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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Turismo: razões pelas quais todos os brasileiros devem visitar Portugal

  
 Beleza: Lisboa se debruça sobre sete colinas, à beira do rio Tejo



Portugal – e sua belíssima capital, Lisboa – não costuma ocupar o topo da preferência dos brasileiros que visitam a Europa. Roma, Paris e Londres parecem encabeçar a lista dos países. No entanto, há muito o que se ver em terras lusitanas: o país é lindo e, sempre que posso, fujo da cinzenta Alemanha para umas semanas de sol, calor e muita comida boa. Mas esse post não é um roteiro por Lisboa ou por outras cidades da terrinha. Se você já decidiu visitar a cidade das Sete Colinas, leia o texto que meu colega de redação na Deutsche Welle Antonio Netto preparou: um roteiro perfeito para três dias com o que Lisboa tem de melhor (se bem que com tanta sugestão, eu sugiro quatro dias pra dar conta!!).

Já esse post aqui tem um intuito muito simples. Estou de férias em Portugal e quero apenas citar algumas razões pelas quais qualquer pessoa deve incluir o país em seu roteiro pela Europa. Tenho argumentos de sobra, uma vez que sou fã de carteirinha desse país tão próximo do Brasil em muitas coisas.

Vai ai a lista de razões:


Torre de Belém: um dos pontos turísticos da capital portuguesa

  • Para quem está vindo do Brasil e não fala bem inglês ou qualquer outra língua europeia, nada pode ser mais fácil do que fazer o controle alfandegário em Português, certo? Depois daqui para os outros países do território Schengen, como os voos são “domésticos”, não há controle de passaporte. 
  • Conhecer Portugal é entender o que nós brasileiros somos e porque somos dessa maneira. A língua, claro, mas a cultura, os costumes: muito do que achamos genuinamente brasileiro é, na verdade, português.
  • A história do país é riquíssima. Sem contar que a história de Portugal é também a história do Brasil. O nosso Dom Pedro II é, na terrinha, o Pedro V. Há muito o que descobrir sobre reis e rainhas, castelos, arte dos quatro cantos do mundo.
  • O patrimônio arquitetônico português é de uma beleza ímpar. Mosteiros gigantescos preservados, o casario de Lisboa e suas janelinhas com pequenos balcões repletos de varais, as quintas, elevadores. Igrejas imensas e belíssimas, as ruas estreitas da Mouraria, o agito do bairro Alto. Há ainda a Lisboa moderna da Expo, na estação do Oriente, e seus prédios que rasgam o azul na beira do rio Tejo.

Expo: harmonia entre natureza e arquitetura onde a cidade é mais moderna

  • Venha conhecer Portugal também por conta do fado: as cantigas tristes, que rasgam a alma, mas que contam histórias de amores e outros dias. Descubra a voz inesquecível da cantora Amália, a maior fadista de todos os tempos, mas também sorria ao ouvir o toque irreverente que a banda Deolinda deu ao tradicional fado.




  • O povo simpático e hospitaleiro que vive nesse país. Deixe em casa os preconceitos, as piadas tolas sobre achar que Português é burro e descubra que, em um sotaque diferente, a gente do país é de uma simpatia ímpar, tem orgulho de sua cultura e prazer em contar histórias. Se perca e peça ajuda pra achar o caminho de volta só pra comprovar: os portugueses param o que estão fazendo, saem detrás do balcão só para, da calçada, apontar direção correta a seguir.  Não é fofo isso?
  • Ninguém pode negar a ousadia dos Portugueses nos anos das grandes navegações. Visite o Padrão dos Descobrimentos, observe o mapa imenso desenhado em mosaico do chão e, ao olhar a confluência do Tejo com o mar, pense na coragem necessária para sair sem rumo – e sem GPS! – em direção a imensidão azul.

Padrão dos descobrimentos: deixe a imaginação navegar além mar

  • Deixe de lado o papo de imperialismo e o ranço colonial: se o Brasil foi uma colônia de exploração quando de seu “descobrimento”, é preciso saber que os tempos e os valores sociais e morais eram outros. Era um período de conquistas, de alargamento de mapas e territórios. Se esse for o argumento para não visitar Portugal, corte também a Espanha da lista: afinal, também foram colonizadores... e também o Reino Unido, a França e por ai vai. Bom, fique em casa e certifique-se de que não vive em nenhum pedacinho do que foi, um dia, terra indígena. Ups... não tem como né?!
  • Venha para comer os Pastéis de Belém! Pastéis de nata (a massa folhada com um creme de ovos) existem aos milhares, mas os pastéis de Belém são únicos e, com esse nome, não podem ser vendidos em qualquer outro lugar. Coma dois, dez. Coma até enjoar e volte no dia seguinte pra comer mais. Mas não esqueça de toda a riqueza da confeitaria portuguesa: ovos moles, travesseiros de gila, e tantos mais. E lembre-se: se temos quindim, pudim de leite, ambrosias e afins é graças a influência portuguesa na nossa culinária.

Pastéis de Belém: os originais só são servidos em uma única loja/café 

  • Bacalhau, claro. É preciso provar ao menos dois pratos: à lagareiro (assado com muito azeite e alho é o meu favorito), à Gomes de Sá, com Natas, bolinhos de bacalhau, pataniscas... tanto faz. Mas é preciso lembrar que não é só de bacalhau que vive a culinária portuguesa: frutos do mar em abundância – frescos e com temperos leves -, porco e batatas. A cozinha portuguesa é simplesmente deliciosa. Prove douradas assadas, chocos, polvo... mas não deixe de comer arroz de pato, cozido português, porco alentejano com migas e as famosas francesinhas do Norte.
  • E coma tudo isso com os melhores vinhos do continente. O país sabe como fazer vinho bom e barato: com 3 euros, no mercado, se bebe algo decente. Com cinco, o assunto já é de gourmet. Mas se o vinho for de 1,50 a garrafa, não há problemas: tardes quentes pedem uma deliciosa sangria (vermelha ou branca). Além do tradicional vinho do Porto, prove (e leve quantas garrafas puder) do delicioso Moscatel de Setúbal (melhor que o do Porto, na minha modesta opinião) e, enquanto estiver por aqui, saboreie o suave vinho verde em taças a perder as contas.
  • Divirta-se com as diferenças! Conversar com portugueses é sempre razão para boas risadas... Saiba que geladeira é frigorífico, isopor se chama esferovite e, que ao sair da casa de banho (banheiro) não se pode esquecer de acionar o autoclismo (descarga). Se quiser uma média com leite, peça por um abatanado com leite, mas se tiver calor, tome um gelado (sorvete). Há sempre uma palavra nova e um jeito todo peculiar de construir frases que é uma delícia!
  • E se você já mora na Europa, Portugal é o jeitinho mais fácil de matar as saudades do Brasil. Para quem vem do Novo Mundo pra cá, as diferenças são muitas. Mas para quem já vive do outro lado do oceano, o que mais chama a atenção são as similaridades. E as coisas boas de que sentimos falta! Tem coxinha na padaria, lanchonete que vende pastel e caldo de cana. Tem guaraná no supermercado, farofa e polvilho (doce e azedo). Tem picanha, rodízio de carne e mais... tem gente que fala a mesma língua e tudo em volta vai ser como em casa: em bom português!

Sobe e desce: se deixe seduzir pelas ladeiras de Lisboa

5 comentários:

rui miguel duarte disse...

Cara Ivana,

Sou-lhe muito grato, eu, português que vive em França, junto à tripla fronteira com Bélgica e Luxemburgo, pelas suas amáveis palavras acerca do meu país e cidade, Lisboa. Ir lá é sempre um desiderato, em férias ou por outro motivo, e um regresso à essência. O seu testemunho é uma excelente propaganda, daí que mereça o meu elogio.
Permita-me, no entanto, duas correcções:
1) O vosso D. Pedro II não é o nosso D. Pedro V. O vosso D. Pedro I é o nosso D. Pedro IV, mas a partir daí impôs-se a secessão, ainda que em ambos os países governasse a mesma família, em dois ramos separados: D. Pedro II do Brasil, filho do vosso D. Pedro I, é irmão da rainha D. Maria II, monarca que sucedeu a D. Pedro IV (= D. Pedro I do Brasil, nunca esquecer… eheh), casada com um príncipe alemão, D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha, mecenas, que mandou construir o Palácio da Pena em Sintra (não sei se visitou, uma pérola). O nosso D. Pedro V, filho de D. Maria II, é pois neto do nosso D. Pedro IV, logo sobrinho do vosso D. Pedro II.
2) "média de leite" é em Portugal "meia-de-leite". Esta é a designação correcta, para um café com leite servido em chávena grande. Se for à Madeira, chama-se lá "chinesa". Um "abatanado" é outra coisa: servido igualmente em chávena grande, mas sendo o conteúdo um café expresso. Por outras palavras, um café expresso (bica, ou cimbalino no Porto) com o dobro da água.

Cordiais cumprimentos,

arlete soffiatti disse...

Não é a toa que tenho grandes amigas portuguesas por aqui e por que me senti em casa em Portugal.

Thais e David disse...

Está tudo dito!!! É de fato um belissimo país para se visitar..recomendo!
http://bigegubi.blogspot.pt/

Paula disse...

Que delícia! FIquei com vontade de visitar Portugal agora!

Luffilc CP disse...

Simplesmente deliciosa esta descrição. Parabens

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