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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Trabalho na Alemanha: onde começar a procura por uma chance no país


Apesar da crise em muitos países na Europa, o mercado de trabalho alemão segue sem grandes impactos, com uma taxa média de desemprego em torno de 5%. Isso tem atraído milhares de trabalhadores de países vizinhos em busca de uma chance. Outros chegam interessados na série de benefícios sociais que garantem a vida mesmo quando o emprego falta. Mas não basta chegar ao país com vontade de trabalhar: a Alemanha é cheia de regras e é preciso ter autorização para o trabalho. Sem isso, torna-se inviável viver por aqui.

Muitos brasileiros escrevem querendo saber sobre as chances em conseguirem emprego aqui. Essa é uma pergunta que não tem uma única resposta. O nível de alemão é um fator determinante nessa busca, embora muitas empresas – em especial multinacionais – já adotem o inglês como língua oficial de trabalho. No entanto, é fácil fazer um paralelo: um alemão chegando ao Brasil sem falar português não vai conseguir emprego facilmente, não é? É bom fazer essa avaliação antes de desfilar queixas alegando que se trata de preconceito com estrangeiros, embora não se possa negar que existam diferenças de tratamento.

Documentação em ordem também facilita a vida. Estudantes podem trabalhar legalmente aqui: 90 dias em período integral ou 180 dias por meio período. Isso vale para quem tem o visto de estudante: não para quem chegou como turista para fazer um curso de um mês. Existem muitos trabalhos que oferecem um valor fixo mensal de 450 euros, os Minijobs: a negociação será do quanto será pago por hora. Ou seja, quantas horas por semana ou por mês se vai trabalhar para ganhar os 450. Em média, para serviços muito simples, são 8 euros por hora. O maior engano aqui é achar que estudantes só podem ganhar os tais 450. Isso é mentira: podem ganhar o quanto conseguirem, mas a partir daí vão pagar impostos como qualquer outra pessoa.

Visto de trabalho

Outra forma é conquistar um visto de trabalho. O tal visto precisa ser pedido pela empresa, afirmando que não existe alemão disponível com as mesmas qualificações para exercer a função. Sai caro e a empresa tem que querer muito o trabalhador, que fica vinculado por um certo período a esse emprego. Se perder, volta pra casa.

Muitas pessoas – especialmente mulheres – chegam para trabalhar como Au Pairs. Ajudam a cuidar das crianças e/ou dos serviços da casa de uma família alemã, conforme o combinado antes da viagem e ganham um visto específico pra isso. Algumas famílias pagam a passagem, outras parte ou nada. Mas a Au Pair terá na casa um quarto só dela, horas limitadas de trabalho e tempo para estudar alemão. Para quem tem pouco conhecimento do idioma, pode ser uma porta de entrada.

Mas depois de um tempo é possível requerer um Blauekarte (tipo Greencard norte-americano), mas por um período fixo. Quem se forma aqui na Alemanha – no bacharelado, mestrado ou doutorado, por exemplo – pode ficar um ano e meio depois da conclusão do curso procurando emprego (na área que estudou!). Também tem a vida facilitada na hora de solicitar essa permissão de residência.

Cidadania ajuda mas não garante trabalho

Cidadania de algum país europeu também ajuda. Muito. Mas não é a garantia de trabalho fácil por aqui. Como falei, sem alemão, restam apenas subempregos e não importa a nacionalidade.

Mas o governo alemão está interessado em reter mão de obra no país e por isso dá aquela forcinha para quem está procurando. Com os documentos em dia, basta procurar um Arbeitsamt. Eles tem uma agencia de empregos enorme (tipo o Sine no Brasil), onde cadastram currículos e ajudam a pessoa a buscar emprego. Além dessa agência oficial, sites de emprego como o Monster e o Job Pilot podem ser bons pontos de partida para conhecer o mercado alemão. Para quem está chegando, sugiro usar a palavra “Potugiesisch” como termo de busca: assim vão aparecer os empregos para os quais falar português é um diferencial.

É preciso prestar atenção a uma “pegadinha”. Por aqui, há muitas vagas para Praktikum, uma espécie de estágio. Mas o detalhe é que essas vagas quase sempre são voluntárias, ou seja, sem remuneração. Claro que existem vagas de estágio remuneradas, mas isso deve estar claro no anúncio. Se o pagamento não estiver mencionado, é porque não há pagamento algum.

Outra coisa importante é saber que a carga tributária por aqui também pode ser alta. Casados pagam menos impostos que solteiros. A situação também muda quando se tem filhos e por ai vai. O percentual sobre o bruto pode variar de 10% a 40%, dependendo de quanto se ganha. Essa calculadora ajuda a prever quanto será a renda liquida no fim do mês e assim fazer as contas sobre a viabilidade de tentar a vida na Alemanha.

Mas antes de qualquer decisão, fica uma dica: faça tudo legalmente e não venha sem ter alguma coisa planejada. Nada na Alemanha “é pra ontem”. Achar casa demora, os documentos raramente ficam prontos no mesmo dia e é preciso agendar tudo com antecedência. Assim, o bom é começar os contatos antes e chegar aqui com alguma coisa em vista. No mais, talento, sorte e capacidade de adaptação são os fatores decisivos pro sucesso.

2 comentários:

None disse...

Achei interessante a iniciativa do seu blog. Este post em específico me auxilou bastante. Se tiver um tempo livre podemos conversar? Pretendo aprender o idioma alemão e acho que seria interessante falar com uma pessoa que mora fora. Agradeço desde já.

Skype: indiemesmo
email: enrickson.varsori@gmail.com

Gabriel Reis disse...

Hallo Ivana, wie ist sie?



tenho muito interesse de fazer intercâmbio pra Alemanha. Mas queria saber se podemos mesmo trabalhar legalmente (e remuneradamente), similar aos programas Study & Work do Canadá e Austrália (Ex: Estudando 90 dias e trabalhando nos outros 90).

Você mencionou isso no post mas o que eu ouvi de outros bloggers é que não há essa possibilidade de se trabalhar com visto de estudante em hotéis, restaurantes, etc...

Como está a situação atual na Alemanha com relação a isso?

Desde já, vielen danken!

Tschüss!!!

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