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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coisas pra aprender com a Alemanha: Blumenau só não tem praia porque não quer


Eu sou de Blumenau (SC). Quem conhece a cidade sabe que o centro é cortado por um rio, o Itajaí-Açu. O mesmo que algumas vezes transborda e coloca a cidade nas manchetes do Brasil e do mundo, sofrendo com as enchentes. E quem conhece Blumenau também sabe que na cidade faz muito, muito calor: esta semana mesmo a sensação térmica chegou aos 49 graus. A soma das duas coisas apareceu hoje de forma criativa na timeline do meu Facebook: fotos em que o rio foi substituído pela praia, tornando real por instantes o desejo de todos os blumenauenses de nascimento e coração:  ter a areia pertinho e a água para refrescar em um dia quente.



Não sei quem fez a montagem. Se souberem, avisem para que possa dar o devido crédito das fotos (heis que o Tiago Salm escreveu em 13.06.2016 dizendo que ele é o autor das fotos! Crédito dado!!!). O fato é que essa montagem tornou inevitáveis algumas comparações. Embora viva atualmente em Berlin, morei por mais de três anos em Bremen, uma cidade de pouco mais de 500 mil habitantes que, em muitos aspectos se parece com Blumenau. E eu diria que o principal deles é o rio Weser que corta a paisagem bem no centro, trazendo certa semelhança à paisagem.  Mas iria além: diria que Blumenau tem muito a aprender com Bremen em vários aspectos e um deles é exatamente em como transformar seu desejo em realidade.

Bremen: a cidade é cortada pelo rio Weser

A grande diferença entre o rio Weser e o rio Itajaí-Açú é que o rio de Bremen é limpo e não recebe esgoto doméstico e industrial de milhares de habitantes. As águas não são cristalinas, mas isso pouco importa. Bremen fez do rio a sua praia e em vários pontos da margem – incluindo no centro da cidade, como desejam os blumenauenses – existem praias de areia onde, no verão, os alemães instalam suas cadeiras, armam o guarda-sol e aproveitam para nadar e brincar na água. A cidade tem ainda lagos que cumprem a mesma função:  tem espaços cercados para as crianças brincarem, áreas reservadas a nudistas e tudo o que se pode esperar do litoral. Menos vendedores ambulantes, que por aqui não existem mesmo.

Mas tem barraquinha de sorvete, banheiros públicos (limpos!), restaurantes na orla, salva-vidas, espaço pra quem quer fazer um churrasquinho (que por aqui é bem visto e não tem nada de farofagem). Tem ainda estacionamento para os carros, espaço para caminhadas e para as bicicletas: é um espaço democrático onde se pode ir de jeans, biquíni ou roupa nenhuma.  Bremen fica longe do mar, mas é uma cidade com praias. E não é a única na Alemanha. Em Munique, até se pode surfar. Em Berlin, as praias são movimentadas como essa e podem-se alugar casas para a temporada. E em nenhum desses lugares a água salgada se faz presente. 

Espia só alguns dos espaços de Bremen:



O que se pode aprender com isso? Que a montagem feita para anunciar um sonho impossível não é tão impossível assim: é provável que a praia não tenha ondas. É provável que os espaços tenham mais gramados do que areia. E a Ponta Aguda vai continuar a existir! :) Mas é possível que Blumenau tenha suas praias também e transforme os rios das mazelas em praça de lazer. Se eu acredito que isso possa acontecer? Não sei se vou viver tanto para ver, mas certamente vou ficar com a imagem na cabeça e certa de que isso será uma prova cabal do desenvolvimento sustentável da cidade e da recuperação ambiental de todo o rio, da fonte à foz.

7 comentários:

Ana Gaspar disse...

A cada dia gosto mais das coisas da Alemanha!
adoro seu blog!!!!
já esta na minha lista e leio religiosamente....
entra lá no meu Ana Na Alemanha, estou de mudança para Dresden, meu esposo já foi e esta adorando tudo...
beijossss

Ana Gaspar disse...

Oi Ivana,
então estou entrando para o clube das expatriadas e da terra da batata, :)!
Adorei a idéia do café!!!
Vou dar uma olhadinha onde foca Weimar no google maps...
Abraço e obrigada
PS.: Não deixe de sempre aprecer lá no blog.

O Diário da Engenheira disse...

Oi Ivana,
O negócio é que aqui na Alemanha, talvez pela falta de espaço, o pessoal aprendeu a aproveitar cada centímetro com qualidade!
bjs

Mariana Linder disse...

Os espaços em Blumenau poderiam ser bem melhor aproveitados... se quisessem poderiam iniciar imediatmente com uma revitalização decente dessas áreas a beira do rio itajaí-açú na prainha ou no biergarten... :/

Ricardo Becker Maçaneiro disse...

Sabe o que é pior Ivana? É que no passado a Prainha de Blumenau já foi praia mesmo e o Itajaí-Açú já foi refresco nos verões tropicais. Mas aí poluíram o rio e abandonaram a Prainha...

Carlos Oliveira disse...

Vivo em Aparecida, (santuário Nacional) desde 4 anos de idade e só este ano já às portas dos 70 tive oportunidade, de fato para conhecer Blumenau com um de meus filhos. Lindíssima cidade com a famosa festa da cerveja,que lá participamos. Pessoas cheias de charme e hospitaleiras. Faz falta, sim pelo menos uma, praia . Conheci Arealva,que tem uma linda praia do rio Tietê, em Americana há a praia dos namorados (interior paulista). Indo de Paraíso do Tocantins para a capital, Palmas outra praia que só existe com a diminuição de água em mês de Julho, pouco antes, pouco depois. Porque Blumenau também não poderia ter? Além do turismo nacional ainda teria a visita de nossos irmãos argentinos, paraguaios e muito mais. Pretendo voltar em Outubro para também participar da Oktoberfest e quem sabe,algum dia, no futuro passar algumas horas dos dias me deliciando em águas blumenauense do rio que lá existe.

Tiago Salm disse...

hehe Fui eu quem fez a montagem, a muuuito tempo atras... deve fazer uns 6 anos já... tiago.salm@hotmail.com

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