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sábado, 10 de dezembro de 2011

Receita de Natal: tradicional nos mercados da Alemanha, a Flammkuchen pode ser feita em casa


Como eu contei aqui, aprendi a fazer várias receitas de frio trabalhando em um mercado de Natal. Uma delas foi a tal da Flammkuchen, típica da Alsácia, e quem quiser sentir o gostinho do Natal em casa, pode experimentar. No mercado, eram quatro opções: Clássica (bacon em cubinhos, cebola e queijo ralado), Mediterrânea (azeitonas pretas e verdes em rodelas, jalapeños e scharfkäse triturado), italiana (tomate, mozzarella e manjericão) e espanhola (tomate, presunto serrano e jalapeños, servida com rúcula e queijo parmesão ralado). Em alguns dias da semana sai ainda uma especial de atum (atum, cebola, mozzarela, azeitonas verdes e pretas). Mas para começar, sugiro a mais tradicional:


Flammkuchen clássica

Ingredientes:

- 6 a 8 Tortilhas (daquelas mexicanas mesmo!) com 25 centímetros
- 1 colher de Schmand
- 1 copo de Crème Fraîche
Ervas de Provence, nós moscada moída, pimenta preta, páprica doce, alho em pó e sal

Para a cobertura:
- Bacon (ou presunto defumado, salsicha, enfim, o que preferir), cebola, queijo ralado para pizza

Preparo:

Pré-aqueça o forno em 200 graus. Se tiver uma pedra de pizza, melhor ainda: aqueça bem a pedra antes. Misture o Schmand com o Crème Fraîche e todos os temperos. Passe uma fina camada por toda a superfície da tortilha (como se estivesse passando manteiga no pão). Coloque a cobertura como em uma pizza. Leve ao forno até as bordas ficarem bem douradas. Corte em quadradinhos para servir.

Importante: A massa deve ser toda coberta pelo creme. As partes que não forem cobertas vão queimar como essa redonda da foto que eu fiz em casa. Outra dica é: se não tiver uma pedra,coloque a Flammkuchen apenas em um papel de assar (Backpapier), sem forma. Com isso ela vai ficar mais crocante e faz toda a diferença!

A  foto abaixo é da Flammkuchen que vende lá na barraquinha do Weihnachtsmarkt. Fiz com o celular e não ficou muito boa. Lá em cima é da receita feita em casa.


Weihnachtsmarkt: a Alemanha se rende aos mercados de Natal


Não fosse a falta que a família faz, eu responderia sem titubear que o Natal na Alemanha é o melhor do mundo. É lindo e as celebrações já começam em novembro com a montagem dos tradicionais mercados de Natal: Weihnachtsmarkt, também chamado de Christkindlmarkt (algo como mercado do Menino Jesus). A tradição se espalha de Norte a Sul (e em outros países da Europa também) e cria um clima especial em todas as cidades.


São barraquinhas decoradas, luzes, o cheiro de amêndoas doces e vinho quente pelo ar. A atmosfera é quase mágica: um convite a enfrentar o frio e passear pelas ruas. Em Bremen, onde morei por três anos, acontecem paralelamente dois mercados de Natal: um bem no centro da cidade, tradicional, e outro na beira do rio Weser, que recria os costumes, comidas e vestimentas da Idade Média.


Agora, em Berlin, a coisa é mais complicada. Comecei a ver barraquinhas pipocando em vários pontos da cidade e me espantei com a informação: são aproximadamente 60 mercados de Natal espalhados pelos 16 distritos da capital Alemã. No bairro onde eu moro, que se chama Charlottenburg-Willmersdorf, são doze mercados. Um dos mais recomendados é bem pertinho da minha casa: o Weihnachtsmarkt Schloss Charlottenburg, que fica montado na frente do castelo que pertenceu a Casa dos Hohenzollern, antigos imperadores da Prússia. Além das tradicionais barraquinhas, o castelo é iluminado durante toda a noite com holofotes coloridos e projeções: é só pegar uma caneca de Glühwein bem quentinho e ficar apreciando.

Aliás, por falar em Glühwein, este ano estou acompanhando o mercado de Natal por um outro ângulo. Estou trabalhando algumas horas por semana em uma barraquinha deste mercado, que vende além de bebidas quentes, alguns pratos típicos dessas feirinhas: Flammkuchen (uma receita típica da região em que a Alemanha faz fronteira com a França e Suiça e que você pode fazer em casa!) e Gulasch, a tradicional carne ensopada que os alemães tanto amam, mas feita com cervos e servida com Spätzle (hmmmmm).


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dia de São Nicolau na Alemanha: eu também quero um presente!

Dia especial: São Nicolau e Knecht Ruprecht visitam as crianças alemãs*

Eu me esqueci de pendurar uma meia ontem a noite e, por isso, acordei sem presente hoje. Essa é a tradição aqui na Alemanha. No dia 6 de dezembro, as crianças que deixaram suas meias ganham presentes de São Nicolau (Heiligen Nikolaus): brinquedinhos, doces e, em tempos mais antigos, tangerinas. É um dia bem bacana e esperado por aqui. Nas cidades menores, inclusive, é dia de pedir doces de casa em casa (o costume de fazer isso no Halloween já foi importado por aqui também, mas o São Nicolau é realmente alemão).

Mas os doces não saem de graça não! As crianças precisam mostrar algum dote artístico para os visitantes a fim de conquistar suas prendas. Em geral, ou cantam ou recitam um versinho. No primeiro ano que passei na Alemanha, trabalhei por uns meses em um estúdio fotográfico e, perto do fim do expediente, começaram a chegar os pequenos – de tocas de Papai Noel, tiaras com orelhas de rena e afins – fazendo suas breves apresentações em troca de balas. Até decorei um versinho:

‎"Ich bin ein armer Kater,
habe keinen Vater,
habe keine Mutter,
gib mir etwas Futter."


(Eu sou um pobre gato, não tenho pai,
não tenho mãe, me de algo para comer).

Andei pesquisando um pouco sobre essa data festiva e achei alguns relatos curiosos, embora nenhuma fonte “oficial” que eu possa citar aqui. Mas para registro, dizem que em tempos antigos, as crianças eram presenteadas com ovos, bacon, bebidas alcóolicas e frutas. Bom, os tempos mudaram. Na minha infância, em Blumenau, lembro bem que todo ano, em 6 de dezembro, passava um Papai Noel pela rua distribuindo balas e passávamos o dia de olho no portão pra não perder a chegada do visitante ilustre.

Por aqui, também acontecem visitas, mas nos jardins de infância: Kindergarten. Mas esqueça o Papai Noel modelo Coca-cola. Quem faz a peregrinação é o bispo Nikolaus, com uma túnica vermelha e uma mitra na cabeça, acompanhado de seu ajudante Knecht Ruprecht, um barbudo de túnica marrom e com um cajado feito de varetas. Tradicionalmente é ele que pergunta às crianças se elas sabem rezar. Se souberem, ganham algum presente do saco que carrega: tangerinas, amendoins, doces ou pão de mel (Lebkuchen). Se não souberem, ganham umas varetadas :).

Nunca vi o tal do Knecht Ruprecht, mas acho bacana ver a figura do São Nicolau em uma forma menos “industrializada”, por assim dizer. Vale dizer que, por aqui, essa é a única aparição importante do Papai Noel. Até mesmo na decoração natalina ele não tem muito destaque (ao menos não como no Brasil, onde é a figura principal da festa). O pinheiro, as luzinhas, bonecos de neve, quebra-nozes, renas e o Räuchermann são muito mais frequentes. Mas o centro da festa é mesmo a figura do Menino Jesus e as representações do presépio (Krippenfiguren). Aliás, por aqui, é o Menino Jesus (Christkind) quem dá os presentes de Natal.

Bom, de qualquer forma vou deixar umas balinhas preparadas e, caso alguém passe por aqui pedindo doces, eu conto a história aqui no blog :)!!!

* A foto que ilustra o post, é de Böhringer, publicada originalmente aqui, licenciada de acordo com as normas do Creative Commons
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