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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tchüss Blumenau, Bye-bye Brasil!

No último final de semana da Oktoberfest eu me senti mais turista do que nunca. Recebi uma amiga da Alemanha por três dias e, com isso, fui experimentar a cidade com os olhos de turista. Isso valendo para tudo: desde os museus às fotos das casinhas na rua XV. Essa experiência merece um post completo e detalhado sobre cada ponto que visitamos, mas vou deixar essas linhas para assim que estiver novamente instalada na Alemanha. Parto em poucos dias e fim de semana já terei trocado o calor cada vez mais forte de Blumenau pelos dias curtos e gelados de Berlin.

Vai ser uma mudança e tanto: acredito que voltar a Alemanha depois de quase dois meses no Brasil deve provocar um novo encantamento, um novo choque, novos pontos de vista. Além disso, mudo de cidade: deixo a simpática Bremen para trás e começo vida nova na fervilhante Berlin, onde tudo começa do zero mais uma vez. Reconhecer a vizinhança, descobrir o melhor Dönner Kebab da cidade e mesmo refazer a rotina. Mas isso me deixa feliz. O maridónnn já me espera por lá e isso torna tudo mais fácil e agradável. É hora de matar as saudades dele, dos amigos, da Alemanha em si... mas de começar a acostumar o coração com as saudades do que fica, mais uma vez, por aqui: a família, os amigos de muitos anos, as ruas de Blumenau, as praias de Floripa, onde me dividi nessas semanas intensas. Vou feliz e triste, mas de certa forma acostumada e sabendo que nunca mais vou ter tudo o que amo em um mesmo lugar.

Mas não queria me despedir de Blumenau sem ao menos um registro, uma homenagem e uma prova do meu amor por essa que, definitivamente, deve ser a cidade mais alemã do mundo ;). Então, nessa minha experiência de turista na própria terra natal, fui ver muitos dos desfiles da Oktoberfest, mas o último, com direito a almofadinha pra sentar na calçada, pipoca e chope distribuído durante o cortejo. Coloco aqui algumas fotos tiradas da beira da rua – não do ângulo das câmeras profissionais dos meus talentosos colegas do Santa e de outros fotógrafos – , mas com os olhos de turista e visitante dessa festa linda e feliz. Só coloco algumas aqui no post: planejo fazer um álbum com as demais, mas é uma forma de dizer: Obrigada, Blumenau, por dias tão alegres!!!





Conexão Alemanha - Coluna 10 (final)

Esta é a última coluna publicada no Santa e tem um sabor especial: de satisfação pelo resultado, pelo retorno e de saudade antecipada por essa rotina bacana de escrever para jornal. Fiquei feliz demais com o processo, com o trabalho e com a chance de falar um pouco mais sobre esses dois mundos que agora são minha casa. Espero que os leitores do jornal e desse blog tenham gostado também e convido a todos para acompanharem os próximos passos dessa viagam aqui neste canal!!! Obrigada pela leitura e volte sempre!

Mais e menos

Blumenau encerra sua festa com sentimentos divergentes. Por um lado, respira aliviada o esvaziamento das ruas e a partida de uma horda de foliões movidos a chope. Nesse ínterim até 2012, vêm as promessas e a certeza de que a próxima Oktoberfest será ainda melhor.

E pode ser: se houver mais limpeza nos pavilhões, mais espaço para tendas ao ar livre, mais brinquedos para crianças, mais diversidade nos repertórios de música alemã, mais transporte coletivo nas madrugadas, mais controle na venda de bebidas pra menores, mais opções de comidas típicas nas barraquinhas, mais espaço para as cervejarias locais, mais diversidades nas lojas de souvenires que parecem todas iguais, mais placas de sinalização e mais preparo para receber bem o turista. Melhor se tiver menos filas, menos superlotação, menos exploração no preço dos táxis na madrugada e nos estacionamentos, menos figurantes nos desfiles oficiais, menos sertanejo e funk, menos promessas e mais ações.

Ordnung

A tradução literal de Ordnung é ordem, mas na Alemanha a palavra representa um resumo de como se vive em sociedade. Por lá todas as coisas são feitas de acordo com as regras e por isso funcionam melhor. Isso vale para todos os aspectos da vida diária.

Para cada coisa existe uma norma e cumpri-la integralmente torna a vida mais previsível. A diferença entre o Brasil e a Alemanha não é a ausência do “jeitinho”, mas a convicção de que as regras são feitas para todos e para uma sociedade melhor. E se cada um fizer a sua parte e ajudar a fiscalizar, todos vivem bem.

Mito do Trabalho

Seguir o Ordnung é o que torna a sociedade alemã eficaz. O discurso de que o blumenauense é um povo trabalhador porque herdou isso dos alemães é equivocado. Brasileiros são trabalhadores, muito mais do que a maioria dos povos europeus: aqui se trabalha mais horas, mais horas extras, mais dias e se ganha muito menos por isso. Alemães não são afeitos a tantas horas de expediente, mas as cumprem de forma eficaz.

As férias por lá são maiores também. No geral, dois dias úteis para cada mês trabalhado. E já se pode tirar férias no fim do primeiro mês. Na hora de marcar as datas, feriados e fins de semana são descontados, o que pode garantir até cinco semanas de descanso. Alemães são eficientes na execução de suas tarefas. Mas nem de longe são criativos ou têm o jogo de cintura dos brasileiros.

Espaço coletivo

Depois de um mês em Blumenau, as comparações com a Alemanha são inevitáveis, embora não tenha qualquer conclusão sobre onde é melhor viver. O povo brasileiro é mais alegre, mais espontâneo e isso torna a convivência mais agradável. Alemães são mais reservados. Comida por aqui é muito melhor: frutas em profusão e sabores marcantes. Ainda mais em Blumenau, onde é possível encontrar o melhor dos dois mundos.

No quesito estrutura, o Velho Mundo sai na frente e, além do transporte de qualidade, a sensação de segurança é o que conta mais pontos. Além disso, vive-se melhor com menos dinheiro na maioria das cidades da Alemanha do que no Brasil. Mas há um valor que deveria ser importado por Blumenau o quanto antes: a visão do espaço coletivo. Por aqui, espaços públicos são áreas que não pertencem a ninguém ou que pertencem ao governo, que tem obrigação de cuidar. Por lá, espaço público é entendido como um bem comum, por isso deve ser preservado por todos. Se mudar só isso, a diferença já vai ser grande.

Tchüss

É hora da despedida, de agradecer pela companhia aqui no Oktoberzeitung, nos dias de festa, nos desfiles pela Rua XV. Participei desde a primeira festa, sem falhar uma, por 24 edições (a menina no centro da foto ao lado sou eu aos 9 anos) e só deixei de ir à Vila Germânica nos três anos que fiquei fora. Voltar a Blumenau foi reencontrar minhas raízes. Revi amigos, fiz novos, cantei muito “Ein Prosit”, bebi chope mas, agora, o gosto que fica é de uma saudade antecipada. É hora de voltar para a Alemanha. Convido pra seguir essa aventura entre dois países pelo devoltaanavemae.blogspot.com, ou no Twitter, no @ivanaebel. Danke und auf Wiedersehen!

Diz o ditado:

Alles hat ein Ende, nur die Wurst hat zwei
Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois


Para fechar, uma foto pela qual tenho um carinho especial. A menininha ai sou eu, em 1984, na primeira Oktoberfest, desfilando como "dama de companhia" da Rainha Hellen Budag - em uma época em que não haviam as princesas. A foto é do Mario Barbeta e faz parte do acervo do Jornal de Santa Catarina.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Conexão Alemanha - Coluna 9

E afinal, o que é salsicha alemã? Confere a coluna de número 9, publicada aqui pelo Santa e fique sabendo um pouco mais sobre essa especialidade germânica!

Salsicha alemã

Menus e propagandas de restaurantes blumenauenses convidam à degustação de uma das mais tradicionais iguarias típicas: salsicha alemã. Mas escolher o prato é quase dar um tiro no escuro, considerando que existem cerca de 1500 tipos de salsicha oficialmente fabricadas na Alemanha.
A tal da salsicha alemã é, na maioria das vezes, a Weißwurst – uma salsicha branca, típica da Baviera que, por lá, é servida com mostarda doce e acompanha os tradicionais pretzel (Brezel, em alemão)...
...Por falar em pretzel, eles são fáceis de fazer em casa. É só fazer uma massa tradicional de pão, deixar crescer e, na sequência, esticar porções como cobras, que serão enroladas na tradicional forma do pretzel, com aquele nó no meio.
Para dar a cor característica, os pretzels são deixados de molho por cinco minutos em uma solução de dois copos de água para uma colher rasa de bicarbonato de sódio. Ao saírem do molho, recebem sal grosso, um corte na parte de baixo (que vai se abrir ao assar) e são levados ao forno em 200°C até ficarem com a cor desejada.

A favorita de Berlim

Se a Weißwurst faz a fama da Baviera, a fervilhante capital alemã prefere outro sabor e se rende à popular Currywurst. Para o preparo podem ser usadas salsichas levemente defumadas ou cozidas, sempre servidas com um molho à base de catchup e curry.
A iguaria é tão popular que ganhou até um museu na cidade: o Currywurst Museum Berlin (www.currywurstmuseum.de ), que conta a história do prato e ainda tem uma lanchonete onde o visitante pode provar as variações da receita. Tradicionais também são os pequenos pratos brancos de papel, de forma retangular, onde a salsicha é servida.
Da para preparar uma versão simples em casa. Basta cozinhar uma salsicha de boa qualidade, cortar em rodelas e dar uma fritadinha. Então, é só colocar em um prato, acrescentar catchup (ou molho de tomate com temperos de sua preferência) por cima e polvilhar com pó de curry. Pode-se saborear pura, mas se a intenção for seguir a tradição berlinense, batatas fritas ou pãozinho francês funcionam como acompanhamento.

Roteiro de sabor

De Norte a Sul da Alemanha é impossível provar todas as salsichas. Bratwurst é o nome genérico dado para as salsichas assadas ou fritas. Kochwust são as pré-cozidas e Rohwurst as cruas, curadas ou defumadas.
No Norte, não deixe de provar a Pinkel, feita com uma pasta de cereais e servida com couve amarga (Grünkohl). A Nürnberger Rostbratwurst vem da região da Francônia e tem de 7 a 9 centímetros de muito tempero e sabor.
No Sul, além da Weißwurst, há uma especialidade austríaca: a Berner Würstel, pequena, com uma mistura de queijo na massa e envolta em uma fina camada de Speck, um presunto cru levemente defumado. Impossível resistir.

Assunto sério

Blumenauense fala muito do orgulho que sente em preservar a cultura alemã e isso é uma demonstração simpática de apreço. Mas não é raro encontrar comentários mais exacerbados sobre o se sentir alemão ou mesmo preconceituosos.
Na Alemanha, nazismo é crime e o país até hoje se envergonha profundamente de sua história fascista. A menção ao tema é o suficiente para por amizades em risco. E pior, fazer piada de nazismo e chamar alemão de Hitler são ofensas sérias.
Alemão de Blumenau (e do Vale) é o que pode haver de mais brasileiro: é mistura de culturas. Na Alemanha, vai logo perceber que é mais um estrangeiro em adaptação, com a vantagem de comer chucrute desde criança!

Passaporte

Descendentes de alemães, dentro de uma série de regras, claro, têm direito ao passaporte bordô. Estrangeiros que residam legalmente no país há oito anos também podem requerer sua cidadania e, neste caso, precisam provar que estão integrados à cultura local. Além de comprovar conhecimentos do idioma, quem pede a cidadania precisa passar em uma prova de conhecimentos gerais sobre a Alemanha, incluindo história, geografia, legislação e cultura geral. Para conquistar a cidadania, o candidato a alemão precisa acertar 17 perguntas de 33, em uma hora de teste. São escolhidas entre 300 pré-selecionadas.

Diz o ditado:

Das Glück ist keine Dauerwurst, von der man täglich eine Scheibe herunterschneiden kann
A felicidade não é uma salsicha de onde se pode cortar todos os dias uma fatia


Espia só o museu da Currywurst em Berlim (foto de divulgação enviada pelo assessoria do museu):

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