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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Esfihas, curso de italiano e concentração

Achei que depois do fim do projeto o tempo seria mais abundante, mas errei feio. Se antes eu passava horas intermináveis em relatórios e discussões, o problema agora é conseguir me manter focada. É como se todas as energias tivessem ido pro buraco e minha mente se recusa a qualquer tipo de esforço intelectual... Pra tentar criar rotina, resolvi retomar meus cursos on-line de alemão e italiano: a idéia é que sirvam de aquecimento matinal para a tese. Vamos ver se funciona...

Enquanto isso, mais uma receitinha testada e aprovada que andei fazendo aqui em casa: esfihas abertas, aquelas pequeninhas, como servem no Habib’s... Ficaram deliciosas. A receita original é do Tudo Gostoso. Como sempre, alguns comentários pra quem vai encarar a receita aqui na Alemanha. Confere ai:



Esfiha aberta
(Receita para 20 a 23 unidades)

Ingredientes:

1 tablete de fermento para pão (eu uso o de 30 gramas, fresco, q vende no Lidl a 9 centavos na estante dos patês e frios)
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de sal
1 xícara (chá) de água morna
2 colheres (sopa) de óleo
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
Fubá pra esticar (Maismehl ou polenta – vende nas lojas asiáticas ou no Edeka. O mais grossinho é o ideal)

Massa:

Misture o açúcar com a água morna e coloque, esmigalhado, o fermento biológico para “acordar”. Deixe descansar por 10 a 15 minutos. Em uma bacia plástica, coloque o trigo, o óleo, o sal e acrescente a água com o fermento e o açúcar. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Misture com as mãos até obter uma massa lisa que não gruda nas mãos e nem na bacia. Talvez precise de um pouco mais de trigo ou água morna pra chegar ao ponto. Deixe, então, a massa crescer em lugar quente por mais 30 a 40 minutos (até dobrar de tamanho). Então, com as mãos, faça uma bolinha pouco maior que uma de pingue-pingue e, em uma superfície coberta com fubá, molde a massa no formato das esfihas (com uns 6 centímetros de diâmetro, com a borda mais altinha). Coloque o recheio nas “forminhas” e leve ao forno por cerca de 10 minutos ou até dourar as bordas.

Recheio:

Carne: Fiz esfihas de carne moída e de queijo. Para as de carne, faça um refogado de carne moída com cebola e temperos da sua preferência. Uma dica é usar hortelã pra temperar a carne, no lugar da cebolinha verde. Como eu não tinha hortelã fresca, usei a que estava em um saquinho de chá de Pfeferminze... Ficou igual e saboroso.

Queijo: Usei uma mistura de Körniger Frischkäse e Frischkäse tradicional, temperado com sal, Limete (aquele da garrafinha de plástico verde escuro em forma de limão), sal, cebolinha e salsinha fresca. Coloque uma colherinha de café de fermento de bolo na mistura pra dar uma crescidinha na hora de assar. Fica saboroso e as esfihas ficam lindas!

terça-feira, 13 de abril de 2010

O pior ano de nossas vidas

A semana tem sido corrida a ponto de não dar tempo de pensar. Ou digerir tudo o que está acontecendo. Nesta sexta-feira, dia 16, será a apresentação final do projeto de um ano que faz parte do currículo obrigatório do mestrado em Digital Media que estou fazendo, aqui em Bremen. Foi um ano duro, muito duro e tudo o que eu mais quero é que acabe logo.

Academicamente falando, posso dizer que foi o pior ano de nossas vidas. Minha, no meu projeto e do Joatan, no dele. O que começou com aquela curiosidade de lidar com pessoas de diferentes países e culturas, culminou em uma sequência tão grande de problemas e desentendimentos que tudo o que eu quero é esquecer. Falo isso por mim, não por ele.

No fim das contas, perdeu-se mais tempo tentando conciliar diferenças, egos, falta de talento do que produzindo algo concreto, em si. Aprendi muito, claro. Mas como pessoa, sou muito pior, agora. Tenho uma série de preconceitos que eu não tinha, ressalvas com culturas que antes sequer conhecia. Claro que nesse tempo também fiz amigos: uns que quero manter mas, a maioria, apenas por circunstância e sei que não vou falar com esses nunca mais a partir de sexta-feira, a não ser que, por coincidência,tropece com eles na rua. Como cada um vem de um canto do mundo, as chances são poucas.

Particularmente, estudei muito e hoje domino temas que antes eu nem sonhava que existiam. Mas preferiria ter feito isso de outra forma: com mais cursos e matérias, sem ter que andar com o freio de mão puxado porque muita gente não sabe onde fica o acelerador. No fim das contas, sei que me sai bem, mas poderia ter me saído muito melhor. Projeto, daqui pra frente, só faço em grupos em que eu possa descartar no caminho aqueles que não estão contribuindo. Nunca mais vou trabalhar com bolas de ferro amarradas à canela.

E que venha a tese... o doutorado... e o que mais tiver que vir :)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Verdades e gentilezas com tempero germânico

Desde que eu vim morar na Alemanha, em outubro de 2008, muita coisa na minha vida mudou. Deixei pra trás Florianópolis – o lugar onde eu sou mais feliz nesse mundo – e construí uma vida nova por aqui... Mas a questão não é falar do que mudou por fora: mas sim, por dentro. Cheguei aqui achando que ia encontrar pessoas fechadas e duras, secas talvez e, com o tempo, parei de achar isso.

Hoje me dei conta que as pessoas por aqui continuam como sempre foram e quem endureceu fui eu. Quando a poeira do Brasil ainda estava nos meus ombros, eu mantinha a falsa polidez latina de dizer “talvez” no lugar de dizer “não”, “interessante” em vez de “não gostei” e me despedir com um “a gente se vê” com a certeza de que nunca mais vou ver a pessoa na vida. Não por escolha.

Por aqui, as coisas são mais diretas e de certa forma, me deixam mais feliz. Não é não, sim e sim e ninguém bate na sua porta antes de marcar hora (mesmo sendo seu vizinho ou seu melhor amigo). E nem chega atrasado. Na universidade (eu acho que já confessei que sou CDF e nerd), dizer “não, não quero fazer o trabalho com você” para um colega menos dedicado não é o fim do mundo e nem razão para deixar de tomar um café com ele no intervalo.

Me pego fazendo dessas com frequência agora. No outro dia, em uma discussão sobre uma apresentação importantíssima – o trabalho final de um ano de projeto coletivo – me flagro olhando para um colega de aula que se ofereceu para apresentar uma parte: “Não concordo que você faça isso. Não confio em você o bastante e nem acho que tenha competência para falar sobre esse tema. Talvez você possa contribuir com algo menos relevante e que não seja vital para apresentação”.

Falei isso assim, na lata, olhando para o próprio que, sem argumentos, aceitou fazer outra coisa. No fim das contas, nem a parte irrelevante pela qual ele ficou responsável ficou pronta... (Ah! Eu já sabia!) Mas se eu tivesse dito isso em uma sala de aula do Brasil, até agora seria o principal assunto da rádio-corredor...



Ps.: Só para ilustrar, uma fotim do inverno, do entardecer as 15h, no hall de entrada da Universidade de Bremen
de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel