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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Geléia de amor(as)


Na Alemanha não existem mexericas. Quando muito, aparecem no mercado umas frutinhas parecidas, com o curioso nome de Clementinen. Sem mexericas, faz anos que não preparo a geléia que aprendi com a minha Oma. Mas isso não me deixou longe dos potes cheios de doces. No meu quintal, quando o verão mostra a sua cara, as frutas vermelhas aparecem em profusão: groselhas, amoras pretas, enormes, azedas e doces ao mesmo tempo. E por aqui, a tarefa é ainda mais fácil: açúcar não é simplesmente açúcar. São muitos, diferentes e, pra cada geléia que se queira ou pense, há um especial... Não só o açúcar ajuda. O contexto faz as coisas serem diferentes. Muitas coisas.

Desde que cheguei aqui, não só voltei a comer sushi, mas aprendi a fazer. E o meu, é um dos melhores que já provei! Também aprendi a fazer porco com batata de tantos jeitos que nem minha Oma poderia imaginar. Aprendi a fazer pasta, caseira, como a minha nona fazia. De certa forma, mudar para a Alemanha foi um reencontro com as minhas origens. De um lado, a língua quase impenetrável e cheia de consoantes que resolveu se desnudar e mostrar, devagarzinho, sua cara. Do outro, a papelada e o direito de ficar aqui para sempre, se eu assim entender. Agora, sou italiana pela lei, alemã pelo coração. Somando tudo, finalmente, encontrei a inquietação de não saber mais o que significa estar em casa.

Quando sai do Brasil, deixei uma vida inteira para trás e transformei casa, família, amigos e lembranças em duas malas. Foi preciso desapego ao extremo para deixar badulaques e pares de sapato. Mas a melhor parte foi poder escolher o que trazer entre coisas boas e dias felizes. Não havia muito espaço na mala. Então, deixei pra trás tudo o que era pesado e ruim: mágoas, desavenças, inimigos, desamores.

Trouxe só o que havia de melhor em mim. Encontrei aqui uma vida novinha em folha e a chance de reinventar minha própria história. Quem é que tem essa chance na vida? Poder começar do zero sem, ao mesmo tempo, ter que recomeçar? Escolher que parte do passado interessa, quem vale a pena ser lembrado, que histórias contar ou esquecer? Essa nova vida começou sem sapatos de salto, sem perturbações e com um amor infinito. A paz, a calmaria, a confiança e a certeza de que no mundo, não pode haver sentimento mais completo...

Hoje sou muito melhor do que eu era. Mais alegre, mais madura, mais amada, mais feliz. Meus olhos já não são os mesmos e agora, sei que neles cabe um mundo inteiro a ser visto: do azul sem fim de Portugal ao gelo cinzento das praias dinamarquesas em pleno inverno. E a neve branquinha que cai todos os anos do lado de fora da minha janela. Nos meus olhos cabe ainda muito mais e acho que nem de perto vi um fiapo de tudo o que ainda quero ver. O mundo é muito grande para se pertencer a um único lugar... mas é perfeito quando se encontra a pessoa certa para descobri-lo.

De qualquer forma, ver um pouco do mundo é algo que todo mundo tem que fazer pra se sentir vivo. Se sentir perdido quando ninguém entende qualquer língua que se possa falar é a melhor forma de encontrar a si mesmo. E mais que isso, as cidades, os lugares e mesmo as pessoas: tudo tem cheiro, gosto, cor, luminosidade. Nenhum livro, foto ou filme podem capturar essa essência. Pra ver o mundo é preciso sair de casa, sair da rotina...

No fim das contas, claro, nem tudo é perfeito. Quanto mais eu vejo, menos sei de onde sou. Só sei a quem pertenço e sei que nunca quero parar de conhecer, ver e sentir. Hoje, não sei pra onde a vida vai me levar. O mestrado está no fim... vem então o doutorado, o pós doc, filhos. Não necessariamente nessa ordem. Estou abrindo muitas janelas e diferentes perspectivas. São novas cidades, países e propostas, mas vou deixar que o acaso resolva essas questões.

As pessoas que eu amo estão em diferentes cantos do planeta e eu nunca vou ter todas elas no mesmo lugar. É como não poder ter as cerejas da Turquia, as azeitonas da Catalunha, as mangas do Brasil, as lichias de Madagascar, os chocolates da Bélgica e os queijos daquela cidadezinha no pé dos Alpes suíços ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Cada um deles faz parte de um cenário e por mais que eu ame cada coisa, nunca vou ter tudo. Saber disso e ser feliz assim, faz de mim uma pessoa melhor e sem medos. Eu sei que pra onde quer que eu vá, vou encontrar algo que vai me fazer sentir saudades depois. E no fundo, estar em casa, agora, é simplesmente estar em paz, não importa o endereço...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Gimme Hope Joachim!!!!



Essa musiquinha os alemães fizeram antes da Copa... Gimme Hope Joachim, de uma banda chamada Basta. Só pra esclarecer: Joachim Löw é o técnico da Alemanha (se fala Ioáchim!!!) e o apelido dele é Jogi (Iôgui). O vídeo é uma piada claro, em que os alemães estão rindo de si mesmos... Em alemão, as rimas e a letra em impagável... em português, a coisa é mais ou menos assim:

[aceito sugestões para melhorar o texto ;)]


Me de esperanças, Joachim!


Os portugueses tem os melhores jogadores
Os brasileiros são muito rápidos
A Espanha está há três anos sem perder
Mas nos temos o hotel mais bonito!!!

Ronaldinho tem a melhor técnica
Ronaldo tem o corpo dos sonhos
David Becham tem um chute de ferro
Mas Jogi Löw tem o melhor corte de cabelo!!!

Os coreanos tem pernas ágeis
Os mexicanos podem chutar forte
Os franceses tem o melhor homem no gol
Mas nos temos o maior ônibus!!!

Os dinamarqueses se alimentam de proteínas
Os sérvios treinam até a beira da morte
Os argentinos se torturam na selva
Mas só o Jogi passa Nutella no pão!!!

Os Gregos são os melhores em guardar
Os suíços podem vencer mesmo sem o time completo
Os holandeses estão novamente de volta
Mas por favor, Jogi ganhe a copa de qualquer maneira!!!

No refrão, fica repetindo...

Me de esperanças, Joachim! Me dê esperanças para a Copa do mundo...
Me de esperanças, Joachim! Me dê esperanças na África do Sul...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Coisas que só existem na Alemanha (ou que eu só vi por aqui!)

Quando a gente chega a um país novo, tudo é novidade: o mercado, o transporte, a comida... Mas depois de um tempo de residência, as coisas parecem cair no lugar comum. Bom, nem tudo! Depois de quase dois anos de Alemanha, tem algumas coisas que ainda chamam a minha atenção, por diferentes motivos. Colecionei uns jornais de ofertas, desses de supermercados, e separei algumas “pérolas” que, muito provavelmente, só terei a chance de ver por aqui!

Bebidas

Sim, aqui é o país da cerveja, muita cerveja. E cerveja boa, pra todos os gostos. As páginas dos jornais estão repletas de anúncios e não se pode deixar de provar. O que gosto aqui são as opções de 5 litros, muito legal para festas e “kein Pfand”. O que é isso? Significa que você não paga pelo casco. Normalmente, toda a bebida tem o preço do líquido e de sua embalagem. Se paga os dois e, ao retornar as embalagens, recebe-se o dinheiro de volta. Garrafas de vidro: € 0,08; garrafas Pet: € 0,25; outras garrafas, normalmente € 0,15.

A mulherada aqui A D O R A beber Sekt (champanhe, espumante, pró-seco, como queira!) e é comum encontrar as meninas indo para as festas com suas garrafas em punho. Aqui, cada um leva o que vai beber e só bebe o que levou. Para facilitar a vida e não deixar a garrafa esquentando, vendem a bebida em latinhas! Adoro a idéia! Bem que o pessoal de Garibaldi (RS) podia copiar!


Comida


Comer ovo no café da manhã aqui é tão comum como pão francês com manteiga ai no Brasil. E se a família for grande, porque não contar com a ajuda de uma “cozinhadora de ovos”?

Para a casa

Todo o estudante que se muda passa pelo mesmo drama: eu preciso de um guarda-roupa e tudo é muito caro. Não aqui na Alemanha. Existem esses armários com armação de ferro e forro em um tipo de tecido plastificado que quebra um galho de bom jeito! Bem que podia ter isso por ai, né... O princípio é o mesmo daquelas sapateiras que se encontra com vendedores ambulantes, mas é muitoooo mais prático!

As camas aqui são grandes, enormes. A menor cama de casal tem 1,40m de largura e 2 m de comprimento. E é difícil encontrar esse modelo “pequeno”. O que eu achei curioso nesse anúncio ai, foi a cama de “casal” com lugar pra três... Alguém ai tem opinião formada a respeito!?


Vestuário

Vamos à uma das pérolas: os aventais “divertidos” para churrasco. Tire suas próprias conclusões. Se quiser encomendar um (sic!) pra quando eu for ai, pede já, porque se trata de um produto sazonal – como tudo relacionado a churrasco – e só vende na primavera/verão.

E os biquínis? Não vou discutir o lado ruim da coisa – que é o lado de trás. Com o perdão da palavra, todos ficam com aquele “saco de bosta” na bunda. Mas tem coisas bem bacanas, como esse modelo ai de camisetinha. Eu adorei e quero um!!!


Esportes

Já escrevi um post inteiro sobre esportes, mas esses são diferentes. Andar de bicicleta na Alemanha é fundamental – além de saudável e divertido – e as crianças mal aprendem a andar e já ganham sua primeira “magrela”. A diferença? As bicicletas não tem pedal!As crianças andam com os pés no chão e vão aprendendo a se equilibrar sem que pais e mães tenham que sair correndo feito loucos, segurando. Além disso, não precisam daquelas rodinhas auxiliares: não me lembro de ter visto isso por aqui. Quando elas já sabem como se equilibrar, ganham as bicicletas “normais”, com corrente, pedal!

Outra engenhoca – entre as muitas pra quem tem filho! – é esse triciclo com um “cabo”, em que os pais guiam a criança. Uma mistura de carrinho com brinquedo que os pequenos não se recusam a usar!

Já falei do Nordic Walking e aqui vai mais uma prova da popularidade do esporte. Os bastões para a prática dessa caminhada poderosa são vendidos nos supermercados...


Decoração

Bom, a primeira é versão “Copa do Mundo” de um artigo normalmente vendido com as cores e logomarcas dos times de futebol. É uma espécie de capa para colocar no espelho retrovisor do carro. É esquisito? Muito. Tem quem compre? Muita gente...

Esse anúncio é, para mim, o vencedor da categoria bizarrices. Quem, com todas as suas faculdades mentais em ordem, compraria essas falsas cabeças empalhadas pra “decorar” a parede!? Eu só vi isso uma vez no catálogo! Ou ninguém comprou... ou acabou o estoque. Quem vai saber!?!??!?!
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