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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Chocolate, eu só quero chocolate!

Eu sempre gostei de chocolate: de bombom, pra ser mais precisa. No Brasil, meu preferido era o Ouro Branco e deste, confesso que trouxe saudades na mala. Mais do que saudades, uma memória romântica de dias quentes e açucarados. Bom... chegando aqui na Alemanha, acabei descobrindo que 99% dos chocolates são melhores do que qualquer chocolate bom do Brasil. Sim! Mesmo a marca do supermercado, que custa 0,35 centavos de Euro a barra de 100 gramas é mais gostosa que qualquer Nestlè e afins. E, por aqui, o afamado Milka tá longe de ser um produto de alta qualidade. Particularmente, acho doce demais.

Voltando ao Ouro Branco: o Pedro Oliveira e a Luiza Prado, amigos e vizinhos aqui de Bremen, foram para o Brasil de férias e perguntaram se eu queria algo de lá. Pedi dois bombons... trouxeram um saco enorme com muitos deles. Estava ansiosa e feliz, mas foi só colocar o primeiro na boca pra minha memória romântica ficar estilhaçada! Doceeeeee, muito doceeeeeee, doce demaisssssss. Comi mais um para a contra-prova... e acabei distribuindo os outros para nostálgicos como eu. Risquei esse da lista dos favoritos.

Com o passar dos tempos e de muitas provas (todas devidamente armazenadas na circunferência do quadril), já tenho meu novo favorito: entre alemães, belgas e suíços, sou básica. Minha paixão é pelo Lindor, da Lindt. Chocolate ao leite (leite mesmo!), cremoso, doce na medida certa... Um resumo da perfeição. E pra completar o drama: em Bremen tem uma ponta de estoque da Lindt (pra quem tá na área, fica junto aos outlets, ao lado do Ikea). É o tipo de coisa que deveria ser proibida. Aqui está o site oficial dessa delícia. Ah... e só um comentário cultural: na Alemanha, a palavra bombom existe... mas com N - Das Bonbon - e significa bala. Então, não se anime se alguém oferecer um!

Mas pra resumir a história, o Lindor da Lindt está na lista dos pequenos prazeres da vida...

Lindor, o clássico da Lindt:

Fotos e pecados

Eu gosto de fotos e das coisas boas da vida. Por isso, decidi criar duas novas tags fixas para o Blog: uma de “Fotos”, obviamente, e a outra chamada “Pequenos prazeres”. As fotos podem ser do dia, do arquivo, do fundo do baú: serão posts curtos ou mesmo sem texto: um espaço a mais para os muitos clics que eu saio fazendo por ai. Já a sessão dos Pequenos Prazeres virá com aquelas coisas que são inigualáveis e que você aprende a amar e não sabe como viveu sem até hoje. Quem sabe, depois da tese, mudo um pouco o layout do blog para subir as tags fixas como barra de navegação. Mas por horas são planos e essa é apenas uma introdução para que não fiquem tão perdidos os posts que virão! :)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O paraíso sem bananas, mas cheio de surpresas!

A Melize, do Na Alemanha Tem, é mais do que mais uma blogueira que eu conheci na Alemanha. Ela é uma pessoa gente boa pacas, simpática e amiga. Daquelas peças raras de bom coração que aparecem no mundo... E, pra coroar isso tudo, eu ganhei um sorteio que ela fez no blog dela!!! JURO que não foi marmelada! Ela sorteou em um site que não permite maracutaia, em parceria com a historiadora e escritora Neusa Arnold-Cortez, um Kit da DDR e o livro de estreia da autora: Paraíso sem Bananas. Recebi em casa uma caixa toda chique, repleta de itens peculiares: mostarda Bautz´ner, Russisch Brott, Mint Kissen, chá de morango com creme da Goldmännchen (que to curiosa pra provar) e ainda um pendurico de cheirinho falando “Nascido na DDR”. AMEI tudo.


Também gostei do livro da Neusa e escrevi um pouco sobre ele. Ai vai meu comentário pseudojornalístico, mas sem qualquer pretensão de ser uma crítica literária. Melhor entender assim: eu ganhei um presente e decidi comentar com os meus amigos o que achei. :)

Por dentro do muro que ainda cerca os alemães

Se eu encontrasse, na livraria, um livro chamado O Paraíso sem Bananas, eu não saberia do que se trata. Primeiro, porque o livro fala de um espaço/tempo que não tem qualquer conotação de paraíso. Segundo, porque eu não fazia a menor ideia de que, na antiga Alemanha Socialista não havia bananas. Assim como eu não sabia que não existiam laranjas à vontade e não tinha a menor noção de como funcionavam as escolas ou como as crianças eram incentivadas a participar de grupos de jovens em apoio ao sistema.

Esses aspectos do cotidiano socialista – e outras histórias dos 40 anos em que os soviéticos eram o grande irmão dos alemães orientais – estão contados no livro de estreia da historiadora Neusa Arnold-Cortez, brasileira, radicada em um cantinho alemão nos arredores de Koblenz. Curiosa pelas histórias do tempo em que a Alemanha eram duas, a autora entrega um livro sem pretensões: não se trata de um documento histórico, nem de um relato jornalístico e menos ainda de um romance. E é justamente o ser despretensioso que torna o livro descompromissado e agradável.

A linguagem é coloquial e simples, bem simples. As histórias que ela colheu dos ex-moradores da DDR são permeadas por relatos em primeira pessoa. Essa mistura de focos, onde muitas vezes a própria cozinha da casa de Neusa é o cenário, torna o leitor mais um conviva à mesa, parte da conversa. Nas entrelinhas, é possível perceber muito da própria autora: que fala que suas impressões sobre a antipatia alemã foram mudadas depois de seus anos vivendo no novo país, mas ainda escapam as observações sobre a dificuldade de abrir caminhos e estabelecer relações de amizade e confiança em uma terra em que poucos falam sobre si mesmos.

No fim das contas, o livro é uma conversa informal, sem preciosismos literários ou tentativas de doutrinação. O Paraíso sem Bananas é divertido como seu título: uma leitura rápida e repleta de personagens interessantes que deixam as páginas com gostinho de quero mais. Cada um deles merece um romance inteiro para contar suas vidas, suas histórias e suas experiências. Mas para fazer um alemão falar para tantas páginas, vai ser preciso muitas garrafas de Rotkäppchen Sekt.

Ps.: Pra quem quiser ver um pouco mais sobre a vida socialista, aqui tem uma reportagem incrível de um jornalista americano que decidiu passar um mês em Cuba vivendo sob as regras socialistas aplicadas aos cubanos, incluindo racionamento de alimentos e um orçamento de 15 dólares.
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