de volta à nave mãe: home
Home Home by Ivana Ebel Facebook Twitter E-Mail

menu

Estudar fora Sobre a Alemanha Viagens & turismo
Nonsense Receitas Jornalismo

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Conexão Alemanha - Coluna 5

Mais uma coluna Conexão Alemanha. Essa foi publicada hoje no Santa bem aqui, mas também ganhou destaque na capa do jornal. Chique né! :)


Sabores da Alemanha

Salsichas com chucrute e marreco recheado podem ser as principais referências da culinária alemã apresentada durante a Oktoberfest em Blumenau. Mas no dia a dia da Alemanha, as refeições têm outros protagonistas: batata e porco. É claro que a culinária do país não se resume a esses dois ingredientes, mas a criatividade alemã em criar pratos utilizando esses dois itens como base principal merece elogios: batatas cozidas, assadas, salada de batatas, croquetes, fritas ou salteadas. Porco frito, defumado, grelhado, moído e até mesmo cru. Isso mesmo: as receitas de Hackepeter (também conhecida por Mett) são feitas com carne de porco crua, moída fininha, temperada com cebola, sal e pimenta. Há quem acrescente ainda mostarda, alcaparras, cebolinha verde, salsinha e até aliche. É servida com pão preto ou com o tradicional pãozinho e vendidas até mesmo nas cantinas das universidades. No Brasil a iguaria é também chamada de bife tartar, com variações nos temperos, mas preparada com carne bovina crua.

Joelho de porco

E o tradicional Eisbein – também chamado de Schweinshaxe ou Haxe, com variações de grafia conforme a região – pode ser encontrado em toda a Alemanha em diferentes versões, mas, como prato típico, remete principalmente aos estados da Baviera e Baden-Württemberg, além de apreciado na Suíça e na Áustria. O corte preparado é o joelho de porco, mas a tradução revela o que se especula ser a origem do nome do prato. Eis é gelo e Bein, perna. Perna de gelo, literalmente, pode estar ligado ao uso dos ossos das pernas de porco para a fabricação dos primeiros patins de gelo.

Döner Kebab

Os turcos são os estrangeiros mais representativos na Alemanha e somam cerca de 2,7 milhões entre os 80 milhões de habitantes do país. Uma das influências mais marcantes dos turcos está na comida de rua: pizzas, falafel e o mais famoso de todos, o Döner Kebab. O sanduíche é servido em pão redondo (ou em finas massas de pão sírio). Trata-se de um espeto de carne (de carneiro ou de frango, mais comumente) assado e fatiado em lascas finas.

Frutas vermelhas

Na primavera também a Alemanha se enche de sabores e as barraquinhas de aspargos logo incluem um novo produto na sua lista: morangos produzidos no país. Com eles chegam ainda as cerejas, mirtilos, amoras silvestres e framboesas. Na temporada, os mercados reforçam seus estoques de açúcar variados e próprios para a fabricação de geleias. Em ruelas de áreas rurais, os produtores montam barraquinhas para vender as compotas e doces produzidos em casa. O curioso é encontrar muitas delas sem qualquer vendedor. O preço está estampado nos vidros e uma caixinha serve para coletar o dinheiro.

Aspargos

A tradição culinária alemã tem elementos bem sazonais e a chegada da primavera, depois de longos meses de escuridão e temperaturas abaixo de zero, é percebida não apenas pelas flores: é a época dos aspargos. Comer aspargos – os brancos, preferencialmente – é uma verdadeira instituição alemã e barraquinhas são montadas em todas as cidades para comercializar o produto direto das fazendas. Nas regiões mais agrícolas é possível encontrar propriedades rurais que montam restaurantes familiares apenas para servir pratos a base de aspargos.

Marzipã

Os chocolates suíços e belgas podem ser os mais famosos do mundo, mas os alemães não ficam atrás. Além disso, se tem uma coisa em que a Alemanha vence qualquer concorrente é no preparo do Marzipã. A pasta de amêndoas cozidas é uma tradição e a pequena cidade de Lübeck, no Norte do país, é conhecida por seu preparo. De lá saem os melhores marzipãs do mundo. A pasta é usada para rechear bombons de chocolate amargo, mas também no preparo de doces (como o Stollen, espécie de panetone da Alemanha), bolos, biscoitos e mesmo servida pura, moldada nas mais diferentes formas. Na mais tradicional das lojas de marzipã da cidade, a Niederegger, foi construído um museu do marzipã, onde estátuas em tamanho natural feitas de pasta de amêndoa são expostas.

Diz o ditado:

Fresser und Säufer verstehen nichts vom Essen und Trinken
Glutões e beberrões não entendem nada de comida e bebida.

E fica ai uma foto do museu do Marzipã em Lübeck:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Conexão Alemanha - Coluna 4

E a quarta coluna saiu na edição impressa do Santa, que fica toda disponível aqui, e também no blog Esquenta da Oktober.

Bicicleta

A bicicleta é parte importante do dia-a-dia dos alemães. Crianças, jovens, adultos de todas as profissões, pais rebocando carrinhos de bebês e mesmo pessoas muito idosas não abrem mão desse meio de transporte, nem mesmo sob os dias mais rigorosos de inverno. Há ciclovias em quase todas as cidades, bem sinalizadas e espaço para guardar as bicicletas nos arredores das estações de trem. E como por aqui, na Oktoberfest, os alemães não abrem mão de decorar suas “magrelas”: na chegada da primavera, elas ganham flores nos guidões, cestinhos e mesmo entre as rodas. E se for passear pela Alemanha, fique atento: as faixas vermelhas nas calçadas são exclusividade delas e quem invade leva uma buzinada! Além disso, para pedalar é preciso usar o lado correto da via, ter buzina, luzes e freios em ordem. Para a falta de cada equipamento a multa começa em 10 euros (quase 25 Reais).

Ir e vir

Blumenau enxerga a Alemanha como espelho e, seja pela preservação da tradição dos colonizadores – ou copiando elementos mais recentes da cultura do Velho Mundo – emula a arquitetura, a gastronomia, a dança e tantos outros elementos de lá. Mas deveria copiar mais e não se manter apenas no aspecto cultural: pensar de um jeito um pouco mais alemão na hora de ir e vir traria uma sensível mudança na qualidade de vida de toda a cidade. Uma pesquisa recente, publicada pela Escola Superior de Economia em Bergisch Gladbach mostra que os carros estão perdendo importância para os alemães.

Símbolo de status

Enxergar o carro como um símbolo de status era um comportamento comum entre os anos 60 e 80 na Alemanha. Atualmente, o número de jovens que faz a carteira de motorista e que planeja comprar um veículo cai significativamente: entre 30 e 40% dos jovens alemães que vivem em centros urbanos não tem qualquer intenção de possuir um automóvel. Essa transformação não está unicamente relacionada à eficiência do transporte coletivo. Claro que isso conta muito, mas são outros objetos de desejo – muito mais inofensivos! – que estão em evidência: celulares inteligentes e computadores tablet. Ter um carro não faz o alemão se sentir melhor, mais importante que o vizinho ou mais bonito. Enquanto isso, Blumenau se torna intransitável e difícil de viver...

Pra onde eu vou?

Há mais cultura alemã a ser assimilada por Blumenau. Coisas simples e sem uma demanda elevada de investimentos públicos, até mesmo para melhorar o transporte. Na Alemanha, as empresas locais oferecem um planejador de viagens em seu sites, mas há ainda um de abrangência nacional: www.fahrplaner.de. É só incluir o endereço de e o de chegada: em um clique a informação das linhas necessárias, horários e melhores conexões está disponível (incluindo um mapa com o percurso do endereço citado até o ponto de ônibus). Já nas estações, a informação está disponível em cartazes que seguem o tradicional modelo de mapa de metrô mesmo em cidades que são servidas apenas por ônibus.

Tem ônibus?

Horário de ônibus é fundamental: ninguém gosta de esperar. Estimar o horário em que o ônibus costuma alcançar cada um dos pontos não parece ser uma tarefa tão hercúlea. Saber exatamente a que horas vai chegar o próximo transporte é algo que estimula o uso dos coletivos. Na Alemanha isso tem importância dupla. Quando os placares eletrônicos informam qualquer atraso – mesmo que seja de 1 minuto – a agitação começa na plataforma e o condutor do trem vai enfrentar caras azedas na chegada: alemães são extremamente pontuais . Essa pontualidade dos transportes também é importantíssima no inverno: com temperaturas muitos graus abaixo de zero, ninguém aguenta ficar esperando por muito tempo sem congelar.

Diz o ditado

"Fahre wie der Teufel, und du wirst ihn bald treffen."

“Dirija como o diabo e em breve te encontrarás com ele.”

E a fotinho abaixo foi em um dia de muita neve em Bremen, nos arredores do Jardim Botânico:

Conexão Alemanha - Coluna 3

A terceira coluna saiu no dia 10/10/11 e ta aqui:

A mais antiga

A Oktoberfest de Munique (ao lado) começou a ser celebrada em 1810. Este ano, na 178ª edição, recebeu quase 7 milhões de visitantes e encerrou no dia 3. É a maior festa popular da Alemanha, mas não a mais antiga. No outro extremo do país, em Bremen, outubro também tem festa desde o ano de 1035 e, em 2011, a Freimarkt – que começa dia 14 e vai até o dia 30 – chega à 976ª edição. A festa é considerada a Oktoberfest do Norte, ocupando uma área de mais de 100 mil metros quadrados e 350 atrações. A Freimarkt começou com a abertura do comércio para mercadores de outras localidades: um dia ao ano, todos tinham o direito de vender seus produtos sem impostos. Em volta da feira, barracas comercializavam comida e bebida, rodeadas por tendas de jogos, shows de bizarrices e atrações de mundos distantes.

A festa do Norte

A Freimarkt pode ser mais modesta que a Oktoberfest de Munique, mas não menos charmosa. A entrada é gratuita. As edições modernas têm pouco a ver com o passado mercantil e se parecem muito mais com os festejos do Sul: desfiles pela cidade, ruelas de barraquinhas, parque de diversões e tendas gigantes com música ao vivo. Se em Munique há os pesados canecos, que vazios chegam a 1,2 quilo, em Bremen a cerveja é servida em copos de meio litro, bem mais leves, deixando a festa parecida com a blumenauense. O site é www.freimarkt.de.

Segunda maior Oktoberfest

Que a Oktoberfest de Munique é o maior festival de cerveja e tradições alemãs do mundo, não restam dúvidas. Mas e a segunda maior? No site oficial da Oktoberfest Blumenau (www.oktoberfestblumenau.com.br), a página de abertura informa que se trata da “Maior festa alemã das Américas” e a expectativa é de receber 600 mil foliões em 18 dias. Mas não é a única na briga pelo posto. As cidades irmãs de Kitchener-Waterloo, no Canadá, estão neste momento celebrando a 43ª edição da Oktoberfest e recebem, anualmente, entre 700 mil a 1 milhão de visitantes.

Reciclável

Pagar o Pfand é parte da cultura alemã. Ele aparece também na hora de comprar cerveja no supermercado. As plaquinhas mostram sempre dois valores: o da cerveja e o preço do recipiente e dos engradados. São registrados separadamente e, quando os cascos são devolvidos – em máquinas que escaneiam as garrafas e identificam o formato – um cupom é emitido e pode ser trocado por dinheiro no caixa ou usado para pagar as compras. Cada garrafa (vazia!) de cerveja custa R$ 0,20 e para as embalagens plásticas e latinhas, a taxa é de R$ 0,62.

Lá e cá

Comparar um pouco das duas Oktoberfest que brigam pela vice-liderança – a de Blumenau e a canadense – parece inevitável: por aqui, a beleza germânica é representada pela rainha e princesas. Por lá, é eleita a Miss Oktoberfest. Nas ruas de Blumenau, o Vovô Chopão é ícone da festa. Os canadenses se divertem com a aparição do Onkel Hans. Este ano, a festa canadense vai até o dia 15.

Chope salgado

Por um litro de cerveja na Oktoberfest de Munique, os foliões pagaram, este ano, cerca de 9 euros (em torno de R$ 22,50). Na hora de pedir o caneco, é preciso dispor de mais dinheiro para pagar um depósito, uma espécie de caução do recipiente (Pfand). O valor varia de 10 a 20 Euros. O sistema de depósito funciona não só para a Oktober, mas para outras festas, além de Biergartens, e até mesmo para as canecas onde é servido o vinho quente (Glüwein, uma espécie de quentão). Para recuperar o dinheiro, é só devolver o copo.

Diz o ditado:

Zeit macht aus einem Gerstenkorn eine Kanne Bier

O tempo faz do grão de cevada um jarro de cerveja

E para ilustrar, vai ai uma fotim da Freimarkt em Bremen:

de volta à nave mãe - desde 2008 © Ivana Ebel