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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dica de viagem: as melhores cervejas da Alemanha

Variedade: é o supermercado, mas se quiser pode chamar de Disneylândia :)
(fotinho feita pela minha irmã Rafa ou pelo cunhado César, não deu pra descobrir!)


Não há como negar a vocação alemã na produção de cerveja. Nem no consumo. De Norte a Sul do país a bebida é unanimidade: o consenso só não existe na hora de dizer qual é a melhor. Nesse ponto, os bávaros defenderão ferrenhamente seu produto e os alemães do norte farão coro em dizer que a cerveja deles é vencedora. Bairrismos a parte, o melhor de tudo é o preço: uma boa cerveja custa menos de 1 euro a garrafa de meio litro. E não pense que essa quantidade é pra ser bebida em copos, dividida com os amigos: essa é a porção individual. :) Nos bares, claro, o preço é mais salgado: varia de 2,50 a 3,50 pelas garrafinhas de 330 ml em uma balada normal.


Eu cheguei aqui na Alemanha sem entender nada de cerveja e, depois de três anos, isso não mudou. :) Quanto mais eu bebo, mais vejo que não conheço nada! De qualquer forma, esse não é um blog sobre cervejas: só resolvi escrever esse post para falar do que eu gosto e pra sugerir algumas cervejas para os amigos que vem me visitar aqui na terra da batata. Simples assim. Então, se quiser comentar o texto, fique à vontade, mas não se esqueça que tudo o que vem abaixo é o mais puro e egoísta achismo. Além disso, aceito sugestões sobre quais ainda não degustei e estão faltando na lista.

Ah, antes que eu me perca em links de marcas e afins, preciso falar do grande enigma da humanidade: a pergunta que eu mais ouvi nas férias pelo Brasil. “É verdade que alemão toma cerveja quente?” A resposta é bem alemã: Jein! Ja (sim) e nein (não), ao mesmo tempo. Eu já falei sobre isso em uma das colunas que escrevi para o Santa durante a Oktoberfest de Blumenau e repito aqui. As cervejas alemãs são mais pesadas que as brasileiras e feitas para beber em uma temperatura um pouco mais elevada, geralmente entre dois e seis graus. Considerando o período do ano em que a temperatura está perto disso (ou mesmo no verão, em que a água dos lagos – usada pra gelar a cerveja em passeios – não está muito além dos dez graus), fica fácil entender o porquê dessa fama. Claro que já vi muito alemão bebendo cerveja quente do mercado, sem dó nem piedade...


Bom, vamos a minha lista das especiais: mas não em ordem de preferência, porque não saberia dizer qual é a melhor. Cada uma combina melhor para uma determinada ocasião. E fica logo dito que eu não gosto de cervejas muito amargas e que, depois de fazer a lista, pela ordem que vieram a lembrança, ficou claro algo que nem eu mesma sabia: minha preferência por cervejas com sabor predominantemente maltado.

Paulaner Salvator: É uma doppelbock com sabor bem acentuado de malte e 7,8% de álcool. Foi a primeira cerveja produzida pela Paulaner e mantém a mesma receita desde o final do século 18. Os monges que criaram a receita bebiam esta cerveja no lugar das refeições no período da quaresma.

Schneider Weisse Aventinus Tap 6: Outra doppelbok, mas de trigo, com 8,2% de álcool. Fabricada desde 1907, reivindica o título de ser a mais antiga do estilo feita na Bavária. No side da marca, é descrita como: em tons escuros de rubi, com notas fortes de banana, passas e ameixa, com toque de alcaçuz. Seja lá o que for, é boa demais! A Tap 7 também merece ser provada. Nunca sei qual das duas eu gosto mais!

Duckstein Rotblondes:Por alguma razão que eu desconheço, essa Altbier com 4,9% de álcool é mais cara que as demais no mercado. Mas merece ser provada: tem um cheiro frutado e uma espuma bem cremosa e é bem pouco amarga. Foi a primeira a entrar na minha lista das favoritas aqui na Alemanha.

Maisel’s Weisse Original: Mais uma cerveja de trigo, dessa vez clara, com 5,2% de álcool. É saborosa, com notas de banana e um fundo meio cítrico. Acho essa cerveja muito melhor que a Franziskaner, Erdinger ou Paulaner do tipo, embora seja menos popular. É uma cerveja sem muita complexidade, mas daquelas que certamente você vai pedir o segundo copo.

Mönchshof Kellerbier: Esta honesta Kellerbier, com 5,4% de álcool, certamente a cerveja que eu mais bebi na Alemanha. Tem um sabor bem maltado e um retro gosto um pouco frutado. É aquela cerveja pra tomar bastante, sem culpa e sem ressaca braba no dia seguinte. Sem contar que o “plop” na hora de abrir a garrafa faz toda a diferença. Ah, vale dizer que, infelizmente, dessa cervejaria, a Kellerbier é a única que merece atenção.

Augustiner Edelstoff: Eu não provei todas as cervejas da Augustiner, mas pela fama, devem ser todas muito boas. Minha favorita nesse pacote bávaro é uma Munich Helles Lager com 5,6% de álcool: além de deliciosa, é linda. Adoro o desenho do rótulo tanto quanto o sabor suave e refrescante.

Hofbräu Oktoberfestbier: mais uma da Baviera, esta é uma cerveja de março (Märzbier) e consumida durante a Oktoberfest. Só pode ser chamada assim por ser feita no Sul da Alemanha, já que se trata de uma denominação de origem controlada. Tem 6,3% de graduação alcoólica e entra na lista mais pelo charme do que pelo sabor. Como não é vendida o ano todo, tem sempre aquela sensação boa de encontrar a nova safra no mercado.

Staropramen Lager: para que não me chamem de bairrista, coloco aqui uma não-alemã. Devo dizer que as cervejas tchecas são maravilhosas, mas por hoje fico somente com a minha favorita. Vende em qualquer supermercado na Alemanha. Trata-se de uma pilsner suave, com 5,0% de álcool e sabor bem frutado com um fundo levemente adocicado e maltes bem leves. É refrescante e deliciosa.

Claro que na Alemanha tem muita cerveja ruim, mas para escolher apenas uma que represente toda a desgraça engarrafada, não preciso pensar muito:

Oettinger Pils: É a cerveja oficial de todos os mendigos e desocupados do país, já que é vendida a 35 centavos a garrafa de meio litro. Não sei nem o que falar do gosto: papelão com cachorro molhado, embora eu nunca tenha comido o primeiro e nem lambido o segundo. O mais cruel é ver esta porcaria de cerveja vendida como “especial” ai no Brasil. Alguém ta ganhando muito dinheiro com isso.

Cerveja no Brasil

As cervejas brasileiras não são ruins: só não têm personalidade. Como o clima do país é, em geral, muito quente, as cervejas mais fracas acabam combinando melhor. Confesso que no primeiro gole de Brahma depois de três anos de Alemanha eu tive a sensação de estar bebendo água. Mas como a companhia dos amigos não tem preço, acho que qualquer cerveja no Brasil tem um sabor muito especial. Eu tenho minhas favoritas por lá também: cheias de personalidade e de sabor, diferente das marcas mais tradicionais, mas não vou falar muito sobre elas não. Ficam só os nomes. 


De Blumenau, recomendo a saborosa Strong Golden Ale da Eisenbahn. Se for pra Pomerode, faça o favor para si mesmo de provar a Imperial Stout da Schornstein: deixa qualquer Guinness no chinelo! Entre as comerciais brasileiras, minha favorita ta bem longe de ser uma unanimidade: gosto de Kaiser Gold e, na falta, vou de Brahma Extra.

5 comentários:

Bibi disse...

Meu marido fica doido, pq aqui no Brasil uma latinha de cerva, custa 1.50 no mercado! Logo voltaremos e ele poderá comemorar com estilo e engradado nas costas! rs

MaZa disse...

Ivana, desculpe mas copiei tua foto só para ficar babando. Fico p. da vida pq abriu um supermercado aqui em Brusque/SC e ficamos com a esperança de alguma novidade com bebidas, principalmente cervejas - uma PORCARIA decepcionante. Nossa salvação é o Angeloni em B.Camboriu ou importadoras. Em viagem com a familia por aí, bebemos algumas da Áustria também: excelentes. Que inveja do europeu que tem essas coisas. Mas brevemente voltaremos.

Júnior Lopes disse...

Não ficando apenas no assunto de cerveja,queria tirar uma dúvida ou mesmo um conselho,pretendo ir para Alemanha em Dezembro/2013,já tenho casa pra ficar e tudo,somente tenho a preocupação com o custo de vida e em relação ao capital na qual irei levar,tenho junto em torno de 3.000,00 Euros,como vou para casa de Amigos,e não irei conhecer tantos lugares,gostaria de saber se essa quantia daria pra suprir os dias que ficarei por ai?

Ivana disse...

Olá, Júnior... Olha, depende mto do que quer fazer por aqui. A média de turismo sem luxo é de 50 euros por dia, fora as passagens entre cidades e hotel. Se você quiser levar a Alemanha toda na mala, vai gastar mais... De qquer forma, venha com um $ para comprar um bom casaco ja na sua chegada (com uns 70 euros você compra algo bem quente sem ser "de marca"). E aproveite bastante o país!

helenice souza disse...

Adorei o seu blogger!!! Estamos correndo atras da cidadania alemã do meu marido e se tudo der certo vamos pra aí. Só tenho uma duvida quanto em média temos que levar pra se começar uma vida aí? começando do zero será que uns 10 mil euros dá até a gente se arranjar?

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