrasqueira para um uso, por 2 euros), que nada mais é do que uma bandeja de alumínio com carvão, coberta por uma grelha furadinha, que dura o bastante pra uma boa rodada de salsichas.

No ano passado, usamos algumas dessas, mas acabamos comprando a nossa... que desapareceu misteriosamente no inverno. Este ano, quando o sol deu as caras, a vontade de churrasco bateu e rodamos a cidade em busca de uma churrasqueira nova. Nosso desejo foi mais rápido que a logística alemã. Os mercados da redondeza ainda não estão vendendo as tais churrasqueiras e acabamos encontrando apenas no Walle Center, do outro lado da cidade, o que provavelmente era um estoque do ano anterior.

A estréia da tal churrasqueira – que custou 7,99 – foi na sexta-feira santa. Churrasquinho caprichado no quinta! Depois disso, ainda com um resto de carvão, a dita ficou encostada na janela do quarto (moramos no térreo) a espera do próximo Grillen Zeit, como “repousam” todas as churrasqueiras da vizinhança. E sumiu no dia seguinte.

Com todo o perdão do palavreado, fiquei PUTA da cara. Muito irritada MESMO. Não pelo valor da churrasqueira em si: mas pelo desaforo de terem levado a churrasqueira novinha. Custava pedir emprestado? Ano passado emprestamos várias vezes, assim como já usamos churrasqueiras emprestada. É só pedir, levar e trazer de volta. Ninguém se recusa.
Resolvi não deixar por menos e, vestindo todo o estereótipo do latino sangue quente, coloquei um aviso na minha janela e nas árvores em volta. Se não fosse pra ter a churrasqueira de volta, ao menos desabafei minha raiva com um monte de palavrões. Isso foi na segunda, dia 5/4, feriado aqui.

Nesta terça, com um sol perfeito e as flores desabrochando, fomos dar uma caminhada no Jardim Botânico, aqui perto de casa, de olho nas churrasqueiras “estacionadas” nas janelas. E... sim! Lá estava ela... parada do outro lado do condomínio (que tem uns oito blocos onde só moram estudantes), na janela de alguém que pegou “emprestada” e “esqueceu” de devolver... Não tive dúvidas em trazer pra casa e deixar um recado para os “simpáticos vizinhos”.


Sem um porão para guardar tralhas, ficamos sem muita alternativa de onde deixar a churrasqueira semi descartável até o fim do verão. Mas desta vez, vai dar mais trabalho se algum espertinho resolver levar... Uma engenhoca de cadeados vai manter a churrasqueira bem perto dos olhos do gatuno, mas bem longe do seu próximo churrasquinho...


E que venha o final de semana!!!

domingo, 4 de abril de 2010

Ovo de Páscoa, literalmente

Hoje é domingo de Páscoa e, por mais piegas que possa parecer, não resisti a um post “temático”. Então, depois de todos os tradicionais cumprimentos – embora eu não seja religiosa e sequer me considere cristã – prefiro dedicar as próximas linhas a alguns comentários mais, digamos, culturais. Ou bizarros, como preferir.

Morar na Alemanha na época da Páscoa tem uma lista gigante de vantagens. A primeira delas não tem nada a ver com a Páscoa em si: mas é a chegada da primavera que, depois de um inverno longo com ares agourentos, passa a ter outro sentido. Então, pra celebrar as flores e o calor – sol e + 12°C – escolhemos a sexta-feira santa para fazer um divertido churrasco: sem culpa por comer carne. Inauguramos o jardim recém voltando a ser verde com muita cerveja, fumaça e violão...

Mas fora isso, de ninguém criticar, reclamar ou cobrar que se coma peixe, a Alemanha tem ainda mais vantagens. Por aqui não existe aquela corrida alucinada das fábricas de chocolates por lançarem ovos e modelos caríssimos a cada Páscoa. Nos supermercados, anda-se tranquilamente, sem aquela sensação claustrofóbica que as armações repletas de ovos de chocolate costumam provocar. Vendem-se alguns ovinhos, coelhinhos de chocolate coloridos, mas é só.

A correria ao supermercado fica por conta do feriado. NADA abre por aqui aos domingos e menos ainda em datas festivas. Além disso, a segunda-feira também é feriado nacional. Eu chamo isso de “síndrome do sábado”, já que se esquecer de comprar qualquer ingrediente da lista, a única chance de cozinhar domingo é batendo a porta do vizinho. Bom... fiz a lista e aproveitei o sábado para comprar o que faltava para dois dias de “nada aberto” e fui ao mercado.

Cheio, como o esperado. Estantes vazias, como o esperado. Filas imensas no caixa, como o esperado. Mas o bizarro estava por vir. A corrida por ovos de páscoa é a mesma aqui na Alemanha: só muda o objeto. Depois de sair do terceiro mercado de mãos vazias, me dei conta de que TODOS os ovos tinham sido vendidos e não havia mais nada em estoque. Mas não os ovos de chocolate: que continuavam aos montes nas estantes. Os ovos de galinha!

Aqui na Alemanha, presente de Páscoa é ovo cozido e pintado: nada mais. A graça (sic!??!?!?!) é bater o seu ovo no de outra pessoa e ver qual deles sai inteiro. E eu, que queria fazer uma massa de pastel, quase fico sem o ingrediente. Na saída do último mercado, paguei as outras compras e recebi um mimo: um ovo cozido. Se meu alemão fosse um pouquinho melhor, juro que teria dito pra caixa: “por favor, vê a minha parte em ovo cru”...


Ps.: Tem uma coisa que esqueci de mencionar sobre as vantagens da Páscoa na Alemanha: o chocolate! Mesmo o chocolate mais baratinho é gostoso :) Mas como tenho sorte ( ;) ), ganhei um ovo lindo (de metal, recheado de ovinhos) da Lindt e um saco inteiro de bombons Lindor, os meus favoritos... AMEI :)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Receita rápida e fácil: Cookies

Acabei de fazer cookies. O cheirinho ainda ta pela casa e, confesso, não vou estranhar se algum vizinho toque a porta... Delícia!!! Desta vez, nada de receitas alemãs – no Natal testei umas bem gostosas daqui que posto em outra oportunidade – mas sim os tradicionais cookies americanos com raspas de chocolate. É tão simples que mesmo uma criança da conta do recado... Aliás, uma ótima dica pra fazer com as crianças ou com as sobras de ovos e chocolate que costumam acontecer na Páscoa. Ai vai a receitinha, adaptada do Cybercook do Terra.

Ingredientes:


3 colheres (sopa) de margarina
2 colheres (sopa) rasas de açúcar de baunilha (na Alemanha, 2 sachês da Oetcker ou genéricos)
1 ovo
2 colheres (sopa) de leite
3 xícaras de trigo
1 xícara de açúcar *
2 colheres de melado de cana (vende no Rewe, fica junto com o mel – Zuckerrübensirup) *
1 colher (chá) de fermento (usei 2/3 do saquinho da Oetcker)
150 gramas de gotas ou raspas de chocolate

* A receita original falava em 90 gramas de açúcar mascavo, mas como eu não tinha em casa, troquei pelo que achei no armário)


Preparo


Pré-aqueça o forno a 180 graus. Aqueça a margarina por uns 30 segundos no microondas pra facilitar a mistura. Em uma bacia, bata levemente o ovo. Acrescente o açúcar, o melado, o leite, o açúcar de baunilha e vá, aos poucos misturando o trigo e o fermento. A massa precisa soltar da bacia e ficar maleável com as mãos. Se for preciso, coloque um pouco mais de trigo. Acrescente, por fim, as raspas ou gotas de chocolate. Faça bolinhas com cerca de 2,5 cm de diâmetro e achate-as até que fiquem com pouco menos de 1 centímetro de espessura. Coloque na forma (forrada com Backpapier ou untada) a uma distância de 1,5 cm uma das outras. Asse até dourar. Os biscoitinhos parecem meio moles quentes, mas ficam bem crocantes quando esfriam. Essa receita rende 36 cookies de 5 a 6 centímetros de diâmetro.
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